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A vida seguiu e a saúde
venceu*
Life went on and Health won
Luiz Roberto Barradas
Barata**
Até a zero hora de 7/8/2009, qualquer
cidadão paulista, ao adentrar um estabelecimento fechado, especialmente um bar,
restaurante ou casa noturna, estava sujeito a inalar, de forma involuntária,
quantidade expressiva de monóxido de carbono e outras substâncias tóxicas que
saem da ponta de cigarros acesos.
Um ano depois, a realidade mudou
radicalmente, felizmente para melhor. Uma cena antes comum, pessoas fumando em
locais fechados de uso coletivo, hoje grita aos olhos como, no mínimo,
estranha.
De fato é absurdo expor a maioria da
população, composta por não fumantes, à poluição causada pelo tabaco, que
tanto mal faz à saúde.
Essa mudança de comportamento é
verdade, veio por força de uma lei estadual que, diferentemente de
legislações anteriores, atribuiu aos proprietários a responsabilidade por
manter os ambientes livres do tabaco. O que faz todo o sentido, sob o ponto
de vista sanitário, já que é dever dos donos assegurar as condições de
higiene e salubridade de seus estabelecimentos.
A lei antifumo paulista deu certo porque
tanto os proprietários dos estabelecimentos quanto os síndicos de condomínio
e a esmagadora maioria da população compreenderam que se trata de uma medida
de saúde pública da maior importância para combater o tabagismo passivo, a
terceira maior causa de morte evitável, segundo a Organização Mundial da
Saúde.
Houve um trabalho prévio exemplar de
orientação e educação, realizado por agentes da Vigilância Sanitária
Estadual e do Procon-SP, nos três meses anteriores à vigência da lei. O
objetivo principal não era multar, punir, mas sim garantir ambientes
saudáveis.
Quando a lei entrou em vigor, entretanto, rapidamente houve uma percepção
generalizada de que, de fato, era para valer. Os agentes saíram às ruas e,
desde então, realizaram mais de 350 mil inspeções.
Felizmente o resultado foi de adesão
superior a 99% dos estabelecimentos vistoriados, que baniram o fumo, instalaram
os avisos sobre a proibição e removeram os cinzeiros. Fumar, agora, só lá
fora.
Não demorou para os resultados
começarem a aparecer. Um estudo realizado pelo Instituto do Coração em cerca
de 700 estabelecimentos do Estado apontou redução entre 68% e 73,5% nos
níveis de monóxido de carbono em ambientes fechados, conforme o tipo de local.
Já a queda da contaminação no organismo de trabalhadores não fumantes chegou
a 52,6%. São dados que apontam inequivocamente para o acerto da legislação
paulista em favor dos não fumantes.
Neste primeiro aniversário da lei
antifumo, é hora de fazer justiça a uma medida que só trouxe benefícios a
todos os cidadãos, aos fumantes inclusive, ao coibir a exposição passiva à
fumaça do tabaco.
Parece até que foi ontem. A vida seguiu
e a saúde pública, em São Paulo, saiu vencedora.
*Publicado
originalmente no jornal Folha de S. Paulo, em 19/07/2010
**Luiz Roberto
Barradas Barata (1953-2010) foi secretário de Estado da Saúde de São Paulo. Este era
seu último artigo inédito.
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