INFORME-NET DTA         Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

 

Centro de Vigilância Epidemiológica - CVE

 

 

 

MANUAL DAS DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS

 

 

 

OUTROS AGENTES VIRAIS/OUTRAS GASTROENTERITES VIRAIS   

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1. Descrição da doença -  gastroenterite aguda não bacteriana e gastroenterite viral são os nomes comuns das doenças causadas por diversos tipos de vírus. Geralmente é uma doença leve caracterizada por náusea, vômito, diarréia, mal-estar, dor abdominal, dor de cabeça e febre. Doses infectivas não são conhecidas, mas, presume-se serem baixas.

 

2. Agente etiológico - Além do rotavírus e Norwalk vírus, outros tipos de vírus têm sido implicados em surtos, como - astrovírus, calicivírus, adenovírus, e parvovírus.

 

3. Ocorrência - Astroviroses são a causa de gastroenterites esporádicas em crianças menores de 4 anos e representam cerca de 4% dos casos hospitalizados por diarréia. Estudos mostram que a maioria das crianças americanas e britânicas maiores de 10 anos possui anticorpos para o vírus.    As caliciviroses atingem crianças entre 6 e 24 meses de idade contabilizando cerca de 3% das admissões por diarréia em hospitais. Acima de 6 anos, mais que 90% das crianças desenvolveram imunidade para o vírus. Adenovírus entérico causa 5 a 20% das diarréias em crianças jovens, e é a segunda maior causa de gastroenterite neste grupo de idade. Acima de 4 anos, 85% das crianças já desenvolveram imunidade para essa doença. Parvovírus está implicado em surtos associados a frutos do mar, mas a freqüência da doença é desconhecida. No Brasil não há estatísticas sobre a freqüência desses tipos de vírus e são escassos os estudos.

 

4. Reservatório - provavelmente humano.

 

5. Período de incubação -  doença auto-limitada, leve, tem o período de incubação de 10 a 70 horas após a ingestão de alimentos ou água contaminados, durando de 2 a 9 dias. Co-infecções com outros agentes entéricos podem agravar a doença e seu tempo de duração.

 

6. Modo de transmissão - provavelmente fecal-oral, com possível disseminação por vias aéreas como no adenovírus.

 

7. Susceptibilidade e resistência - as populações susceptíveis para astrovírus e calicivírus são crianças jovens e idosos. Somente crianças jovens parecem desenvolver enterites por adenovírus. São infecções com alta capacidade de alastramento e parecem resultar em desenvolvimento de imunidade. A infecção por parvovírus atinge todas as idades e provavelmente não confere imunidade permanente.

 

8. Conduta médica e diagnóstico - o diagnóstico laboratorial é feito por exames específicos em amostras de fezes por microscopia eletrônica e imuno ensaios. A confirmação requer a demonstração de soroconversão ao agente por testes sorológicos específicos no soro do paciente com a doença aguda e em convalescência.

 

9. Tratamento - o tratamento consiste de hidratação e reposição de eletrólitos nos casos mais graves.

 

10. Alimentos associados -  gastroenterites virais são transmitidas pela via fecal-oral (pessoa-a-pessoa) ou devido à ingestão de alimentos ou água contaminados. Manipuladores podem contaminar alimentos que não são aquecidos/cozidos antes do consumo. Adenovírus pode ser transmitido por via respiratória. Frutos do mar têm sido implicados em surtos por parvovírus.

 

11. Medidas de controle - 1) notificação de surtos - a ocorrência de surtos (2 ou mais casos) requer a notificação às autoridades de vigilância epidemiológica municipal, regional ou central, para que se desencadeie a investigação das fontes comuns e o controle da transmissão através de medidas preventivas. Especial atenção deve ser dada às creches e outros espaços fechados com populações permanentes. Orientações poderão ser obtidas junto à Central de Vigilância Epidemiológica - Disque CVE, no telefone é 0800-55-5466. 2) medidas preventivas – medidas gerais de higiene aplicáveis às doenças transmitidas via fecal-oral; o cozimento adequado de alimentos e água; cuidados com a água para consumo humano; vigilância das fontes produtoras dos alimentos e para os manipuladores de alimentos. 3) medidas em epidemias – investigação dos veículos de transmissão e fontes; investigação para determinar sua epidemiologia.

 

 

12. Bibliografia consultada e para saber mais sobre a doença

 

1.     AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. Control of Communicable  Diseases Manual. Abram S. Benenson, Ed., 16 th Edition, 1995, p. 197.

2.     FDA/CFSAN. Bad Bug Book. Other gastroenteitis viruses. In: http://www.cfsan.fda.gov/~mow/chap35.html

 

Texto organizado pela Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar- DDTHA/CVE-SES/SP, Ano 2003.