Informe Mensal sobre Agravos à Saúde Pública   ISSN 1806-4272
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Junho, 2004   Ano 1   Número 6                                                                             retorna
Sarampo no Estado de São Paulo
Campanha de Vacinação de Seguimento — 21 de agosto de 2004

Autoras: Flávia Helena Ciccone e Telma R. M. P. Carvalhanas,
 Divisão de Doenças de Transmissão Respiratória, CVE
Clélia Maria S.S. Aranda e Helena Keico Sato.
Divisão de Imunização, CVE

Durante muitos anos, o sarampo apresentou elevada morbidade com picos epidêmicos a cada 2 a 4 anos. Na década de 1980, no Brasil, a maior incidência foi registrada em 1986 (97,7/100.000 habitantes), com 129.942 casos notificados em todo o País. No Estado de São Paulo foram registrados, em 1986, 6.864 casos da doença, considerando somente os internados, e um coeficiente de incidência de 23,48/100.000 habitantes.

Tendo em vista esta situação, em 1987 a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo realizou a primeira campanha de vacinação em massa, na qual foram vacinadas 8.565.230 crianças e adolescentes, na faixa etária de 9 meses a 14 anos, atingindo uma cobertura vacinal de 91%. O impacto desta campanha foi imediato, com a redução significativa da incidência e letalidade deste agravo. Estabeleceu-se, a partir de então, um programa mais efetivo de controle, passando a ser de notificação todos os casos suspeitos e não apenas os hospitalizados. Foram instituídos, ainda, o diagnóstico laboratorial, a investigação epidemiológica e a adoção de vacinação de bloqueio dos comunicantes.

Neste mesmo ano, após a campanha de vacinação, a Secretaria e o Instituto de Medicina Tropical, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Fmusp), realizaram um estudo de soroprevalência  de sarampo na Grande São Paulo. Os dados administrativos da cobertura vacinal alcançada na campanha foram confirmados, constatando que apenas 3% da população de 1 ano a 14 anos ainda era suscetível à doença.

Em 1992, foi implantado em São Paulo o Programa de Controle da Rubéola e da Síndrome da Rubéola Congênita, com a inclusão da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) no calendário de vacinação do Estado e a realização de uma campanha em crianças de 1 ano a 10 anos, alcançando 96% de cobertura (6.800.000 crianças vacinadas). A faixa etária alvo dessa campanha foi determinada por modelo matemático, elaborado pela disciplina de Informática Médica da Fmusp. Outro estudo de soroprevalência de sarampo foi realizado no município de São Paulo, constatando-se que 98% da população de 1 ano a 14 anos estava protegida contra o sarampo.

Plano de Eliminação do Sarampo

Após esta campanha, a Secretaria de Saúde de São Paulo passou a recomendar a vacina monovalente de sarampo aos 9 meses e um reforço aos 15 meses com a vacina tríplice viral. Nesse mesmo ano, o Ministério da Saúde implantou o Plano Nacional de Eliminação do Sarampo.

Em 1995, o Ministério realizou a primeira Campanha de Seguimento para o grupo etário de 1 ano a 3 anos, atingindo uma cobertura vacinal de 78,8%. O Estado de São Paulo, como já havia realizado as campanhas de 1987 e 1992 e a cobertura vacinal pelos dados administrativos apresentava-se elevada, resolveu não realizar esta campanha. O sucesso destas iniciativas foi evidenciado pela queda constante dos casos confirmados até 1995, quando foram notificados apenas 11 casos de sarampo em todo o Estado.

Entretanto, apesar de todos os esforços anteriormente realizados, no final de 1996 houve um aumento no número de casos na Grande São Paulo, culminando na epidemia de 1997, que no Estado alcançou 23.909 casos confirmados por laboratório, uma incidência de 69,9/100.000 habitantes e 23 óbitos.

As coberturas vacinais obtidas para os menores de um ano de idade nas atividades de rotina, em São Paulo, de 1993 a 1995, alcançaram taxas superiores a 95%. No entanto, em 1995 e 1996 caíram para 94%; em 1996 o número de doses aplicadas, no município de São Paulo, foi 15% menor que em 1993.

Na Região Metropolitana de São Paulo, excluindo a Capital, e no Interior do Estado a variação foi bem menor (menos que 1%). Assim, no final de 1996, São Paulo já apresentava uma quantidade de suscetíveis elevada na faixa etária entre 1 ano e 4 anos de idade, que permitiu o restabelecimento da circulação do vírus do sarampo. Outro fator que possibilitou o incremento de suscetíveis em várias faixas etárias foi a migração de pessoas não imunes para sarampo de outros Estados.

Várias estratégias de controle foram realizadas para o controle desta epidemia: redução temporária da idade de vacinação contra o sarampo para seis meses de idade, vacinação seletiva de profissionais de saúde, vacinação de bloqueio dos comunicantes, vacinação seletiva de escolares e profissionais da educação e campanha de vacinação indiscriminada contra o sarampo para as crianças entre 6 meses e 4 anos de idade. A partir da segunda semana após a campanha de vacinação (agosto de 1997), observou-se uma queda acentuada no número de casos de sarampo. Esta epidemia atingiu praticamente todos os Estados brasileiros.

Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), em 1998 foram registrados 252 casos de sarampo, a maioria (52%) no primeiro trimestre, refletindo a epidemia do ano anterior principalmente nos municípios do Interior. Em 1999, foram confirmados 94 casos de sarampo.

Em junho de 2000 foi realizada nova Campanha de Seguimento, em âmbito nacional, na qual foram vacinadas crianças entre 1 ano e 4 anos, de modo indiscriminado, com a vacina dupla viral (sarampo e rubéola), alcançando 111,37% de cobertura vacinal no Estado. Como resultado de todos estes esforços, a situação epidemiológica vem se modificado, e em 2000 houve redução significativa no número e incidência dos casos de sarampo, encerrando-se o ano com apenas 10 casos confirmados no Estado.

Em 2001 e 2002, foram notificados apenas dois casos de sarampo, sendo um em cada ano, ambos importados do Japão, sem evidência de transmissão secundária.

A análise destes dados indica que a transmissão autóctone do sarampo no Estado e no Brasil foi interrompida em 2000. A evidência da não circulação do vírus autóctone no País foi resultado de esforços intensivos para alcançar altas coberturas em todas as estratégias de vacinação realizadas.

Campanha 2004

No dia 21 de agosto de 2004, juntamente com a segunda fase da Campanha de Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, todas as crianças entre 1 ano e 4 anos também irão receber a vacina tríplice viral.

A partir desta data, será implantada em todo o território nacional a segunda dose desta vacina. No calendário vacinal da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo a segunda dose será aplicada entre 5 anos e 6 anos juntamente com o segundo reforço de DTP e Sabin. Esta medida possibilitará incrementar a cobertura vacinal e a sua homogeneidade e imunizar os eventuais casos de falha primária e secundária, ocorridos após a aplicação da tríplice viral aos 12 meses de idade.

É fundamental, para a manutenção da situação epidemiológica do sarampo, continuar mantendo elevadas coberturas vacinais e uma vigilância epidemiológica ativa. É considerado caso suspeito de sarampo o paciente que apresenta quadro de febre, exantema máculo-papular generalizado e tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, independente do estado vacinal e idade. Estes casos devem ser investigados, ter uma amostra de sangue coletada para realização de sorologia e notificados à vigilância epidemiológica municipal ou pelo telefone 0800-555466 (Central CVE).

 

SARAMPO:
Distribuição do Nº de Casos Confirmados (Lab. e Clín.) segundo Mês e Ano, Estado de São Paulo, 1987 a 2003


mes/ano

Fonte: SINAN e IAL (30/04/04) 


Agência Paulista de Controle de Doenças