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| Secretaria
de Estado da Saúde de São Paulo - SES/SP Centro de Vigilância Epidemiológica - CVE |
| MANUAL DAS DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS E ÁGUA |
| VIBRIO VULNIFICUS |
1. Descrição da doença
- este
organismo causa infecções em feridas, gastroenterites ou a síndrome conhecida
como "septicemia primária". Infecções mais graves geralmente ocorrem
em pessoas com comprometimento hepático, alcoolismo crônico ou hemocromatose e
em imunodeprimidos. Nesses indivíduos o microrganismo atinge a corrente
sangüínea, provocando o choque séptico, levando rapidamente à morte (cerca de
50% dos casos). Trombocitopenia é comum e muitas vezes há evidências de
coagulação intravascular disseminada. Lesões na pele ou lacerações provocadas
por corais, peixes, etc., podem ser contaminadas com o organismo através da
água do mar. Mais de 70% das pessoas infectadas podem apresentar lesões de pele
tipo bulbar. Pessoas saudáveis ao ingerirem V.
vulnificus podem ter gastroenterite. A dose infectiva que causa
gastroenterite em indivíduos saudáveis é desconhecida. Presume-se que menos de
100 organismos possam provocar septicemia em pessoas com doenças nas condições
anteriormente descritas.
2. Agente etiológico - Vibrio vulnificus. É um patógeno oportunista, gram-negativo, halofílico, fermentador de
lactose, encontrado em ambientes marinhos associado a várias espécies marinhas
como planctons, frutos do mar (ostras, mexilhões, caranguejos) e peixes com
barbatanas. Sua sobrevivência está ligada a fatores como temperatura, pH,
salinidade, e aumento de resíduos orgânicos neste meio.
3. Ocorrência - casos esporádicos podem
ocorrer nos meses quentes do ano. Não há dados sobre a freqüência do patógeno
Brasil.
4. Reservatório - o meio ambiente marinho é
seu habitat natural, bem como, várias espécies marinhas.
5. Período de
incubação - início da
gastroenterite entre 12 horas e 3 dias após a ingestão de alimentos crus ou mal
cozidos.
6. Modo de transmissão
- ingestão
de produtos do mar crus ou mal cozidos ou contaminação de feridas com o microrganismo.
7. Susceptibilidade e
resistência - susceptibilidade geral para indivíduos saudáveis que
ingiram alimentos contaminados. Indivíduos com comprometimento hepático,
imunodeprimidos e outras doenças graves podem apresentar a "septicemia
primária".
8. Conduta médica e
diagnóstico - isolamento
do organismo em feridas, fezes diarréicas ou no sangue é diagnóstico da doença.
9. Tratamento - hidratação oral ou
endovenosa para indivíduos com gastroenterite que podem necessitar também de
tratamento com antibióticos (tetraciclina é a droga de escolha). As lesões
devem ser tratadas com antibiótico. Os indivíduos com doenças de base e
complicações irão requer tratamentos específicos.
10. Alimentos
associados - ostras,
mexilhões e caranguejos consumidos crus ou mal cozidos. O método para
isolamento do organismo no alimento é similar ao da cultura de fezes.
11. Medidas de
controle - 1)
notificação de surtos - a ocorrência
de surtos (2 ou mais casos) requer a notificação imediata às autoridades de
vigilância epidemiológica municipal, regional ou central, para que se
desencadeie a investigação das fontes comuns e o controle da transmissão
através de medidas preventivas e educativas. Orientações poderão ser obtidas
junto à Central de Vigilância Epidemiológica - Disque CVE, no telefone é
0800-55-5466. 2) medidas preventivas – consumo
de produtos adequadamente cozidos. Alerta para as pessoas com doenças graves e
imunodeprimidos sobre o risco do consumo de produtos do mar crus. 3) medidas em epidemias – investigação dos
surtos e identificação de fontes de transmissão; conscientização da população
sobre os riscos de ingestão de produtos do mar crus.
12. Bibliografia consultada
e para saber mais sobre a doença
1. AMERICAN PUBLIC
HEALTH ASSOCIATION. Control of
Communicable Diseases Manual. Abram S.
Benenson, Ed., 16 th Edition, 1995, p. 191.
2. FDA/CFSAN (2003).
Bad Bug Book. Vibrio vulnificus.
URL: http://www.cfsan.fda.gov/~mow/chap10.html
Texto
organizado pela Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar, abril
2003.