Bepa Junho 2009; 6(66) ISSN 1806-4272
INFORME


Ivone de Paula

Programa Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis/Aids. Coordenadoria de Controle de Doenças. Secretaria de Estado da Saúde. São Paulo, SP, Brasil

   

O Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo (PE DST/Aids) tem por estratégia, desde 2003, a implementação das ações de prevenção e assistência às doenças sexualmente transmissíveis na rede de atenção básica dos municípios paulistas. A estratégia consiste na realização de um diagnóstico inicial nas unidades básicas de saúde (UBS) e de saúde da família (USF), com o objetivo de verificar a realização das ações em DST/Aids.

Para tanto, utiliza como instrumento questionário contendo questões que permitem verificar como as várias atividades desenvolvidas nas unidades estão sendo potencializadas para a implementação dessas ações. O questionário foi estruturado dispondo as questões num gradiente de qualidade da ação oferecida, possibilitando que o gerente da unidade, ao respondê-lo, reflita e avalie o processo de trabalho instalado em seu serviço, podendo iniciar mudanças necessárias.

Após a aplicação do questionário, realizada nas unidades do município, os dados são analisados pelos técnicos da prevenção do PE DST/Aids e discutidos em reuniões locais com a equipe de saúde, do gestor municipal e os profissionais das unidades aos representantes das áreas de  atenção básica,  saúde da mulher, vigilância epidemiológica, DST/Aids, assistência laboratorial e medicamentos, maternidade de referência, organizações não governamentais e qualquer agente cuja participação o município julgar pertinente.

Denominada de “devolutiva”, essa reunião consiste na discussão dos dados obtidos na aplicação do questionário. Os problemas encontrados são abordados de forma interativa, permitindo aos profissionais presentes avaliar o próprio desempenho e o da unidade de saúde, por meio da qualidade das ações oferecidas à população. Após 12 meses, repete-se o processo para monitoramento da resolução dos problemas identificados como prioritários, promovendo a melhoria da qualidade da atenção oferecida aos usuários.

Essa metodologia de trabalho obteve adesão de vários gestores municipais, sendo reconhecida como instrumento de gestão para reorganização da rede básica no que se refere à captação precoce dos casos de HIV positivos e a diminuição de sua transmissão vertical, além da eliminação da sífilis congênita. Permite, ainda, a reestruturação e agilização dos fluxos de resultados dos exames no pré-natal, disponibilização de medicamentos para tratamento das DST nas unidades e reflexão sobre a importância das notificações das DST/Aids.   

Diante do êxito, a cada ano, o PE DST/Aids tem ampliado a estratégia para novos municípios, tendo como meta incorporar a totalidade das cidades do Estado. Para dar resposta a esse desafio algumas adequações foram realizadas. Entre elas, a utilização do FormSUS, um serviço de uso público do Datasus/Ministério da Saúde para criação de formulários na rede mundial de computadores, com normas de utilização definidas, compatíveis com a legislação e a Política de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (SUS).

O questionário respondido pelos responsáveis pelas unidades de saúde passa a ser ferramenta do FormSUS e seu preenchimento é realizado, via online, através do site do Centro de Referência em DST/Aids (www.crt.saude.sp.gov.br). O preenchimento do formulário é simples, tendo sua construção sido estruturada numa sequência que, na resposta, evidencia a qualidade com que as ações estão sendo oferecidas e o que é necessário para atingir o padrão ideal.

A metodologia de trabalho reduz o tempo gasto com capacitação de profissionais para aplicação do questionário, com a digitação dos dados e com a geração de informações através da análise do banco de dados.

Também as reuniões de “devolutivas” passarão a ser realizada via online, por meio de plataforma educacional, utilizando ambientes colaborativos de interação virtual. Neles, os interlocutores de DST/Aids dos Grupos de Vigilância Epidemiológica (GVE) e os profissionais dos municípios poderão, através de fóruns de discussão mediados por técnicos do PE DST/Aids, não só discutir sobre o processo de trabalho nas unidades, mas também realizar capacitações por um processo de educação permanente que permitirá manter a qualidade do trabalho realizado junto aos municípios, evitando o deslocamento da equipe.

Essa nova forma de organização do trabalho permitirá a ampliação para mais municípios em menor tempo, aumentando a capacidade de resposta da equipe, diminuindo gastos com viagens, estreitando a comunicação entre os gestores do programa e os profissionais regionais e locais, permitindo um monitoramento constante da execução das ações de prevenção. Além das questões já apresentadas, os fóruns de interação virtual permitirão a ampliação do acesso às capacitações e atualização dos profissionais.

Essa nova metodologia foi iniciada pelas regiões de Piracicaba (31 municípios) e Registro (13 municípios), e mais recentemente foi estendida para mais 83 municípios de pequeno porte (com apenas uma UBS), distribuídos por outras regiões do Estado.   

Com essa nova estratégia, baseada na lógica de democratização das informações, em mecanismos de compartilhamento de dados de interesse pela saúde, com respeito aos preceitos éticos e garantindo a privacidade e confidencialidade do processo, será possível melhorar ainda mais a resposta paulista à epidemia de Aids e outras DST.


Correspondência/Correspondence to:
Ivone de Paula
Rua Santa Cruz, 81 – Vila Mariana
CEP: 04121-000 – São Paulo/SP, Brasil
Tel.: 55 11 55710855

E-mail: ivonedepaula@crt.saude.sp.gov.br

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