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POR
QUE NÃO DEVEMOS COMER OVOS CRUS OU MAL COZIDOS? |
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A globalização da economia, a mobilização intensa
das populações em viagens internacionais e fatores relacionados à própria
criação de animais para consumo alimentar, propiciaram a partir dos anos
80, o surgimento e a disseminação em todo mundo de uma nova bactéria,
relacionada a ovos e aves, a Salmonella Enteritidis.
O surgimento dessa bactéria vem impondo mudanças drásticas
nos hábitos alimentares como forma de reduzir o risco de se adquirir a
doença sendo necessária a criação de uma nova consciência sobre o
“consumo de alimentos sem risco”.
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QUEM
É A Salmonella Enteritidis?
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Salmonella é um grupo bacteriano que pode
causar gastrenterites, encontrada, em geral, em alimentos de origem
animal, como carnes, aves, ovos, leite e outros. Salmonella
Enteritidis é um dos tipos mais comuns no mundo e é transmitido
principalmente por ovos consumidos crus ou mal cozidos. O frango e outras
aves, se consumidos mal cozidos, mal fritos ou mal assados também podem
transmitir a bactéria.
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O
QUE CAUSA A Salmonella Enteritidis?
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Uma
pessoa que se infecta com a bactéria pode apresentar febre, cólicas
abdominais e diarréia, de
12 a
72 horas após o consumo do alimento contaminado. A doença dura de
4 a
7 dias, e muitos doentes se recuperam sem a necessidade de tomar antibióticos.
Entretanto, quando a diarréia é severa, hospitalização e uso de antibióticos
podem ser necessários, além de hidratação venosa e outros cuidados.
Crianças, gestantes, idosos e imunocomprometidos podem apresentar
formas graves da doença, com infecção que pode passar do intestino para
a corrente sanguínea ou para outros órgãos do corpo, podendo causar óbito
se não tratada prontamente com antibióticos adequados.
Vários estudos mostram que essa bactéria, no mundo, tornou-se
resistente a vários antibióticos: no Estado de São Paulo, o Instituto
Adolfo Lutz detectou que 65% das cepas são resistentes a antibióticos,
em geral a dois tipos de drogas, e algumas das cepas até sete
antimicrobianos. Este problema está relacionado ao uso indiscriminado de
antibióticos, e especialmente na criação das aves.
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A Salmonella Enteritidis É UM
PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA?
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A
associação entre Salmonelose e consumo de ovos crus ou mal cozidos é
inquestionável e reconhecida em todo mundo como um importante problema de
saúde pública, incluindo-se o Brasil.
Um estudo feito pelo
Centro de Vigilância Epidemiológica – SES/SP com base em notificações
de surtos e levantamento de diagnóstico laboratorial, no período de
1999 a
2007, mostra que grande parte dos surtos de diarréia causados por bactéria
no Estado de São Paulo é devido à Salmonella spp, sendo que a S.
Enteritidis representa 43,2% desses surtos. Em estudos laboratoriais, a
partir de testes moleculares observou-se que mais de 70% das Salmonellas
spp são Salmonella Enteritidis, mostrando que essa bactéria é a
principal responsável pelos surtos bacterianos.
Investigações epidemiológicas
de surtos por SE, em casos que demandaram internação hospitalar mostram
a importante gravidade dos casos e a ocorrência de óbitos.
A S. Enteritidis
é o principal sorotipo encontrado em surtos associados ao consumo de
alimentos preparados à base de ovos crus ou mal cozidos: maioneses
caseiras e ovos crus foram causa de 35% dos surtos; no total, 64% dos
surtos por Salmonella foram causados por alimento contendo o
ingrediente ovo cru ou mal cozido (sanduíches, bolos, doces, etc.). 34%
dos surtos têm origem em restaurantes e outros estabelecimentos
comerciais e 22%
em residências. A
taxa de incidência é alta em crianças de
5 a
9 anos de idade (2,44 casos/100 mil hab.) e no grupo de
10 a
19 anos (2,15 casos/100 mil hab.).
O ovo é um importante
alimento protéico que deve constar da dieta alimentar, porém os
consumidores devem estar conscientes sobre os riscos de ingestão de ovos
crus ou mal cozidos para reduzir a possibilidade de adoecimento.
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COMO
OS OVOS SE TORNAM CONTAMINADOS?
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Estudos
mostraram que a S. Enteritidis infecta o ovo não somente através
da casca quebrada, mas também silenciosamente os ovários da galinha
tornando seus ovos infectados antes mesmo de se formar a casca.
A grande maioria dos tipos de Salmonella vive no trato de
animais e pássaros e é transmitida por alimentos de origem animal.
Estudos realizados nos Estados Unidos e Europa mostram que um em cada 20
mil ovos pode estar contaminado, e em algumas de suas regiões, um em cada
10 mil ovos, o que aumenta o risco de se adquirir a doença. Análises de
ovos feitas em laboratórios de saúde pública no Brasil mostram que 1,6
ovos em cada 100 podem conter a bactéria, um risco 320 vezes maior.
Medidas rígidas de higiene são necessárias na criação de aves e
produção de ovos para se evitar a disseminação da doença. Cuidados
com os dejetos dos animais são fundamentais para impedir a contaminação
do meio ambiente, das águas dos rios e das plantações de verduras e
frutas. A bactéria pode se desenvolver nas células das verduras e frutas
e os desinfentantes não atingem a parte interna dos vegetais.
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COMO
REDUZIR O RISCO DE ADQUIRIR A DOENÇA?
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Os ovos são mais
seguros quando armazenados em geladeira, pois se evita a multiplicação
das bactérias. Não devem ser guardados na porta, pois podem quebrar-se
facilmente e contaminar outros alimentos. A embalagem com os ovos ou o próprio
suporte para ovos da geladeira podem ser armazenados em uma vasilha de plástico
de modo a separar os ovos de outros alimentos guardados na geladeira.
Os ovos devem ser consumidos sempre bem cozidos ou fritos e
prontamente. O cozimento total dos ovos destrói as bactérias. Ovos com
gema mole, mal cozidos ou mal fritos são de alto risco para se adquirir a
doença. Não utilizar clara crua em coberturas de bolos, doces ou outros
pratos que serão servidos sem cozimento prévio. Não utilizar gemas
cruas no preparo de maioneses e outros alimentos que serão servidos sem
cozimento prévio. Há várias alternativas de preparo dos alimentos com
ovos para que sejam seguros.
Restaurantes e outros estabelecimentos comerciais devem utilizar
ovos em pó ou líquido, pasteurizados em preparações sem cocção. A
Portaria CVS/SES-SP No. 6/99, de 10 de março de 1999 proíbe a utilização
de ovos crus em
estabelecimentos comerciais no Estado de São Paulo.
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REGRAS
BÁSICAS PARA PREVENÇÃO E CONTROLE
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Procure
adquirir ovos de estabelecimentos comerciais que armazenam os ovos em
prateleiras refrigeradas. Ajude a conscientizar os produtores e vendedores
de ovos a refrigerar os ovos desde a produção até sua comercialização.
A dona de casa já sabe que é preciso manter os ovos na geladeira. Como
todo alimento perecível os ovos devem ser mantidos na geladeira.
Descarte ovos quebrados ou sujos. Lave bem as mãos, utensílios e
superfícies da pia, com água e sabão, depois do contato com ovos crus.
Não contamine os outros alimentos com resíduos de ovos crus na pia,
panelas, liquidificador, etc..
Coma os ovos bem cozidos (gema e claras duras/firmes). Sempre guarde
na geladeira as sobras de alimentos feitos com ovos e procure consumi-las
o mais prontamente possível. Evite comer pratos à base de ovos crus como
determinados sorvetes artesanais ou caseiros, mousses, coberturas de bolo,
maionese caseira, molhos, etc.. Alimentos comerciais devem ser preparados
com ovos pasteurizados. Denuncie à Vigilância Sanitária de seu município
os estabelecimentos comerciais (restaurantes, padarias, bufês,
lanchonetes, comida de rua, etc.) que preparam pratos à base de ovos crus
ou mal cozidos. Informe à Vigilância Sanitária os culinaristas que
ainda passam receitas de alimentos a base de ovos crus que serão servidos
sem cocção prévia.
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O
QUE É AINDA NECESSÁRIO PARA CONSCIENTIZAR AS PESSOAS SOBRE COMO CONSUMIR
OVOS SEGUROS
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Medidas educativas:
São várias as estratégias
adotadas para conscientizar o consumidor sobre os cuidados com produtos de
origem animal. Folhetos e cartilhas, ainda que muito úteis, não atingem
largas parcelas da população e de maneira continuada.
A mídia pode desempenhar papel importante adotando o tema como
necessidade de conscientização e divulgar os cuidados com os ovos de
forma permanente. Na TV ou imprensa escrita os culinaristas devem passar
suas receitas com ovos destacando a necessidade de cuidados com os mesmos
e fornecendo as alternativas para preparação segura de suas receitas.
Legislação:
Uma nova regulamentação
proposta pelo CVE/SES-SP, encaminhada para a ANVISA, encontra-se em estudo
com vistas a orientar o consumidor sobre o manuseio e preparo adequado dos
alimentos com ovos. Trata-se de proposta de nova rotulagem da embalagem
dos ovos sobre refrigeração do produto e aviso sobre a forma correta de
consumi-lo. O ovo é um alimento importante e deve fazer parte da
dieta alimentar. Rotular os ovos será uma boa forma de atingir todos os
consumidores ensinando-os a consumir o produto de forma adequada, isto é,
sem riscos.
São Paulo, Setembro de 2008
DIVISÃO DE DOENÇAS DE TRANSMISSÃO HÍDRICA E ALIMENTAR/CVE/SES-SP
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