Bepa Dezembro 2008; 5(60) ISSN 1806-4272
Resumo de Teses
Summary of thesis

Sérgio Makabe, Adhemar Longatto Filho. São Paulo, SP, 2008. [Tese de Doutorado – Área de Concentração: Pesquisas Laboratoriais em Saúde Pública – Programa de Pós-graduação em Ciências. Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – CCD/SES-SP] 


A opção pelo melhor método de rastreamento de
lesões neoplásicas e pré-neoplásicas do colo do útero ainda é controversa. Acredita-se que a citologia de base quida (CBL) apresente melhor sensibilidade do que a citologia convencional (CC) e ofereça a possibilidade de realização do teste de captura híbrida para HPV (HC2). O método mais utilizado atualmente nos casos de citologia com resultado de células de significado indeterminado (ASCUS) é chamado reflex test, que combina a citologia com o HC2. Essa técnica demonstra alta efetividade para elucidar diagnósticos citológicos indeterminados. O objetivo deste estudo prospectivo realizado no Centro de Referência da Saúde da Mulher e no Instituto Adolfo Lutz (São Paulo/Brasil) em pacientes de alto risco para o câncer de colo uterino  foi analisar a atuação da CBL e CC, comparar os resultados do HC2 para HPV de alto risco com resultados histopatológicos e avaliar se o reflex test  define o diagnóstico e condutas em relação aos casos de ASCUS. Foram incluídas no estudo 1.095 pacientes. Em todos os casos foram colhidas amostras para CC e CBL em tubos contendo 1mL de UCM® – e o material residual foi usado para o HC2. Foram encontradas amostras mais adequadas com CBL do que com CC. ASCUS foi diagnosticado significantemente mais com CBL do que com CC (p<0,001). CC classificou erroneamente como normal 55,4% dos casos com LIEBG ou LIEAG ou câncer na histologia, ao passo que a CBL classificou erroneamente 31,2% dos casos. A CBL apresentou maior sensibilidade do que a CC para detectar ambos os LIEAG e o LIEBG na histologia; de outro lado, a especificidade do CC foi significantemente maior. Os resultados obtidos mostram que a CBL foi superior à CC para detecção de lesões, com alta concordância com o resultado do HC2, que se mostrou positivo para 100% das lesões de baixo e alto graus (LIEBG e LIEAG) detectadas na CC e 98,2% na LIEBG e 100% na LIEAG na CBL. Concluímos, dessa forma, que o reflex test pode ser utilizado como uma estratégia importante para o rastreamento de mulheres de alto risco para o câncer de colo uterino, principalmente em casos de citologias de significado indeterminado, elucidando o diagnóstico, evitando exames colposcópicos desnecessários, possibilitando a obtenção de dados laboratoriais mais relevantes na condução dos casos de ASCUS e definindo, assim, uma conduta terapêutica mais adequada.

 

Suporte financeiro: CCD-SES/SP

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Estudo dos efeitos de toxinas isoladas do veneno do escorpião Tityus bahiensis em ratos
Studies on the effects of
Tityus bahiensis scorpion venom isolated toxins on mice
Luciene Toshie Takeishi Ossanai, Valquiria Abrão Coronado Dorce. São Paulo, SP, 2008. [Dissertação de Mestrado. Área de concentração: Pesquisas Laboratoriais em Saúde Pública. Programa de Pós-graduação em Ciências. Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – CCD/SES-SP]


O Tityus bahiensis é um dos principais causadores de acidentes por escorpiões no Brasil. Contudo, há poucos estudos sobre os efeitos do seu veneno e toxinas, principalmente sobre o sistema nervoso central (SNC). As neurotoxinas que compõem o veneno são polipeptídeos de baixo peso molecular. O objetivo é estudar os efeitos de toxinas isoladas das frações V e VI sobre o SNC de ratos. Ratos machos Wistar (250g) submetidos à cirurgia estereotáxica para implantação de cânula e/ou eletrodo hipocampais. Cada grupo (n=6/grupo) recebeu 1µL da solução da toxina 1-V, 4-V, 5-V, 24-V, 27-V, 28-V ou 14-VI (1 ou 2µg/µl) para análise eletrográfica e comportamental. Após sete dias, os cérebros foram processados para análise histológica. Outro grupo recebeu 1μl da toxina 4-V (1μg/μl), e foram coletados os perfusatos através de microdiálise. A mensuração de aminoácidos foi feita por HPLC. Para verificar a liberação de cálcio intracelular na microscopia confocal, fatias hipocampais de oito animais foram estimuladas com 10μl da toxina 4-V. Mioclonia foi observada em todos os grupos e apenas a toxina 27-V provocou WDS. Observou-se grande número de bocejos após injeção das toxinas 1-V, 4-V, 5-V e 27-V, aumento de secreção nos grupos 1-V, 4-V e 27-V e movimento mastigatório com 4-V e 14-VI. Na análise eletrográfica, observou-se aumento da frequência e tempo de descargas leves e da freqüência de espículas isoladas somente após injeção da toxina 4-V. As toxinas 4-V e 5-V provocaram diminuições significantes no número de células na região CA1 contralateral. Não foi encontrada diferença significante na liberação de aminoácidos. Em relação à mobilização de cálcio, houve um aumento de 90%-110% da fluorescência em  quatro fatias. As toxinas do T. bahiensis atuam no SNC levando a alterações comportamentais e lesões neuronais. A toxina 4-V foi submetida a outros experimentos por ter se mostrado mais potente que as demais; porém, a diminuição de células causada deve-se, provavelmente, ao aumento da liberação do cálcio intracelular, e não ao aumento da liberação de glutamato.  

Suporte financeiro: CCD-SES/SP, Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação) e Fundação Butantan

 

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Estudo dos aspectos psicológicos e impacto na qualidade de vida dos pacientes portadores de HTLV com paraparesia espástica tropical
Study of the psychologic aspects and on the impact on life quality of the patients who are carriers of HTLV with tropical spastic paraparesis  

Maria Rita Polo Gascón, Maria Cezira F. Nogueira Martins, Jorge Casseb, Augusto César Penalva de Oliveira. São Paulo, SP, 2008. [Dissertação de Mestrado. Área de concentração: Infectologia em Saúde Pública. Programa de Pós-graduação em Ciências. Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – CCD/SES-SP]


A paraparesia espástica tropical (TSP/HAM) é uma doença neurológica ocasionada pelo vírus HTLV-I, que acomete preferencialmente os membros inferiores de forma lenta e progressiva. O objetivo deste estudo foi avaliar a freqüência dos aspectos psicológicos (depressão e ansiedade), bem como conhecer a percepção de qualidade de vida em pessoas com e sem TSP/HAM decorrente do vírus HTLV-I. Trata-se de um estudo transversal descritivo com 40 pacientes com sorologia positiva para HTLV-I. Desses, 16 eram assintomáticos e 24 apresentavam TSP/HAM. A seleção dos participantes foi realizada de forma aleatória. Os instrumentos utilizados foram: questionário sociodemográfico; inventário de depressão de Beck; inventário de ansiedade de Beck; WHOQOL-bref; escala motora de Osame; e duas perguntas abertas que avaliaram conhecimento e percepção em relação ao vírus. As análises estatísticas realizadas incluíram análises descritivas, freqüência e dispersão, esta última sempre comparada e correlacionada com a evolução e gravidade dos sintomas. As entrevistas ocorreram de maio a agosto de 2008, no ambulatório de HTLV do Instituto de Infectologia "Emilio Ribas". Os indivíduos estudados foram, em sua maioria, mulheres, na faixa etária entre a 4ª e 5ª décadas de vida, de classe social C, possuidoras do ensino fundamental incompleto e com certo grau de incapacidade motora. Foi observada prevalência de depressão e ansiedade em todos os graus de incapacidade motora. A percepção da qualidade de vida através do WHOQOL-bref demonstrou que os domínios que refletiram piores escores estavam relacionados à saúde física e à satisfação com a saúde. A percepção sobre a doença demonstrou que há uma falta de conhecimento do que seja o vírus, bem como a presença de um forte sentimento de desesperança, raiva e indignação. O estudo mostrou que a prevalência de depressão e ansiedade e o impacto na qualidade de vida estavam correlacionados com o grau de incapacidade motora ocasionada pela doença, bem como com a forma de percepção do indivíduo em relação à doença e ao vírus.

 

Suporte financeiro: CCD/SES-SP, Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo)

 

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Atividade dos extratos de própolis sobre o comportamento morfobiológico de Candida albicans e como medicação intracanal
Activities of the propolis stratum on the morphobiologic behavior of
Candida albicans and as intracanal medication

Daniel Silva Abrahão, Maria de Fátima Costa Pires. São Paulo, SP, 2007. [Dissertação de Mestrado. Área de concentração: Pesquisas Laboratoriais em Saúde Pública
– Programa de Pós-graduação em Ciências. Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – CCD/SES-SP]


Na medicina popular, a própolis tem sido utilizada de forma empírica como medicamento natural há mais de cinco mil anos. Estudos sobre o uso e a aplicação da própolis já foram realizados em diferentes especialidades da odontologia, entre elas na cariologia, cirurgia oral, endodontia e periodontia. Candida albicans é a espécie de maior ocorrência em processos infecciosos e é reconhecida como o agente mais freqüente em pacientes portadores de HIV. Na maioria dos pacientes a infecção por esta levedura é decorrente principalmente do reservatório endógeno, como a mucosa bucal. Neste estudo foram analisadas a atividade dos extratos etanólico (EEP) e aquoso (EAP) de própolis sobre dez amostras de C. albicans isoladas da mucosa bucal de pacientes HIV positivo e duas amostras de C. albicans, uma sorotipo A (ICB-12) e outra sorotipo B (ICB-156), e em doses subinibitórias analisar a atividade desses produtos sobre a produção de exoenzimas e na morfologia das colônias. Também foi estudado como medicação intracanal em 15 pacientes com polpa necrosada (EEP 6%) e em 10 pacientes foi utilizado o paramonoclorofenol associado ao polietilenoglicol 400 em rinosoro (PRP) como medicações intracanal. Nas concentrações 6% e 10% os extratos etanólico e aquoso de própolis apresentaram ação fungicida e em doses subinibitórias diminuição na produção de exoenzimas proteinase e fosfolipase e em 16.6% redução no tamanho das franjas. Os extratos aquosos de própolis não foram utilizados nas etapas seguintes do estudo pelo fato do propilenoglicol ter tido ação inibitória sobre C. albicans. Na avaliação dos tratamentos endodônticos o EEP a 6% apresentou diminuição de sinais e sintomas, mostrou efeito fungicida sobre leveduras isoladas dos canais radiculares e em doses subinibitórias sobre a produção de exoenzimas e redução da produção de franjas desses isolados.  

Suporte financeiro: CCD-SES/SP e Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação)

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