Bepa Julho 2010; 7(79) ISSN 1806-4272
ATUALIZAÇÃO


 

Divisão de Doenças de Transmissão Respiratória. Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”. Coordenadoria de Controle de Doenças. Secretaria de Estado da Saúde. São Paulo, SP, Brasil

 

 

 

O boletim de atualização semanal nº 110 da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 23 de julho de 2010, descreve a situação epidemiológica da influenza pandêmica H1N1 2009 em mais de 214 países que regularmente reportam a progressão da pandemia em seus territórios, não havendo inclusão de novos países relatando casos e óbitos. Não houve mudança significativa na estimativa global do número de óbitos pela doença  

A atividade global da influenza pandêmica permanece baixa, mantendo-se em países na zona tropical, principalmente na África Ocidental, América Central, Caribe, Sul e Sudeste Asiático.

Na zona temperada do Hemisfério Sul, Austrália e Nova Zelândia apresentaram sinais de aumento na notificação de doenças respiratórias nas últimas semanas.1

Na América do Sul, Colômbia e Peru relataram tendência crescente de doença respiratória aguda. Nos países do Cone Sul, Argentina e Brasil relataram à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) atividade pandêmica regional e baixa a moderada intensidade de doença respiratória aguda.2

Em 2010, seguindo diretrizes da OMS, são monitorados no Brasil os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) que forem submetidos à internação hospitalar.(2)

Dessa maneira, segundo os dados do Sinan online até 18 de julho de 2010, compreendendo o período entre as semanas epidemiológicas (SE) 1 a 28 de 2010 (3/01 a 17/07/2010), foram notificados 7.289 casos. Deste total, 10% (727/7.289) foram confirmados para influenza pandêmica H1N1 2009.

A região Sudeste se mantém com a maior proporção de casos notificados, com 46,1% (3.357/7.289). Entretanto, a região Sul agora registrou a maior proporção de casos confirmados, 39,8% (289/727), seguida da região Norte (35,2%- 256/727).

No País como um todo, a partir da SE 10, foi observada contínua redução na incidência dos casos confirmados (Figura 1).


Fonte: Sinanweb

Figura 1. Incidência de casos confirmados de influenza pandêmica H1N1 2009 por região geográfica e semana epidemiológica de início dos sintomas. Brasil, até SE 28/2010.

No período considerado, foram registrados 769 óbitos suspeitos com 11,8% (91/769) deles confirmados. Do total de óbitos confirmados, 62,6% (57/91) apresentavam pelo menos uma condição de risco para gravidade, sendo que as gestantes representaram 25,3% (23/91) do total de óbitos confirmados.

Segundo análise nacional dos indicadores qualitativos, na semana epidemiológica 27 o Brasil apresentou uma dispersão regionalizada, mantendo a ocorrência de SRAG em menos de 50% dos municípios brasileiros.

O Sistema de Vigilância Sentinela da Influenza (Sivep_Gripe) relata que a proporção de atendimentos por síndrome gripal (SG) no Brasil vem se mantendo dentro da linha média dos anos anteriores (2003 a 2009). As regiões Norte e Nordeste apresentaram proporção de atendimentos abaixo da média do período, e Sul e Sudeste apresentam tendência crescente durante o ano.(3)

No Estado de São Paulo a avaliação das notificações do SinanWeb, até 14 de julho de 2010 – SE 28, indica que a circulação  do vírus pandêmico H1N1 no Estado de São Paulo se manteve com baixo número de casos notificados e confirmados durante os meses de verão (janeiro e fevereiro – SE 1 a SE 9). A partir de março (SE 10), observa-se aumento no número de casos notificados de SRAG internados, que se mantém regular a partir daí. Houve discreto aumento no número de casos com confirmação laboratorial a partir da semana 17, sem novo aumento até o momento. O Gráfico 1 ilustra a distribuição temporal dos casos e indica o início da Campanha de Vacinação contra Influenza Pandêmica dos grupos prioritários.


Fonte: Sinanweb - dados até 14/07/2010.

Gráfico 1. Influenza pandêmica H1N1, casos suspeitos e confirmados por semana epidemiológica, 2010, ESP

Dos 645 municípios paulistas, 255 (39%) notificaram casos suspeitos, 24 (3,7%) apresentaram casos confirmados e 10 (1,5%) apresentaram óbitos confirmados para influenza pandêmica H1N1. O Gráfico 2 demonstra a distribuição temporal dos casos confirmados e óbitos por influenza pandêmica H1N1 no ESP em 2010.


Fonte: Sinanweb - dados até 14/07/2010.

Gráfico 2. Distribuição dos casos e óbitos confirmados de influenza pandêmica H1N1 por semana epidemiológica (1ºs sintomas). ESP, SE 1 a SE 28 de 2010.

O monitoramento dos casos suspeitos, confirmados e óbitos por influenza pandêmica H1N1 no Estado de São Paulo, do inverno até o momento, indica que a transmissão viral se mantém com regularidade na notificação e confirmação de pequeno número de casos a cada semana.

Internacionalmente, o vírus H1N1 ainda está circulando, inclusive no Hemisfério Sul, que enfrenta seus meses de inverno.

As recomendações de alerta e medidas de prevenção (individual e ambiental) devem ser mantidas e fortalecidas.

REFERÊNCIAS

 

  1. World Health Organization - WHO. Pandemic (H1N1) 2009 - Update 110 Weekly update, July 23 2010 [acesso em 29 jul. 2010]. Disponível em: www.who.int/csr/don/2010_07_23a/en/index.html.
  2. Pan American Health Organization - PAHO. Situation reports, regional update, Pandemic (H1N1) 2009. July 19 2010 [acesso em 29 jul. 2010]. Disponível em: http://new.paho.org/hq/index.php?option=com_content&task=view&id=2929&Itemid=2295&lang=en.
  3. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Coordenadoria de Controle de Doenças. Centro de Vigilância Epidemiológica. Norma técnica influenza pandêmica H1N1 [acesso em 29 jul. 2010]. Disponível em: ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/resp/influa10_norma.pdf.
  4. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Informe técnico quinzenal de influenza pandêmica (H1N1) 2009 – Monitoramento da síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em hospitalizados. Ed. 6 [acesso em 29 jul. 2010]. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/informe_influenza_6_julho_22_07_10_seg.pdf


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