Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo - SES/SP
Coordenadoria de Controle de Doenças - CCD
Centro de Vigilância Epidemiológica - CVE
Centro de Vigilância Sanitária - CVS
Instituto Adolfo Lutz - IAL
Instituto de Infectologia Emílio Ribas - IIER
 MANUAL DAS DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS E ÁGUA
MISCELÂNEA ENTÉRICA

1. Descrição da doença - gastroenterite, esporadicamente e ocasionalmente causada por alguns gêneros Gram-negativos.

2. Agente etiológico - gênero Gram-negativo incluindo Klebsiella, Enterobacter, Proteus, Citrobacter, Aerobacter, Providencia e Serratia. Essas bactérias entéricas (intestinais), estes bastonetes têm sido apontadas como causas de doenças gastrointestinais agudas e crônicas. Esses microrganismos podem ser encontrados no meio ambiente natural, tais como em florestas, água, produtos de fazenda (vegetais) como microflora natural. Podem ser encontrados nas fezes de indivíduos saudáveis sem sintomas da doença. A proporção relativa de cepas patogênica e não-patogênica é desconhecida.

 

3. Natureza da doença - a gastroenterite aguda é caracterizada por dois ou mais sintomas – vômito, náusea, febre, calafrio, dor abdominal, diarréia líquida (desidratante) ocorrendo 12 a 24 horas após a ingestão do alimento ou água contaminada. A forma crônica é caracterizada pelos sintomas disentéricos – gosto ruim na boca, fezes diarreicas com muco, flatulência e distensão abdominal, podendo continuar por meses e requerendo tratamento com antibiótico. A dose infecciosa é desconhecida. Suspeita-se que ambas as formas, aguda e crônica, resultam da elaboração de enterotoxinas. Esses microrganismos podem se transformar transitoriamente em virulentos por adquirirem elementos genéticos de mobilidade de outros patógenos.

 

4. Diagnóstico - métodos de recuperação e identificação desses patógenos em alimentos, água ou amostras diarreicas são baseadas na eficácia da média seletiva e resultados dos ensaios microbiológicos e bioquímicos. A capacidade de produzir enterotoxina (s) pode ser determinada pela cultura de células e bioensaios em animais, métodos sorológicos ou provas genéticas.

 

5. Alimentos associados - essas bactérias têm sido encontradas em laticínios, frutos do mar (crustáceos) e vegetais frescos crus.

 

6. Ocorrência - a forma aguda pode ocorrer mais freqüentemente em áreas não desenvolvidas do mundo. A crônica é comum em crianças desnutridas morando sem condições sanitárias em países tropicais.

 

7. Curso natural da doença e complicações - indivíduos saudáveis recuperam-se rapidamente sem tratamento da forma aguda. As crianças desnutridas (1-4 anos) e bebês que têm diarréia crônica logo desenvolvem anormalidades estruturais e funcionais no trato intestinal resultando em uma perda da capacidade de absorver nutrientes. A morte é comum nessas crianças e resulta indiretamente dos efeitos toxigênicos crônicos os quais produzem a má-absorção e má-nutrição (desnutrição).

 

8. Susceptibilidade - todas as pessoas podem ser susceptíveis às formas patogênicas dessas bactérias. A doença prolongada é mais comumente encontrada entre os mais jovens.

 

9. Análise dos alimentos - essas cepas são recuperadas por procedimentos padrões de isolamento seletivos e diferenciais para bactérias entéricas. Ensaios bioquímicos e in vitro podem ser usados para determinar espécies e potencial patogênico. Não sendo usualmente encontrados como patógenos humanos, eles acabam sendo facilmente omitidos pelo laboratório clínico.

 

10. Surtos da doença - infecções intestinais esporádicas nos países desenvolvidos e surtos comuns em áreas não desenvolvidas.

 

11. Bibliografia consultada e para saber mais sobre a doença

 

  1. AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. Control of Communicable Diseases Manual. Abram S. Benenson, Ed., 16 th Edition, 1995
  2. FDA/CFSAN Bad Bug Book – Mycelaneous enteric. Internet http://www.fda.gov

 

 

Texto elaborado pela Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar - CVE/SES-SP, com a colaboração dos alunos do I Curso de Especialização em Epidemiologia Aplicada às Doenças Transmitidas por Alimentos - Convênio CVE-SES/SP/FSP-USP, ano 2000/2001.

 

São Paulo, 29 de Junho de 2001.