INFORME-NET DTA Secretaria de Estado da Saúde de São
Paulo
Centro
de Vigilância Epidemiológica - CVE
MANUAL DAS DOENÇAS
TRANSMITIDAS POR ALIMENTOS
HYMENOLEPIS NANA/HIMENOLEPÍASE _____________________________________________________________________________________________
1. Descrição da doença - a himenolepíase é uma infeção
intestinal causada por uma taenia (Hymenolepis nana) que varia de 3 a 4 cm. As infecções leves podem ser
assintomáticas. Se a infecção for severa pode causar enterites como diarréia,
dor abdominal e outros sintomas, como palidez, perda de peso e debilidade.
2. Agente etiológico -
Hymenolepis nana é a única taenia do homem sem um hospedeiro
intermediário obrigatório.
Os ovos infectantes de Hymenolepis nana são liberados com as fezes; os ovos infectantes podem sobreviver mais de 10 dias no ambiente. Quando esses ovos são ingeridos (através de alimento ou água contaminada, ou através da mão contaminada pelas fezes), há semidigestão dos embrióforos, a oncosfera é liberada no intestino que penetra na vilosidade da mucosa intestinal e se transforma em larva cisticercóide. Após ruptura da vilosidade, o cisticercóide retorna ao lúmen e se fixa na mucosa intestinal pelo escólex, onde se desenvolve em uma taenia adulta. Pode ocorrer auto-infecção, quando o ovo retorna ao estômago por movimentos retroperistálticos, resultando na liberação de larva cisticercóide, que penetra na mucosa do íleo. O período de vida de uma larva adulta no intestino é de 4 a 6 semanas, porém a auto-infecção permite que a infecção persista por anos. Se os ovos de Hymenolepis nana forem ingeridos por carunchos de cereais, pulgas (principalmente de roedores) em seu estado larvar e outros insetos, a oncosfera é liberada na cavidade geral do inseto e se transforma em larvas cisticercóides. Quando ingeridos acidentalmente, são infectantes para os seres humanos e também para os roedores.
3. Ocorrência - Hymenolepis nana é uma das causas mais comuns de infecção por cestódios, sendo
encontrado em todo o mundo (cosmopolita). Em regiões de clima temperado a
incidência de infecção é maior em crianças e em grupos fechados. Ocorre com
maior freqüência no sul dos Estados Unidos e América Latina; é comum também na
Austrália, países do Mediterrâneo, Oriente Médio e Índia.
4. Reservatório - os seres humanos são o
reservatório comum da doença e possivelmente os ratos.
5. Período de
incubação - o
inicio dos sintomas é variável, porém o desenvolvimento da taenia adulta leva
cerca de duas semanas.
6. Modo de transmissão
- Hymenolepis nana é disseminado através da ingestão de água ou
alimentos contaminados com fezes infectadas. Pode ocorrer também através da mão
contaminada pelas fezes (transmissão pessoa-a-pessoa). Os insetos, carunchos de
cereais infectados podem ser ingeridos acidentalmente, resultando na
transmissão do agente.
7. Susceptibilidade e
resistência - as
crianças são mais susceptíveis do que os adultos; pode ser conferida uma
resistência às pessoas expostas ao Hymenolepis
nana. Em imunodeprimidos e crianças desnutridas observam-se infecções
intensas.
8. Conduta médica e
diagnóstico - o
diagnóstico se faz pela identificação microscópica dos ovos nas fezes. Se
necessário repetir o exame, para fechar diagnóstico.
9. Tratamento - o tratamento deve ser feito
com praziquantel ou niclosamida.
10. Medidas de
controle - 1)medidas preventivas - através de
programas de educação de higiene pessoal; eliminação sanitária de fezes;
proporcionar serviços sanitários adequado; proteger os alimentos e a água da
contaminação das fezes de seres humanos e roedores; eliminação dos roedores do
meio doméstico e tratamento para eliminar as fontes de infecção. 3) medidas em epidemia/surtos – a) A investigação epidemiológica parte da
notificação do (s) caso (s) suspeito (s) ou do isolamento do Hymenolepis nana no exame laboratorial,
e deve ser realizada pela equipe de vigilância epidemiológica local,
especialmente quando ocorre em creches, escolas e outras instituições fechadas.
A investigação do (s) caso (s) tem como objetivo identificar e eliminar o
veículo comum de transmissão. O controle em escolas e instituições
assistenciais pode ser efetuado de
forma eficaz através do tratamento das pessoas infectadas. Deve-se ter maior
precaução em relação à higiene pessoal e familiar.
11. Bibliografia
consultada e para saber mais sobre a doença
1.
CDC/ATLANTA/USA.
DPDx - Hymenolepiase. In: www.dpd.cdc.gov/dpdx
2. BENENSON, AS. El Control de las enfermidades transmisibles
en
-
el hombre. 15º ed. Washington, DC:
Informe oficial de la Asociación Estadounidense de Salud Pública,1992: 652
285-286.
Texto
organizado por Danilo de Souza Maltez - aluno de Medicina Veterinária da
Faculdade Metodista, estagiário voluntário na Divisão de Doenças de Transmissão
Hídrica e Alimentar, ano 2002.