SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE
COORDENADORIA DE CONTROLE DE DOENÇAS - CCD
CENTRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
“PROF.  ALEXANDRE VRANJAC” – CVE
DIVISÃO DE INFECÇÃO HOSPITALAR
e.mail: dvhosp@saude.sp.gov.br
telefone: 3066-8261 e 3081-7526 FAX: 3082-9359 e 3082-9395

ORIENTAÇÕES PARA O CLIENTE CIRÚRGICO:
PREVENÇÃO DA INFECÇÃO CIRÚRGICA

O que é infecção cirúrgica?

A infecção cirúrgica é uma infecção hospitalar que ocorre no local da cirurgia, causada por microrganismos (bactérias ou fungos).

Quais são os sinais e sintomas da infecção cirúrgica?

Embora existam outros sinais e sintomas de uma infecção cirúrgica, os principais são:

  • Febre maior do que 38°C

  • Vermelhidão, calor, pus ou secreção marrom no local da cirurgia.

  • Abertura dos pontos no local da cirurgia

  • Formação de pus dentro da cavidade do corpo em que foi realizada a cirurgia

Quanto tempo após a cirurgia estes sinais e sintomas poderão ocorrer?

Estes sinais e sintomas podem ocorrer a qualquer momento após a cirurgia, mas nas infecções cirúrgicas mais comuns isto ocorre nas duas primeiras semanas após a cirurgia.

No caso de cirurgias em que foram implantados algum dispositivos (ex.: placas, parafusos, válvulas cardíacas, implantes de silicone) estes sinais e sintomas podem ocorrer até um ano após a realização do procedimento.

De onde vêm  os microrganismos que causam a infecção cirúrgica?

Os microrganismos que causam a infecção cirúrgica vêm de diversas fontes possíveis. Os microrganismos que estão naturalmente presentes na pele do paciente podem causar a infecção cirúrgica. Além disto, eles também podem estar presentes em instrumentos inadequadamente processados, nas mãos da equipe operatória ou mais raramente, nas superfícies da sala de cirurgia que não tiverem sido adequadamente limpas.

Todos os pacientes têm a mesma chance de adquirir infecção cirúrgica?

Os indivíduos com certas condições clínicas apresentam maior risco de adquirir a infecção. As condições clínicas que aumentam as chances de um paciente adquirir infecção cirúrgica são:

  • desnutrição

  • obesidade

  • traumas por acidentes com grandes lesões de pele

  • diabetes descompensado (açúcar no sangue não está sendo controlado)

  • consumo regular de cigarro comum

  • infecções no local da cirurgia ou em outro local do corpo (por exemplo: infecção urinária,
    cárie dentária infectada, infecção de garganta, infecções na pele)

  • hospitalização prolongada antes da cirurgia

  • cirurgias realizadas em locais com grande quantidade de bactérias (por exemplo: intestino, feridas abertas há muitos dias)

  • bebês recém-nascidos prematuros com muito baixo peso

  • transplantes de órgãos.

Por este motivo, sempre que se faz uma cirurgia programada o médico procura realizar exames e tratamentos para eliminar ou pelo menos reduzir estas condições clínicas desfavoráveis. Nem sempre isto é possível, como no caso das cirurgias de emergência.

É possível prevenir a infecção cirúrgica?

Sim, na maioria dos casos a infecção cirúrgica pode ser prevenida.

Como o hospital deve trabalhar para prevenir a infecção cirúrgica?

Todos os hospitais devem obrigatoriamente possuir uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, que é normalmente conhecida como CCIH.

A CCIH é um grupo de profissionais responsáveis pela elaboração e coordenação das atividades de prevenção.

A presença de uma CCIH efetiva e atuante é a garantia de que o hospital se preocupa com o cliente que está sendo atendido!

O que o cliente cirúrgico e seus familiares devem saber para contribuir na prevenção da infecção cirúrgica?

Algumas “dicas” são importantes para o paciente e sua família.

1.cuide da sua pele!

A pele deve estar muito limpa e sem cortes ou arranhões. Então...

  • O banho completo antes da cirurgia é fundamental. Em geral ele é realizado na manhã do dia da cirurgia. Muitos hospitais fornecem um sabão anti-séptico especial, que remove uma grande quantidade de bactérias comuns da pele.

  • Não utilize cremes, pomadas, ou qualquer produto que possa interferir com a limpeza ou integridade da pele.

  • Não faça depilação antes da cirurgia. Nem sempre é necessário remover os pêlos do local onde será realizada a cirurgia. Quando houver necessidade, o corte dos pêlos deverá ser feito pela equipe de enfermagem, antes da cirurgia, somente no local indicado pelo médico e utilizando técnicas e produtos adequados.

  • Alguns pacientes, especialmente mulheres antes do parto costumam realizar depilação antes de ir para o hospital para “facilitar”. Mas isto não ajuda a prevenir a infecção e pode até ser prejudicial, porque além de deixar os folículos pilosos abertos, se a pele sofrer pequenos cortes e arranhões os microrganismos poderão se proliferar nas camadas mais profundas da pele.

  • Mantenha as unhas curtas e limpas, sem esmaltes.

  • No momento da internação remova todas as jóias e outros adereços. Eles podem carregar microrganismos para a pele.

2. SIGA AS ORIENTAÇÕES MÉDICAS!

  • A utilização de antibióticos para prevenir a infecção será feita apenas quando necessário! Caso você esteja tomando algum antibiótico ou remédio por qualquer outro motivo, informe seu médico na consulta pré-operatória.

  • Siga as orientações quanto ao jejum antes da cirurgia.

  • Siga corretamente as orientações quanto ao controle da glicemia (no caso de diabéticos) e coleta de exames pré-operatórios.

  • Se antes da cirurgia você estiver com febre, dor de garganta, dor ao urinar, dor de dente ou infecção em outro local do corpo é importante comunicar ao médico.

  • Pare de fumar de preferência meses ou semanas antes da cirurgia. A nicotina interfere com a cicatrização da pele. Se a pele demora a cicatrizar, os microrganismos podem penetrar na cirurgia e produzir infecção.

O que observar após a cirurgia?

  • Todos os familiares devem lavar as mãos antes de entrar no quarto para a visita e não tocar no curativo cirúrgico.

  • Ao tomar banho, deve-se evitar molhar o curativo. Mas se isto acontecer, ele deverá ser trocado logo a seguir.

  • Às vezes, durante a cirurgia é necessária a instalação de um dreno para facilitar a remoção de sangue ou secreções (existem diferentes tipos de drenos). É preciso tomar cuidado após a cirurgia para não puxar o dreno ou retirá-lo do lugar. Ao manusear as extensões de drenos é importante que as mãos estejam muito limpas.

  • É muito importante procurar o médico se apresentar qualquer um dos seguintes sinais ou sintomas:

  • Febre (mais do que 38°C)

  • Vermelhidão, calor, pus ou secreção marrom no local da cirurgia

  • Abertura dos pontos cirúrgicos

PREVENIR É FUNDAMENTAL!