Bepa Junho 2009; 6(66) ISSN 1806-4272
Resumo de Teses
Summary of thesis

Aretusa Koutsohristos; Maria Cezira Fantini Nogueira Martins; Elvira Maria Ventura Filipe. Instituto de Infectologia Emílio Ribas. São Paulo, SP, 2008 [Dissertação de Mestrado – Área de Concentração: Infectologia em Saúde Pública – Programa de Pós-graduação em Ciências; Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo]


No contexto da Aids, tem havido crescente preocupação com a qualidade de vida (QV) da população contaminada pelo vírus HIV, face ao aumento do tempo de vida permitido pela utilização da terapia antirretroviral. Consequentemente, os sistemas de saúde do mundo todo têm procurado continuamente, além de métodos de prevenção e controle, estratégias para facilitar e aumentar o bem-estar dos portadores de HIV/Aids. Assim, a Organização Mundial de Saúde (OMS) elaborou em 2002, na Suíça, um questionário de avaliação da qualidade de vida, denominado WHOQOL-HIV BREF, utilizado na presente pesquisa. Estudo transversal, descritivo, com 131 pacientes com sorologia positiva para HIV, de ambos os sexos, adultos a partir de 18 anos de idade, atendidos no Ambulatório de Infectologia do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. A seleção dos pacientes foi realizada no período de maio de 2007 a maio de 2008. Essa pesquisa tem como objetivo responder duas questões centrais: Será a presença de infecção pelo HIV condição suficiente para diminuir a qualidade de vida? Será necessária a presença de um conjunto de manifestações clínicas/disfunção imunológica para que a qualidade de vida seja afetada? Em estudos semelhantes não há consenso no que diz respeito à QV na infecção pelo HIV. A análise das informações obtidas por meio desse questionário demonstrou que 60,3% dos pacientes são do sexo masculino; idade média de 44,36 anos; 39,7% têm o segundo grau completo; 51,9% são solteiros; 51,1% têm Aids; 57,3% se contaminaram através de relação sexual com homens. A percepção da QV por meio do WHOQOL-HIV BREF demonstrou que o domínio que refletiu o pior score foi o físico; em contrapartida 45% dos pacientes estão satisfeitos com a sua saúde, 44,3% estão muito satisfeitos com o acesso aos serviços de saúde e 49,6% consideram boa a sua QV. 

Suporte Financeiro: CCD/SES-SP e Coordenação de Pessoa de Nível Superior (Capes) 

Evaluation of life quality of patients who have positive serology for HIV, and whose follow up is made at the Instituto de Infectologia Emilio Ribas

In the context of Aids, there is an increased concern with life quality (QV) of the population of HIV virus carriers regarding the longer lifespan ensued by antiretroviral therapies. As a consequence, health systems of the whole world have searched continuously strategies designed to facilitate and increase the well being of carriers of HIV/Aids, as well as methods for prevention and control of the disease. Therefore, World Health Organization – WHO -  has issued, in 2002, a questionnaire designed to evaluate life quality, called WHOQOL-HIV BREF, employed in this research. This is a transversal study, descriptive, with 131 patients with positive serology for HIV, adults over 18 years of age of both sexes, attending the Infectology outpatient clinic of the Instituto de Infectologia Emilio Ribas. Patient selection was made during the period from May, 2007 to May 2008. This research is designed to answer two central questions: Would the presence of HIV infection be sufficient condition to impair life quality? Is it necessary the presence of a set of clinical manifestations/immunologic dysfunctions in order to affect life quality? In similar studies there is no consensus regarding QV in the presence of HIV infection. Analysis of the information obtained by this questionnaire shows that 60,3% of the patients are males; average age 44,36 years; 39,7% are high school graduates, 51,9% are single; 51,1% have Aids; 57,3% were contaminated in sexual relationships with males. Perception of QV by WHOQOL-HIV BREF showed that the domain ranking worst was the physical, and, on the other hand, 45% of the patients considered themselves satisfied with their health, 44,3% are very satisfied with the access to health services and 49,6% considered their Life Quality as good.

Financial Support: Disease Control Coordination

Correspondência/Correspondence to:
Aretusa Koutsohristos 
Av. Dr. Arnaldo, 161
– Cerqueira César 
CEP: 01246-902 – São Paulo/SP – Brasil 
Tel: 55 11 3896-1422

E-mail: arekout@ig.com.br
 


Caracterização molecular de cepas de Enterococcus faecalis resistentes aos glicopeptídeos, isoladas em hospitais da cidade de São Paulo, no período de 1999 a 2007


Andrey Guimarães Sacramento;Rosemeire Cobo Zanella.Seção de Bacteripologia, Instituto Adolfo Lutz. São Paulo, SP, 2008. [Dissertação de Mestrado – Área de Concentração: Pesquisas Laboratoriais em Saúde Pública – Programa de Pós-graduação em Ciências. Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo]


Enterococos são bactérias amplamente distribuídas na natureza, podendo ser encontradas no solo, alimentos, águas, animais e insetos. Entretanto, são importantes patógenos oportunista que frequentemente possuem resistência a múltiplos antibióticos. Os enterococos têm-se destacado, nos últimos anos, como patógenos importantes em infecção hospitalar, estando particularmente associados a infecções do trato urinário, de feridas cirúrgicas e bacteremias. A capacidade dessa bactéria resistir à ação de muitos antimicrobianos e a habilidade de adquirir e transferir novos determinantes de resistência têm complicado o tratamento de infecções sistêmicas. Múltiplos genes estão envolvidos na resistência aos glicopeptídeos e os genótipos vanA e vanB são os de maior importância clínica. O primeiro enterococo vanA resistente aos glicopeptídeos foi isolado
, em 1997, na cidade de São Paulo. Durante o período de 1999 a 2007, foi observada uma rápida disseminação de E. faecalis resistente aos glicopeptídeos em vários hospitais da capital paulista. Este estudo teve como objetivo investigar a similaridade genética de amostras de enterococos resistentes aos glicopeptídeos (GRE) isoladas em 14 hospitais da cidade de São Paulo, no período de 1999 a 2007. Um total de 108 amostras de E. faecalis GRE isoladas de casos de infecção foi caracterizado pela técnica de eletroforese de campo pulsado (PFGE). As amostras estudadas foram isoladas de sangue 41 (38%), urina 42 (38.9%) e líquidos cavitários 25 (23.1%). Os critérios para definição dos perfis genéticos foram estabelecidos por Tenover et al. A tipagem molecular identificou somente um padrão genético (tipo A) entre essas amostras de E. Faecalis, e esse tipo incluiu 11 subtipos. Um total de 54 (50%) amostras foram tipadas como A8, 27 (25%) como A1, 10 (9.3%) como A2 e 6 (5.6%) como A11. As outras 11 (10.5%) amostras foram distribuída em sete subtipos. A análise molecular dessas amostras de GRE mostrou uma pequena diversidade genética entre elas, destacando um subtipo predominante e sugerindo uma disseminação inter-hospitalar na cidade de São Paulo.

Suporte financeiro: Coordenadoria de Controle de Doenças e Coordenação de Pessoa de Nível Superior (Capes) 


Molecular characterization of Enterococcus faecalis strains resistant to glycopeptides, isolated in hospitals of the city of São Paulo, during the period from 1999 to 2007.

Enterococcus are widely distributed bacteria in nature, and may be encountered in the land, in foods, water, animals and insects. They are, though, important opportunist pathogens that are often resistant to multiple antibiotics. Enterococcus have stood out, in recent years, as important pathogens for hospital infections, and are particularly associated to urinary tract infections, surgical wounds and bacteremia. The ability of this bacteria to resist to the action of diverse antimicrobials and the ability to acquire and transfer new resistance determinants have complicated the treatment of systemic infections. Multiple genes are involved in the resistance to glycopeptides and the genotypes vanA and vanB have the major clinical importance. The first enterococcus vanA resistant to glycopeptides was isolated, in 1997 in the city of São Paulo. During the period comprised between 1999 to 2007, it was possible to observe a quick dissemination of E. faecalis resistant to glycopeptides in diverse hospitals of this city. This study had the objective to investigate the genetic similarity of samples of enterococcus resistant to glycopeptides (GRE) isolated from 14 hospitals in the city of São Paulo, during the period comprised between 1999 to 2007. A total of 108 samples of E. faecalis GRE isolated from infection cases was characterized by the technique of electrophoresis of pulsing camp (PFGE). Samples studied were isolated from blood 41 (38%), urine 42 (38,9%) and  cavitary liquids 25 (23,1&). Criteria for definition of the genetic profiles were established by Tenover et al. Molecular type selection identified a single genetic pattern (type A) among these samples of E. Faecalis, and this type included 11 subtypes. A total of 54 (50%) samples were typed as A8, 27 (25%) as A1, 10 (9,3%) as A2 and 6 (5,6%) as A11. The remaining 11 (10,5%) samples were distributed in seven subtypes. Molecular analysis of these GRE samples showed a small genetic diversity among themselves, standing out a predominant subtype and suggesting a inter hospital dissemination in the city of São Paulo.

Financial Support: Disease Control Coordination and Graduate Personnel Coordination (Capes) 

Correspondência/Correspondence to:
Andrey Guimarães Sacramento
Av. Dr. Arnaldo, 351, 9º andar – Cerqueira César 
CEP: 01246-902 – São Paulo/SP, Brasil 
Tel: 55 11 3068-2893
E-mail: ags139@yahoo.com.br


Prevalência de zoonoses parasitárias em morcegos do município de São Paulo, Brasil


Leyva Cecília Vieira de Melo, Pedro Luiz Silva Pinto, Lucia Eiko Oishi Yai, Marly M. Maeda, Adriana Ruckert da Rosa. Instituto Adolfo Lutz. São Paulo, SP, Brasil, 2008. [Mestrado – Área de Concentração: Pesquisas Laboratoriais em Saúde Pública – Programa de Pós-graduação em Ciências. Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo]


São Paulo, com seus mais de 10 milhões de habitantes, representa uma importante fonte para estudos epidemiológicos e exige uma atenção constante por parte da saúde pública. Os animais que convivem com a população são possíveis reservatórios de patógenos com potencial zoonótico, e os morcegos urbanos, embora estejam presentes em todas as regiões metropolitanas, são pouco estudados. O Centro de Controle de Zoonoses do município efetua capturas, contudo esses morcegos são utilizados principalmente para o monitoramento da raiva. O objetivo deste trabalho é ampliar o conhecimento a respeito de morcegos urbanos, focando seus enteroparasitos e a possibilidade da existência de patógenos parasitários em comum com a população humana. Os sistemas digestórios dos animais são retirados e separados (esôfago e estômago, intestino delgado e intestino grosso). Cada parte é analisada em estereomicroscópio e os parasitos encontrados são fixados em álcool 70%, sendo que trematódeos e cestódeos são previamente comprimidos. Para o estudo da presença de trofozoítos, cistos e oocistos de protozoários, bem como ovos e larvas de helmintos, o conteúdo intestinal é analisado em microscópio óptico comum. Para a pesquisa de oocistos de Cryptosporidium spp e esporos de microsporídeos são confeccionados esfregaços a partir do material concentrado pelas técnicas de centrífugo-extração e de flutuação. As colorações de auramina-O e fucsina são utilizadas, respectivamente, para a triagem e confirmação da presença de oocistos. A coloração de Gram-cromotrope a quente, modificada por Moura et al., é utilizada para a pesquisa de esporos de microsporídeos. No período de abril de 2007 a julho de 2008 foram analisados 564 morcegos, distribuídos em quatro famílias Phyllostomidae, Molossidae, Vespertilionidae e Emballonuridae e 31 espécies, sendo as mais prevalentes: Molossus molossus (33%), Glossophaga soricina (19%) e Tadarida brasiliensis (10%). Todos foram pesquisados para helmintos, e 89 (16%) animais estavam infectados, sendo 42% por nematódeos, 25% por cestódeos, 21% trematódeos e 12% biparasitados. Foram identificadas as superfamílias Trichinelloidea e Trichostrongyloidea, subfamília Anoplostrongylinea, cestódeos do gênero Hymenolepis e o trematódeo Edcaballerotrema eduardocaballeroi. Foram pesquisados 217 morcegos e apenas em  dois exemplares encontrou-se protozoários do gênero Eimeria sp. Até o momento não foram encontrados parasitos de importância médica nos morcegos estudados.

Suporte financeiro: CCD-SES/SP, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)

Prevalence of parasitary zoonosis in bats in the city of São Paulo, Brazil

São Paulo, a city with more than 10 million inhabitants, represents an important source for epidemiologic studies and demands constant attention from the public health network. Animals that live together with the population may be reservoirs of pathogens with zoonotic potential and there are not many studies on urban bats, regardless of their presence in all metropolitan regions. The Zoonosis Control Center of the city captures them, but the major use of these bats is for monitoring human rabies. The objective of this study is to further the knowledge of urban bats, focusing their enteroparasites and the possibility of the existence of parasitary pathogens in common with the human population. Digestive systems of the animals are taken out and separated (esophagus and stomach, small intestine and large intestine). Each part is submitted to analysis in stereomicroscope and the parasites found are laid in alcohol 70%, while trematodes and cestodes are previously compressed. In order to study the presence of trophozoites, cysts and oocysts of protozoaries, as well as eggs and larvae from helmints, the contents of the intestines are analyzed in ordinary optic microscope.

For the research of oocysts of Cryptosporidium spp and microsporide spores, are employed swabs from the concentrated material by the techniques of centrifugal extraction and floating. Colorations of auramina-O and fucsine are employed, respectively, for the sorting and confirmation of the presence of oocysts. Warm Gram cromotrope coloration, modified by Moura et al, is employed for the presence of microsporide spores. During the period of April, 2007 to July, 2008, 564 bats were analyzed, distributed in four families Phyllostomidae, Molossidae, Vespertilionidae and Emballonuridae and 31 species, the more prevalent being: Molossus molossus (33%), Glossophaga soricina (19%) e Tadarida brasiliensis (10%). All these were researched for helmints and presented 89 (16%) animals infected, being 42% by nematoids, 25% by cestoids, 21% trematouds and 12% by parasitarian. The superfamilies identified were Trichinelloidea e Trichostrongyloidea, subfamilies Anoplostrongylinea, cestodies of the Hymenolepis gender and the trematoid Edcaballerotrema eduardocaballeroi. We researched 217 bats and in only two of them we found protozoaries of the Eimeria sp gender. Until now, no medically important parasites were found in the bats under study.

Financial Support: CCD-SES/SP, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)

Correspondência/Correspondence to:
Leyva Cecília Vieira de Melo
Instituto Adolfo Lutz
Av. Dr. Arnaldo, 351, 8º andar
CEP: 01246-902 – São Paulo/SP, Brasil
Tel.: 55 11 3068-2896
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