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| Secretaria
de Estado da Saúde de São Paulo - SES/SP Centro de Vigilância Epidemiológica - CVE |
| MANUAL DAS DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS E ÁGUA |
| STAPHYLOCOCCUS AUREUS/INTOXICAÇÃO ALIMENTAR |
1. Descrição da doença
- intoxicação
alimentar estafilocócica e não infecção ou estafiloenterotoxemia é o nome como
a doença é conhecida. Geralmente de início abrupto e violento, com náusea,
vômitos e cólicas, prostração, pressão baixa e temperatura subnormal.
Alterações na freqüência cardíaca podem também ser observadas. A recuperação
ocorre em torno de dois dias, porém, alguns casos podem levar mais tempo ou
exigir hospitalização. A morte é rara; contudo, pode ocorrer em crianças,
idosos e indivíduos debilitados. O diagnóstico é fácil, especialmente quando há
um grupo de casos, com predominância de sintomas gastrointestinais superiores e
com intervalo curto entre o início dos sintomas e ingestão de um alimento
comum.
2. Agente etiológico - Staphylococcus aureus é uma bactéria esférica
(coccus) que aparece aos pares no exame microscópico, em cadeias curtas ou em
cachos similares aos da uva ou em grupos. É um gram positivo, sendo que algumas
cepas produzem uma toxina protéica altamente termo-estável que causa a doença
em humanos. A toxina é produto da multiplicação da bactéria nos alimentos
deixados em temperaturas inadequadas.
3. Ocorrência - a real freqüência da
intoxicação estafilocócica é desconhecida, seja por erro diagnóstico, por ser
similar a outras intoxicações (Bacillus
cereus - toxina do vômito); por coleta inadequada de amostras para testes
laboratoriais, exames laboratoriais impróprios ou investigações epidemiológicas
inadequadas dos surtos. No estado de São Paulo foram notificados 25 surtos por S. aureus, envolvendo quase 200 pessoas,
nos anos de 2001 e 2002.
4. Reservatório - seres humanos na maioria das
vezes; a transmissão ocorre devido a ferimentos nas mãos ou outras lesões
purulentas ou secreções que contaminam os alimentos durante sua manipulação.
Cerca de 25% das pessoas são portadores nasais. Úberes infectados de vaca,
pássaros e cachorros também podem transmitir a bactéria.
5. Período de
incubação - de 30
minutos a 8 horas; em média 2 a 4 horas.
6. Modo de transmissão
- ingestão
de um produto/alimento contendo a enterotoxina estafilocócica. Alimentos
manipulados por pessoas portadoras do patógeno em secreções nasofaríngeas ou
com ferimentos nas mãos, abcessos ou acnes; ou produtos de origem animal contaminados,
que não foram cozidos ou refrigerados adequadamente, permanecendo em
temperatura ambiente por determinado tempo que permita a multiplicação do
organismo e a produção da enterotoxina termo-estável. Superfícies e
equipamentos contaminados podem ser também a causa de intoxicações.
7. Susceptibilidade e
resistência - a maioria das pessoas é susceptível. Entretanto, a
intensidade dos sintomas pode variar.
8. Conduta médica e
diagnóstico - o
diagnóstico deve ser feito com base em levantamento do quadro clínico e
história de ingestão de alimentos suspeitos, entrevistando-se vítimas e
comensais. Alimentos incriminados na investigação epidemiológica devem ser
coletados e examinados para staphylococci. A presença de um grande número de
enterotoxina estafilocócica é uma boa evidência de que o alimento contém
toxina. Resultados positivos em doentes e no alimento confirmam o diagnóstico.
Um número de métodos sorológicos para determinar a enterotoxigenicidade do S. aureus isolado de alimentos, bem
como, métodos para separação e detecção de toxinas em alimentos têm sido
desenvolvidos e utilizados para melhorar o diagnóstico da doença. Fagotipagem
pode ser útil quando um staphylococci viável pode ser isolado de um alimento
incriminado, de vítimas e de portadores suspeitos tais como manipuladores de
alimentos. O isolamento de organismos de um mesmo fagotipo de fezes ou vômito
de duas ou mais pessoas confirmam o diagnóstico. A recuperação de um largo
número de staphilococci produtor de enterotoxina, de fezes ou vômitos de uma
pessoa, também confirma o diagnóstico.
9. Tratamento - reposição hidroeletrolítica
se necessário.
10. Alimentos
incriminados - carnes e produtos cárneos; aves e ovos; saladas com
ovos, atum, galinha, batata, macarrão; patês, molhos, tortas de cremes, bombas
de chocolate e outros; sanduíches com recheios; produtos lácteos e derivados.
São de alto risco os alimentos que requerem considerável manipulação para seu
preparo e que permanecem em temperatura ambiente elevada e por muito tempo após
sua preparação. Staphylococcus existem no ar, na poeira, em esgotos, água,
leite, em superfícies e equipamentos, em humanos e animais. A intoxicação
humana é provocada pela ingestão de enterotoxinas produzidas por algumas cepas
de S. aureus, comumente porque o
alimento permaneceu em temperatura quente inadequada, isto é, abaixo de 60 ° C
(140 º F) ou em temperatura fria, porém, acima de 7,2 º C (45 º F).
11. Medidas de
controle - 1)
notificação de surtos - a ocorrência
de surtos (2 ou mais casos) requer a notificação imediata às autoridades de
vigilância epidemiológica municipal, regional ou central, para que se
desencadeie a investigação das fontes comuns e o controle da transmissão
através de medidas preventivas (interdição de produtos contaminados, verificação
de práticas inadequadas nas cozinhas e da presença de portadores, manipuladores
com ferimentos, medidas educativas, entre outras). Orientações poderão ser
obtidas junto à Central de Vigilância Epidemiológica - Disque CVE, no telefone
é 0800-55-5466. 2) medidas preventivas –
educação dos manipuladores de alimentos e conscientização sobre o risco da
produção de alimentos em larga escala e dos fatores críticos que desencadeiam a
produção da enterotoxina; orientações para rigorosa higiene e limpeza das cozinhas;
controle de temperatura; limpeza das mãos e unhas; conscientização sobre o
perigo de infecções em pele, nariz e olhos, etc.. 3) medidas em epidemias – investigação de surtos e determinação dos
alimentos implicados e fatores contribuintes para o surto. Intervenção e
mudança de práticas inadequadas de preparo de alimentos.
12. Bibliografia
consultada e para saber mais sobre a doença
1. AMERICAN PUBLIC
HEALTH ASSOCIATION. Control of
Communicable Diseases Manual. Abram S.
Benenson, Ed., 16 th Edition, 1995, p. 184-187.
2. FDA/CFSAN (2003).
Bad Bug Book. Sstaphylococcus
aureus. URL: http://www.cfsan.fda.gov/~mow/chap3.html
Texto
organizado por na Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar, março
de 2003.