Bepa Janeiro 2009; 6(61) ISSN 1806-4272
INFORME TÉCNICO

Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores e Zoonoses – DDTVZ 
Divisão de Imunização – DI
Centro de Vigilância Epidemiológica “Alexandre Vranjac” – CVE
Coordenadoria de Controle de Doenças – CCD
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – SES-SP

Recebido 5/9/2008 – Aprovado em 11/12/2008

 

A febre amarela (FA) é uma doença infecciosa causada pelo vírus do gênero Flavivírus. Existem dois ciclos de transmissão de febre amarela: o silvestre, quando a doença é transmitida pela picada do mosquito do gênero Haemagogus e Sabethes, e o urbano, quando a transmissão se dá pela picada do Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue. No ciclo silvestre os principais hospedeiros são os primatas não-humanos (macacos) que habitam as florestas tropicais. Para os dois ciclos a apresentação clínica e a evolução da doença são as mesmas.

O último caso da FA urbana no Brasil ocorreu em 1942, no Acre. Todo o caso registrado a partir dessa data trata-se de transmissão silvestre. A febre amarela silvestre (FAS) tem expressão endêmica nas regiões Norte e Centro-Oeste e no Estado do Maranhão, no Nordeste. As áreas de transição, com circulação esporádica do vírus, compreendem o Estado de Minas Gerais e parte do Piauí, da Bahia, de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio do Grande do Sul.

A vigilância de febre amarela no País tem como objetivo detectar precocemente a circulação viral, reduzir a incidência da febre amarela silvestre e impedir a transmissão urbana. Em São Paulo, o Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE) e o Instituto Adolfo Lutz (IAL) – órgãos da Coordenadoria de Controle de Doenças –, em conjunto com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), todas instituições vinculadas à Secretaria de Estado da Saúde, trabalham de forma coordenada com os municípios para realização das ações de vigilância e controle.

Febre amarela silvestre no Estado de São Paulo

Os casos humanos autóctones de febre amarela silvestre em território paulista ocorreram preponderantemente até os primeiros anos da década de 1950 No período compreendido entre 1950 e 2000, os dois últimos casos ocorreram em 2000, tendo os municípios de Santa Albertina e Ouroeste, região de São José do Rio Preto, como locais prováveis de infecção.

Em 2003 foi implantada a vigilância passiva de óbitos de primatas não-humanos naquela região, em parceria com os Centros de Controle de Zoonoses Municipais, Secretarias Municipais de Saúde, Sucen, Polícia Ambiental e Faculdades de Medicina Veterinária. Na ocasião, o Estado tinha como área de transição para risco de transmissão de febre amarela as seguintes regionais: Presidente Prudente, Presidente Venceslau, parte de Marília, Araçatuba, Jales, São José do Rio Preto, Barretos, Franca e Ribeirão Preto.

Entre 2004 e 2007, não foi registrada a ocorrência de morte de primatas não-humanos em São Paulo.

Em 2008, no período de janeiro a junho, foi registrada no ESP, em área de transição para febre amarela, a morte de 140 macacos, e foi possível realizar investigação laboratorial em 96 (68,6%) amostras no Instituto Adolfo Lutz. A positividade nas amostras de macacos provenientes dos municípios de Mendonça, Nova Aliança e Urupês confirmou por critério laboratorial a ocorrência de epizootia na região de São José do Rio Preto.

Com relação aos casos humanos suspeitos de febre amarela silvestre no Estado de São Paulo em 2008, de janeiro a maio foram notificados 30 casos. A investigação laboratorial resultou em 10 casos confirmados: 2 autóctones e 8 importados (20 descartados). O CVE, após investigação epidemiológica e laboratorial, confirmou o óbito dos dois casos autóctones. A área rural do município de Luiz Antônio (região de Ribeirão Preto) foi o local provável de infecção do primeiro caso. O segundo caso teve como local provável de infecção a área rural do município de São Carlos (região de Araraquara), divisa com o município de Rincão, próximo ao Rio Mogi-Guaçu. Os dois locais são próximos à Reserva Ecológica Estadual de Jataí. 

Regiões do Estado de São Paulo com recomendação de vacinação contra a febre amarela

Considerando a dinâmica de transmissão do vírus na última década, com evidente deslocamento no sentido Leste e Sul do País, foi decidida a ampliação da área de risco de transmissão de febre amarela no Estado de São Paulo, visando à prevenção do aparecimento da doença em humanos. Essa decisão foi tomada conjuntamente entre a Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), o CVE (Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores e Zoonoses, Divisão de Imunização e Central de Vigilância Epidemiológica), Sucen, IAL e Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS).

Utilizando os critérios de identificação de áreas de ocorrência recente de circulação viral e de contiguidade, São Paulo amplia sua área de transição com a inclusão das regiões de Araraquara e Bauru.

Atualmente, o CVE recomenda vacinação contra febre amarela, com pelo menos dez dias de antecedência, a partir de 9 meses de idade, para indivíduos residentes ou que se dirijam, prioritariamente, para áreas ribeirinhas e de mata dos municípios das regiões de: Presidente Prudente, Presidente Venceslau, Araçatuba, Jales, São José do Rio Preto, Barretos, Franca, Ribeirão Preto, Araraquara, Bauru e parte do município de Marília (região de Tupã).

Desde dezembro de 2008 a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo realiza, em parceria com as prefeituras das cidades da nova área incluída, a vacinação da população residente em áreas rurais. Na seqüência deverá ser iniciada a vacinação dos habitantes de áreas urbanas, que acontecerá ao longo de 2009 sob a coordenação da Divisão de Imunização do CVE, juntamente com os Grupos de Vigilância Epidemiológica (GVE/CVE/CCD) e serviços de vigilância municipais.

Condições que contraindicam vacinação contra febre amarela

- História de reação anafilática relacionada a ovo de galinha e seus derivados. 
- Imunodeficiência congênita ou adquirida (imunodeficiência grave associada à infecção pelo HIV),
  transplantados, imunodepressão secundária a neoplasia, quimioterapia, radioterapia, corticoterapia (doses
  maiores ou iguais a 2mg/Kg/dia de prednisona ou equivalente para crianças, e maiores ou iguais a
  20mg/dia para adultos, por um período maior que 14 dias). 
- Para indivíduos soropositivos para HIV e que se desloquem para áreas de risco de transmissão de febre
  amarela deve ser indicada a vacinação levando-se em conta a contagem de CD4 e carga viral, devendo ser
  avaliado individualmente cada caso.
- Gestação em qualquer fase constitui contraindicação relativa, devendo ser avaliado cada caso. 

Condições de adiamento da vacinação

- Doenças agudas febris moderadas ou graves, até a resolução do quadro.

Os postos de vacinação contra a febre amarela estão disponíveis no site: http://www.cve.saude.sp.gov.br/
htm/imuni/posto_fad1.htm.

Relação dos municípios com recomendação de vacinação contra a febre amarela, por região.




 


Correspondência/Correspondence to:
Melissa Mascheretti Siciliano 
Av. Dr. Arnaldo, 351, 6º andar, sala 604
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Tel.: 55 11 30668292
E-mail: msiciliano@cve.saude.sp.gov.br 

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