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Hoje, sabe-se que as enzimas esterásicas estão relacionadas com o desenvolvimento de resistência
a inseticidas, em muitos organismos. Em Aedes
aegypti a dedução desse envolvimento tem resultado
mais em testes que permitem a avaliação da atividade das esterases no extrato total dos mosquitos
(mostrando valores maiores nas populações resistentes) do que em estudos mais profundos de padrões e
bandas individualizadas e sua relação com a resistência. Com o objetivo básico de contribuir para o
conhecimento desse aspecto, no presente trabalho 11 populações geográficas daquele vetor, sendo 6 classificadas
como resistentes, 3 como suscetíveis e 2 como tendo suscetibilidade diminuída, foram analisadas quanto
ao polimorfismo de esterases, por eletroforese em géis de poliacrilamida. O resultado do estudo cerca de
30 amostras de larvas e adultos de cada população mostrou 24 bandas que foram tentativamente
associadas com oito loci genéticos. Considerando também os dados de
LIMA-CATELANI et al. (2004) e de SOUSA-POLEZZI & BICUDO (2005), temos o total de 25 bandas esterásicas, incluídas em 12 supostos
loci, em 15 populações daquele vetor, até a presente data. A população de São José do Rio
Preto (SP), analisada em intervalos
de cinco anos entre aqueles dois estudos e sete anos entre SOUSA-POLEZZI &
BICUDO (2005) e o
presente trabalho, mostrou modificações no padrão de esterases, que ocorreram ao longo do tempo, paralelamente
ao surgimento e aumento da resistência aos inseticidas utilizados no controle, nessa população.
Essas modificações abrangeram, basicamente, aumento ou diminuição da frequência de algumas bandas e
ausência de bandas previamente detectadas. De modo geral, a busca por padrões esterásicos específicos
relacionados ao desenvolvimento da resistência indicou algumas bandas ou combinações de bandas para um
estudo mais aprofundado. Essas bandas são: EST-1, sozinha, devido à sua alta frequência em
5 das 6 populações classificadas como resistentes; a combinação de EST-1 com EST-4, ambas
ocorrendo simultaneamente, de forma predominante nas populações resistentes; e as
colinesterases αβ, detectadas nas 11
populações, mas apresentando frequências mais altas em 4 das
6 populações
consideradas resistentes. Diante do conhecimento atual sobre as esterases e sua relação com a resistência a
inseticidas em A.aegypti, no presente trabalho é discutida a possibilidade de que a quantidade total de
esterases, principalmente das carboxilesterases, produzidas por um grupo de genes possa ser mais importante
em gerar resistência do que o grau de expressão de genes individuais que codificam para bandas
específicas. Contudo, entendemos que as bandas destacadas neste trabalho devem ser alvo de um estudo mais
detalhado, antes que esta hipótese ganhe maior força. Palavras-chave:
Controle de Aedes
aegypti. Polimorfismo. Bandas esterásicas. Resistência a
inseticidas. Mecanismos de resistência.
Suporte financeiro: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
(Fapesp)
Esterase patterns in resistant and susceptible populations
of Aedes aegypti (Diptera, Culicidae)
It is presently known that the esterases are involved in the process of resistance to insecticides, in
several organisms. In Aedes aegypti, the conclusion about such involvement resulted rather from tests in which
the total amount of esterases is computed in extracts of the mosquitoes (showing greater quantities in
the resistant ones) than from deeper studies of esterase patterns or particular esterase bands and
their relationship with resistance. With the basic aim to contribute to the knowledge of this relationship, in
the present study the esterase polymorphism of 11 geographic populations of that vector, being six
classified as resistant, three as susceptible and two as presenting decreased susceptibility, was studied
by electrophoresis in polyacrylamide gels. The results of the analysis of about 30 individual samples of
larvae and adults of each population showed 24 esterase bands which were tentatively associated to eight
loci. Considering also the data from Lima-Catelani et al. (2004) and Sousa-Polezzi & Bicudo (2005), a total
of 25 bands and 12 loci, in 15 populations, was obtained. The population from São José do Rio
Preto, analyzed at intervals of five years between those two studies and seven years between Sousa-Polezzi
& Bicudo (2005) and the present study, showed changes in the esterase pattern, which occurred along
time concomitant to the increase of insecticide resistance in that population, including frequency increase
or decrease of some bands and absence of bands previously detected. The search for specific
esterase patterns related to the resistance development indicated some bands and combinations of bands
as deserving a deeper study. They are EST-1 alone, due to high frequency in five of the six
resistant populations, or the combination of EST-1 with EST-4, both occurring simultaneously, with high
frequency, mainly in the resistant populations, and the
áâ cholinesterases, which although present in the
11 populations, showed higher frequencies in four of the six resistant ones. In front of the present
knowledge on esterases related with resistance, in
A. aegypti, we discuss the possibility that the total amount
of esterases (mainly carboxilesterases) produced by a group of genes might be more important in
the generation of resistance than the degree of expression of genes codifying particular bands. However,
we understand that the bands stood out in the present study must be the target of a more detailed
analysis, before this hypothesis gains a greater consideration.
Key words: Aedes aegypti control. Polymorphism. Esterase
bands. Insecticide resistance. Resistance mechanisms.
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