Maio 2008    Volume 5    Número 53 ISSN 1806-4272
 

Resumo  

A tendência de aumento da adesão ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, já observada nos anos anteriores, manteve-se em 2007. Além disso, é evidente a consolidação do sistema, permitindo a comparação de taxas de infecção hospitalar (IH) de cada hospital com o condensado de taxas de IH do Estado. O desenvolvimento de um sistema para monitorizar infecções selecionadas é de responsabilidade das autoridades de saúde. O Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo vem cumprindo esta atribuição, caracterizando-se como um sistema de vigilância inédito de base governamental.

Palavras-chave: sistemas de vigilância; vigilância epidemiológica; infecção hospitalar.

Abstract

Adhesion to the Hospital Infection Surveillance System in the State of São Paulo shows a tendency to increase, already noticed in previous years, which has been maintained in 2007. Beyond that, the consolidation of this System is perceivable, allowing the comparison of hospital infection rates (IH) within each hospital, with a consolidation of IH rates for the State. The development of a system to monitor selected infections is a responsibility of Health authorities. The Hospital Infection Surveillance System of the State of São Paulo is fulfilling this obligation and has proved to be a totally new governing surveillance system.

Key words: surveillance systems; nosocomial infection; surveillance system.

Introdução

A divulgação anual e a discussão das taxas de infecção hospitalar (IH) são atividades importantes do Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo desde sua implantação, em 2004.

Em 2007, além da análise das infecções em cirurgia limpa e em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Adulto, Coronariana, Pediátrica e Neonatal, por meio de dados agregados do período, foi realizada a análise dos dados de IH para instituições de longa permanência e hospitais psiquiátricos, utilizando a mesma metodologia.

Métodos

Não houve alteração no instrumento ou fluxo de notificação das taxas de IH pelos hospitais em relação aos anos anteriores. As planilhas 1, 2, 3 e 5 foram preenchidas pelos hospitais gerais e a planilha 4, pelos especializados (psiquiátrico e de longa permanência), encaminhadas mensalmente por via eletrônica para a Divisão de Infecção Hospitalar (DIH) do Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE) – órgão da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (CCD/SES-SP).

Os indicadores epidemiológicos selecionados para hospitais gerais foram mantidos: taxa de infecção em cirurgias limpas, densidade de incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica (VM), infecção de corrente sanguínea associada a cateter central (CVC) e infecção urinária associada à sonda vesical de demora (SVD), e taxas de utilização destes dispositivos invasivos em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana; densidade de incidência de pneumonia associada à VM; infecção de corrente sanguínea associada a CVC; e taxas de utilização de DI em UTI Neonatal , em cada faixa de peso.

Para os hospitais de longa permanência e psiquiátricos também foram mantidos os indicadores epidemiológicos selecionados desde 2004, as densidades de incidência de pneumonia, escabiose e gastroenterites, e foi realizada análise dos dados de IH do período de 2005 a 2007.

Os indicadores foram analisados utilizando-se os dados agregados do período, isto é, a soma do número de IH dividida pela soma dos denominadores (número de cirurgias limpas, pacientes-dia, dispositivos invasivos-dia), para cada indicador, multiplicada por 1.000, no caso das infecções em UTI e hospitais especializados, ou por 100, no das infecções de sítio cirúrgico (ISC). As taxas de IH dos hospitais gerais e especializados notificantes foram distribuídas em percentis (10, 25, 50, 75 e 90).

Foram excluídos das análises os hospitais que notificaram menos de 250 cirurgias limpas, hospitais com menos de 500 pacientes-dia em UTI Adulto , Pediátrica e Coronariana e hospitais com menos de 50 pacientes-dia, para cada faixa de peso em UTI Neonatal. Para a planilha 5, que solicita a notificação dos microrganismos isolados em hemoculturas, não foi utilizado critério de exclusão por se tratar de uma análise qualitativa.

As taxas de IH foram distribuídas segundo Grupos de Vigilância Epidemiológica (GVE) – divisão administrativa vigente no Estado de São Paulo desde 2007.

A manutenção da metodologia de análise dos dados e dos critérios de exclusão permitiu a comparação das taxas de IH do Estado nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007. Além disso, foram comparadas as taxas de IH e perfil microbiológico dos hospitais notificantes do município de São Paulo e do interior do Estado.  

Resultados

Adesão ao Sistema

A tendência de aumento da adesão ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo manteve-se em 2007. A média e a mediana de hospitais notificantes por mês em 2007 foram 518 e 521 hospitais, respectivamente (variação: 494-533 hospitais) (Figura 1).

Figura1. Número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo por mês – 2004, 2005, 2006 e 2007.

Houve pouca variação no número de hospitais notificantes por mês e, ao contrário do observado nos anos anteriores, não houve queda no número de hospitais notificantes no mês de dezembro em 2007.

A Tabela 1 mostra a taxa de resposta segundo Direções Regionais de Saúde (DIR) – divisão administrativa vigente no Estado de São Paulo até o final do ano de 2006 –, baseada no número de hospitais cadastrados no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES)1 em 2006. Já a Tabela 2 mostra a taxa de resposta segundo GVE, baseada no número de hospitais cadastrados no CNES2 em 2007.

Tabela 1. Distribuição do número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo e taxa de resposta segundo Direção Regional de Saúde (DIR) e cadastro no CNES – 2004, 2005 e 2006.

 

Tabela 2. Distribuição do número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo e taxa de resposta segundo GVE e cadastro no CNES – 2007.

Houve aumento da taxa de resposta ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo em 2007, acompanhando o aumento do número de hospitais cadastrados no CNES.

Infecções hospitalares em hospitais gerais

1. Infecções cirúrgicas

Como vem sendo observado desde 2004, a maioria dos hospitais notificantes, 82,5% (489/593), enviou dados de infecção cirúrgica por meio da planilha 1 (Tabela 3). O número de cirurgias limpas notificadas é crescente desde a implantação do Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, sendo que em 2007 foram notificadas 652.975 cirurgias limpas.

Tabela 3. Distribuição do número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo que enviaram planilha 1, segundo GVE – 2007.

Entretanto, mantém-se a ordem das especialidades cirúrgicas que realizam o maior número de cirurgias limpas por ano. Destaque para o grande número de cirurgias plásticas realizadas em 2007, conforme já observado nos anos anteriores. As Figuras 2 e 3 mostram o número de cirurgia limpas notificadas e de hospitais notificantes segundo especialidade cirúrgica.

Figura 2. Distribuição do número de cirurgias limpas notificadas ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo por especialidade cirúrgica – 2007.  

Figura 3. Distribuição do número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo por especialidade cirúrgica – 2007.

Seguindo os critérios de exclusão, foram incluídos na análise das taxas de infecção cirúrgica 355 hospitais que notificaram mais de 250 cirurgias limpas no período. As Tabelas 4 e 5 apresentam a distribuição das taxas de infecção cirúrgica global e por especialidade cirúrgica em percentis.

Para os GVE que possuíam menos de dez hospitais com o critério de inclusão adotado para análise não foi realizada a distribuição de taxas em percentis. Entretanto , os dados referentes a estas Regionais foram utilizados na análise de percentis do Estado.

Tabela 4. Distribuição das taxas de infecção cirúrgica, em percentis, dos hospitais que notificaram mais de 250 cirurgias limpas ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo GVE – 2007.

 

Tabela 5. Distribuição das taxas de infecção cirúrgica por especialidade cirúrgica, em percentis, dos hospitais que notificaram mais de 250 cirurgias limpas ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo – 2007.

2. Infecções em UTI

Houve aumento no número de hospitais que enviaram dados de infecção em UTI Adulto , Pediátrica e Coronariana em 2007, quando comparado a 2004, 2005 e 2006. Do total de hospitais notificantes, 53,3% (316/593) enviaram planilha 2. As Tabelas 6 e 7 mostram o número de hospitais que enviaram planilha 2 e dos que enviaram dados de infecção em UTI Adulto , Pediátrica e a Coronariana, por GVE.

Tabela 6. Distribuição do número de hospitais que enviaram planilha 2 ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo segundo
GVE – 2007.

 

Tabela 7. Distribuição do número de hospitais que enviaram planilha 2 ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo por tipo de UTI, segundo GVE – 2007.

Foram incluídos na análise das taxas de infecção em UTI Adulto , Pediátrica e Coronariana 276 (89,6%), 101 (84,1%) e 33 (94,3%) hospitais, respectivamente, segundo critério adotado para análise. O número e a porcentagem de hospitais incluídos na análise de dados em 2007 foram superiores aos dos anos anteriores.

Em UTI Adulto a média de pacientes-dia foi de 3.886 pacientes-dia e mediana de 2.786 pacientes-dia no período. Já em UTI Pediátrica a média foi de 1.862 pacientes-dia e a mediana foi de 1.607 pacientes-dia. Finalmente, em UTI Coronariana a média foi de 2.426 pacientes-dia e a mediana de 2.137 pacientes-dia.

As Tabelas 8, 9 e 10 apresentam a distribuição das taxas de infecção, em percentis, em UTI Adulto , Pediátrica e Coronariana, e as Tabelas 11, 12 e 13, as taxas de utilização de dispositivos invasivos, em percentis, para estas unidades.

Tabela 8. Distribuição das taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Adulto. Estado de São Paulo, 2007.

Infecção sob vigilância

Densidade de incidência 
(por 1.000 dispositivos invasivos-dia)

Percentil

10

25

50

75

90

Pneumonia associada à ventilação mecânica

4,59

9,91

15,52

23,61

30,80

 

Infecção de corrente sanguínea associada a cateter central

0,00

1,47

4,71

8,75

14,08

 

Infecção de trato urinário associada à sonda vesical

0,57

3,01

6,42

10,06

15,67

 

Tabela 9. Distribuição das taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Pediátrica. Estado de São Paulo, 2007.

Infecção sob vigilância

Densidade de incidência
(por 1.000 dispositivos invasivos-dia)

Percentil

10

25

50

75

90

Pneumonia associada à ventilação mecânica

0,00

2,80

5,95

11,09

16,63

 

Infecção de corrente sanguínea associada a cateter central

0,00

3,58

8,15

13,54

24,92

 

Infecção de trato urinário associada à sonda vesical

0,00

0,00

4,51

10,31

19,04

Tabela 10. Distribuição das taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Coronariana. Estado de São Paulo, 2007.

 Infecção sob vigilância

Densidade de incidência
(por 1.000 dispositivos invasivos-dia)

Percentil

10

25

50

75

90

 Pneumonia associada à ventilação mecânica

6,84

13,45

22,86

29,85

36,69

 

Infecção de corrente sanguínea associada a cateter central

0,00

0,00

3,92

5,94

9,57

 

Infecção de trato urinário associada à sonda vesical

0,00

1,83

3,89

9,12

19,24

Tabela 11. Distribuição das taxas de utilização de dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Adulto. Estado de São Paulo, 2007.

Dispositivos invasivos

Taxa de utilização (%)

Percentil

10

25

50

75

90

Ventilação mecânica

26,82

35,92

47,43

57,82

68,01

Cateter central

29,59

52,84

56,86

69,44

80,43

Sonda vesical

43,46

55,88

69,31

80,74

87,59

 

Tabela 12. Distribuição das taxas de utilização de dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Pediátrica. Estado de São Paulo, 2007.

Dispositivos invasivos

Taxa de utilização (%)

Percentil

10

25

50

75

90

Ventilação mecânica

20,53

34,12

47,07

58,55

70,68

Cateter central

18,03

30,11

39,83

56,84

67,84

Sonda vesical

5,01

9,02

16,60

27,69

45,46

Tabela 13. Distribuição das taxas de utilização de dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Coronariana. Estado de São Paulo, 2007.

Dispositivos invasivos

Taxa de utilização (%)

Percentil

10

25

50

75

90

Ventilação mecânica

9,78

14,44

19,17

30,00

43,38

Cateter central

23,09

30,84

36,77

44,46

74,41

Sonda vesical

25,45

31,21

41,90

53,58

74,84

As Tabelas 14 e 15 mostram as taxas de infecção em UTI adulto segundo localização geográfica (hospitais do município de São Paulo e Interior do Estado) em 2007. No percentil 50, a taxa de infecção de corrente sanguínea associada a cateter venoso central foi maior nos hospitais do município de São Paulo.

Além disso, foram comparadas as taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos em UTI Adulto dos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007 (Figura 4). Novamente, não houve diferença estatisticamente significante para a mediana (percentil 50) nos anos avaliados (p>0,05).

Tabela 14. Distribuição das taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Adulto com mais de 500 pacientes-dia dos hospitais do município de São Paulo. Estado de São Paulo, 2007.

Infecção sob vigilância

Densidade de incidência
(por 1.000 dispositivos invasivos-dia)

Percentil

10

25

50

75

90

Pneumonia associada à ventilação mecânica


7,89


10,33


14,47


21,15


26,91

 

Infecção de corrente sanguínea associada a cateter central





1,40





3,71





6,37





9,42





15,70

 

Infecção de trato urinário associada à sonda vesical





2,65





4,25





7,20





11,23





15,12

Tabela 15. Distribuição das taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Adulto com mais de 500 pacientes-dia dos hospitais do Interior do Estado. Estado de São Paulo, 2007.

Infecção sob vigilância

Densidade de incidência
(por 1.000 dispositivos invasivos-dia)

Percentil

10

25

50

75

90

Pneumonia associada à ventilação mecânica


1,48


9,43


16,50


24,90


32,07

 

Infecção de corrente sanguínea associada a cateter central





0,00





0,78





3,49





7,41





13,06

 

Infecção de trato urinário associada à sonda vesical





0,00





2,35





6,22





9,38





16,61

Figura 4. Comparação da mediana (P50) das densidades de incidência de infecções associadas a dispositivos invasivos em UTI Adulto. Estado de São Paulo, 2004, 2005, 2006 e 2007.

3. Infecções em UTI Neonatal

Do total de hospitais notificantes, 28,0% (166/593) enviaram dados de IH em UTI Neonatal por meio da planilha 3 (Tabela 16).

Tabela 16. Distribuição do número de hospitais que enviaram planilha 3 ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo
GVE – 2007.

De acordo com o critério adotado para análise dos dados para este tipo de unidade, 146 hospitais foram incluídos para cálculo das taxas de IH por faixa de peso. É importante destacar que um mesmo hospital pode ter sido incluído na análise de taxas de mais de uma faixa de peso.

Nas Tabelas 17 e 18 são apresentadas as densidades de incidência de infecção associadas a dispositivos invasivos, distribuídas em percentis, por faixa de peso em UTI Neonatal. As Tabelas 19 e 20 apresentam a distribuição das taxas de utilização de dispositivos invasivos, em percentis, por faixa de peso.

Tabela 17. Distribuição das taxas de pneumonia associada à ventilação mecânica, em percentis, em UTI Neonatal , segundo faixa de peso. Estado de São Paulo, 2007.

 

Densidade de incidência de pneumonia associada à ventilação
 (x1.000 VM-dia)

 

Percentil

Faixas de peso

10

25

50

75

90

<1.000g

0,00

0,00

2,67

8,09

21,94

 

1.001-1.500g

0,00

0,00

0,00

10,00

21,01

 

1.501-2.500g

0,00

0,00

0,00

12,30

25,25

 

>2.500g

0,00

0,00

0,00

8,27

24,08

Tabela 18. Distribuição das taxas de infecção de corrente sanguínea associada a cateter central, em percentis, em UTI Neonatal , segundo faixa de peso. Estado de São Paulo, 2007.

Densidade de incidência de infecção de corrente sanguínea associada a cateter central (x1.000 CVC-dia)

 

Percentil

Faixas de peso

10

25

50

75

90

<1.000g

0,00

3,80

13,68

26,10

46,72

 

1.001-1.500g

0,00

0,28

11,95

23,85

46,39

 

1.501-2.500g

0,00

0,00

11,13

23,15

52,27

 

>2.500g

0,00

0,00

10,75

25,22

48,53

Tabela 19. Distribuição das taxas de utilização de ventilação mecânica, em percentis, em UTI Neonatal , segundo faixa de peso. Estado de São Paulo, 2007.

Taxa de utilização de ventilação mecânica (%)

 

Percentil

Faixas de peso

10

25

50

75

90

<1.000g

30,25

41,76

59,18

74,91

89,36

 

1.001-1.500g

12,30

22,42

30,70

43,58

56,89

 

1.501-2.500g

5,85

11,64

20,32

32,43

44,90

 

>2.500g

6,98

11,51

23,47

36,29

51,38

Tabela 20. Distribuição das taxas de utilização de cateter central, em percentis, em UTI Neonatal , segundo faixa de peso. Estado de São Paulo, 2007.

Taxa de utilização de cateter central (%)

 

Percentil

Faixas de peso

10

25

50

75

90

<1.000g

23,66

35,03

57,08

77,37

92,93

 

1.001-1.500g

15,87

28,47

45,06

66,81

83,06

 

1.501-2.500g

5,50

16,70

32,39

51,54

67,81

 

>2.500g

5,36

18,05

33,13

48,25

66,62

4. Hemocultura

Em 2007 foram colhidas 105.635 amostras de hemocultura pelos hospitais notificantes com UTI Adulto e Coronariana. Foram notificados 13.322 pacientes com IH e hemocultura positiva. A Tabela 21 mostra o número e a porcentagem de hospitais que enviaram planilha 5, segundo GVE.

Tabela 21. Distribuição do número de hospitais que enviaram planilha 5 ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo GVE – 2007.

 


A Tabela 22 mostra a distribuição dos microrganismos isolados em hemocultura de pacientes com IH do Estado de São Paulo. As Tabelas 23 e 24 mostram esta distribuição em 78 hospitais do município de São Paulo e em 191 do Interior do Estado que enviaram planilha 5, respectivamente.

Novamente os microrganismos mais frequentemente isolados foram os Staphylococcus epidermidis e outros Staphylococcus coagulase negativa no Estado de São Paulo.

Tabela 22. Distribuição de pacientes com IH e hemocultura positiva (número e porcentagem) segundo microrganismo isolado. Estado de São Paulo, 2007.

 

Tabela 23. Distribuição de pacientes com IH e hemocultura positiva (número e porcentagem), segundo microrganismo isolado. Município de São Paulo, 2007.

 

Tabela 24. Distribuição de pacientes com IH e hemocultura positiva (número e porcentagem) segundo microrganismo isolado. Interior do Estado de São Paulo, 2007.

 

A Tabela 25 apresenta a comparação do perfil de resistência dos microrganismos isolados em amostras de hemocultura de hospitais do município de São Paulo e do Interior do Estado.

Tabela 25. Distribuição do perfil de resistência dos microrganismos isolados em hemocultura de pacientes com IH, no município de São Paulo e Interior do Estado de São Paulo, 2007.

Infecções hospitalares em instituições de longa permanência e hospitais psiquiátricos

Desde a implantação do Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, além de indicadores de IH para hospitais gerais, foram selecionados também indicadores de IH para instituições de longa permanência e hospitais psiquiátricos. A escolha destes indicadores baseou-se nas infecções com elevada freqüência e potencial de disseminação neste tipo de instituição.

Os dados de IH de 2004 destas instituições não foram analisados devido a grande irregularidade no envio dos dados e erros no preenchimento das planilhas. Treinamentos específicos para prevenção, controle e notificação de IH foram realizados a partir de 2005 e, com isso, houve incremento no número de instituições de longa permanência e hospitais psiquiátricos notificantes, associado à melhoria na qualidade dos dados.

A Figura 5 mostra o número de instituições de longa permanência e hospitais psiquiátricos que enviaram dados de IH ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo no período de 2005 a 2007.

Figura 5. Distribuição do número de instituições de longa permanência e hospitais psiquiátricos notificantes ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo – 2005-2007.

As Tabelas 26, 27 e 28 apresentam a distribuição das taxas de IH, em percentis, das instituições de longa permanência e hospitais psiquiátricos em 2005, 2006 e 2007, respectivamente.

 

Tabela 26. Distribuição das taxas de infecção, em percentis, em instituições de longa permanência e hospitais psiquiátricos. Estado de São Paulo, 2005.

Infecção sob vigilância

Densidade de incidência (por 1.000 pacientes-dia)

Percentil

10

25

50

75

90

Pneumonia

0,0

0,0

0,1

0,5

1,1

 

Escabiose

0,0

0,1

0,2

0,8

3,8

 

Gastroenterite

0,0

0,0

0,2

0,6

3,3

 

 

Tabela 27. Distribuição das taxas de infecção, em percentis, em instituições de longa permanência e hospitais psiquiátricos. Estado de São Paulo, 2006.

Infecção sob vigilância

Densidade de incidência (por 1.000 pacientes-dia)

Percentil

10

25

50

75

90

Pneumonia

0,0

0,0

0,1

0,3

0,7

 

Escabiose

0,0

0,0

0,1

0,4

0,9

 

Gastroenterite

0,0

0,0

0,1

0,7

3,0


Tabela 28. Distribuição das taxas de infecção em percentis em instituições de longa permanência e hospitais psiquiátricos. Estado de São Paulo, 2007.

Infecção sob vigilância

Densidade de incidência (por 1.000 pacientes-dia)

Percentil

10

25

50

75

90

Pneumonia

0,0

0,0

0,2

0,5

2,7

 

Escabiose

0,0

0,0

0,2

0,6

1,6

 

Gastroenterite

0,0

0,0

0,0

0,7

3,7

 

 

Discussão


A tendência de aumento da adesão ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, já observada nos anos anteriores 3, 4. 5, manteve-se em 2007.

A consolidação do Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo torna-se evidente com aumento do número de hospitais notificantes associado à maior regularidade de notificação dos dados.

Os dados de IH obtidos ao longo dos anos demonstram consistência dos indicadores de infecções relacionadas à assistência à saúde no Estado de São Paulo. A análise comparativa da mediana das taxas de infecções associadas a dispositivos invasivos em UTI Adulto no período de 2004 a 2007 mostra que não houve diferença estatisticamente significante nestas taxas.

Os microrganismos mais freqüentemente isolados em hemoculturas de pacientes com IH são semelhantes nas UTI Adulto e/ou Coronariana dos hospitais do município de São Paulo e do Interior do Estado.

A coleta de dados contínua e a análise das taxas de IH em instituições de longa permanência e hospitais psiquiátricos constituem atividades de grande importância para o Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo. Não há dados de literatura sobre taxas de IH para estas instituições coletadas de maneira contínua; apenas estudos desenvolvidos para períodos definidos de tempo e em amostras restritas de instituições6,7. Desse modo, há desconhecimento da importância das IH nestas instituições, que possuem 17.771 leitos cadastrados no CNES2 .

Conclusões

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) cabe às autoridades de saúde desenvolver um sistema para monitorizar infecções selecionadas8. O Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo vem cumprindo esta atribuição e se caracterizando como um sistema de vigilância inédito de base governamental.            

Referências bibliográficas

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde. Disponível em: fttp://cnes.datasus.gov.br [2006 jan].

  2. Brasil. Ministério da Saúde. Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde. Disponível em: http://cnes.datasus.gov.br [2007 jan].

  3. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Coordenadoria de Controle de Doenças. Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”. Divisão de Infecção Hospitalar. Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares no Estado de São Paulo – Dados 2004. BEPA. 2006; 3(3):1-121. Disponível em: ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/ih/ih_dados04.pdf.

  4. Assis DB, Madalosso G, Ferreira SA, Yassuda YY, Geremias AL. Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo – Análise dos Dados de 2005. BEPA. 2007;4(39):18-26. Disponível em: http://www.cve.saude.sp.gov.br/agencia/bepa39_ih.htm.

  5. Assis DB, Madalosso G, Ferreira SA, Geremias AL. Análise dos dados de infecção hospitalar do Estado de São Paulo – Ano 2006. BEPA. 2007;4(45):4-12. Disponível em: http://www.cve.saude.sp.gov.br/agencia/bepa45_infec.htm.

  6. Almeida RC, Pedroso ERP. Nosocomial Infection in Long-Term Care Facilities. A survey in a brazilian psychiatric hospital. Rev Inst Med Trop S Paulo. 1999; 41(6):365-370.

  7. Muller JP, Alix L, Castel O. Nosocomial infection in psychiatry: myth or reality…? Encephale. 1997;23(5):375-9.

  8. World Health Organization. Departament of Communicable Disease, Surveillance and Response. Prevention of Hospital Acquired Infections. A pratical guide. 2ª ed. Disponível em: www.who.org.


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Denise Brandão de Assis  
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