SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE
COORDENADORIA DE CONTROLE DE DOENÇAS
CENTRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
“PROF. ALEXANDRE VRANJAC”

Divisão de Infecção Hospitalar
 Tel.: (11) 3066-8759 / 3066-8261 (Fax)
E-mail: dvhosp@saude.sp.gov.br


NOTA TÉCNICA
Orientações para o reprocessamento de
artigos utilizados em cirurgias endoscópicas

            Os endoscópios que entram em contato com tecido estéril, sistema vascular ou cavidade (laparoscópio, artroscópio e cistoscópio), são classificados como artigos críticos e, portanto, devem ser esterilizados a cada procedimento.

Todos os acessórios e instrumentais utilizados em procedimentos cirúrgicos endoscópicos devem ser esterilizados por método químico ou físico. A escolha do método de esterilização deve respeitar as orientações do fabricante dos equipamentos.

O reprocessamento deve ser realizado de acordo com protocolo estabelecido pelo serviço de forma a atender o preconizado na Resolução RE - ANVISA nº 2606, de 11/08/2006 (www.anvisa.gov.br/legis/resol/2006/re/2606_06re.htm).

Etapas do reprocessamento

1. Limpeza

            A limpeza dos artigos é um procedimento fundamental que tem como objetivo principal a remoção da matéria orgânica e redução da carga microbiana para permitir a adequada esterilização.

Procedimentos de limpeza inadequada podem resultar em falhas em qualquer processo de esterilização a ser realizado.

A limpeza dos equipamentos deve ser criteriosa e realizada na Central de Material do estabelecimento de assistência à saúde (EAS)

Ações a serem realizadas:

  • Realizar limpeza imediatamente após a cirurgia, para evitar que a matéria orgânica fique aderida ao instrumental;
  • Desarticular e desmontar o endoscópio;
  • Imergir todos os materiais em solução de detergente enzimático;
  • Lavar todas as partes dos materiais com escovas macias;
  • Para limpeza de lumens, deve-se posicionar o material obliquamente à solução para forçar a entrada do detergente enzimático ou utilizar seringas para forçar a entrada do líquido;
  • Enxaguar abundantemente em água corrente para remover todo resíduo de detergente;
  • Secar cuidadosamente;
  • Fazer inspeção visual do material com auxílio de uma lupa;
  • Utilizar equipamento de proteção individual (EPI) – luvas de borracha, avental, máscara e óculos.

Para limpeza mecânica dos endoscópios estão disponíveis vários tipos de lavadoras, que devem ser utilizadas de acordo com a recomendação do fabricante.

2. Esterilização

Esterilização é o processo que se utiliza de agentes químicos ou físicos para destruir todas as formas de vida microbiana. 

            Para os equipamentos resistentes ao calor, o método mais indicado é a autoclave a vapor.

No caso de equipamentos sensíveis ao calor a esterilização pode ser realizada por meio de óxido de etileno, plasma de peróxido de hidrogênio ou vapor a baixa temperatura com o gás formaldeído.

Na escolha do método de esterilização, deve-se considerar as suas vantagens e desvantagens e a compatibilidade do aparelho e instrumentais ao método escolhido.

A utilização de soluções químicas esterilizantes só deve ser realizada quando não for possível a utilização dos métodos citados acima. A esterilização por método químico deve ser desencorajada devido às dificuldades de operacionalização e garantia da qualidade do processo.

2.1 – Esterilização por método químico

Inicialmente deve ser realizada avaliação junto ao fabricante do aparelho sobre o produto recomendado para esterilização química, de modo a não danificar o equipamento.                

Os esterilizantes químicos mais utilizados em nosso meio são o Glutaraldeído e o Ácido Peracético. 

Os esterilizantes químicos devem ser utilizados de acordo com as orientações dos fabricantes, sendo que na escolha do produto deve-se considerar:

Ÿ       aprovação do fabricante par uso em artigos delicados;

Ÿ       poder de corrosão, odor e manchas;

Ÿ       estabilidade do produto;

Ÿ       tempo de exposição ao produto;

Ÿ       toxicidade para o profissional de saúde, paciente e meio ambiente.

Vários fatores interferem na efetividade dos desinfetantes, entre eles:

§         manipulação incorreta;

§         contaminação bacteriana durante sua manipulação;

§         qualidade da limpeza dos artigos e equipamentos previamente ao uso do desinfetante

§         tempo de imersão por período inferior ao recomendado;

§         resistência microbiana ao produto;

§         concentração da solução;

§         diluição do produto durante sua utilização ao longo dos dias;

§         contaminação da solução por microrganismos presentes nos artigos;

§         contaminação do recipiente no qual os equipamentos e instrumentais são imersos;

Todos estes fatores devem ser avaliados e controlados para garantir a qualidade do reprocessamento.

Ações a serem realizadas:

  • O artigo deve ser previamente lavado e seco antes da imersão, para evitar que a água altere a concentração da solução;
  • Imergir completamente o equipamento na solução química;
  • Todos os canais devem ser preenchidos com solução desinfetante, utilizando-se uma seringa;
  • Monitorar o tempo de imersão necessário para garantir a esterilização de acordo com o tipo de solução e a recomendação do fabricante do produto;
  • Após a esterilização o artigo deve ser submetido a enxágüe abundante com água estéril (frasco descartável);
  • Utilizar seringa com água estéril para enxaguar os canais;
  • Manipular os artigos com luva estéril;
  • Secar o equipamento com compressa estéril e utilizar imediatamente;
  • Utilizar equipamento de proteção individual (EPI) – luvas, avental, máscara e óculos.

OBS: a validade da solução após a diluição ou ativação, assim como o monitoramento da concentração da solução deve ser realizada de acordo com as recomendações do fabricante. A cada troca da solução o recipiciente deve ser cuidadosamente limpo antes da colocação de nova solução.

Na opção pelo uso do Glutaraldeído 2%, seguir ainda as recomendações da Resolução SS-27, de 28-2-2007 que Aprova Norma Técnica que institui medidas de controle sobre o uso do Glutaraldeído nos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde.

Outras recomendações:

Ÿ          É da responsabilidade dos serviços de saúde garantir a qualidade do reprocessamento dos equipamentos acessórios e instrumentais;

Ÿ          Manter registro de todo o processo de reprocessamento de forma a permitir a rastreabilidade de todos os insumos (produtos e equipamentos) usados nos procedimentos a que se referem esta nota técnica;

Ÿ          É proibida a reutilização de pinças e tesouras não desmontáveis, de acordo com o preconizado na Resolução RE - ANVISA nº 2605, de 11/08/2006;

Ÿ          Só podem ser utilizados na limpeza e desinfecção de artigos produtos que possuem registro no Ministério da Saúde – ANVISA.

 

Divisão de Infecção Hospitalar

Dezembro/2007