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Introdução
A
poliquimioterapia (PQT) foi implantada efetivamente no Brasil em
1991, contribuindo para redução da prevalência e taxas de detecção
da hanseníase. Apesar disso, recidivas ocorrem e suas causas são
pouco investigadas: persistência de bacilos ou resistência.
Existem poucos estudos relacionados à resistência do Mycobaterium
leprae desenvolvidos no Brasil.
Objetivo
O
objetivo deste relato é mostrar a freqüência de resistência bacilar
em pacientes com hanseníase com suspeita clínica de recidiva, após
pelo menos cinco anos de término do tratamento com os esquemas:
monoterapia com dapsona (DDS), esquema do Departamento Nacional de
Dermatologia Sanitária (DNDS), ou PQT para multibacilares da Organização
Mundial de Saúde (PQT/MB/OMS).
Pacientes
e métodos
Um
total de 52 biópsias de pessoas afetadas pela hanseníase foi enviado
ao Instituto Lauro de Souza Lima para inoculação em pata de
camundongos, para realização do teste de resistência às drogas
rifampicina e dapsona. Os pacientes, atendidos em vários serviços por
demanda espontânea, se apresentavam com lesões novas ou reativadas,
compatíveis com recidiva. As biópsias foram maceradas em solução de Hank’s;
suspensões contendo 104 bacilos foram inoculadas
em camundongos BALB
/c; os animais foram tratados e, após nove meses, sacrificados para
retirada dos coxins plantares e contagem de bacilos recuperados (técnica
de Shepard). Foi considerado crescimento positivo o valor ³105 bacilos
por pata.
Resultados
Entre
as amostras estudadas 21
(40.3%) eram sensíveis à dapsona e rifampicina (crescimento de bacilos
somente nos animais do grupo controle que não receberam nenhuma droga),
6 (11.5%) eram resistentes à DDS (2 monoterapia com DDS e 4 PQT),
2 (3.8%) eram resistentes à rifampicina (PQT/MB/OMS). Em 23
(44.2%) amostras não foi observado crescimento de bacilos na pata dos
camundongos. Nenhum caso de resistência múltipla foi observado.
Conclusão
A
resistência à rifampicina constitui um risco potencial para o controle
da hanseníase. Apesar do baixo número (8%) de amostras resistentes à
rifampicina encontradas neste estudo, não constituindo hoje o principal
risco ao programa de controle da hanseníase no Brasil, a validação do
tratamento de pacientes multibacilares é necessária. Além disso, métodos
para detecção precoce de pacientes recidivas que constituem fontes de
novas infecções devem ser desenvolvidos, especialmente nos casos de
recidivas associadas à resistência.
Palavras-chave:
hanseníase; resistência a drogas; recidiva;
dapsona; rifampicina.
Key words: leprosy; drug resistance; relapse;
dapsone; rifampicin.
Apoio financeiro
Fundação Paulista contra a Hanseníase. São Paulo,
Brasil
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