Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo - SES/SP
Centro de Vigilância Epidemiológica - CVE
 MANUAL DAS DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS E ÁGUA
TAENIA SAGINATA/TENÍASE

1. Descrição da doença - Taenia saginata produz a doença denominada cisticercose bovina que compreende sintomas variáveis desde dor abdominal leve, até nervosismo, insônia, anorexia, perda de peso e outros distúrbios digestivos. O fato mais surpreendente consiste na passagem (ativa ou passiva) das proglotes. Ocasionalmente, apendicite ou colangite podem resultar da migração de proglotes. Exceto pela eliminação dos vermes pelo ânus, a maioria das infecções é assintomática.

 

2. Agente etiológico - Taenia saginata, transmitida pela carne bovina contaminada causa somente infecção intestinal com o verme adulto em humanos.

 

Ciclo de Vida:

 

Os humanos são os únicos hospedeiros definitivos de Taenia saginata. O verme adulto (comprimento: em torno de 5 m ou menos, mas até 25 m) reside no intestino delgado onde se fixa por uma estrutura chamada escólex. Produzem proglotes (cada verme tem de 1.000 a 2.000 proglotes) que se engravidam, destacam-se do verme e migram para o ânus ou saem com as fezes (cerca de 6 por dia). Cada proglote grávida contém de 80.000 a 100.000 ovos que são liberados depois que esta estrutura se destaca do corpo do verme e saem com as fezes. Os ovos podem sobreviver por meses até anos no ambiente.

A ingestão de vegetação contaminada pelos ovos (ou proglotes) infesta o hospedeiro intermediário (bovinos e outros herbívoros). No intestino do animal, os ovos liberam a oncosfera, que evagina, invade a parede intestinal e migra para os músculos estriados, onde se desenvolve no cisticerco. O cisticerco pode sobreviver por muitos anos no animal.

A ingestão de carne crua ou mal passada com cisticerco infesta os humanos. No intestino humano, o cisticerco se desenvolve 2 meses depois no verme adulto, que pode sobreviver por mais de 30 anos.

 

 

 

 

 

 

 

 

3. Ocorrência -  esta espécie é de distribuição mundial.

 

4. Reservatório - humanos são os hospedeiros definitivos desta taenia e o gado, hospedeiro intermediário.

 

5. Modo de transmissão - carne bovina crua ou mal cozida contaminada por cisticercos.

 

6. Período de incubação - sintomas de cisticercose podem aparecer de dias a mais de 10 dias depois da infecção. Ovos aparecem nas fezes 10 a 14 dias na T. saginata.

 

 

7. Susceptibilidade e resistência - geral. Nenhuma resitência parece acompanhar a infecção, porém, mais que um verme em cada pessoa, é raramente relatado.

 

8. Conduta médica e diagnóstico - o tratamento é realizado com niclosamida ou praziquantel. É importante destacar que os ovos das tênias dos suínos e dos bovinos são, microscopicamente, impossíveis de se diferenciar. As principais diferenças entre a T. solium e a T. saginata dos bovinos são (Quadro 1):

 

QUADRO 1 - Principais diferenças entre T. solium e T. saginata

 

 

 

Taenia solium

Taenia saginata

Escólex

Globoso

Com rostro

Com dupla fileira de acúleos

Quadrangular

Sem rostro

Sem acúleos

Proglotes

Ramificações uterinas pouco numerosas, de tipo dendrítico

 

Saem passivamente com as fezes

Ramificações uterinas muito numerosas, de tipo dicotômico

 

Saem ativamente no intervalo das defecações

Cysticercus

C. cellulosae

 

Apresenta acúleos

C. bovis

 

Não apresenta acúleos

Cisticercose humana

Possível

Não comprovada

Ovos

Indistinguíveis

Indistinguíveis

 

 

9. Medidas de controle - 1) Medidas preventivas - a ocorrência da cisticercose suína e/ou bovina, é um forte indicador das más condições sanitárias dos plantéis. Com base nos conhecimentos atuais, a erradicação das tênias, T. solium e T. saginata, é perfeitamente possível pelas seguintes razões: os ciclos de vida necessitam do homem como hospedeiro definitivo; a única fonte de infecção para os hospedeiros intermediários, pode ser controlada; não existe nenhum reservatório selvagem significativo; e, existem drogas seguras e eficazes para combater a teníase. Para o controle destes parasitas e da cisticercose, os métodos devem ser baseados em: a) Informar pessoas para: evitar a contaminação fecal do solo, da água e dos alimentos destinados ao consumo humano e animal; não utilizar águas servidas para a irrigação das pastagens ;e, cozer totalmente as carnes de suínos e bovinos; b) Congelar a carne suína e bovina a temperatura abaixo de – 5° C, por no mínimo 4 dias; ou irradiar a 1 Kgy, a fim de que os cisticercos sejam destruídos eficazmente; c) Submeter à inspeção as carcaças, nos abatedouros de suínos e bovinos, destinando-se conforme os níveis de contaminação: condenação total, parcial, congelamento, irradiação ou envio para as indústria de reprocessamento; d) Impedir o acesso de suínos às fezes humanas, latrinas e esgotos. 2) Controle do paciente, contato e meio-ambiente: a) Informar a autoridade sanitária local; b) Colaborar na desinfecção; dispor as fezes de maneira higiênica; enfatizar a necessidade de saneamento rigoroso e higienização das instalações; investir em educação em saúde promovendo mudanças de hábitos, como a lavagem das mãos após defecar e antes de comer; c) Investigar os contatos e fontes de infecção; avaliar os contatos com sintomas.

 

10. Bibliografia e para saber mais sobre a doenças

 

1.      AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. Control of Communicable  Diseases Manual. Abram S. Benenson, Ed., 16 th Edition, 1995

2.      CDC/ATLANTA/USA. DPDx - Identification and Diagnosis of Parasites of Public Health Concern. In: http://www.dpd.cdc.gov/dpdx

 

Texto organizado por Graziela Gonçalves Alvarez, do I Curso de Especialização em Epidemiologia Aplicada às Doenças Transmitidas por Alimentos, ano 2000, convênio DDTHA/CVE e FSP/USP..