Informes Técnicos
Surto de Meningite Viral


Secretaria de Estado da Saúde
Centro de Vigilância Epidemiológica "Prof. Alexandre Vranjac"
Divisão de Doenças de Transmissão Respiratória

INFORME TÉCNICO

 

É possível a ocorrência de surtos de meningite viral.

Os agentes etiológicos mais comuns são os enterovírus. A distribuição é universal. A incidência é maior nos meses quentes; todavia, em países tropicais, podem ocorrer durante todo o ano. As crianças têm maior risco, principalmente pré-escolares e escolares.

A transmissão ocorre de pessoa a pessoa, via oral-oral e fecal-oral, sendo a primeira considerada como mais importante.

A infecção confere imunidade tipo-específica. Não existem vacinas contra esse tipo de meningite até a presente data.

As infecções assintomáticas são muito freqüentes. Podem ocorrer ainda outras manifestações clínicas tais como, febre e mal estar, estado gripal, faringite com dor ou ardor na garganta, ou ainda mialgia intensa, exantemas, feridas no orofaringe, mãos e pés, conjuntivite, etc, dependendo do tipo de enterovírus.

É importante ressaltar que a maioria dos casos não são acompanhados de meningite. Dessa forma, os surtos de enteroviroses são detectados pela meningite porque é o que chama mais a atenção, do ponto de vista clínico.

A meningite por enterovírus caracteriza-se por início agudo com febre, cefaléia, sinais meníngeos (rigidez de nuca e outros). O líquor encontra-se habitualmente pouco alterado e o curso clínico é relativamente benigno, com prognóstico, via de regra, excelente, embora fadiga e mal-estar possam persistir por algum tempo. Assim mesmo, no início do quadro, o paciente pode apresentar-se com sinais e sintomas clinicamente indistingüíveis de outras meningites, como por exemplo, as bacterianas, as quais não têm o mesmo curso benigno. Para o diagnóstico diferencial torna-se imprescindível o exame do líquor.

Além disso, mesmo durante surtos de meningites virais, benignas, podem ocorrer meningites de outras etiologias que iriam ocorrer de qualquer maneira; portanto, na suspeita clínica de meningite, mesmo na possibilidade de ser uma viral, esse paciente deve ter seu líquor e/ou quadro clínico investigado.

Habitualmente, os surtos costumam ser de curta duração; como há muitos casos assintomáticos ou com sintomatologia discreta e a transmissão principal se dá pelas secreções orais, fica difícil a adoção de medidas preventivas que realmente causem impacto. No entanto, como pode ocorrer a transmissão fecal-oral, todas as medidas possíveis de higiene com os banheiros, lavatórios e bebedouros, além de reforçar a necessidade de higiene pessoal de cada um, são medidas pertinentes, mesmo em épocas normais. O mesmo no referente às condições do abastecimento de água.

Solicitamos à todos que notifiquem os casos suspeitos; no caso das escolas, que investiguem as causas de absenteísmos e avisem os pais, se possível com a divulgação desse informe técnico acrescido de como está a situação local.

São Paulo, 28 de março de 2000