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SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE COORDENADORIA DE CONTROLE DE DOENÇAS |
| Instituto Adolfo Lutz identifica nova variante do vírus da caxumba |
As
Seções de Vírus Respiratórios e Biologia Molecular do Instituto Adolfo Lutz
identificaram nova variante do vírus da caxumba em 14 amostras biológicas
procedentes de surtos de parotidite epidêmica nos municípios de Atibaia, São
Paulo, Jundiaí e Campinas, no período de dezembro de 2006 a maio de 2007.
Após
isolamento em cultura celular e identificação pelos anticorpos monoclonais
específicos para o vírus da caxumba, procedeu-se a caracterização molecular.
Com base nas informações obtidas pela análise genética, evidenciou-se que as
amostras isoladas constituem uma variante do
vírus não identificada até o presente momento. Os critérios propostos
por especialistas internacionais para identificação de variantes do vírus da
caxumba (atualmente descritos 12 genótipos) foram atendidos nesta investigação
e o estudo filogenético foi avaliado por pesquisadores do Reino Unido.
A
caracterização molecular viral constitui ferramenta importante para a identificação
e o monitoramento da circulação de subtipos virais em áreas geográficas
distintas, aprimorando as ações de vigilância. Com esta descoberta o Instituto
Adolfo Lutz afirma a sua capacidade em acompanhar este avanço tecnológico.
O
recentes achados não permitem, até o momento, inferir há quanto tempo esta
variante circula em nosso país.
Apesar
da identificação desta nova variante do vírus da caxumba, não se observa
aumento de casos entre as pessoas vacinadas nem de complicações como a
meningoencefalite. As 14 amostras
biológicas analisadas são de casos que ocorreram em pessoas não vacinadas ou
que possivelmente receberam apenas uma dose da vacina tríplice viral. Outras
amostras estão em andamento.
Situação da caxumba no
estado de São Paulo
A caxumba, doença
infecciosa aguda causada por um paramixovírus, tem como principal
característica a presença de parotidite (inflamação de glândulas salivares).
Após campanha, realizada em 1992 para crianças de um a dez anos de idade, foi
introduzida a vacina tríplice viral (contra o sarampo, caxumba e rubéola) no
calendário vacinal de rotina do Estado de São Paulo. Desde então, a caxumba
passou a apresentar uma morbidade bastante reduzida, medida indiretamente pelo
impacto observado na incidência da meningoencefalite pós-caxumba. Antes da
introdução da vacina tríplice viral no calendário vacinal de rotina neste
estado, a incidência de meningoencefalite pós-caxumba era de 1,25 casos/100.000
habitantes (média de 400 casos/ ano), passando a 0,01 casos/ 100.000 habitantes
(média de 5 casos/ano).
Surtos de caxumba entre
escolares com elevadas coberturas vacinais são descritos na literatura
internacional, reconhecendo-se a falha primária como a principal responsável
pela manutenção da cadeia de transmissão. A falha primária é descrita como a
não indução de imunidade em menos de 5% das pessoas que recebem a primeira dose
da vacina tríplice viral.
A primeira dose da vacina tríplice viral é
aplicada em crianças com um ano de idade e, a partir de setembro de 2004, foi
introduzida a segunda dose entre 4 e 6 anos, visando resgatar esta possível
falha. Nos últimos cinco anos as coberturas vacinais foram superiores a 95%.
A caxumba não é uma
doença de notificação compulsória, mas como em qualquer agravo preconiza-se
notificar e investigar todo surto ou epidemia para adoção de medidas de
controle adequadas e oportunas.
No
ano de 2006 foram notificados surtos de caxumba nas regiões dos seguintes
Grupos de Vigilância Epidemiológica: São Paulo, Santo André, Moji das Cruzes,
Osasco, Assis, Botucatu, Campinas, Registro, São José dos Campos e Sorocaba.
No
ano de 2007, até o presente momento, foram notificados 97 surtos de caxumba
totalizando 595 casos, predominantes na faixa etária de 10 a 14 anos (36,5%).
Os surtos estão localizados nas regiões: São Paulo, Santo André, Botucatu,
Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto, Piracicaba, Barretos, Mogi das Cruzes e
Bauru. Neste período foram encaminhadas 583 amostras de sangue para pesquisa de
anticorpos para caxumba e 136 amostras de secreção respiratória para isolamento
viral. Das amostras encaminhadas para sorologia, 30% resultaram positivas.
Recomendações
Não há evidências que
estes casos estejam relacionados ao comprometimento da eficácia da vacina, que
é usada com sucesso no Brasil e em vários países, portanto é indispensável a
manutenção da vacinação de rotina e bloqueio adotadas em nosso meio.
Os surtos devem ser
notificados e investigados para a adoção das medidas de controle adequadas e
oportunas.
É fundamental a
manutenção das ações de vigilância epidemiológica e os estudos de
caracterização molecular.
A Secretaria de Estado
da Saúde dará continuidade às análises técnicas detalhadas visando a melhor
caracterização dos casos.
Documento
elaborado pelo
Instituto Adolfo Lutz e
Centro
de Vigilância Epidemiológica
“Prof Alexandre Vranjac”
18 de julho de 2007