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Durante muitos anos, o sarampo apresentou
elevada morbidade com picos epidêmicos a cada 2 a 4 anos. Na década
de 1980, no Brasil, a maior incidência foi registrada em 1986
(97,7/100.000 habitantes), com 129.942 casos notificados em todo o País.
No Estado de São Paulo foram registrados, em 1986, 6.864 casos da
doença, considerando somente os internados, e um coeficiente de incidência
de 23,48/100.000 habitantes.
Tendo em vista esta situação, em 1987 a
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo realizou a primeira
campanha de vacinação em massa, na qual foram vacinadas 8.565.230
crianças e adolescentes, na faixa etária de 9 meses a 14 anos,
atingindo uma cobertura vacinal de 91%. O impacto desta campanha foi
imediato, com a redução significativa da incidência e letalidade
deste agravo. Estabeleceu-se, a partir de então, um programa mais
efetivo de controle, passando a ser de notificação todos os casos
suspeitos e não apenas os hospitalizados. Foram instituídos, ainda,
o diagnóstico laboratorial, a investigação epidemiológica e a adoção
de vacinação de bloqueio dos comunicantes.
Neste mesmo ano, após a campanha de vacinação,
a Secretaria e o Instituto de Medicina Tropical, da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (Fmusp), realizaram um estudo
de soroprevalência de
sarampo na Grande São Paulo. Os dados administrativos da cobertura
vacinal alcançada na campanha foram confirmados, constatando que
apenas 3% da população de 1 ano a 14 anos ainda era suscetível à
doença.
Em 1992, foi implantado em São Paulo o
Programa de Controle da Rubéola e da Síndrome da Rubéola Congênita,
com a inclusão da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)
no calendário de vacinação do Estado e a realização de uma
campanha em crianças de 1 ano a 10 anos, alcançando 96% de cobertura
(6.800.000 crianças vacinadas). A faixa etária alvo dessa campanha
foi determinada por modelo matemático, elaborado pela disciplina de
Informática Médica da Fmusp. Outro estudo de soroprevalência de
sarampo foi realizado no município de São Paulo, constatando-se que
98% da população de 1 ano a 14 anos estava protegida contra o
sarampo.
Plano de
Eliminação do Sarampo
Após esta campanha, a
Secretaria de Saúde de São Paulo passou a recomendar a vacina
monovalente de sarampo aos 9 meses e um reforço aos 15 meses com a
vacina tríplice viral. Nesse mesmo ano, o Ministério da Saúde
implantou o Plano Nacional de Eliminação do Sarampo.
Em
1995, o Ministério realizou a primeira Campanha de Seguimento para o
grupo etário de 1 ano a 3 anos, atingindo uma cobertura vacinal de
78,8%. O Estado de São Paulo, como já havia realizado as campanhas
de 1987 e 1992 e a cobertura vacinal pelos dados administrativos
apresentava-se elevada, resolveu não realizar esta campanha. O
sucesso destas iniciativas foi evidenciado pela queda constante dos
casos confirmados até 1995, quando foram notificados apenas 11 casos
de sarampo em todo o Estado.
Entretanto,
apesar de todos os esforços anteriormente realizados, no final de
1996 houve um aumento no número de casos na Grande São Paulo,
culminando na epidemia de 1997, que no Estado alcançou 23.909 casos
confirmados por laboratório, uma incidência de 69,9/100.000
habitantes e 23 óbitos.
As
coberturas vacinais obtidas para os menores de um ano de idade nas
atividades de rotina, em São Paulo, de 1993 a 1995, alcançaram taxas
superiores a 95%. No entanto, em 1995 e 1996 caíram para 94%; em 1996
o número de doses aplicadas, no município de São Paulo, foi 15%
menor que em 1993.
Na
Região Metropolitana de São Paulo, excluindo a Capital, e no
Interior do Estado a variação foi bem menor (menos que 1%). Assim,
no final de 1996, São Paulo já apresentava uma quantidade de suscetíveis
elevada na faixa etária entre 1 ano e 4 anos de idade, que permitiu o
restabelecimento da circulação do vírus do sarampo. Outro fator que
possibilitou o incremento de suscetíveis em várias faixas etárias
foi a migração de pessoas não imunes para sarampo de outros
Estados.
Várias
estratégias de controle foram realizadas para o controle desta
epidemia: redução temporária da idade de vacinação contra o
sarampo para seis meses de idade, vacinação seletiva de
profissionais de saúde, vacinação de bloqueio dos comunicantes,
vacinação seletiva de escolares e profissionais da educação e
campanha de vacinação indiscriminada contra o sarampo para as crianças
entre 6 meses e 4 anos de idade. A partir da segunda semana após a
campanha de vacinação (agosto de 1997), observou-se uma queda
acentuada no número de casos de sarampo. Esta epidemia atingiu
praticamente todos os Estados brasileiros.
Segundo
o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), em 1998 foram
registrados 252 casos de sarampo, a maioria (52%) no primeiro
trimestre, refletindo a epidemia do ano anterior principalmente nos
municípios do Interior. Em 1999, foram confirmados 94 casos de
sarampo.
Em
junho de 2000 foi realizada nova Campanha de Seguimento, em âmbito
nacional, na qual foram vacinadas crianças entre 1 ano e 4 anos, de
modo indiscriminado, com a vacina dupla viral (sarampo e rubéola),
alcançando 111,37% de cobertura vacinal no Estado. Como resultado de
todos estes esforços, a situação epidemiológica vem se modificado,
e em 2000 houve redução significativa no número e incidência dos
casos de sarampo, encerrando-se o ano com apenas 10 casos confirmados
no Estado.
Em
2001 e 2002, foram notificados apenas dois casos de sarampo, sendo um
em cada ano, ambos importados do Japão, sem evidência de transmissão
secundária.
A
análise destes dados indica que a transmissão autóctone do sarampo
no Estado e no Brasil foi interrompida em 2000. A evidência da não
circulação do vírus autóctone no País foi resultado de esforços
intensivos para alcançar altas coberturas em todas as estratégias de
vacinação realizadas.
Campanha 2004
No dia 21 de
agosto de 2004, juntamente com a segunda fase da Campanha de Nacional
de Vacinação contra a Poliomielite, todas as crianças entre 1 ano e
4 anos também irão receber a vacina tríplice viral.
A partir desta
data, será implantada em todo o território nacional a segunda dose
desta vacina. No calendário vacinal da Secretaria de Estado da Saúde
de São Paulo a segunda dose será aplicada entre 5 anos e 6 anos
juntamente com o segundo reforço de DTP e Sabin. Esta medida
possibilitará incrementar a cobertura vacinal e a sua homogeneidade e
imunizar os eventuais casos de falha primária e secundária,
ocorridos após a aplicação da tríplice viral aos 12 meses de
idade.
É
fundamental, para a manutenção da situação epidemiológica do
sarampo, continuar mantendo elevadas coberturas vacinais e uma vigilância
epidemiológica ativa. É considerado caso suspeito de sarampo o
paciente que apresenta quadro de febre, exantema máculo-papular
generalizado e tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, independente do
estado vacinal e idade. Estes casos devem ser investigados, ter uma
amostra de sangue coletada para realização de sorologia e
notificados à vigilância epidemiológica municipal ou pelo telefone
0800-555466 (Central CVE).
SARAMPO:
Distribuição do Nº de Casos Confirmados (Lab. e Clín.) segundo
Mês e Ano, Estado de São Paulo, 1987 a 2003

mes/ano
Fonte:
SINAN e IAL
(30/04/04)
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