|
A
esquistossomose mansônica, também conhecida como “barriga d’água”, “xistose”,
“xistosomose” ou “doença dos caramujos”, é uma doença causada por
parasita denominado Schistosoma mansoni. De
evolução clínica que varia desde formas assintomáticas até quadros graves,
como as formas hepato-intestinal, hepato-esplênica e neurológica (mielorradiculapatia),
pode causar óbito se não tratada ou diagnosticada precocemente.
É uma doença de importância
em saúde pública em todo o mundo, relacionada principalmente a precárias
condições de vida e à falta ou deficiências no saneamento básico. Sua
transmissão depende da existência de hospedeiros intermediários – caramujos
de espécies como Biomphalaria glabrata,
B. straminea e B. tenagophila –, ocorrendo em locais com despejo de esgoto sem
tratamento. Ovos de S. mansoni
eliminados nas fezes do hospedeiro contaminado eclodem na água de rios, lagoas
ou outras coleções hídricas, liberando larvas ciliadas (miracídios) que
infectam o hospedeiro intermediário (caramujo), as quais, após 4 a 6 semanas,
abandonam o caramujo, na forma de cercárias, e permanecem livres nas águas
naturais.
O contato humano por meio
da pele com águas que contêm cercárias, em atividades de lazer ou de
trabalho, é a maneira pela qual o indivíduo adquire a doença, em média de 2
a 6 semanas após a infecção. Cinco semanas após a infecção o homem pode
excretar ovos viáveis de S. mansoni
nas fezes, permanecendo assim por muitos anos se não for devidamente tratado,
constituindo-se em importante fonte de transmissão em locais com saneamento básico
deficiente e despejo de dejetos sem tratamento nas coleções hídricas.
Mais
de 200 milhões de pessoas estão infectadas em todo o mundo. No Brasil, ocorrem
em média mais de 100 mil casos por ano, principalmente nos Estados de Minas
Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Dados do Ministério da Saúde
mostram que a esquistossomose causa, no País, mais óbitos que a dengue, a
leishmaniose visceral e a malária.
No
Estado de São Paulo, o número de casos vem diminuindo ao longo dos anos devido
às ações intensas da vigilância epidemiológica e ações programáticas,
como captação precoce e tratamento de casos (doentes e assintomáticos) nos
postos de saúde, e a outras intervenções em nível ambiental. Em 2003, 582
casos eram autóctones e os outros 2.849, importados. Em 2009 foram registrados
em território paulista 1.245 casos, dos
quais 181 eram autóctones (transmissão local) e os outros 1.064 adquiridos em
outros Estados, como Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe. Algumas
regiões de São Paulo, principalmente áreas de invasão, com intensa
migração e córregos, rios ou mangues poluídos, apresentam focos da doença,
como a Baixada Santista, o Vale do Ribeira, o Vale do Paraíba, a Região
Metropolitana de Campinas e alguns municípios da
Grande São Paulo.
Considerando-se
o importante declínio da doença, em curso, foi implantada no Estado de São
Paulo, em maio de 2009, a Semana da Esquistossomose. A finalidade do evento é
divulgar mais amplamente a doença, suas formas de transmissão, prevenção e
tratamento, bem como aumentar a captação precoce de casos (sintomáticos e
assintomáticos) a partir das ações municipais, garantindo, ainda, o
tratamento e verificação de cura de todos os casos detectados. Na ocasião
conseguiu-se ampla divulgação na mídia, incentivando-se as pessoas que
tiveram contato com coleções hídricas poluídas a procurar os serviços de saúde
para consulta médica e realização de exame para diagnóstico da doença e
tratamento.
Em
2010, a 2ª Semana da Esquistossomose será realizada de 24
a 28 de maio, quando os esforços deverão se concentrar nas ações de
caráter educativo em relação à informação e sensibilização da população
para adoção de comportamento baseado em critérios ecológicos, quando em
contato recreativo ou laboral com coleções hídricas. E, ainda, em esforços
para planejar ou dar continuidade às ações de saúde ambiental em atuações
definitivas para a interrupção da transmissão da doença, isto é, visando-se
a eliminação da autoctonia da esquistossomose.
No
período do evento, os municípios paulistas desenvolverão atividades
educativas divulgando mensagens com informações sobre a esquistossomose,
principais sintomas, formas de contágio e dicas de prevenção. Além disso,
cerca de 5 mil unidades básicas de saúde reforçarão o atendimento à população
que procurar os serviços com suspeita de ter adquirido a doença. Havendo
necessidade, será agendada consulta médica e solicitado exame parasitológico
de fezes aos pacientes, para identificação do agente causador da
esquistossomose. Os pacientes diagnosticados serão tratados
gratuitamente com prescrição de um antiparasitário.
O trabalho não se esgota
ao final da Semana da Esquistossomose. Os serviços de saúde atenderão os
casos durante o ano todo. Os resultados de todas as ações desenvolvidas ajudam
a aumentar a captação precoce de casos, a tratar as pessoas, a identificar
possíveis focos de transmissão e a
desencadear alternativas definitivas para a interrupção da transmissão da
doença. Os municípios que eliminarem a autoctonia da esquistossomose receberão
certificação, e toda a população pode se engajar nessa campanha.
|