Bepa Agosto 2010; 7(80) ISSN 1806-4272
ATUALIZAÇÃO


 

Denise Brandão de Assis; Geraldine Madalosso; Sílvia Alice Ferreira; Yara Y. Yassuda

Divisão de Infecção Hospitalar. Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”. Coordenadoria de Controle de Doenças. Secretaria de Estado da Saúde. São Paulo, SP, Brasil

 

 

 

RESUMO

A divulgação anual e discussão das taxas de infecção hospitalar (IH) são atividades contínuas do Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo desde sua implantação, em 2004. A tendência de aumento do número de hospitais notificantes, verificada em anos anteriores, manteve-se em 2009, demonstrando a consolidação do sistema. Os dados de infecção hospitalar obtidos permitem o planejamento de ações para a prevenção e controle de IH no Estado. Projetos para a avaliação da relação do consumo de antimicrobianos e resistência microbiana e para a redução das taxas de infecção de corrente sanguínea estão em andamento.

PALAVRAS-CHAVE: Sistemas de vigilância. Vigilância epidemiológica. Infecção hospitalar.

 

ABSTRACT

Yearly issuing and discussion of hospital infection rates (IH) are ongoing activities of the Hospital Infection Surveillance System of the State of São Paulo since implanted, in 2004. Increase tendencies of the number of notifying hospitals, registered in previous years, has been maintained in 2009, revealing the consolidation of this system. Hospital infection rates obtained allow the planning of actions for prevention and control of IH in the State. Projects designed to evaluate the relationship between antibiotic use and microbial resistance and also designed to reduce infection indexes in the blood flow are under way.

KEY WORDS: Surveillance systems. Epidemiologic surveillance. Hospital infection.

 

INTRODUÇÃO

A divulgação anual e a discussão das taxas de infecção hospitalar (IH) são atividades contínuas do Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, desde sua implantação em 2004, permitindo a avaliação da qualidade da assistência e o direcionamento de ações de prevenção e controle.

Em 2009, além da análise das infecções em cirurgia limpa, infecções em unidades de terapia intensiva (UTI) adulto, coronariana, pediátrica e neonatal e infecções em hospitais de longa permanência e psiquiátricos, por meio de dados agregados do período, e dos microrganismos isolados em hemoculturas, foi realizada também a análise dos dados de consumo de antimicrobianos em UTI adulto e coronariana.

 

MÉTODOS

Houve pequenas alterações no instrumento de notificação das taxas de IH em relação aos anos anteriores. A planilha de UTI Neonatal foi modificada de acordo com os Critérios Nacionais de IH em Neonatologia,1 sendo ampliada a faixa de peso ao nascer com notificação de infecção de corrente sanguínea associada a cateter central laboratorial e clínica separadamente. Além disso, foi introduzida uma nova planilha de consumo de antimicrobianos em UTI adulto e coronariana e cálculo da dose diária definida (DDD) (Planilha 6). As Planilhas 1, 2, 3, 5 e 6 foram preenchidas pelos hospitais gerais e encaminhadas mensalmente, por via eletrônica, para a Divisão de Infecção Hospitalar do Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE) – órgão da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (CCD/SES-SP).

Os indicadores epidemiológicos selecionados para hospitais gerais foram: taxa de infecção em cirurgias limpas, densidade de incidência de pneumonia (PNM) associada à ventilação mecânica (VM), densidade de incidência de infecção de corrente sanguínea (ICS) associada a cateter central (CVC) e densidade de incidência de infecção de trato urinário (ITU) associada à sonda vesical de demora (SVD) e taxas de utilização desses dispositivos invasivos em UTI (Adulto, Pediátrica e Coronariana); densidade de incidência de PNM associada à VM e densidade de incidência de ICS associada à CVC (clínica e laboratorial) e taxas de utilização de dispositivos em UTI Neonatal, em cada uma das cinco faixas de peso ao nascer. Além disso, foram avaliados os microrganismos isolados em hemoculturas de pacientes com IH e o consumo de antimicrobianos em UTI Adulto e Coronariana.

Para hospitais de longa permanência e psiquiátricos os indicadores epidemiológicos selecionados foram densidade de incidência de pneumonia, escabiose e gastroenterites.

Os indicadores foram analisados utilizando-se os dados agregados do ano de 2009, isto é, a soma do número de IH dividida pela soma dos denominadores (número de cirurgias limpas, pacientes-dia, dispositivos invasivos-dia), no período, para cada indicador, multiplicada por 1.000, no caso das infecções em UTI e hospitais especializados, ou multiplicados por 100, no caso das infecções de sítio cirúrgico (ISC). As taxas de IH dos hospitais gerais e especializados notificantes foram distribuídas em percentis (10, 25, 50, 75 e 90).

O cálculo da DDD foi realizado baseado no consumo em gramas de cada antimicrobiano, na dose diária padrão e no número pacientes-dia por UTI Adulto e/ou Coronariana. As densidades de DDD também foram distribuídas em percentis.

Foram excluídos das análises os hospitais que notificaram menos de 250 cirurgias limpas, hospitais com menos de 500 pacientes-dia em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana e hospitais com menos de 50 pacientes-dia, para cada faixa de peso em UTI Neonatal. Para a planilha 5, que solicita a notificação dos microrganismos isolados em hemoculturas, e planilha 6, que quantifica o consumo de antimicrobianos, não foi utilizado critério de exclusão por tratar-se de análise qualitativa.

As taxas de IH foram distribuídas segundo Grupos de Vigilância Epidemiológica (GVE) divisão administrativa de saúde, vigente no Estado de São Paulo a partir de 2007.

A manutenção da metodologia de análise dos dados e dos critérios de exclusão permitiu a comparação das taxas de IH do Estado nos anos de 2004 a 2009.

 

RESULTADOS

Adesão ao Sistema

Até 2008, houve tendência crescente da adesão de hospitais ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo. Em 2009 observa-se um pequeno aumento em relação a 2008 (Figura 1).

 

 

Fonte: CNES: www.datasus.gov.br, atualizado em 16/09/2010
Figura1
. Número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo – 2004 a 2009 em comparação aos hospitais cadastrados no CNES.

 

A partir do ano de 2005 houve pouca variação no número de hospitais notificantes por mês, ao contrário do observado em 2004. A média e a mediana de hospitais notificantes por mês em 2009 foram 638 e 643 hospitais, respectivamente (variação: 588-657 hospitais) (Figura 2).

 

Figura 2. Número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo por mês – 2004 a 2009.

 

A Tabela 1 mostra a taxa de resposta, segundo GVE, baseada no número de hospitais cadastrados no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES)2 em 2010 e segundo critério de notificação para o sistema de vigilância pactuado no Plano Operativo Anual do Estado (POA).

Tabela 1. Distribuição do número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo e taxa de resposta segundo GVE e cadastro no CNES, 2009.

Fonte: CNES/Datasus atualizado em 16/09/2010 (www.datasus.gov.br)

A maioria dos GVE, 75% (21/28), atingiu a meta de 80% de hospitais notificantes ao sistema de vigilância, pactuada no POA.

Infecções hospitalares em hospitais gerais

1. Infecções em cirurgias limpas

Como vem sendo observado desde a implantação do sistema, a maioria dos hospitais notificantes, 85,6% (582/680), enviou dados de infecção em cirurgia limpa por meio da planilha 1 (Tabela 2).

Tabela 2. Distribuição do número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo que enviaram planilha 1 (Infecções de sítio cirúrgico em cirurgia limpa), segundo GVE, 2009.

 

O número de cirurgias limpas notificadas é crescente desde a implantação do Sistema, sendo que em 2009 foram notificadas 811.367 cirurgias limpas.

Mantém-se a ordem das especialidades cirúrgicas que realizam o maior número de cirurgias limpas por ano. Destaque para o grande número de cirurgias plásticas realizadas em 2009, conforme já observado nos anos anteriores. As Figuras 3 e 4 mostram o número de cirurgias limpas notificadas e de hospitais notificantes segundo especialidade cirúrgica.


Figura 3. Distribuição do número de cirurgias limpas notificadas ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo por especialidade cirúrgica, 2009.

 

 

 


Figura 4. Distribuição do número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo por especialidade cirúrgica, 2009.

 

Observa-se também que 60% dos hospitais realizam até 100 cirurgias limpas ao mês, sugerindo que a maioria dos notificantes é de pequeno e médio porte.

 

 

Figura 5. Número médio de cirurgias limpas/mês realizadas pelos hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, 2009.

 

Segundo os critérios de exclusão, foram incluídos na análise das taxas de infecção cirúrgica 441 hospitais, que notificaram mais de 250 cirurgias limpas no período, 75,7% de todos os hospitais que notificaram cirurgias limpas. A Tabela 3 apresenta a distribuição das taxas de infecção cirúrgica global e por especialidade cirúrgica em percentis.

 

Tabela 3. Distribuição das taxas de infecção cirúrgica em percentis, total e por especialidade, média, desvio-padrão, valores mínimos e máximos dos hospitais que notificaram mais de 250 cirurgias limpas ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, 2009.

 

 

2. Infecções em UTI

Houve aumento do número de hospitais que enviaram dados de infecção em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana em 2009, quando comparado aos anos anteriores. Do total de hospitais notificantes, 54,7% (372/680) enviaram planilha 2. As Tabelas 4 e 5 mostram o número de hospitais que enviaram planilha 2 e o número de hospitais que enviaram dados de infecção em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana por GVE.

 

Tabela 4. Distribuição do número de hospitais que enviaram planilha 2 (Infecções em UTI Adulto, Coronariana e Pediátrica) ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo segundo GVE, 2009.

 

Tabela 5. Distribuição do número de hospitais que enviaram planilha 2 (Infecções em UTI Adulto, Coronariana e Pediátrica) ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo segundo o tipo de UTI e GVE, 2009.

Foram incluídos na análise das taxas de infecção em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana 341 (94,7%), 115 (76,2%) e 45 (97,8%) hospitais, respectivamente, segundo o critério adotado para análise. O número e porcentagem de hospitais incluídos na análise de dados em 2009 foram superiores aos dos anos anteriores.

Em UTI Adulto a média de pacientes-dia foi de 3.965 pacientes-dia e mediana de 2.741 pacientes-dia, no período. Já em UTI Pediátrica a média foi de 1.922 pacientes-dia e a mediana foi de 1.722 pacientes-dia. Finalmente, em UTI coronariana a média foi de 2.493 pacientes-dia e a mediana 2.248 pacientes-dia.

As Tabelas 6, 7 e 8 apresentam a distribuição das taxas de infecção em percentis em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana e as Tabelas 9, 10 e 11 as taxas de utilização de dispositivos invasivos em percentis para essas unidades.

Tabela 6. Distribuição das taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos, em percentis, em UTI adulto, Estado de São Paulo, 2009.

Infecção sob vigilância

Densidade de incidência (por 1.000 dispositivos-dia)

Percentil

10

25

50

75

90

Pneumonia associada à ventilação mecânica

5,29

8,60

16,32

24,10

32,40

Infecção de corrente sanguínea associada a cateter central

0,00

1,79

4,62

9,45

15,18

Infecção de trato urinário associada à sonda vesical

1,12

3,24

6,33

9,78

15,46

 

Tabela 7. Distribuição das taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos, em percentis, em UTI pediátrica, Estado de São Paulo, 2009.

Infecção sob vigilância

Densidade de incidência (por 1.000 dispositivos-dia)

Percentil

10

25

50

75

90

Pneumonia associada à ventilação mecânica

0,00

2,46

6,00

10,64

17,96

Infecção de corrente sanguínea associada a cateter central

0,00

3,32

7,45

12,32

19,49

Infecção de trato urinário associada à sonda vesical

0,00

0,00

4,02

8,00

16,60

 

Tabela 8. Distribuição das taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Coronariana. Estado de São Paulo, 2009.

Infecção sob vigilância

Densidade de incidência (por 1.000 dispositivos-dia)

Percentil

10

25

50

75

90

Pneumonia associada à ventilação mecânica

0,00

7,75

16,48

26,91

35,19

Infecção de corrente sanguínea associada a cateter central

0,00

1,48

4,94

83,33

15,13

Infecção de trato urinário associada à sonda vesical

1,29

3,77

6,50

11,62

16,45

 

Tabela 9. Distribuição das taxas de utilização de dispositivos invasivos em percentis em UTI Adulto. Estado de São Paulo, 2009.

Dispositivos invasivos

Taxa de utilização (%)

Percentil

10

25

50

75

90

Ventilação mecânica

25,40

35,11

45,27

56,03

65,31

Cateter central

32,50

44,58

56,52

68,68

78,47

Sonda vesical

44,50

56,86

68,25

79,28

86,98

 

Tabela 10. Distribuição das taxas de utilização de dispositivos invasivos em percentis em UTI Pediátrica. Estado de São Paulo, 2009.

Dispositivos invasivos

Taxa de utilização (%)

Percentil

10

25

50

75

90

Ventilação mecânica

18,70

31,38

44,74

60,21

71,38

Cateter central

16,79

26,80

41,04

57,15

72,69

Sonda vesical

3,91

9,14

15,84

31,83

44,99

 

Tabela 11. Distribuição das taxas de utilização de dispositivos invasivos em percentis em UTI coronariana, Estado de São Paulo, 2009.

Dispositivos invasivos

Taxa de utilização (%)

Percentil

10

25

50

75

90

Ventilação mecânica

6,70

14,58

20,45

31,79

37,79

Cateter central

18,42

29,41

40,74

52,75

60,72

Sonda vesical

19,00

28,24

44,36

58,82

67,83

 

Foram comparadas as taxas de infecções associadas a dispositivos invasivos em UTI Adulto de 2004 a 2009 (Figura 6). Houve diferença estatisticamente significante apenas para a mediana (percentil 50) de pneumonia associada à ventilação, nos anos avaliados, com valor de p<0,05 (Figura 7).

DI PN x VM: densidade de incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica; DI IS x CT: densidade de incidência de infecção de corrente sanguínea associada a cateter central; DI IU x SV: densidade de incidência de infecção do trato urinário associada à sondagem vesical.

Figura 6. Comparação da mediana (P50) das densidades de incidência de infecções associadas a dispositivos invasivos em UTI Adulto. Estado de São Paulo, 2004 a 2009.

 

 

DI PN x VM: densidade de incidência de pneumonia associada a ventilação mecânica; DI IS x CT: densidade de incidência de infecção de corrente sangüínea associada a cateter central; DI IU x SV: densidade de incidência de infecção do trato urinário associada a sondagem vesical.

Figura 7. Comparação da mediana (P50) das densidades de incidência de infecções associadas a dispositivos invasivos em UTI Adulto, linha de tendência linear, coeficiente de correlação (R2), e valor de p (nível de significância). Estado de São Paulo, 2004 a 2009.

 

3. Infecções em UTI Neonatal

Do total de hospitais notificantes, 28% (190/680) enviaram dados de IH de UTI Neonatal por meio da planilha 3 (Tabela 12).  

Tabela 12. Distribuição do número de hospitais que enviaram planilha 3 (Infecções em UTI Neonatal) ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo GVE, 2009.

 

De acordo com o critério adotado para análise dos dados para este tipo de unidade, 183 hospitais foram incluídos para cálculo das taxas de IH por faixa de peso. É importante destacar que um mesmo hospital pode ter sido incluído na análise de taxas em mais de uma faixa de peso.  

Na Tabela 13 são apresentadas as densidades de incidência de infecção associadas a dispositivos invasivos e suas taxas de utilização, distribuídas em percentis, por faixa de peso em UTI Neonatal.

 

Tabela 13. Distribuição em percentis (25, 50 e 75) das taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos e taxas de utilização, médias, valores mínimo e máximo, em UTI Neonatal, segundo faixa de peso ao nascer. Estado de São Paulo, 2009.

DI PN x VM: densidade de incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica; TX VM: taxa de utilização de ventilação mecânica; DI ISLC x CT: densidade de incidência de infecção de corrente sanguínea laboratorial associada a cateter central; DI ISSC x CT: densidade de incidência de infecção de corrente sanguínea clínica (sepse clínica) associada a cateter central; TX CT: taxa de utilização de cateter central; PAC-DIA: número de pacientes-dia.

 

4. Microrganismos identificados em hemoculturas colhidas de pacientes com IH

Em 2009 foram colhidas 121.766 amostras de hemocultura pelos hospitais notificantes com UTI Adulto e Coronariana. Foram notificados 13.203 pacientes com IH e hemocultura positiva. A Tabela 14 mostra o número e porcentagem de hospitais que enviaram planilha 5, segundo GVE.

 

Tabela 14. Distribuição do número de hospitais que enviaram planilha 5 (hemoculturas colhidas em UTI Adulto e Coronariana) ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo GVE, 2009.

A Figura 8 e a Tabela 15 mostram a distribuição dos microrganismos isolados em hemocultura de pacientes com IH do Estado de São Paulo. Novamente, os microrganismos mais frequentemente isolados foram Staphylococcus epidermidis e outros Staphylococcus coagulase negativa e S.aureus, perfazendo um total de 47%, seguidos de Acinetobacter baumanii (9%), Klebsiella pneumoniae (9%) e Pseudomonas aeruginosa (7%).

Figura 8. Distribuição dos microrganismos isolados em hemoculturas de pacientes com IH, notificados ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das IH do Estado de São Paulo, 2009.

 

Tabela 15. Distribuição de pacientes com IH e hemocultura positiva (número e porcentagem) segundo microrganismo isolado, Estado de São Paulo, 2009.

A Figura 9 apresenta a comparação do perfil de resistência dos microrganismos isolados em amostras de hemocultura de pacientes com IH, em UTI Adulto e Coronariana, nos hospitais do Estado de São Paulo, 2009.

Figura 9. Distribuição do perfil de resistência dos microrganismos isolados em hemocultura de pacientes com IH, no Estado de São Paulo, 2009.

5. Consumo de antimicrobianos em UTI Adulto e UTI Coronariana (cálculo da DDD)

 

Em 2009 foi introduzida a planilha 6 para notificação do consumo de antimicrobianos em UTI Adulto e Coronariana. A Tabela 16 apresenta número e porcentagem de hospitais que enviaram a planilha 6 em 2009 e as Tabelas 17 e 18,  distribuição em percentis da DDD dos hospitais notificantes em UTI Adulto e Coronariana, respectivamente.


Tabela 16
. Distribuição do número e porcentagem de hospitais que enviaram planilha 6 (consumo de antimicrobianos – cálculo da DDD) ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo GVE, 2009.

 

Tabela 17. Distribuição em percentis da densidade de consumo de antimicrobianos por 1.000 pacientes-dia (DDD) notificados para UTI Adulto. Estado de São Paulo, 2009.

 

Tabela 18. Distribuição em percentis da densidade de consumo de antimicrobianos por 1.000 pacientes-dia (DDD) notificados para UTI Coronarianas. Estado de São Paulo, 2009.

Observou-se alto consumo de cefalosporinas de 3ª e 4ª geração e vancomicina nas UTI Adulto e Coronariana.

Infecções hospitalares em hospitais de longa permanência e psiquiátricos

 

Além de indicadores em hospitais gerais, o Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo monitora também infecções selecionadas em hospitais especializados. A Tabela 19 mostra a distribuição dos hospitais especializados notificantes segundo GVE.

 

Tabela 19. Distribuição do número e porcentagem de hospitais que enviaram planilha 4, referente aos hospitais de longa permanência e psiquiátricos. Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo GVE, 2009.

Como observado nos hospitais gerais, o número de hospitais especializados notificantes é crescente (Figura 10).

Figura 10. Distribuição do número de hospitais de longa permanência e psiquiátricos notificantes ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das IH. Estado de São Paulo, 2005 a 2009.

A Tabela 20 apresenta a distribuição das taxas de IH em percentis, em 2009, e a Figura 11 a mediana das taxas (percentil 50) no período de 2005 a 2009.

 

Tabela 20. Distribuição em percentis da densidade de incidência de infecções por 1000 pacientes-dia, notificados pelos hospitais de longa permanência e psiquiátricos, Estado de São Paulo, 2009.


Infecção sob vigilância

Densidade de incidência (por 1.000 pacientes-dia)

Percentil

10

25

50

75

90

Pneumonia

0,00

0,03

0,20

0,63

1,91

Escabiose

0,00

0,00

0,11

0,36

0,95

Gastroenterite

0,00

0,00

0,09

0,65

2,72

Pacientes-dia

2.900

20.763

48.216

69.998

107.116

 

Figura 11. Distribuição comparativa das medianas das densidades de incidência de infecções por 1.000 pacientes-dia, hospitais de longa permanência e psiquiátricos. Estado de São Paulo, 2005 a 2009.

 

DISCUSSÃO

A tendência de aumento do número de hospitais notificantes, verificada em anos anteriores, manteve-se em 2009,3 demonstrando a consolidação do Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo. Além disso, a maioria dos GVE atingiu a meta de notificação proposta para o Estado, mostrando a efetividade do trabalho desenvolvido pelos municípios e regionais.

As taxas de infecção cirúrgica continuam abaixo do esperado,4 sugerindo subnotificação. A dificuldade de realização de vigilância pós-alta das infecções cirúrgicas pode explicar esse resultado. Por outro lado, a notificação de indicadores de infecção cirúrgica em procedimentos selecionados pode reduzir a subnotificação.

A análise comparativa da mediana das taxas de infecções associadas a dispositivos invasivos em UTI Adulto, no período de 2004 a 2009, mostrou redução estatisticamente significante da mediana das taxas de pneumonia associada à ventilação mecânica. Essa redução pode estar associada à melhoria da qualidade da assistência ou apenas a melhor aplicação dos critérios diagnósticos. Nas demais taxas não houve redução estatisticamente significante (p>0,05), indicando a necessidade de investimento em medidas de prevenção e controle.

Em UTI Neonatal houve maior utilização de dispositivos invasivos nas faixas de peso menores, indicando maior gravidade. Em todas as faixas de peso observa-se taxa zero para pneumonia no percentil 50, sugerindo dificuldades no diagnóstico desse tipo de infecção em neonatos. Por outro lado, em todas as faixas de peso a mediana das taxas de infecção de corrente sanguínea laboratorialmente confirmada foi maior quando comparada a mediana das taxas de sepse clínica, indicando boa recuperação de microrganismos em hemocultura nesta população.

Os microrganismos mais frequentemente isolados em hemoculturas foram os mesmos dos anos anteriores,3 em sua maioria Gram positivos. O consumo de antimicrobianos calculado por meio da DDD deve ser acompanhado por um tempo maior, para avaliação da sua relação com a resistência microbiana. Entretanto, foi observado alto consumo das cefalosporinas de 3ª e 4ª geração e vancomicina.

As taxas de IH em hospitais especializados mantém-se baixas, sugerindo subnotificação associada a dificuldades na aplicação dos critérios diagnósticos e de acesso a exames complementares.5,6,7

 

CONCLUSÕES

Os dados de infecção hospitalar do Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo permite o planejamento de ações para a prevenção e o controle de IH. Projetos para a avaliação da relação do consumo de antimicrobianos e resistência microbiana e para a redução das taxas de infecção de corrente sanguínea estão em andamento.

Além disso, os critérios diagnósticos e indicadores epidemiológicos estão sendo revisados em consonância com as diretrizes nacionais.8

 

REFERÊNCIAS

 

  1.  Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Critérios nacionais de infecção relacionadas à assistência à saúde em neonatologia. Brasília, 2008 [acesso em set 2010]. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/manuais.htm.

  2. Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde - CNES [acesso em set 2010]. Disponível em: ww.cnes.datasus.gov.br.

  3. Divisão de Infecção Hospitalar. Vigilância das infecções hospitalares do Estado de São Paulo. Dados 2004-2008 [acesso em set 2010]. São Paulo: Centro de Vigilância Epidemiológica, Coordenadoria de Controle de Doenças, Secretaria de Estado da Saúde. Disponível em: http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/cve_ihb.html

  4. Mangram AJ, Horan TC, Pearson ML, Silver LC, Jarvis WR. Guideline for prevention of surgical site infection, 1999. Infect Control Hosp Epidemiol. 1999;20(4):247-78.

  5. Smith PW, Rusnak PG. Infection Prevention and Control in the Long-Term-Care Facility. Infect Control Hosp Epidemiol 1997; 18: 831-849.

  6.  Almeida RC, Pedroso ERP. Nosocomial infection in long-term care facilities. A survey in a brazilian psychiatric hospital. Rev Inst Med Trop S Paulo. 1999;41(6):365-70.

  7. Strausbaugh LJ, Jiseph C. Epidemiology and prevention of infections in residents of long-term care facilities. In: Mayhall CG. Hosp epidemiol infect control. 2 ed. Baltimore: Williams & Wilkins, 1999. p. 1461-79.

  8. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Indicadores nacionais de infecções relacionadas à assistência à saúde [acesso em set 2010]. Brasília, Setembro de 2010. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/anvisa/home/servicosdesaude

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Denise Brandão de Assis
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