Informe Mensal sobre Agravos à Saúde Pública      ISSN 1806-4272

 



Setembro, 2004   Ano1   Número 9 - NOTAS

REVISÃO DA SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA HANSENÍASE NO ESTADO DE SÃO PAULO


Nos dias 6 e 7 de outubro próximos, será realizada no Instituto Lauro de Souza Lima, Bauru, a Reunião de Trabalho para Revisão da Situação Epidemiológica da Hanseníase no Estado de São Paulo, promovida pela Agência Paulista de Controle de Doenças.

Três renomados epidemiologistas de áreas externas à hansenologia elaborarão relatórios sobre o tema, após análise de material bibliográfico selecionado, e discussão em grupo com observadores convidados. São eles: profª Dra. Rita de Cássia Barradas Barata, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP, prof. Dr. Eliseu Alves Waldman, da Faculdade de Saúde Pública da USP, e Dr. João Baptista Risi Júnior, da Organização Panamericana da Saúde — Brasil.

Participarão como observadores representantes da área técnica específica do Ministério da Saúde, Agência Paulista de Controle de Doenças, Opas, Cosems, Programa de Controle da Hanseníase do CVE-SES/SP, Fundação Paulista contra a Hanseníase e Instituto Lauro de Souza Lima.

Como produto da reunião, espera-se obter subsídios que permitirão uma eventual reorientação das ações de controle da hanseníase no Estado de São Paulo, direcionando-as cada vez mais aos objetivos de acelerar e consolidar o processo de eliminação da Hanseníase como problema de saúde pública no Estado. Também é objetivo da reunião adequar e/ou reforçar a vigilância epidemiológica correspondente nos diferentes cenários sugeridos pela prevalência e detecção de novos casos no nível municipal.


MANUAL DE VIGILÂNCIA ACAROLÓGICA

A Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) produziu o Manual de Vigilância Acarológica, publicação que reúne as principais informações sobre os carrapatos, vetores responsáveis, entre outros agravos, pela Febre Maculosa Brasileira e pela borreliose de Lyme, duas doenças consideradas emergentes no Estado de São Paulo.

O Manual foi elaborado por pesquisadores e profissionais de saúde pública da Sucen e de diversas instituições. Será distribuído para todas as secretarias municipais de Saúde, Direções Regionais de Saúde, entidades e serviços que atuam na área. Também ficará disponível para consulta e impressão no site da Sucen: www.sucen.sp.gov.br 


CRT DST/AIDS DESTACA-SE NO
I CONGRESSO BRASILEIRO DE AIDS


O I Congresso Brasileiro de Aids, realizado de 29 de agosto a 1 de setembro, em Recife(PE), juntamente com o V Congresso da Sociedade Brasileira de DST e o V Congresso Brasileiro de Prevenção em DST e Aids, reuniu cerca de quatro mil congressistas que participaram de mais de 400 atividades, como cursos, sessões culturais, mesas redondas, simpósios e conferências.

O CRT DST/Aids participou do evento com 34 pôsteres e quatro apresentações orais, entre elas "Uso de drogas, orientação sexual e percepção de risco em homens HIV positivo que fazem sexo com mulheres" (Elvira Filipe, Maria Inês Nemes, Naila Janilde Santos, Vera Paiva, Aluízio Segurado, Norman Hearst), "Importância da metodologia problematizadora em módulos de aconselhamento em treinamentos em DST/HIV/Aids (Sônia Prado Garcia, Márcia U. Brandimiller, Joselita M. Caraciolo, Cáritas R. Basso, Cledy E. dos Santos), "A vigilância de segunda geração do HIV no Estado de São Paulo" (Mariza Tancredo, Naila Santos, Wong Alencar, Sirlene Caminada, Angela Tayra) e "Tendência da epidemia de Aids no município de São Paulo, 1985 a 2000" (Mariza Tancredo, Eliseu Alves Waldman).

Dois pôsteres foram premiados no final do evento com o valor de R$ 1.500,00: "A experiência do programa estadual DST/Aids com os municípios do Estado (2001-2003) para imunização contra a hepatite B em mulheres profissionais do sexo", de autoria da assistente social Márcia Giovanetti, Caio Westin, Téo Araújo, Cristiane Silva, Elvira Filipe; e "Feira criativa: geração de renda, cidadania, reinserção social", elaborado por Derli Barros, Cinthia Inocentini, Laura Bugameli, Angélica Santos, Analice Oliveira.

A "Importância da metodologia problematizadora em módulos de aconselhamento em treinamentos em DST/HIV/Aids" foi apresentado pela psicóloga Sônia Garcia Prado. Segundo ela, o estabelecimento de vínculo paciente-profissional e a qualidade dessa relação são fundamentais para garantir apoio emocional, ampliar as possibilidades de adesão ao tratamento e a prática de sexo seguro, por exemplo. "Entretanto, as formas de ser e de se comportar dos pacientes podem desencadear, nos profissionais de saúde, sentimentos que os levam a tomar atitudes que refletem seus próprios valores morais, suas crenças, e sentimentos pessoais, em detrimento dos desejos, necessidades, valores e crenças dos pacientes, comprometendo a qualidade da relação e, conseqüentemente, do atendimento oferecido", comenta a psicóloga.

O trabalho "A experiência do programa estadual DST/Aids com os municípios do Estado (2001/2003) para imunização contra a hepatite B em mulheres profissionais do sexo" (Márcia Giovanetti, Caio Westin, Téo Araújo e Cristiane Silva) foi realizado com objetivo de capacitar os profissionais municipais de saúde para o desenvolvimento de ações que garantam o acesso à vacinação contra Hepatite B para mulheres profissionais do sexo. "Observamos que 16 municípios desenvolveram ações de prevenção com mulheres profissionais do sexo. Desses, 8 (50%) incluíram o encaminhamento monitorado para vacinação contra hepatite B. Esses municípios acessaram 1.033 mulheres e imunizaram 158 (15,29%).

As estratégias de capacitação do Programa Estadual fizeram com que um número significativo de municípios incluísse o encaminhamento monitorado das profissionais do sexo para vacinação contra hepatite B", comenta Giovanetti. "O processo mostrou que é possível aumentar o acesso à vacinação contra hepatite B, desde que o trabalho junto a essa população seja continuado e contextualizado", conclui.

Outro trabalho premiado foi "Feira criativa: geração de renda, cidadania, reinserção social", elaborado por Derli Barros, Cinthia Inocentini, Laura Bugameli, Analice Oliveira. Em 1996, uma assistente social e uma psicóloga criaram um projeto que visava a humanização do espaço hospitalar. Os profissionais passaram a oferecer atividades lúdicas no leito e atividades laborais nas chamadas "Oficinas Criativas".

Após um ano de oficinas, os usuários manifestaram interesse em ampliar suas possibilidades de geração de renda, surgindo assim a idéia de se realizar uma feira, um espaço alternativo para divulgar e comercializar os produtos confeccionados nas oficinas. Segundo as autoras deste trabalho, a feira contribui de forma positiva no cotidiano dos usuários, além de permitir ganhos financeiros e psicossociais aos usuários do projeto. Estes fatores potencializam o processo de autonomia e emancipação, uma vez que possibilita aos expositores que se apoderem de seu saber e sua criatividade, resgatando o sentido de sua vida modificada em decorrência da Aids.

Os trabalhos apresentados em Recife encontram-se no site www.crt.saude.sp.gov.br 


CRT DST/AIDS NA XV CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DA TAILÂNDIA


Autoridades governamentais, sociedade civil e cientistas da área de HIV e Aids de todo o mundo  participaram da XV Conferência Internacional de Aids, realizada de 11 a 16 de julho, em Bangcoc, Tailândia.  O evento reuniu mais de 15 mil participantes, provenientes de 160 países, teve como mote central o acesso universal, não só ao tratamento, mas também à educação e informação para todas as pessoas afetadas pela epidemia.

O Brasil participou da conferência com 170 trabalhos. O Programa Estadual DST/Aids apresentou 11, entre eles dois orais: "Survival among Aids patients by risk situations before and after HAART availability at STD/Aids Training and Referral Center, Sao Paulo, Brazil", de autoria de Artur Kalichman, Maria Clara Gianna, Stella Maris Bueno, Cáritas Basso, Emily Catapano Ruiz, Angela Tayra, Naila Janilde e M. Holcman. E "A successful program to reduce perinatal transmission of HIV in São Paulo State, Brazil", de Luiza Matida, Maria Clara Gianna, Alexandre Gonçalves, Ângela Tayra, Regina Succi e Norman Hearst.

O encontro mundial refletiu a necessidade, por parte de todos os grupos envolvidos na área de HIV e Aids, de se ampliar e democratizar acesso a todos os recursos desenvolvidos pela comunidade científica após 20 anos do início da epidemia, principalmente para os países mais pobres e vulneráveis. Foi objetivo da XV Conferência Internacional de Aids, ainda, reforçar o comprometimento de lideranças e autoridades governamentais na resposta à epidemia, que após essas duas décadas de enfrentamento contribuiu para aumentar a qualidade de vida de pessoas soropositivas e conseguiu reduzir a taxa de novas infecções em todo o mundo.