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ROTAVÍRUS:

IMPORTANTE CAUSA DE SURTOS DE DIARRÉIA EM CRIANÇAS MENORES DE 5 ANOS - NOTIFIQUE!

 

A infecção causada pelo Rotavírus varia de um quadro leve, com diarréia líquida e duração limitada a quadros graves com desidratação, febre e vômitos, podendo ocorrer também casos assintomáticos.

Os Rotavírus, eliminados em alta quantidade nas fezes de crianças infectadas, são transmitidos pela via fecal-oral, por água ou alimentos, por contato pessoa-a-pessoa, objetos contaminados e, provavelmente, também por secreções respiratórias, mecanismos que permitem uma alta capacidade de alastramento dessa doença.

O Rotavírus vem sendo considerado, em todo o mundo, o principal responsável por diarréia em crianças menores de 5 anos e tem sido a principal causa de surtos de diarréia nosocomiais e em creches ou pré-escolas. Praticamente todas as crianças se infectam nos primeiros anos de vida, porém, os casos graves ocorrem principalmente em crianças até 2 anos de idade, sendo que, crianças prematuras, de baixo nível sócio-econômico ou com deficiência imunológica estão mais sujeitas a desenvolver um quadro mais grave da doença. Em adultos, é mais rara, tendo sido registrados surtos em espaços fechados como escolas, ambientes de trabalho ou em hospitais.

Nos Estados Unidos, é a principal causa de diarréia grave. Estima-se que essa doença seja responsável por 5 a 10% de todos os episódios diarreicos em crianças menores de 5 anos, demandando mais de 500 mil consultas médicas e cerca de 50 mil hospitalizações por ano, e responsável por consideráveis custos médicos e não médicos.

Sabe-se que a doença por Rotavírus é de distribuição universal, embora com características epidemiológicas distintas em áreas de clima temperado e nas áreas tropicais. Nas primeiras, manifesta-se com uma distribuição tipicamente sazonal, através de extensas epidemias nos meses frios. Já nas regiões tropicais, a sazonalidade não tem sido tão marcante, manifestando-se mais por um caráter endêmico, por casos esporádicos ou surtos, em qualquer estação do ano.

Dados sobre surtos de diarréia notificados à Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar - DDTHA, do Centro de Vigilância Epidemiológica - CVE, Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, mostram que os surtos por Rotavírus já representam cerca de 20% do total de surtos de diarréia notificados, ocorrendo principalmente em creches ou em hospitais.

As práticas higiênicas tradicionais e universais como lavagem de mãos, controle da qualidade da água e dos alimentos, destino adequado dos dejetos e do esgoto, imprescindíveis para a prevenção de quaisquer surtos de diarréia, não têm sido suficientes para redução da incidência da infecção pelo Rotavírus. Evidências nesse sentido são as extensas epidemias cíclicas da doença em países desenvolvidos mostrando que a perspectiva de prevenção dessa doença está no desenvolvimento de uma vacina; contudo, não existe ainda, no mundo, nenhuma vacina disponível para isso.

Nesse sentido, além de ser necessária a observação de normas rígidas de higiene no cuidado com as crianças, e principalmente nos espaços como creches, escolas, hospitais e outros ambientes de estreito convívio entre as crianças, várias medidas são preconizadas para a sua prevenção:

1) Estímulo ao aleitamento materno parece ter fundamental importância pelos altos níveis de anticorpos contra o Rotavírus; 

2) Encaminhamento imediato ao serviço médico de crianças com diarréia, e principalmente, das que convivem em creches, para o diagnóstico da doença e tratamento, bem como seu afastamento da creche para prevenir novos casos e surtos;

3) O médico deve levantar dados da história da doença, antecedentes epidemiológicos, que ao lado do exame clínico podem sugerir fortemente a infecção pelo Rotavírus, contudo, como as manifestações clínicas não são específicas, deve solicitar o exame de fezes, pois a confirmação laboratorial será necessária para confirmação da doença e para subsidiar a investigação a ser realizada pela vigilância epidemiológica.

A época ideal para detecção do vírus nas fezes vai do primeiro ao quarto dia de doença, período de maior excreção viral. O método de maior disponibilidade é a detecção de antígenos, por ELISA, nas fezes. Amostras positivas para Rotavírus provenientes de surtos devem ser encaminhadas para o Instituto Adolfo Lutz - Central para a realização de outros métodos que permitirão a identificação ou confirmação do resultado e sorotipagem.

4) Surtos de diarréia devem ser notificados imediatamente à Vigilância Epidemiológica do município ou à Regional de Saúde (DIR) ou à Central de Vigilância Epidemiológica do CVE - 0800-55 54 66. A Central CVE funciona 24 horas, inclusive fins de semana e feriados e além de fornecer orientações sobre a doença, redireciona as notificações para as vigilâncias epidemiológicas locais, desencadeando as investigações.

Os surtos de diarréia por Rotavírus necessitam ser investigados minuciosamente quanto à sua origem, se em domicílio, creches, escolas, hospitais, problemas ambientais/na comunidade, etc., para se conhecer as possíveis causas/fatores de transmissão e para que as medidas mais eficazes de controle e prevenção possam ser adotadas o mais precocemente possível.

5) As orientações para a população em geral em relação aos cuidados com a criança com diarréia por Rotavírus são os mesmos para as diarréias em geral, lembrando que os quadros podem ser mais graves em crianças menores de 2 anos. Mães de crianças com início de sintomas de diarréia ou vômitos, devem ser orientadas para oferecer imediatamente o soro caseiro ou sais hidrantes e água tratada para prevenir a desidratação, não suspender a alimentação e procurar imediatamente o serviço médico para o tratamento adequado.

 

A Central de Vigilância Epidemiológica do CVE tem recebido neste mês de agosto/2003 notificações de surtos de diarréia de várias cidades onde estariam ocorrendo surtos de diarréia provavelmente, atribuíveis ao Rotavírus, atingindo principalmente crianças em creches, e um provável surto em adultos que trabalham em uma fábrica.

Os exames já realizados nos locais ou amostras extras coletadas pela Vigilância Epidemiológica local e Regional estão sendo encaminhados para o Instituto Adolfo Lutz - Central para confirmação e outros testes complementares necessários, assim como, a investigação local vem sendo realizada pelos municípios onde os surtos ocorreram, sob a orientação das respectivas DIRs e acompanhamento desta Divisão.

Maiores orientações sobre a doença podem ser obtidas junto à

Central CVE - 0800 - 55 54 66. Notifique!

 

Texto elaborado pela Equipe Técnica da Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar- DDTHA/CVE-SES/SP, em 27 de Agosto de 2003.