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A Secretaria de Estado da Saúde,
por meio do Centro de Vigilância Sanitária (CVS) – órgão da
Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) – criou o Programa
Paulista de Vigilância à Saúde do Trabalhador do Setor Canavieiro,
que fará intervenções nas condições de risco à saúde às quais
estes trabalhadores estão expostos.
Profissionais de vigilância em saúde,
municipais e estaduais, receberão capacitação teórica e prática
para fiscalizar não apenas as lavouras de cana-de-açúcar, mas também
usinas, destilarias e habitações coletivas. Até outubro serão
capacitados cerca de 250 técnicos sanitários para reforçar a
fiscalização por todo o Estado.
As duas primeiras turmas tiveram
treinamento em junho em Ribeirão Preto. Agora no segundo semestre
novas turmas serão capacitadas, começando pela região de Araçatuba,
seguida de Piracicaba e Marília. São cinco dias de curso, contemplando
visitas técnicas a usinas, lavouras e habitações coletivas de
cortadores de cana, oportunidade em que serão testados os instrumentos
de Vigilância em Saúde do Trabalhador (Visat) elaborados pelo grupo de
trabalho especialmente constituído para esse fim, como o manual de ações
para o setor canavieiro e os roteiros de inspeção sanitária.
Com o programa, técnicos da vigilância
sanitária verificarão se os trabalhadores estão submetidos a situações
de risco como, por exemplo, falta de guarda-corpo adequado nas usinas de
cana-de-açúcar e álcool; calor, ruído, ritmo de trabalho e esforço
físico intensos nas lavouras; moradias inadequadas (sem água, luz e
distribuição irregular entre cômodos); se há trabalho infantil. Serão
observadas se estão sendo cumpridas todas as condições previstas em
lei.
São Paulo é maior produtor de
cana do Brasil, com 175 usinas de açúcar e álcool distribuídas por
130 municípios de 13 Regiões de Saúde (Araçatuba, Araraquara,
Barretos, Bauru, Campinas, Franca, Marília, Piracicaba, Presidente
Prudente, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista, São José do Rio
Preto e Sorocaba). Segundo dados de sindicatos e entidades ligados à
categoria informados à SES-SP, entre 2004 e 2007 pelo menos 20 pessoas
tiveram morte relacionada ao trabalho manual de corte de cana. A maioria
dos trabalhadores do setor vem das regiões Norte e Nordeste do País
para trabalhar no corte da cana. Quando chegam às usinas, passam a
viver em alojamentos ou habitações coletivas.
O programa paulista de Visat do
setor canavieiro nasceu em função da relevância de se uniformizar os
procedimentos de vigilância sanitária nos ambientes laborais dentro de
uma visão maior de vigilância em saúde do trabalhador no Sistema Único
de Saúde (SUS) e considerando os seguintes aspectos:
- a responsabilidade sanitária sobre os riscos e
agravos à saúde do trabalhador do setor canavieiro;
- a responsabilidade sanitária sobre o meio
ambiente que afeta a saúde da população do entorno;
- a quantidade de trabalhadores expostos a riscos
decorrentes desses ambientes laborais (aproximadamente 450 mil
trabalhadores em 175 usinas de 130 municípios paulistas) e da
população exposta aos riscos ambientais decorrentes das atividades
do setor, em franca expansão;
- a crescente demanda de Visat no SUS-SP, em decorrência
dos agravos e óbitos de trabalhadores do setor canavieiro, pelo
Ministério Público do Trabalho/Procuradoria Regional do Trabalho,
Pastoral do Migrante, Ministério do Trabalho e Emprego/Delegacia
Regional do Trabalho e Ministério Público Federal/Procuradoria da
República do Estado de São Paulo, dentre outras instituições,
inclusive pela Assembléia Legislativa que em audiência pública,
realizada em 27de abril de 2006, cobrou ações de Visat no
SUS;
- o setor canavieiro foi priorizado enquanto objeto
de ação do SUS-SP no I Seminário Estadual de Implementação das
Resoluções da III Conferência Nacional e Estadual de Saúde do
Trabalhador, organizado pelo Conselho Estadual de Saúde/CIST –
Comissão Interinstitucional de Saúde do Trabalhador (Praia Grande,
5/9/06) e
- o setor canavieiro foi priorizado enquanto objeto
de ação de Visat pelo Fórum de Visat do Estado de São Paulo,
realizado em 2006, coordenado
pela DVST/CVS/CCD/SES-SP e que reúne as vigilâncias sanitárias e
epidemiológicas, os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador
e os Programas Saúde da Família estaduais e municipais, além dos
interlocutores de saúde do trabalhador das Regiões de Saúde, com
o objetivo de alavancar as ações de Visat no SUS.
Para atingir seu objetivo é
imprescindível o dimensionamento do universo do setor canavieiro, o
aprofundamento do conhecimento das condições de trabalho do setor, dos
agravos à saúde do trabalhador, da população do entorno e do meio
ambiente dele decorrentes; a elaboração de um manual de procedimentos
de Visat para subsidiar as ações; e a capacitação das equipes de
vigilância em saúde para o desenvolvimento das ações. Tudo isto, com
avaliação contínua do impacto dessas ações pelo grupo de trabalho
especialmente constituído para o desenvolvimento desse programa no
SUS-SP.
A vigilância em saúde do
trabalhador no SUS “compõe um conjunto de práticas sanitárias,
articuladas supra-setorialmente, cuja especificidade está centrada na
relação da saúde com o ambiente e os processos de trabalho e nesta
com a assistência, calcada nos princípios da vigilância em saúde,
para a melhoria das condições de vida e saúde da população” (Port.MS/GM
3120/98).
Para avaliar o andamento do
Programa Paulista de Vigilância à Saúde do Trabalhador do Setor
Canavieiro, a Divisão de Vigilância à Saúde do Trabalhador do Centro
de Vigilância Sanitária do Estado, organizou, no dia 16 de agosto último,
uma oficina que reuniu os técnicos até o momento capacitados das vigilâncias
sanitária e epidemiológica das esferas estadual e municipal e de
Centros de Referência em Saúde do Trabalhador. Além delas,
participaram outras instâncias da SES-SP que tratam de questões
relacionadas à saúde do trabalhador, como o Grupo Técnico de Ações
Estratégicas (GTAE), o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador
do Estado de São Paulo (Cerest-SP), o Instituto Adolfo Lutz (IAL), o
Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE)
e a Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador do Conselho
Estadual de Saúde (CIST/CES-SP).
Dentre as questões mais debatidas,
encontram-se aquelas relacionadas ao estabelecimento de nexo entre o
trabalho e a morte por exaustão dos cortadores de cana, motivos pelos
quais os participantes dessa oficina reputam da maior relevância aprofundar conhecimentos clínico-epidemiológicos, inclusive com a
participação de outros setores preocupados com a questão, como, por
exemplo, a universidade.
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