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A esquistossomose mansônica, também conhecida como
“xistose”, “xistosa”, “xistosomose”, “doença dos
caramujos” ou “barriga d’água”, é uma doença parasitária
causada por um trematódeo, Schistosoma
mansoni, com evolução clínica que pode variar desde formas
assintomáticas até quadros graves. Praticamente negligenciada pelo
fato de cursar de forma prolongada e assintomática, causa
fundamentalmente incapacitação nas suas formas mais graves, como a
hepato-intestinal, hepato-esplênica e neurológica (mielorradiculapatia)
e até óbito. Dados do Ministério da Saúde mostram que a
esquistossomose causa, no Brasil, mais óbitos que a dengue, a
leishmaniose visceral e a malária*.
É ainda uma
doença de importância em saúde pública em todo o mundo, relacionada
principalmente às baixas condições de vida e deficiências no
saneamento básico. Sua transmissão
depende da existência de hospedeiros intermediários – caramujos de
espécies como Biomphalaria
glabrata, B. straminea e B.
tenagophila –, ocorrendo em locais com despejo de esgoto sem
tratamento. Ovos de S. mansoni eliminados nas fezes do hospedeiro contaminado eclodem na
água de rios, lagoas ou outras coleções hídricas, liberando larvas
ciliadas (miracídios) que infectam o hospedeiro intermediário
(caramujo), as quais após 4 a 6 semanas abandonam o caramujo, na forma
de cercárias, e permanecem livres nas águas naturais.
O
contato humano com águas que contêm cercárias, em atividades de lazer
ou de trabalho, é a maneira pela qual o indivíduo adquire a doença,
em média de 2 a 6 semanas após a infecção. Cinco semanas após a
infecção o homem pode excretar ovos viáveis de S.
mansoni nas fezes, permanecendo assim por muitos anos se não for
devidamente tratado, constituindo-se em importante fonte de transmissão
em locais com saneamento básico deficiente e despejo de dejetos sem
tratamento nas coleções hídricas.
O
Estado de São Paulo, em seus intensos trabalhos realizados em décadas
anteriores e até o presente, conseguiu promover uma redução
importante da doença adquirida em suas coleções hídricas. Dessa
maneira, atingiu patamares que possibilitam a criação de novas estratégias
de impacto para promover a eliminação da autoctonia.
Dessa
perspectiva, com a finalidade de aumentar a captação de casos autóctones
e importados (pessoas residentes em território paulista, mas que
adquiriram a doença
em seus Estados
de origem), o Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre
Vranjac” (CVE), por meio da Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica
e Alimentar (DDTHA) – órgãos da Coordenadoria de Controle de Doenças
da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) – promoverá,
a partir de 2009, uma vez por anoa Semana
da Esquistossomose. Realizada sempre no mês de maio, a ação é
dirigida a escolares e outros grupos populacionais de risco, isto
é, indivíduos que residem em áreas de coleções hídricas com
caramujos da espécie transmissora da doença e presença de
contingentes migratórios procedentes de Estados endêmicos, entre
outros aspectos.
Este ano, a Semana da Esquistossomose, que será
realizada de
25 a
30 de maio, tem como objetivo uma ampla divulgação na mídia sobre a
doença, suas formas de transmissão, prevenção e tratamento. Voltada
para a população, para os médicos e outros profissionais de saúde, a
mensagem evidencia que, embora a esquistossomose ainda exista e pode ser
adquirida no Estado de São Paulo, em lagoas e rios que abrigam os
caramujos da espécie transmissora, é possível, com algumas ações
organizadas, impedir essa transmissão, evitar casos e eliminar a doença
autóctone.
Essas ações serão fundamentalmente de caráter
educativo, apoiadas pela assistência médica e laboratórios, que nos níveis
municipais atenderão, nos postos de saúde, os indivíduos que
se expuseram ao risco, realizando ou agendado consultas médicas e
solicitando o exame parasitológico que permite o diagnóstico da doença.
Além disso, vários municípios darão início, em escolares ou outros
grupos populacionais de risco, a inquéritos coproscópicos, com vistas
a conhecer melhor a prevalência da doença e poder oferecer tratamento.
Em algumas regiões serão inauguradas unidades geosentinelas (unidades
de saúde com alguns recursos diagnósticos complementares), que farão
a vigilância ativa permanente da doença, com vistas à identificação
precoce dos casos assintomáticos ou outras formas da doença.
Adicionalmente ao apoio da mídia, os níveis locais
e regionais serão mobilizados e estimulados a desenvolver atividades
educativas, lúdicas e recreativas para
divulgação das mensagens sobre a prevenção e tratamento da doença.
O trabalho não se esgota ao final da Semana da
Esquistossomose. Os resultados de todas as ações desenvolvidas
permitirão avaliar as estratégias de captação de casos, implementar
recursos diagnósticos, melhorar a vigilância ativa da doença,
concluir levantamentos e mapeamento de problemas ambientais, tais como
pontos com focos da esquistossomose, criadouros de caramujos e saneamento
deficiente. E, ainda, elaborar alternativas para atuações definitivas para a
interrupção da transmissão da doença, com a certificação em futuro
breve dos municípios que alcançarem a eliminação da autoctonia da esquistossomose.
Além da DDTHA, a iniciativa conta com a participação
de diversas instituições vinculadas à Secretaria da Saúde
de São Paulo e de outros órgãos do governo estadual, do Ministério
da Saúde e de representantes das comunidades locais.
*Óbitos
por esquistossomose. Brasil, grandes regiões e unidades
federadas, 1990-2007
[dados na internet]. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/obitos_por_esquitossomose.pdf
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