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Introdução
O
crescente número de adolescentes que apresentam essas doenças, mas
ainda assim poucas informações têm a respeito delas, vem alertando
para o real impacto das doneças sexualmente transmissíveis (DST) na
vida desses sujeitos, tanto em razão da percepção dos seus riscos,
como das conseqüências inevitáveis da sua presença. De fato,
percebemos em nossos atendimentos e nas discussões de caso em equipe
que eles estão demasiadamente vulneráveis às DST e que o processo
de aconselhamento proposto no ambulatório se constitui uma estratégia
institucional capaz de trabalhar as variáveis de prevenção e
tratamento.
Mas,
para que essa prática se tornasse mais efetiva, precisávamos de mais
dados a respeito dos sentidos atribuídos pelos adolescentes ao fato
de estarem portadores de uma DST e do
alcance dos objetivos do aconselhamento realizado pela equipe do
ambulatório. Nessa medida, este trabalho tem como perspectiva
fornecer dados qualitativos que possam favorecer
a análise da prática de aconselhamento com adolescentes
portadores de DST.
Para a
realização deste trabalho, que aborda especificamente os
adolescentes, privilegiamos como base de análise a sociologia, que
relativiza o critério etário, considerando que o comportamento dos
jovens também se dá de acordo com seu grupo social, seu gênero, seu
contexto de vida, sua raça, entre outros aspectos. No entanto, em função
de questões éticas e jurídicas que delimitam a amostra para
construir o grupo populacional a ser estudado,
reportamo-nos particularmente à faixa etária de 13 a 19 anos.
Pereira
Jr. e Serruya (1982) classificaram as DST em: essencialmente
transmitidas por contágio sexual (sífilis, gonorréia, cancro mole e
linfogranuloma venéreo), freqüentemente transmitidas por contágio
sexual (donovanose, uretrite não-gonocócica, herpes simples genital,
condiloma acuminado, candidíase genital, fitiríase e hepatite tipo
B) e eventualmente transmitidas por contágio sexual (molusco
contagioso, pediculose, escabiose, shiguelose e amebíase).
Neste
estudo, optamos por considerar os adolescentes que apresentam DST
essencial e freqüentemente transmitidas por contágio sexual.
Partimos do pressuposto de que, no aconselhamento sobre DST para
adolescentes, a dificuldade maior reside na abordagem das questões
relacionadas às atividades sexuais; portanto, consideramos importante
pesquisar justamente esse aspecto. Também abordamos a possibilidade
de se tratar de uma doença curável ou somente possível de ser
prevenida, isso porque, inicialmente, pensamos que o impacto na vida
dos adolescentes de uma doença curável é diferente do impacto de
uma crônica.
Para o
Ministério da Saúde (1998, p.11), “o aconselhamento é um processo
de escuta ativa, individualizado e centrado no cliente. Pressupõe a
capacidade de estabelecer uma relação de confiança entre os
interlocutores, visando ao resgate dos recursos internos do cliente,
para que ele mesmo tenha possibilidade de reconhecer-se como sujeito
de sua própria saúde e transformação”.
Objetivos
Analisar
as possibilidades e os limites da prática de aconselhamento em DST
para adolescentes, através dos sentidos atribuídos por eles próprios
ao fato de estarem portadores dessas doenças.
Metodologia
Este
estudo, realizado com adolescentes portadores de DST que vivenciaram o
processo de aconselhamento, tem como foco a preocupação
de
como os seres humanos compreendem e se apropriam da realidade, para então
transformá-la. É nesse sentido que utilizamos o conceito de
Representação Social, a fim de melhor compreendermos a elaboração
do processo de aconselhamento em DST pelos adolescentes.
A
Representação Social – presente na vida de todos os indivíduos,
pois não existe formação social histórica sem essa representação
– foi aqui desvelada através do discurso dos adolescentes. Trata-se
de um conceito bastante genérico, mas que pode ser resgatado por meio
dos eventos sociais e traduzido pelo discurso dos atores sociais.
A
pesquisa qualitativa foi o instrumento através do qual buscamos
acessar as representações sociais desse determinado seguimento
populacional, diante de um problema de saúde pública que vem se
agravando.
A
escolha do método qualitativo para este estudo se deu em função dos
seus objetivos. Avaliamos que o discurso dos atores envolvidos é
fundamental para visualizar o alcance da prática de aconselhamento em
DST para adolescentes.
Tendo
em vista a necessidade da reconstrução dos sentidos de uma
determinada coletividade, optamos pelo Discurso do Sujeito Coletivo
como técnica de pesquisa qualitativa, que tem por finalidade a
construção de um discurso coletivo que represente dos diversos
atores sociais envolvidos.
O
Discurso do Sujeito Coletivo é um método de análise qualitativo que
permite ao pesquisador a construção do discurso de uma coletividade.
Para tanto, utiliza perguntas abertas em suas entrevistas, permitindo
que os sujeitos produzam discursos representativos de seus
“pensamentos”.
As
entrevistas foram semi-estruturadas, com um roteiro prévio de
perguntas abertas que foram formuladas aos adolescentes e se constituíram
no principal elemento de análise.
Inicialmente,
foram elaboradas, então, questões de ordem sócio-demográficas e
comportamental: idade, sexo, se o adolescente estudava ou não e em
que série se encontrava, se estava ou não trabalhando e qual era
seu trabalho e, finalmente, se tinha ou não vindo acompanhado
e de quem.
Na
seqüência, foram feitas oito perguntas abertas a respeito de como
estava sendo para o adolescente ter a DST, como havia sido o contágio,
se era possível ou não evitá-lo, como era para ele usar
preservativo, se a
parceria
sexual sabia da doença, se era possível falar
sobre isso com ela, se alguém ofereceu a possibilidade de fazer o
teste e como se sentiu realizando-o.
A
demanda de adolescentes do ambulatório com o perfil exigido pelo
estudo foi o principal critério para o número de entrevistados. Os
entrevistados eram adolescentes que apresentaram uma DST
essencialmente e freqüentemente sexualmente transmissível e que já
haviam vivenciado o processo de aconselhamento em consulta médica e
com a equipe multiprofissional.
A
amostra foi aleatória; sendo assim, a pesquisa foi oferecida aos
adolescentes portadores de DST pelos profissionais que os atendiam, após
a consulta médica e o aconselhamento com a equipe multi-profissional.
As
entrevistas ocorreram em um período de quatro meses. Este tempo se
deu em função do número de adolescentes que foram ao ambulatório e
apresentaram o perfil solicitado pela pesquisa, variando de 15 minutos
à 1 hora e 20 minutos de duração. Esta variação se deu em função
do perfil dos entrevistados. Alguns se sentiram bem à vontade, outros
eram muito tímidos e outros tinham dificuldades para se expressar.
Satisfatoriamente,
a
amostra se constituiu de adolescentes com idades, sexos e DST
diferenciados.
Resultados
A
fim de desvelarmos os diversos sentidos das DST na vida de um
adolescente, utilizamo-nos, no presente estudo, de algumas perguntas
capazes de apontar aspectos que devem ser abordados na prática de
aconselhamento individual. Nesse sentido, analisamos a vivência de
estar portador de uma DST; como ocorre o contágio; como se pode evitá-lo;
como é usar camisinha; se é possível ou não abordar a questão com
a parceria sexual; se o teste do HIV foi oferecido e, finalmente, como
foi vivenciada a sua realização.
O
trabalho nos permitiu entrar em contato com diversos discursos
coletivos, embora aqui somente apresentaremos as idéias centrais dos
diversos discursos construídos. As idéias centrais nos permite
categorizar os diversos sentidos encontrados nos discursos.
Questão
1
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Pergunta
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Idéias Centrais
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Ter
esta
DST, fale-me sobre isso?
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A- Está sendo normal ter uma DST.
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B- Pegar uma DST é complicado,
difícil e dá medo.
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C- A DST dá preocupação,
precisa ser acompanhada pelo médico.
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D- Ter uma DST pode ser
constrangedor.
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E- A gente pensa que sabe sobre
as DST.
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F- A DST dá preocupação no início,
mas depois você esquece.
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G- A DST dá raiva do parceiro.
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H- A DST dá medo de passar para
o parceiro.
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I- O importante era dar prazer
para outra pessoa e o poder que isso dá.
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J- As pessoas não falam que
pegaram uma DST.
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L-
No fogo da paixão a gente nem lembra de camisinha.
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M- A pessoa que é bonita, chama
muito mais a atenção e atrai muito mais coisas. Então, é
dessas que você realmente tem que ter a desconfiança.
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N- As pessoas pensam que, pelo
fato de a outra pessoa ser magrinha, pode ter Aids e se esquecem
de que os bonitões também podem.
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O- Mesmo tendo as informações,
você acha que é imune, você é um super-herói.
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P- O corrimento apareceu porque não
houve banho depois das relações sexuais.
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Q- Quando se está grávida, a
gente fica com mais medo da DST.
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Questão
2
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Pergunta
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Idéias Centrais
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Como foi que você
pegou?
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A- Não sei como peguei, acho que foi assim...
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B- Não
sei como peguei.
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C- Eu não sei se peguei.
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D- Eu sei como eu peguei.
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E- Eu estava consciente dos riscos.
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F- Eu não peguei.
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Questão
3
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Pergunta
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Idéias Centrais
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Teria dado para evitar?
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A-
Não dava para evitar.
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B-
Acho que dava para evitar.
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C-
Dava para evitar.
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D-
Acho que não dava para evitar.
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E-
Ser homossexual garante imunidade.
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F-
O aconselhamento incentiva a pessoa a estar se cuidando.
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G-
Dava para evitar se eu não tivesse confiado no parceiro.
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Questão
4
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Pergunta
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Idéias Centrais
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Camisinha, fale-me sobre
isso.
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A- A camisinha depende da situação
e do momento.
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B-
A camisinha é importante.
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C-
A camisinha é complicada, eu não gosto.
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D-
Nunca usei camisinha.
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Questão
5
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Pergunta
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Idéias Centrais
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A pessoa com quem você transou
sabe que apareceu uma DST?
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A- Sim, sabe.
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B-
Sim, sabe, mas a pessoa negou.
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C-
Não sabe.
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D-
Ainda
não.
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Questão
6
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Pergunta
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Idéias Centrais
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É possível
conversar sobre isso com ela?
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A-
Sim, é possível.
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B- Não é possível.
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C- Acho que sim.
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D- Acho que não.
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E- Sim, é possível, mas ele me enganou.
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F- Sim, é possível, mas ele não está
aceitando.
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G- Ainda não foi possível.
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Questão
7
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Pergunta
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Idéias Centrais
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Alguém ofereceu o
teste do HIV para você?
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A-
Sim, me ofereceram.
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B- Não tem certeza se fez testagem para o
HIV.
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C- Não, ninguém me ofereceu.
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D- Não, porque eu vim para fazer o teste.
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Questão
8
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Pergunta
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Idéias
Centrais
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Fazer o
teste do HIV foi uma coisa complicada ou não?Fale-me sobre
isso.
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A-
Eu fiquei com medo, nervoso, foi assustador.
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B-
Fazer o teste foi normal.
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C-
Fiz para tirar as minhas dúvidas.
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D-
O
teste foi uma coisa indevida.
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E-
Não me cuidei, poderia ter pego o HIV.
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F-
Não pode pensar que é só tomar o remédio do governo ou que
vai morrer mesmo.
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G-
Foi
você quem procurou a DST.
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H-
Fazer
o teste é bom porque você não vê só o HIV.
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I-
Eu
não fiz o teste porque estava com pressa.
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Considerações Finais
Ser
adolescente e estar portador de uma DST apresentou diversos sentidos
para os sujeitos desta pesquisa, o que nos pareceu plausível, já
que, quando se trata de sentimentos, as contradições imperam. Assim,
verificamos que para alguns adolescentes essas doenças podem provocar
medo, apreensão e trazer dúvidas; e para outros, despreocupação e
indiferença.
Podemos
concluir que o aconselhamento é um espaço capaz de lidar com essas
questões de maneira a facilitar o convívio dos adolescentes com
essas doenças. Para tanto, a linguagem deve ser acessível, as
informações devem ser abordadas de forma interessante, lúdica e, se
possível, de maneira artística. Todos os adolescentes devem ter
acesso a esse serviço e os profissionais responsáveis devem ser
capazes de lidar com as especificidades desse período da vida, não
emitindo juízo de valor nem preconceitos. Esse tipo de ação exige
que o profissional seja capacitado e tenha disponibilidade interna e
interesse em lidar com esse público.
Essas
questões revelam a vulnerabilidade a que essa população está
exposta, o que precisa ser combatido, não apenas nos processos de
aconselhamento institucional. As ações programáticas precisam levar
em consideração os lugares em que essa população pode ser atingida
e abordada, com a qualidade necessária. Sendo assim, o aconselhamento
sobre DST não deveria acontecer exclusivamente nos ambulatórios,
pois, neles o objetivo é a cura e não a prevenção. Espera-se que o
adolescente se contamine para, então, abordá-lo com todas as questões
que envolvem o aconselhamento em DST.
Esse
tipo de ação não combate a vulnerabilidade, apenas pode minimizá-la.
Os adolescentes deveriam receber o aconselhamento em DST em qualquer
serviço de saúde, principalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS),
que são muito mais freqüentadas por toda a comunidade. Também
deveriam ter acesso a informações sobre essas doenças na instituição
escolar e nos espaços de lazer, sendo abordados nesses locais por
profissionais habilitados em aconselhamento.
Os
órgãos governamentais deveriam investir na capacitação de
profissionais em aconselhamento, incluindo as UBS, assim como os
professores e todos os funcionários da escola, isso porque
acreditamos que o aconselhamento é um processo que deve envolver
todas as pessoas que interferem no processo educativo dos
adolescentes, incluindo os seus familiares.
Acreditamos
que esta análise possa contribuir para o repensar do aconselhamento
para populações específicas e, principalmente, para os
adolescentes. O aconselhamento em DST deve se estruturar considerando
que os adolecentes não são iguais, mas resguardam algumas
particularidades. Exigem uma prática interventiva capaz de avaliar os
seus reais riscos diante de uma DST, como a paixão, a liberdade do
livre fazer e do livre pensar, a contradição, a impulsividade, a
passividade, as dúvidas, os receios e os medos, a desinformação, o
despertar da sexualidade, a “galera”, o “ficar”, o desafiar,
entre outros. E, sobretudo, exigem um aconselhamento que também seja
capaz de reconhecer as suas capacidades, a sua força e a sua
determinação.
Esperamos
que com este trabalho possamos ter demosntrado que os adolescentes
precisam serem ouvidos e atendidos.
Bibliografia
Ministério da Saúde. Secretaria de
Políticas de Saúde. Coordenação Nacional de DST e Aids.
Aconselhamento em DST, HIV e AIDS: diretrizes e procedimentos básicos,
2 ª edição. Brasília (DF); 1998.
Minayo M.CS, O Desafio do
Conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde, 7ª edição. São Paulo - Rio de Janeiro (Hucitec-Abrasco); 2000.
Lefèvre F.,
Lefèvre A.MC, O Discurso do Sujeito Coletivo:
um novo enfoque em pesquisa qualitativa – desdobramentos.
Caxias do Sul (Educs); 2003.
Jodelet D., Representações sociais:
um domínio em expansão. In:
Jodelet D. (org) As representações sociais.
Rio de Janeiro (Ed. UERJ); 2001. p.17-44.
Belda
Jr., W., Doenças Sexualmente Transmissíveis. São Paulo (Editora Atheneu); 1999.
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