Julho 2008    Volume 5    Número 55 ISSN 1806-4272
 

Introdução

A poliquimioterapia (PQT) foi implantada efetivamente no Brasil em 1991, contribuindo para redução da prevalência e taxas de detecção da hanseníase. Apesar disso, recidivas ocorrem e suas causas são pouco investigadas: persistência de bacilos ou resistência. Existem poucos estudos relacionados à resistência do Mycobaterium leprae desenvolvidos no Brasil.

Objetivo

O objetivo deste relato é mostrar a freqüência de resistência bacilar em pacientes com hanseníase com suspeita clínica de recidiva, após pelo menos cinco anos de término do tratamento com os esquemas: monoterapia com dapsona (DDS), esquema do Departamento Nacional de Dermatologia Sanitária (DNDS), ou PQT para multibacilares da Organização Mundial de Saúde (PQT/MB/OMS).

Pacientes e métodos

Um total de 52 biópsias de pessoas afetadas pela hanseníase foi enviado ao Instituto Lauro de Souza Lima para inoculação em pata de camundongos, para realização do teste de resistência às drogas rifampicina e dapsona. Os pacientes, atendidos em vários serviços por demanda espontânea, se apresentavam com lesões novas ou reativadas, compatíveis com recidiva. As biópsias foram maceradas em solução de Hank’s; suspensões contendo 104 bacilos foram inoculadas em camundongos BALB /c; os animais foram tratados e, após nove meses, sacrificados para retirada dos coxins plantares e contagem de bacilos recuperados (técnica de Shepard). Foi considerado crescimento positivo o valor ³105 bacilos por pata.  

Resultados

Entre as amostras estudadas 21 (40.3%) eram sensíveis à dapsona e rifampicina (crescimento de bacilos somente nos animais do grupo controle que não receberam nenhuma droga), 6 (11.5%) eram resistentes à DDS (2 monoterapia com DDS e 4 PQT), 2 (3.8%) eram resistentes à rifampicina (PQT/MB/OMS). Em 23 (44.2%) amostras não foi observado crescimento de bacilos na pata dos camundongos. Nenhum caso de resistência múltipla foi observado.

Conclusão

A resistência à rifampicina constitui um risco potencial para o controle da hanseníase. Apesar do baixo número (8%) de amostras resistentes à rifampicina encontradas neste estudo, não constituindo hoje o principal risco ao programa de controle da hanseníase no Brasil, a validação do tratamento de pacientes multibacilares é necessária. Além disso, métodos para detecção precoce de pacientes recidivas que constituem fontes de novas infecções devem ser desenvolvidos, especialmente nos casos de recidivas associadas à resistência.

Palavras-chave: hanseníase; resistência a drogas; recidiva; dapsona; rifampicina.

Key words: leprosy; drug resistance; relapse; dapsone; rifampicin.

Apoio financeiro
Fundação Paulista contra a Hanseníase. São Paulo, Brasil


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Patrícia Sammarco Rosa
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