Setembro 2008    Volume 5    Número 57 ISSN 1806-4272
Informe


Diversos estudos demonstram que sem uma estratégia de eliminação da rubéola seriam esperados cerca de 20.000 casos de síndrome da rubéola congênita (SRC) ao ano nas Américas. No período de 1988 a 2006, 40 países (representando cerca de 90% da população da região) utilizaram estratégias de vacinação em massa de crianças, adolescentes e adultos, com o objetivo de interromper rapidamente a transmissão do vírus da rubéola. O número de casos de rubéola diminuiu em 98% e o total de casos de SRC passou de 72 em 2001 para 10 casos em 2006.

Depois da erradicação da varíola, da eliminação da poliomielite e do sarampo, os países das Américas estabeleceram, durante a 44ª reunião do Conselho Diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), a meta de eliminação da rubéola e da SRC até  2010.

No Brasil, em 2001, foi realizada uma campanha nacional de vacinação contra a rubéola para mulheres entre 15 e 29 anos de idade. Nessa ação foram vacinadas cerca de 29 milhões de mulheres em todo o País, atingindo-se uma cobertura vacinal de 93,5%. Em São Paulo foram vacinadas 4,4 milhões de mulheres, uma cobertura vacinal de 91,16%.

Em 2008, no período de 9 de agosto a 12 de setembro, ficou estabelecida a realização de outra campanha nacional, dessa vez para homens e mulheres entre 20 e 39 anos de idade. A vacinação é para todas as pessoas, independente de terem sido vacinadas anteriormente ou até mesmo contraído a doença. A meta nacional é vacinar 70 milhões de pessoas.

O primeiro dia da campanha nacional contra a rubéola aconteceu simultaneamente à campanha nacional de vacinação contra a paralisia infantil; e a adesão já nesse primeiro dia foi muito boa. Em um cenário diferente dos anos anteriores, pais e filhos foram vacinados no mesmo dia.

A primeira prévia da campanha, dia 11 de setembro, registrava que 3,5 milhões de pessoas já haviam sido vacinadas, atingindo-se uma cobertura vacinal de 24,79%. Parte dessas pessoas foi vacinada no dia 9 de agosto e outra, nos meses de junho e julho, pois vários municípios já tinham começado a  vacinação antes mesmo do seu início oficial.

Nesse período foram estabelecidas as parcerias com bancos, empresas, indústrias. Aquelas que tinham equipes de saúde recebiam treinamento dos municípios – orientações técnicas sobre à diluição, conservação e transporte das vacinas e informações técnicas referentes às indicações e contra-indicações. A vacina dupla viral (rubéola e sarampo) foi aplicada pela equipe local. Durante a campanha, em muitas cidades do interior as equipes de vacinação madrugaram para garantir a vacinação dos cortadores de cana-de-açúcar.

De acordo com o Gráfico 1, na 3ª semana foram aplicadas 2,5 milhões de doses, a semana de maior rendimento. A partir daí, as equipes de vacinação intensificaram as ações fora das salas de vacina, indo às universidades, shopping centers, feiras regionais, mercados, estádios de futebol, bancos, supermercados, clubes, igrejas, ruas de comércio vacinando loja a loja os vendedores, os compradores e as pessoas que passavam na frente dos estabelecimentos, entre outras ações. Era freqüente encontrar uma equipe de vacinação tanto nos locais de trabalho, estudo e lazer quanto no caminho do trabalho.

 

Fonte: DATASUS/MS
Gráfico 1 -
Campanha Nacional Contra a Rubéola, cobertura semanal,
9 de Agosto a 26 de Setembro. Estado de São Paulo, 2008.

Na 5ª semana, em uma ação inédita e integrada com as Secretarias de Estado da Saúde e dos Transportes Metropolitanos (Metrô, CPTM e EMTU) e os municípios de São Paulo, da região do ABC e do Alto Tietê, além das GVE´s de Osasco e Franco da Rocha, a vacina contra a rubéola foi aplicada em 29 estações do Metrô, 34 de trem e 9 Terminais Metropolitanos. A vacinação foi realizada de 8 a 12 de setembro, das 17 às 20 horas, período de maior fluxo nesses locais – nessas três horas foram aplicadas cerca de 27.000 doses por dia. Essa ação estendeu-se até o dia 19 de setembro, incluindo os sábados em algumas estações de maior fluxo.

No dia 12 de setembro, já tinham sido aplicadas no Estado de São Paulo cerca de 10,8 milhões de doses, uma cobertura vacinal de 76%. Até o dia 26 de setembro já haviam sido vacinadas em todo o País cerca de 61 milhões de pessoas (cobertura de 86,6%), sendo 89,7% em mulheres e 83,4% em homens. Em São Paulo, até essa data, foram vacinadas 12.141.781 pessoas, das quais 86,3% mulheres e 84,29% homens; e 214 municípios já tinham atingido a meta de vacinar 95% da população-alvo. É importante salientar que a diferença entre as mulheres e os homens no início da campanha chegou a 7% e, posteriormente, caiu para apenas 2%. Considerando que a meta a ser atingida no Estado é de 13,5 milhões de doses, a mobilização foi prorrogada até o dia 10 de outubro (Gráficos 2 e 3).

Fonte: DATASUS/MS
Gráfico 2
- Vacinômetro Estado de São Paulo, 7ª semana, 9 de agosto a 26 de setembro 2008.

Fonte: DATASUS/MS
Gráfico 3
- Vacinômetro Brasil, 7ª semana, 9 de agosto a 26 de setembro de 2008.

A campanha já pode ser considerada vitoriosa em razão da mobilização dos vários setores da sociedade em parceria com o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais da Saúde, com o objetivo único de eliminar a rubéola e SRC até o ano de 2010.


Correspondência/Correspondence to:
Divisão de Imunização
Av. Dr. Arnaldo, 351, 6º andar
CEP: 01246-000
São Paulo/SP – Brasil
Tel.: 55 11 30668779
E-mail: dvimuni@saude.sp.gov.br 

Fale conosco