Informe Mensal sobre Agravos à Saúde Pública   ISSN 1806-4272
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Agosto, 2004   Ano 1   Número 8                                                                             retorna
Criança: Fumante Passivo sem Opção

Fernando Lefèvre, Ana Maria Cavalcanti Lefèvre, 
Isabel M. T. Bicudo Pereira, Glacilda T. M. Stewien, Antonio P. Mirra1;
Neusa Guaraciaba dos Santos Oliveira2
Ana Paula Cavalcanti Simioni3; Ivany Yara de Medeiros4
1Faculdade de Saúde Pública da USP
2Doutora em Psicologia pela USP
3Doutoranda pela Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP
4Mestranda pela Faculdade de Saúde Pública da USP


Apresentação

A problemática do tabagismo passivo tem sido amplamente abordada na literatura específica, mas, parece-nos, trabalhos com o enfoque do presente são raros.

O projeto de investigar a criança como fumante passivo, de seu ponto de vista e do ponto de vista de seus pais tabagistas, tudo isso analisado a partir de uma perspectiva metodológica qualitativa e quantitativa, visa descrever a realidade da criança vítima involuntária do tabagismo praticado por seus pais, procurando esmiuçar o detalhe destas auto e hétero visões, entrando a fundo no conteúdo das representações sociais associadas a este importante problema de saúde pública.

Trata-se de uma perspectiva metodológica inovadora no que tange ao processamento e apresentação dos dados, que, além e até em função disso, pode ser de utilidade para aumentar a eficiência e eficácia da necessária interferência pedagógica diante do problema em tela. Ou seja, este tipo de pesquisa permite espelhar detalhadamente as representações sociais existentes sobre um dado tema, o que faz com que a população pesquisada possa se “ver” e ser “vista”, muito nitidamente, como coletividade.

Ora, isso é de grande utilidade pedagógica no caso do tabagismo e, dentro dele, no que toca ao problema do tabagismo passivo: através dos discursos coletivos gerados nesta pesquisa, caso estes discursos sejam “devolvidos” aos pais e professores, será possível ver com muita clareza as fantasias dos filhos a respeito dos pais que fumam. Sabe-se que fantasias não são a realidade e mesmo, como é caso aqui, quando estas fantasias são “antitabagísticas”, tal antitabagismo é de curto fôlego e não têm condições de resistir ao “impacto da realidade”, quando as crianças percebem que seus pais não morrem, necessariamente, nem ficam automaticamente cancerosos se fumarem.

Por outro lado, os resultados de tal pesquisa podem ser de grande utilidade para que os professores possam, com base neles, dirigirem-se, em atividades curriculares ou extracurriculares, aos alunos da faixa etária pesquisada, para que, juntos, possam discutir, a partir dos próprios pensamentos dos alunos, a problemática do tabagismo como um todo e do tabagismo passivo em especial.

Finalmente, os resultados desta pesquisa para o campo sanitário mostram que as informações relativas aos efeitos, em termos de morbi mortalidade, do tabagismo e em especial do tabagismo passivo, a serem repassadas ao público em geral, ainda que preservando sempre a gravidade do problema, devem procurar evitar o falso alarmismo (revelado claramente na fala dos alunos), que pouco contribui para a melhora dos indicadores de saúde.

Versão integral da pesquisa para download

 


Agência Paulista de Controle de Doenças