Bepa Maio 2010; 7(77) ISSN 1806-4272
ATUALIZAÇÃO


Comitê de Leishmaniose Visceral Americana. Secretaria de Estado da Saúde. São Paulo, SP, Brasil

 

 

 

Desde a introdução da leishmaniose visceral americana (LVA) no Estado de São Paulo, há dez anos, observa-se uma expansão da área de transmissão da doença. No período de 1999 até dezembro de 2009, foram notificados mais de 3.720 casos suspeitos de LVA, dos quais 1.750 confirmados. A Figura 1 apresenta a série histórica do número de casos, número de óbitos e letalidade de LVA no Estado de São Paulo, no período.

Fonte: SinanW e SinanNet. Dados atualizados em 15/03/2010

Figura 1. Número de casos, número de óbitos e letalidade de leishmaniose visceral. Estado de São Paulo, de 1999 a 2009.

Os municípios do Estado de São Paulo, no que se refere à LVA, seguem a classificação epidemiológica preconizada no Programa de Controle da Leishmaniose Visceral Americana (PCVLVA), conforme demonstrado na Figura 2.

Fonte: Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral Americana do Estado de São Paulo, 2006

Figura 2. Classificação dos municípios para a vigilância e controle da LVA no Estado de São Paulo.

No que diz respeito à transmissão de leishmaniose visceral americana, 54 municípios apresentam casos humanos e caninos autóctones, 3 registram casos humanos autóctones, embora sem detecção de autoctonia canina (Jaú, Parapuã e Lençóis Paulista), e 30 apresentam somente transmissão canina.

Foi detectada a presença do vetor Lutzomyia longipalpis em 108 municípios (Figura 3), em 25 dos quais não houve transmissão confirmada de LVA, recebendo a classificação de silenciosos receptivos vulneráveis (SRV). Dos 537 municípios em que o vetor não foi detectado, 336 estão classificados como silenciosos não receptivos vulneráveis (SNRV), 189 como silenciosos não receptivos não vulneráveis (SNRNV), além de 5 municípios com registro de casos autóctones, porém, sem confirmação da espécie vetora (Cotia, Embu e Nova Castilho com transmissão canina; Barbosa com transmissão canina e humana; e Jaú com transmissão humana). Oito municípios estão classificados como em investigação: Ferraz de Vasconcelos, Itapecerica da Serra, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Sagres, Salesópolis, São Paulo e Suzano.

Na Figura 4 pode ser observada a distribuição dos municípios do Estado de São Paulo, segundo o PVCLVA.

Fonte: Sucen/SES-SP

Figura 3. Distribuição de municípios com presença de Lutzomyia longipalpis no Estado de São Paulo, maio 2010.

 

Figura 4. Distribuição de municípios do Estado de São Paulo segundo a classificação epidemiológica para leishmaniose visceral americana, maio 2010.

Em 2008, a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) – órgão da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) –, ao desenvolver atividades de vigilância entomológica em 120 municípios não receptivos, detectou o vetor pela primeira vez nos municípios de Barretos, Bastos, Gabriel Monteiro, Presidente Venceslau, Salto, São Pedro e Urânia, além de Jales e São Carlos.1

Ainda em 2008 foi constatada a transmissão canina nos municípios de Clementina, Jales, Monte Castelo, Rinópolis, Salto, Santa Fé do Sul, São Pedro e Urânia. De um total de 59.483 amostras de cães examinadas na rede de laboratórios do Instituto Adolfo Lutz (IAL) – vinculado à Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD/SES-SP) –, procedentes de 48 municípios que realizaram atividades de inquérito canino censitário e/ou amostral, 6.260 apresentaram resultado positivo (10,52%). Os municípios de Ilha Solteira (1,21%), Nova Luzitania (0%) e Valparaiso (1,37%) apresentaram os menores percentuais de positividade e Dracena (28,77%), Panorama (28,04 %), Paulicéia (28,04 %) e Santa Mercedes (27,5%) os maiores percentuais (Figura 5).

Figura 5. Atividades de inquérito canino realizadas nos municípios e a estratificação segundo a positividade no ano de 2009.

Destaca-se a expansão de LVA, com detecção do vetor e de novas áreas de transmissão canina, nas regiões de abrangência dos Grupos de Vigilância Epidemiológica (GVE) de Piracicaba e Sorocaba, nos municípios de São Pedro e Salto, respectivamente.

Em 2009, durante a realização da atividade de levantamento entomológico em 168 municípios não receptivos, a Sucen detectou o vetor pela primeira vez em 15 municípios: Águas da Prata, Analândia, Aspásia, Caiuá, Campinas, Ipeúna, Jaguariúna, Palmeira d'Oeste, Presidente Epitácio, Presidente Prudente, Santa Fé do Sul, Santa Salete, Santana da Ponte Pensa, Santo Expedito e Votuporanga. Com relação ao reservatório canino, houve transmissão confirmada em quatro municípios: Campinas, Flora Rica, Getulina e Salmourão.

De um total de 78.207 amostras de cães examinadas na rede de laboratórios do IAL, procedentes de 53 municípios que realizaram atividades de inquérito canino censitário e/ou amostral, foram detectadas 7.492 positivas (9,58%). Os municípios de Bento de Abreu (1,27%), Gabriel Monteiro (0,95%), Guarantã (1,93%), Lençóis Paulista (1,64%), Pracinha (1,36%) e Promissão (1,88%) apresentaram os menores percentuais e Pacaembu (35,88%), o maior (Figura 6).

 

Figura 6. Atividades de inquérito canino realizadas nos municípios e a estratificação segundo a positividade, 2009.  

Destacam-se, ainda em 2009, o encontro do vetor e a caracterização de enzootia canina em Campinas, município sede de Região Metropolitana. Em 2010, o vetor foi detectado em Águas de Lindóia e a transmissão canina confirmada em Bastos, Brejo Alegre, Palmeira d'Oeste, Presidente Prudente, Presidente Venceslau e Turiúba.

A fim de monitorar a expansão do vetor em áreas não receptivas e não vulneráveis, foi selecionada uma amostra de conveniência composta por Aparecida, Bertioga, Caraguatatuba, Descalvado, Guarujá, Ilhabela, Porto Ferreira, Registro, São José dos Campos e São Sebastião. Esses municípios passarão a ser identificados como silenciosos não receptivos vulneráveis. Dentro desse contexto, a Sucen desenvolverá atividades de vigilância entomológica, conforme preconizado pelo PVCLVA.

REFERÊNCIAS

  1. Grupo de Estudos em Leishmanioses. Divisão de Zoonoses. Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”. Coordenadoria de Controle de Doenças. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Atualização da classificação epidemiológica dos municípios para a leishmaniose visceral americana. [boletim na internet]. Bepa 2008:5(58). Disponível em: http://www.cve.saude.sp.gov.br/agencia/bepa58_lva.htm

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