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Introdução
As exposições ocupacionais a
materiais biológicos (MB) potencialmente contaminados continuam
representando um sério risco aos profissionais da área da saúde (PAS),
no seu local de trabalho. Apesar de muitos estudos desenvolvidos nesta
área, os acidentes envolvendo sangue e outros fluidos orgânicos
correspondem às exposições mais freqüentemente relatadas (1).
Os ferimentos com agulhas e material
perfuro-cortante, em geral, são considerados extremamente perigosos
por serem potencialmente capazes de transmitir mais de 20 tipos de patógenos
diferentes (2), sendo os vírus da Imunodeficiência Humana
(HIV), da hepatite B e da hepatite C os agentes infecciosos mais
comumente envolvidos (3).
Evitar a exposição ocupacional é
o principal caminho para prevenir a transmissão dos vírus das
hepatites B e C e o do HIV. Entretanto, a imunização contra hepatite
B e o atendimento adequado pós-exposição são componentes integrais
para um programa completo de prevenção destas infecções e
elementos importantes para a segurança do trabalho (4).
Risco Ocupacional
O risco ocupacional após exposições
a materiais biológicos já foi bem demonstrado em grandes estudos.
Ele é variável e depende do tipo de acidente e de outros fatores
envolvidos, tais como a gravidade, tamanho da lesão, presença e
volume de sangue envolvido, além das condições clínicas do
paciente-fonte e seguimento adequado pós-exposição (5).
O risco de aquisição de HIV pós-exposição
ocupacional percutânea com sangue contaminado é de aproximadamente
0,3% (6) e após exposição de mucosa, em torno de 0,09% (7).
No caso de exposição ocupacional ao vírus da hepatite B (HBV), o
risco de infecção varia de 6% a 30%, podendo chegar até a 60%,
dependendo do estado do paciente-fonte, entre outros fatores (8).
Quanto ao vírus da hepatite C (HCV), o risco de transmissão
ocupacional após um acidente percutâneo com paciente-fonte HCV
positivo é de aproximadamente 1,8% (variando entre 0 a 7%) (4).
Muitos casos de aquisição de infecção
de HIV, HBV e HCV por PAS já foram descritos e bem demonstrados em
trabalhos conhecidos mundialmente. O primeiro caso de contaminação
pelo HIV em um profissional de saúde foi publicado em 1984 – uma
enfermeira com exposição percutânea por agulha contendo sangue
contaminado.
Mesmo considerando todos estes
riscos, alguns trabalhos demonstram cerca de 50% de subnotificação
das exposições (9) e, desta forma, estima-se que ocorram
cerca de 600.000 a 800.000 exposições ocupacionais anualmente nos
Estados Unidos (10).
No Brasil, de acordo com dados
publicados em anais de congressos, o cenário dos acidentes
ocupacionais envolvendo material biológico é semelhante aos
observados em outros países, quando comparamos a incidência de
acidentes e de subnotificação. Em um estudo de avaliação da
subnotificação num hospital universitário de São Paulo, os autores
relataram 49% nas fases I (1998) e II (2000) de investigação e 41%
na fase III (2002); foi apontada como justificativa dos profissionais
para a “não-notificação do acidente” respostas como
“desconhecimento sobre os riscos e/ou não ver necessidade” (11).
Em outra instituição brasileira,
ao se avaliar o perfil dos profissionais acidentados com material biológico
contaminado com HIV, os autores relataram que 100% dos PAS estavam
utilizando equipamento de proteção individual (EPI), sendo que, em
sua maioria, os acidentados eram profissionais que estavam voltando às
atividades após um afastamento prolongado ou férias. Esta observação
aponta para a necessidade de uma re-adaptação nestes casos, visando
à prevenção de acidentes (12).
Outro dado nacional preocupante está
relacionado à taxa de abandono dos profissionais que inicialmente
procuraram assistência e notificaram seus acidentes. Um levantamento
de um hospital público de ensino de São Paulo aponta para uma taxa
de abandono de 45% em 326 acidentes notificados. Com o objetivo de
recuperar estes profissionais para término de seguimento, a instituição
convocou, através de cartas e telefonemas, os “faltosos”. O
retorno destes PAS ao acompanhamento correspondeu a um total de 30%,
sendo que os telefonemas conseguiram recuperar um maior número destes
(13).
Pensando em Prevenção
Torna-se cada vez mais clara a
importância que a prevenção em acidente ocupacional com MB
representa não somente para os PAS, mas para as instituições de saúde
e a saúde coletiva em geral.
Podemos dividir as ações de prevenção
em três esferas distintas: a individual (PAS), a institucional
(instituições empregadoras) e a governamental (municipal, estadual e
federal).
Na esfera individual, cabe ao
profissional procurar integrar-se ao máximo com os programas de
prevenção de acidentes de sua instituição, avaliá-los e fazer
sugestões que possam trazer melhorias. Além disso, a realização do
esquema vacinal completo contra a hepatite B e demais vacinas
indicadas devem ser encarada como responsabilidade do PAS.
Quanto às suas práticas, deve-se
procurar minimizar os riscos o quanto for possível. Medidas simples,
como a aderência às precauções padrão, realização dos
procedimentos com segurança, utilização adequada dos EPIs e evitar
a manipulação desnecessária de materiais pérfuro-cortantes e
material biológico, podem tornar as atividades diárias mais seguras.
Outro aspecto importante da
responsabilidade do trabalhador diz respeito à notificação dos
acidentes no momento em que este ocorre. Se não houver atendimento no
local onde a exposição ocorrer ou este não for possível, o
profissional deve procurar assistência no local de referência mais
próximo, para garantir um acompanhamento adequado imediato,
minimizando a possibilidade de aquisição de infecções.
Um dos passos mais importantes
a ser adotado pelas instituições de saúde é a estruturação de um
Programa de Biossegurança e a implantação efetiva deste em todos os
setores de atuação dos PAS. Um bom Programa de Biossegurança deverá
conter uma estratégia efetiva de prevenção de acidentes e de
minimização dos riscos ocupacionais no caso das exposições
ocorridas.
Em um estudo de vigilância de hospitais de Iowa (Estados Unidos), entre 1996 e 1997, sobre o
treinamento para precauções padrão e aderência, entre outras
medidas para redução de exposições por pérfuro-cortantes,
observou-se que um terço dos hospitais adotara dispositivos de
segurança para punção, havendo um decréscimo no número deste tipo
de exposição. Durante o período do estudo, foram treinados e
observados enfermeiros, técnicos de laboratório e coordenadores, porém,
raramente médicos. Apenas 11% dos hospitais avaliados não possuíam
atendimento em tempo integral para os acidentados e a incidência
anual de acidentes pérfuro-cortantes (106 hospitais) foi de 5,3%.
Os autores concluíram que a taxa de
acidentes encontrada nos hospitais da comunidade é elevada, quando
comparada a outras instituições de referência, e apontam para a
necessidade da implementação de programas que possam incluir todas
as categorias profissionais que estão constantemente sob risco (14).
A vigilância contínua e o
incentivo à notificação das exposições são outros mecanismos que
podem reduzir os riscos ocupacionais. Nesse sentido, um estudo de um
hospital estadual do Rio de Janeiro avaliou, através da aplicação
de questionários entre os PAS, a aderência às precauções, utilização
de EPIs, ocorrência de acidentes e estado vacinal para hepatite B e tétano.
Foi observado que a maioria dos profissionais ainda não havia aderido
às condutas preventivas. Além disso, poucos procuravam atendimento
após exposição e, entre os que procuravam, muitos interromperam o
acompanhamento.
Contudo, foi observado um aumento no número de
notificações após a implantação do Programa de Vigilância e
Prevenção da Exposição Ocupacional a Materiais Biológicos, que
consistiu na notificação dos acidentes com materiais biológicos à
Secretaria Municipal de Saúde (SMS/RJ) e medidas de prevenção pré
e pós-exposição (15).
Estes dados demonstram a importância
da criação de um “ambiente de trabalho seguro”. Em outra experiência
nacional, também do Rio de Janeiro, a atuação da Comissão de
Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) foi apontada como decisiva na redução
do número de acidentes com material biológico, após a reformulação
e ampla divulgação do fluxograma de atendimento e notificação de
acidentes, em junho de 2000. Neste serviço também foram realizados
treinamentos para as categorias que mais se acidentavam, contribuindo
para a redução da sua incidência. Além disto, observou-se uma redução
significativa da subnotificação (16).
A identificação das categorias que
mais se acidentam em números brutos e percentual é um dado bem comum
encontrado nos trabalhos de vigilância epidemiológica dos acidentes.
Entretanto, a determinação da incidência por categoria ocupacional
mostra-se um excelente indicador de risco.
Um trabalho de Campinas (SP)
analisou os dados de acidentes por categoria profissional, incidência
relativa (número de acidentes/número de PAS na categoria) e local do
acidente. No período estudado, 2000, foram
notificados 227 acidentes e a categoria que apresentou um maior número
de acidentes foi a de auxiliares e técnicos de enfermagem (48,45%).
Entretanto, ao se avaliar a incidência relativa destes acidentes, a
categoria de técnicos de laboratório foi a mais exposta (24,13%),
enquanto a incidência entre auxiliares e técnicos de enfermagem foi
de 23,21% (17).
A análise detalhada destes dados em
cada instituição pode direcionar as medidas por categoria específica
e apontar quais os locais a serem trabalhados com prioridade,
otimizando assim as medidas de prevenção.
Além destas medidas, a adoção de
dispositivos de segurança tem se mostrado muito efetiva na redução
das exposições envolvendo agulhas. Estes equipamentos são
destinados a punções para coleta de sangue/fluidos, administração
de medicamentos etc., e possuem travas/capas de segurança ou
mecanismos retráteis, visando à redução dos riscos na manipulação
de pérfuro-cortantes. A avaliação da efetividade destes
dispositivos de segurança foi demonstrada em um artigo de revisão
que avaliou as estratégias para prevenção de acidentes envolvendo
agulhas.
Nesse trabalho, oito estudos de
diferentes países, como Estados Unidos, Itália, Escócia, Índia e
Austrália, foram revisados. Dentre as estratégias apontadas, os
dispositivos de seguranças têm sido foco para redução de acidentes
após os treinamentos/educação e avaliação de custo-benefício dos
mesmos (18). Foi encontrada uma taxa média de redução das exposições
envolvendo agulhas de 71%, variando de 23% a 100%, dependo do
dispositivo e do estudo, em relação às taxas de acidentes
envolvendo dispositivos convencionais. Dentre os dispositivos
apontados nos estudos estão “agulhas cegas“ para sutura,
cateteres seguros para punção periférica, conectores e sistemas de
infusão sem agulhas, agulhas e seringas com travas de segurança etc.
(18).
Um outro sistema de segurança
disponível no mercado para reduzir as exposições a agulhas é
conhecido como “sistema sem agulhas”. Correspondem a dispositivos
produzidos com agulhas plásticas e conectores de látex ou conectores
valvulados para administração de medicações. Em estudo
retrospectivo, foram avaliados dois períodos de três anos, antes e
após a adoção do sistema sem agulhas (que ocorreu em 1997), e foi
observada uma redução significativa de acidentes pérfuro-cortantes.
Contudo, os próprios autores apontam como fatores de confusão do estudo(19) o fato do mesmo ser
retrospectivo e de ações educativas para prevenção de acidentes
terem sido implantadas.
A aquisição dos dispositivos de
segurança e sistemas sem agulhas deve ser avaliada criteriosamente e
estar inserida em um programa de prevenção de acidentes. A adoção
destes dispositivos requer treinamentos específicos e constantes para
um manuseio adequado, além de serem de alto custo no mercado
brasileiro, quando comparados com os dispositivos convencionais.
Outro aspecto a ser avaliado com
critérios cuidadosos é a possibilidade de aumento de infecções
hospitalares, como a infecção da corrente sanguínea nos pacientes em que estes
dispositivos são utilizados, o que já foi demonstrado em alguns
estudos. As infecções podem ocorrer pelo manuseio inadequado destes
sistemas ou através da contaminação dos mesmos pelo próprio
formato e tipo de funcionamento das peças (20.21.22).
Quanto aos aspectos legais para a
prevenção de exposições ocupacionais a materiais biológicos, nos
Estados Unidos foi assinada em 6 de novembro de 2000 a Lei H. R. 5178
– Needlestick Safety and Prevention Act – que se destina a
proteger 8 milhões de PAS americanos das lesões causadas por agulhas
e outros dispositivos pérfuro-cortantes. Esta lei exige que as
instituições americanas de saúde subordinadas a OSHA(Occupacional
Safety and Health Administration) utilizem instrumentos mais seguros, como os
equipamentos pérfuro-cortantes com dispositivos de proteção contra
ferimentos e os sistemas sem agulhas.
Muitos estados americanos já possuíam
legislações específicas para prevenção de acidentes envolvendo
agulhas, sendo a Califórnia o primeiro estado a definir suas ações,
em 1998. Atualmente, apenas cinco estados não têm leis de prevenção
definidas, porém as mesmas já estão em tramitação.
Muito antes da assinatura da Lei H.
R. 5178, a OSHA publicou, em 1991, o documento Bloodborne Pathogens (BBP),
que definia ações de prevenção para garantir a proteção aos
profissionais expostos a sangue ou outro material infeccioso. Neste
documento, estão contidas orientações como controle na prática de
trabalho de engenharia; adoção de equipamentos de proteção;
treinamentos; vigilância; vacinação; sinalizações etc. Esta
publicação foi muito utilizada para que as instituições americanas
de saúde organizassem um ambiente de trabalho seguro.
Em 1999 foi publicada uma recomendação
formal da Joint FDA/NIOSH/OSHA Advisory sobre a fabricação dos tubos
capilares de vidro, considerando o risco potencial que ofereciam aos
PAS que os manipulavam. Este documento fez as seguintes recomendações:
não fabricar capilares de vidro; para a fabricação de capilares de
vidro, estes devem ser encapados por filme resistente; produção de métodos
que dispensem manipulações para selar os tubos com massa;
desenvolvimento de produtos que permitam a leitura do hematócrito sem
centrifugação. Considerando a importância da recomendação formal,
a indústria americana modificou os sistemas de produção destes
materiais, contribuindo bastante para redução deste tipo de exposição.
No Brasil, ainda não existem
legislações vigentes que normalizem as práticas de prevenção e
criação de programas de prevenção obrigatórios, entre outras
medidas. Entretanto, a Portaria nº. 37 do Ministério do Trabalho
(6/12/2002) colocou em Consulta Pública a NR 32, que dispõe sobre a
Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Assistência à
Saúde. Nesta NR estão definidas algumas responsabilidades e deveres
a serem cumpridos.
Como responsabilidades do
empregador: fornecer instruções escritas e, se necessário, afixar
cartazes sobre os procedimentos a serem adotados em caso de acidente
ou incidente grave; informar os trabalhadores sobre os riscos
existentes, as suas causas e as medidas preventivas a serem adotadas;
fornecimento ou reposição dos EPIs; disposição de recipiente
apropriado para o descarte de pérfuro-cortantes; fornecer
treinamento; e supervisionar o estado vacinal dos profissionais; entre
outras definições.
Fica definido que o trabalhador que
utilizar objetos pérfuro-cortantes deverá ser responsável pelo seu
descarte, ficando vedado o re-encape de agulhas, entre outros.
Esta NR poderá alterar algumas
diretrizes no que diz respeito à prevenção de acidentes, podendo
trazer um ganho na implementação de programas e direcionando a
aquisição de determinados equipamentos. Ainda considerando a criação
de leis e normalizações, o mecanismo mais importante nesta construção
é o conhecimento da dimensão do problema. Neste sentido, muitos países
possuem redes de informação e vigilância das exposições
ocupacionais envolvendo material biológico. Estas informações são
utilizadas para aprimorar os trabalhos e otimizar esforços.
Considerando a importância da
informação, foi criado nos Estados Unidos, em 1991, um programa de
notificação de acidentes informatizado. Trata-se do Projeto EPINET
– uma rede de informações sobre acidentes e prevenção. Este
sistema computadorizado foi criado para padronizar as informações
sobre exposições ocupacionais a materiais biológicos e tem a
finalidade de compartilhar os dados que, além de identificarem
medidas preventivas e eficazes, permitem às instituições
determinarem os produtos e recursos de proteção necessários para os
procedimentos de risco. Mais de 1.500 instituições americanas
adotaram o sistema, que também foi implantado em outros países, como
Canadá, Itália, Espanha, Japão, Austrália etc. Através de um
sistema interativo, que utiliza os dados fornecidos pelas instituições
pertencentes ao programa EPINET, é possível avaliar a eficiência
das medidas adotadas.
Nos Estados Unidos existe, ainda, o
programa da National Institute for Occupational Safety and Health
(NIOSH), que permite a notificação de exposição
ocupacional 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Estão disponíveis também, através
do acesso pela Internet, alguns endereços eletrônicos, nos quais o
funcionário acidentado entra com os dados sobre o acidente e, em
seguida, recebe as orientações pertinentes. Este tipo de sistema
certamente não é indicado para as avaliações epidemiológicas, mas
pode ser eficiente para auxiliar o acidentado.
No Brasil, alguns Estados vêm lançando
e aprimorando seus programas de vigilância e notificação de
acidentes. O Programa Sinabio (Sistema de Notificação de
Acidentes Biológicos) recebe as notificações dos municípios do
Estado de São Paulo de exposições ocupacionais desta natureza. No
Rio de Janeiro também existe um programa municipal de notificações,
implantado desde 1997.
Acreditar em Prevenção
Avaliando as experiências e
resultados obtidos em outros países, é certo que devemos caminhar
bastante. A aprovação de legislações específicas e normalizações
que regulamentem a criação de programas institucionais já será um
grande avanço.
Enquanto isso, cada instituição
deve se auto-avaliar para conhecer a magnitude do problema e
identificar suas necessidades. Para tanto, a escolha de uma equipe,
verdadeiramente engajada em prevenção e implementação de ações
educativas é de extrema importância. Esta equipe poderá, através
da vigilância específica, identificar prioridades, avaliar as
atividades de risco e apontar possíveis maneiras de prevenir as
exposições, além de monitorar constantemente a ocorrência de
acidentes, sempre objetivando a sua prevenção. Estas medidas criam
um ambiente de trabalho mais seguro, o que contribui para a redução
das ocorrências.
Talvez a criação de um selo de
acreditação para as instituições que tenham um efetivo programa de
prevenção e atendimento das exposições a materiais biológicos
possa ser um bom começo.
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Trabalhos sobre a contaminação
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Artigo baseado na palestra
“Acidentes com Material Biológico: caminhando além da vigilância
– O que há em termos de prevenção”, ministrada na X Reunião
Científica Bimestral da Associação Paulista de Estudos e Controle
de Infecção Hospitalar – APECIH realizada em novembro de 2003.
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