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Casos
humanos de infecção respiratória causada por um novo tipo de vírus
da influenza A, subtipo H1N1, de origem suína, foram relatados pelo Center for Disease Control and Prevention (CDC), de Atlanta
(EUA), a partir de 21 de abril de 2009. Até o momento, a doença
foi detectada em 120 países, com 77.201 mil casos confirmados, dos
quais 332 fatais. O novo vírus apresenta uma combinação única de
segmentos gênicos que não havia sido anteriormente relatada entre vírus
da influenza de origem suína ou humana.
No
Estado de São Paulo, o primeiro caso de infecção humana causada pela
nova estirpe foi identificado em um homem de 26 anos, que apresentou os
sintomas da gripe ao retornar de uma viagem ao México, onde foi
registrado o primeiro caso de influenza A/H1N1. O paciente foi internado
em 24 de abril no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e recuperou-se
plenamente.
Amostra
de secreção respiratória desse paciente foi submetida à metodologia
molecular rt PCR (reação da polimerase em cadeia em tempo real), com
sonda específica para o novo subtipo H1N1, pela equipe do biólogo
molecular Claudio Sacchi, sendo o resultado positivo.
Na
sequência da investigação, no final de abril, a equipe da virologista
Terezinha Maria de Paiva, do Instituto Adolfo Lutz (IAL) – vinculado
à Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde
de São Paulo – isolou a
nova estirpe, que passou a ser denominada A/São Paulo/1454/H1N1,
segundo as normas da Organização Mundial da Saúde (OMS). O isolamento
viral foi efetuado em cultivo celular utilizando-se as células MDCK,
com sucesso já na primeira passagem. Na seção de microscopia eletrônica
do IAL, Marli Ueda e Jonas Kisielius identificaram várias partículas
do vírus a partir da cultura infectada, também na primeira observação.
O
isolamento do vírus propiciou o sequenciamento do material genético da
estirpe brasileira, experimentos que estão sendo efetuados pela Dra.
Cecília Luiza Simões dos Santos, do Instituto Adolfo Lutz.
A
caracterização molecular inicial da estirpe A/São Paulo/1454/H1N1
envolveu a determinação das sequências nucleotídicas completas de
dois segmentos gênicos: o segmento 4, que codifica a proteína
hemaglutinina (HA), responsável pela infectividade viral e para a qual são
produzidos os anticorpos protetores; e o segmento 7, que codifica as
proteínas da matriz (MP) M1 e M2.
As sequências completas dos genes HA
e MP, as primeiras determinadas para estirpes isoladas no Brasil, estão
disponíveis no GenBank, banco de dados norte-americano que compartilha sequências
nucleotídicas obtidas mundialmente. Elas podem ser consultadas por seus
respectivos números de acesso: GQ247724 (gene HA) e GQ250156 (gene MP).
A
análise molecular indicou que enquanto o segmento 7 do vírus A/São
Paulo/1454/H1N1 mostrou-se completamente conservado, quando comparado ao
da estirpe referência A/Califórnia/04/H1N1, o segmento 4 apresentou um
numero discreto de alterações nucleotídicas e de aminoácidos, com
taxas de similaridade em torno de 99,7% e 99,5%, respectivamente. A
detecção do marcador de resistência à amantadina, constituído pelo
aminoácido asparagina (N) localizado na posição 31 (N31) da proteína
M2 na estirpe A/São Paulo/1454/H1N1, corrobora os dados da literatura
que apontam ser o novo vírus resistente a esta classe de compostos
antivirais.
A caracterização genética
é fundamental na investigação da epidemiologia molecular do vírus
para saber se o padrão viral se mantém ou já se diferenciou dos
encontrados em outras regiões do mundo, contribuindo para a produção
de vacina e avaliação de resposta aos antivirais.
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