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Em 21 de julho de 2008, o Centro de Vigilância Epidemiológica
“Prof. Alexandre Vranjac” (CVE) – órgão da Coordenadoria de
Controle de Doenças da Secretaria de São Paulo (CCD/SES-SP) – foi
notificado sobre a ocorrência de um surto de doença meningocócica
(DM) no município de São José do Rio Preto, SP.
O município tem uma população residente de 424.114 habitantes
(IBGE). Em 2007, até a semana epidemiológica 31, foram notificados 75
casos de meningite em São José do Rio Preto; no mesmo período de 2008
foram registrados 76 casos da
doença, incluindo todas as etiologias.
Em 2007, o coeficiente de incidência de DM no município foi de 2,12 casos/100.000 habitantes (nove casos). Até agosto de 2008,
dados provisórios indicam 15 casos de DM, dos quais 80% foram definidos como
sorogrupo C, com coeficiente atual de 3,53 casos/100.000 habitantes.
A letalidade observada em 2007 foi de 11%. Em
2008, a
letalidade corresponde a 33%
com quadros clínicos predominantes de meningite meningocócica com
meningococcemia. Concomitante, houve caracterização da ocorrência de
surto de DM pelo sorogrupo C no bairro Solo Sagrado, localizado na região
noroeste do município, cujos casos concentraram-se na faixa etária de
10-14 anos.
Ações
de controle
As ações de controle foram desencadeadas oportunamente pela
Secretaria Municipal de Saúde de São José do Rio Preto (SMS), pela
Secretaria Estadual de Saúde (SES-SP) e pela Secretaria de Vigilância
em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS). As medidas adotadas
incluem: assistência médica, hospitalização imediata, com ênfase no
diagnóstico precoce e tratamento adequado. A ação de controle mais
importante para proteção da população, que previne efetivamente o
aparecimento de casos secundários, é a quimioprofilaxia dos
comunicantes íntimos (moradores do mesmo domicílio, indivíduos que
compartilham o mesmo dormitório, comunicantes de creches e pessoas
diretamente expostas às secreções do paciente). Vale ressaltar o não
aparecimento de casos secundários no município, reforçando a
oportunidade das medidas de controle efetuadas após a notificação dos
casos suspeitos de DM.
Etiologia
e transmissão
A meningite pode ser causada por vírus ou bactérias
e as vacinas disponíveis são específicas para cada agente etiológico.
As meningites bacterianas apresentam relevância do ponto de vista de saúde
pública em função de seu potencial para desenvolver surtos, atingindo
notadamente crianças e adolescentes. Dentre as meningites causadas por
bactérias, destaca-se a DM, cujo agente é o meningococo e os
sorogrupos mais freqüentes são A, B e C. As vacinas atualmente disponíveis
são específicas apenas para os sorogrupos A e C.
O meningococo é um dos agentes etiológicos da doença e é
transmitido por contato próximo e prolongado com doentes e portadores,
reforçando que a quimioprofilaxia oportuna é a medida de controle mais
eficaz.
Critérios
para vacinação
A
utilização de vacinas específicas contra o meningococo dos sorogrupos
A e C está indicada em situações de surto ou epidemia, segundo critérios
técnicos preconizados pelo Programa Nacional de Imunizações do Ministério
da Saúde. Por esses critérios, a indicação das vacinas é dirigida
diferentemente para grupos etários específicos, e devem ser
administradas exclusivamente nas áreas com evidência de transmissão
de DM por sorogrupo C. Essa conduta tem sido recomendada pelo Ministério
da Saúde ao longo dos últimos anos em todas as situações de surtos
de DM por sorogrupo C no País, alcançando
sua contenção.
Em consonância com essas normas, a vacinação contra o
meningococo C (conjugada e polissacarídica) foi iniciada no bairro
Solo Sagrado, no dia 26/7/08, para a população residente situada na
faixa etária entre dois meses e dezenove anos, incluindo-se as creches e escolas
do bairro.
Em
reunião técnica realizada no dia 31/7/08, na SES-SP, na presença de
representantes da SVS/MS, da CCD, do CVE, do Instituto Adolfo Lutz (IAL/CCD/SES-SP),
do Grupo de Vigilância Epidemiológica de São José do Rio Preto (GVE/CVE/CCD/SES-SP)
e do secretário da Saúde do município, reavaliando a situação epidemiológica
atual, concluiu-se que, no presente, não há indicação técnica de
vacinação indiscriminada da população residente em Rio Preto.
A SVS/MS, em parceria com a SES-SP e a Secrtaria Municipal de Saúde, está monitorando permanentemente a situação epidemiológica
deste agravo.
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