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O
Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo (PE DST/Aids) tem por estratégia,
desde
2003, a
implementação das ações de prevenção e assistência às doenças
sexualmente transmissíveis na rede de atenção básica dos municípios
paulistas. A estratégia consiste na realização de um diagnóstico
inicial nas unidades básicas de saúde (UBS) e de saúde da
família (USF), com o objetivo de verificar a realização das ações
em DST/Aids.
Para
tanto, utiliza como instrumento questionário contendo questões que
permitem verificar como as várias atividades desenvolvidas nas unidades
estão sendo potencializadas para a implementação dessas ações. O questionário foi estruturado dispondo as
questões num gradiente de qualidade da ação oferecida, possibilitando
que o gerente da unidade, ao respondê-lo, reflita e avalie o processo
de trabalho instalado em seu serviço, podendo iniciar mudanças necessárias.
Após
a aplicação do questionário, realizada nas unidades do município, os
dados são analisados pelos técnicos da prevenção do PE DST/Aids e
discutidos em reuniões locais com a equipe de saúde, do gestor
municipal e os profissionais das unidades aos representantes das áreas
de atenção básica, saúde
da mulher, vigilância epidemiológica, DST/Aids, assistência
laboratorial e medicamentos, maternidade de referência, organizações
não governamentais e qualquer agente cuja participação o município
julgar pertinente.
Denominada
de “devolutiva”, essa reunião consiste na discussão dos dados
obtidos na aplicação do questionário. Os problemas encontrados são
abordados de forma interativa, permitindo aos profissionais presentes
avaliar o próprio desempenho e o da unidade de saúde, por meio da
qualidade das ações oferecidas à população. Após 12 meses,
repete-se o processo para monitoramento da resolução dos problemas
identificados como prioritários, promovendo a melhoria da qualidade da
atenção oferecida aos usuários.
Essa
metodologia de trabalho obteve adesão de vários gestores municipais,
sendo reconhecida como instrumento de gestão para reorganização
da rede básica no que se refere à captação precoce dos casos de HIV
positivos e a diminuição de sua transmissão vertical, além da
eliminação da sífilis congênita. Permite, ainda, a reestruturação
e agilização dos fluxos de resultados dos exames no pré-natal,
disponibilização de medicamentos para tratamento das DST nas unidades
e reflexão sobre a importância das notificações das DST/Aids.
Diante
do êxito, a cada ano, o PE DST/Aids tem ampliado a estratégia para
novos municípios, tendo como meta
incorporar a totalidade das
cidades do Estado. Para dar resposta a esse desafio algumas adequações
foram realizadas. Entre elas, a utilização do FormSUS, um serviço de
uso público do Datasus/Ministério da Saúde para criação de formulários
na rede mundial de computadores, com normas de utilização definidas,
compatíveis com a legislação e a Política de Informação e Informática
do Sistema Único de Saúde (SUS).
O
questionário respondido pelos responsáveis pelas unidades de saúde
passa a ser ferramenta do FormSUS e seu preenchimento é realizado, via
online, através do site do Centro de Referência em DST/Aids (www.crt.saude.sp.gov.br).
O preenchimento do formulário é simples, tendo sua construção sido
estruturada numa sequência que, na resposta, evidencia a qualidade com
que as ações estão sendo oferecidas e o que é necessário para
atingir o padrão ideal.
A
metodologia de trabalho reduz o tempo gasto com capacitação de
profissionais para aplicação do questionário, com a digitação dos
dados e com a geração de informações através da análise do banco
de dados.
Também
as reuniões de “devolutivas” passarão a ser realizada via online,
por meio de plataforma educacional, utilizando ambientes colaborativos
de interação virtual. Neles, os interlocutores de DST/Aids dos Grupos
de Vigilância Epidemiológica (GVE) e os profissionais dos municípios
poderão, através de fóruns de discussão mediados por técnicos do PE
DST/Aids, não só discutir sobre o processo de trabalho nas unidades,
mas também realizar capacitações por um processo de educação
permanente que permitirá manter a qualidade do trabalho realizado junto
aos municípios, evitando o deslocamento da equipe.
Essa
nova forma de organização do trabalho permitirá a ampliação para
mais municípios em menor tempo, aumentando a capacidade de resposta da
equipe, diminuindo gastos com viagens, estreitando a comunicação entre
os gestores do programa e os profissionais regionais e locais,
permitindo um monitoramento constante da execução das ações de
prevenção. Além das questões já apresentadas, os fóruns de interação
virtual permitirão a ampliação do acesso às capacitações e
atualização dos profissionais.
Essa
nova metodologia foi iniciada pelas regiões de Piracicaba (31 municípios)
e Registro (13 municípios), e mais recentemente foi estendida para mais
83 municípios de pequeno porte (com apenas uma UBS), distribuídos por
outras regiões do Estado.
Com essa nova estratégia,
baseada na lógica de democratização das informações, em mecanismos
de compartilhamento de dados de interesse pela saúde, com respeito aos
preceitos éticos e garantindo a privacidade e confidencialidade do
processo, será possível melhorar ainda mais a resposta paulista à
epidemia de Aids e outras DST.
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