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Estudo
de sobrevida desenvolvido no Centro de Referência e Treinamento DST/aids-SP
(CRT/aids) – órgão da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de
Estado da Saúde de São Paulo (CCD/SES-SP) – confirmou o sucesso da política
nacional de combate à epidemia de HIV/aids e os excelentes resultados obtidos
com o acesso livre e universal aos antirretrovirais. A pesquisa foi realizada
pela epidemiologista Mariza Vono Tancredi, como tese de doutorado, sob a orientação
do Prof. Dr. Eliseu A. Waldman, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade
de São Paulo.
No
estudo, observou-se uma população adulta de 6.594 pacientes que desenvolveram aids, no período de 1988 a 2003, acompanhada até 2005. Identificou-se
expressivo aumento da sobrevida na era pós-HAART (início da terapia
antirretroviral de alta potência, conhecida como coquetel). Comparou-se a
probabilidade de sobrevida nove anos após o diagnóstico de aids para pacientes
que tiveram seu diagnóstico feito em três épocas (1988 a 1993; 1994 a 1996; e
1997 a 2003), e observou-se expressiva elevação nas probabilidades de
sobrevida de 10,6% para 24,4% e 72%, nos respectivos períodos.
A
introdução dos esquemas antirretrovirais de alta potência apresentou
expressivo impacto nas taxas de mortalidade por aids no CRT-SP. Em 1988, a taxa
de mortalidade foi de 8,0/1.000 pessoas-ano; em 1994, atingiu seu pico, com
24,8/1.000 pessoas-ano; e, em 2003, foi de 3,4/1.000 pessoas-ano. Portanto, entre
os anos de 1994 e 2003 ocorreu um declínio de 84,5% na taxa de mortalidade.
Outro
estudo, realizado por Guibu e colaboradores, em 2007, nas regiões Sul e Sudeste
do Brasil, revelou que para pacientes com diagnóstico de aids, entre 1998 e
1999, a probabilidade de sobrevida foi de 59,4% até nove anos. Segundo Tancredi,
a sobrevida nesse estudo foi associada aos seguintes fatores preditores: período
de diagnóstico de aids, idade na época do diagnóstico, categoria de exposição,
escolaridade e contagem de células CD4. Para os que tiveram diagnóstico de aids, entre 1988 e 1993, o risco de óbito foi três vezes maior, comparado com
os diagnosticados entre 1997 e 2003.
Em
relação à idade, o risco de óbito dos indivíduos com mais de 50 anos foi
duas vezes maior do que entre jovens de 13 e 29 anos. Para aqueles que
adquiriram o vírus por meio de uso de drogas injetáveis, o risco de óbito foi
50% maior quando comparado aos heterossexuais. Os pacientes que não tinham
nenhuma escolaridade apresentaram um risco duas vezes maior de morrer do que
aqueles com mais de oito anos de estudo.
Por
último, a contagem de CD4 também foi um fator associado à sobrevida dos
pacientes com aids, pois entre os que tinham CD4 abaixo de 350 cel/mm³ o risco
de óbito foi 30% superior, quando comparado àqueles com CD4 acima de 500 cel/mm³.
Segundo Tancredi, "os fatores associados à sobrevida dos pacientes com
aids do CRT são os mesmos apresentados em estudos internacionais".
De acordo com a pesquisadora, o aumento da
sobrevida dos pacientes do CRT/aids-SP se deve, além do uso da terapia
antirretroviral de alta potência, à qualidade do serviço prestado na instituição
e ao empenho da equipe multidisciplinar.
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