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Resumo
Desde
sua implantação, em 2004, o Sistema de Vigilância Epidemiológica
das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo vem produzindo
dados inéditos de infecção hospitalar (IH) e subsidiando ações
específicas para prevenção e controle de IH no Estado. A adesão de
hospitais ao sistema de notificação e a regularidade de envio dos
dados são crescentes. Os indicadores epidemiológicos avaliados
apresentaram pouca variação ao longo dos anos, sugerindo consistência
dos dados enviados. Importantes objetivos do Sistema de Vigilância
Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo
foram atingidos: adesão e consistência dos dados. O próximo desafio
é estimular a análise dos dados pelos interlocutores regionais e
municipais de IH. Desse modo, as ações de prevenção e controle de IH
podem ser desenvolvidas com melhor oportunidade e de acordo com as
realidades locais.
Palavras-chave:
sistemas de vigilância;
vigilância epidemiológica; infecção hospitalar.
Abstract
Since the start, in 2004, the epidemiological surveillance
system for Hospital Infections in the State of São Paulo has produced
original data on hospital infection (IH) and assisting specific actions
designed for prevention and control of IH in the State. Hospital
adhesion to the reporting system and regularity in data input are
increasing. Epidemiologic indicators evaluated presented small
variations during these years, suggesting the consistency of presented
data. Some of the major objectives of the Epidemiologic System for the
Surveillance of Hospital Infections in the State of São Paulo were
achieved: adhesion and data consistency. The next challenge is to
stimulate data analysis by regional and municipal representatives
designed for IH. Therefore, actions of prevention and control on IH may
be developed at proper occasion and according to local realities.
Key
words: surveillance systems;
nosocomial infection; surveillance system.
Introdução
Desde sua implantação, em 2004, o Sistema de Vigilância Epidemiológica
das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo vem produzindo
dados inéditos de infecção hospitalar (IH) e subsidiando ações
específicas para prevenção e controle de IH no Estado.
As taxas de IH de 2006 dos
hospitais gerais notificantes ao sistema foram analisadas por meio de
dados agregados do período para infecções em cirurgia limpa e em
Unidades de Terapia Intensiva Adulto, Coronariana, Pediátrica e
Neonatal, sendo comparados com os dados dos anos de 2004 e 2005.
Métodos
A
notificação das taxas de IH pelos hospitais do Estado continua sendo
realizada por meio de planilhas preenchidas de acordo com a complexidade
dos hospitais, encaminhadas mensalmente por via eletrônica para a Divisão
de Infecção Hospitalar do Centro de Vigilância Epidemiológica
“Prof. Alexandre Vranjac” (CVE) – órgão da Coordenadoria de
Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (CCD/SES-SP).
As planilhas 1, 2, 3 e 5 foram
preenchidas pelos hospitais gerais e a planilha 4 pelos especializados
(psiquiátrico e de longa permanência).
Os indicadores epidemiológicos
selecionados para hospitais gerais foram: taxa de infecção em
cirurgias limpas; densidade de incidência de pneumonia associada à
ventilação mecânica (VM), infecção de corrente sanguínea associada
a cateter central (CVC) e infecção urinária associada à sonda
vesical (SVD) e taxas de utilização destes dispositivos invasivos (DI)
em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto, Pediátrica e Coronariana;
densidade de incidência de pneumonia associada à VM, infecção de
corrente sanguínea associada a CVC e taxas de utilização de DI em
UTI Neonatal, em cada faixa de peso.
Os dados foram consolidados e
analisados por meio do programa Excel, base das planilhas. Os
indicadores foram analisados utilizando-se os dados agregados do período,
isto é, a soma do número de IH no período, dividida pela soma dos
denominadores (número de cirurgias limpas, pacientes-dia, dispositivos
invasivos-dia) no período, para cada indicador, multiplicada por 1.000,
no caso das infecções em UTI e hospitais especializados, ou
multiplicados por 100, no caso das infecções de sítio cirúrgico (ISC).
As taxas de IH dos hospitais gerais notificantes foram distribuídas em
percentis (10, 25, 50, 75 e 90).
Com o objetivo de evitar a inclusão
de hospitais com denominador extremamente pequeno para o período
(janeiro a dezembro de 2006), foram excluídos das análises os
hospitais que notificaram menos de 250 cirurgias limpas, hospitais com
menos de 500 pacientes-dia em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana e
hospitais com menos de 50 pacientes-dia, para cada faixa de peso, em UTI
Neonatal. Para a planilha 5, que solicita a notificação dos
microrganismos isolados em hemoculturas, não foi utilizado critério de
exclusão por tratar-se de uma análise qualitativa.
As taxas de IH foram distribuídas
segundo as Direções Regionais de Saúde (DIR), 1 a 24, divisão
administrativa vigente no Estado de São Paulo até o final de 2006 –
hoje chamados Departamentos Regionais de Saúde (DRS), no total de 17.
Além disso, foram realizadas comparações dos dados agregados em UTI
Adulto dos hospitais notificantes do município de São Paulo e do
interior do Estado e dos hospitais com taxas de utilização de
dispositivos invasivos (VM, CVC e SVD) maior do que 50% com aqueles com
utilização de dispositivos invasivos inferior a 50%. Os dados
agregados dos anos de 2004, 2005 e 2006 foram comparados utilizando o
teste do qui-quadrado de tendência.
Resultados
1.
Adesão
ao Sistema
A
adesão ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado
de São Paulo é crescente. A média e a mediana de hospitais
notificantes por mês em 2006 foram 464 e 471 hospitais, respectivamente
(variação: 389-516 hospitais) (Figura 1).

Figura1. Número de hospitais notificantes
ao Sistema de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo por
mês – 2004, 2005 e 2006.
A Tabela 1 mostra a
taxa de resposta, segundo DIR, baseada no número de hospitais
cadastrados no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES)1.
Tabela
1. Distribuição do número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância
das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo e taxa de
resposta segundo Direção Regional de Saúde (DIR) e cadastro no CNES
– 2004, 2005 e 2006.

2.
Infecções cirúrgicas
Como observado nos
anos anteriores, a maioria dos hospitais notificantes, 83,7%
(457/546), enviou dados de infecção cirúrgica por meio da planilha
1.
Tabela 2. Distribuição do número de hospitais notificantes
ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São
Paulo que enviaram planilha 1 e realizam vigilância pós-alta,
segundo DIR, 2006.

No período foram
notificadas 520.385 cirurgias limpas. As Figuras 2 e 3 mostram o número
de cirurgia limpas notificadas e de hospitais notificantes segundo
especialidade cirúrgica.

Figura 2. Distribuição do número de cirurgias limpas
notificadas ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções
Hospitalares do Estado de São Paulo por especialidade cirúrgica, ano
2006.

Figura 3. Distribuição do número de hospitais notificantes
ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares
do Estado de São Paulo por especialidade cirúrgica, ano 2006.
Na análise das taxas
de infecção cirúrgica foram incluídos 326 hospitais
que notificaram mais de 250 cirurgias limpas no período. As
Tabelas 3 e 4 apresentam a distribuição das taxas de infecção cirúrgica
global e por especialidade cirúrgica em percentis. Para algumas
Regionais não foi realizada a distribuição de taxas em percentis,
uma vez que possuíam menos de dez hospitais com o critério de inclusão
adotado para análise. Entretanto, os dados referentes a estas
Regionais foram utilizados na análise de percentis do Estado.
Tabela 3. Distribuição das taxas de infecção cirúrgica em
percentis dos hospitais que notificaram mais de 250 cirurgias limpas
ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares
do Estado de São Paulo, segundo DIR, ano 2006.

Tabela 4. Distribuição das taxas de infecção cirúrgica por
especialidade cirúrgica em percentis dos hospitais que notificaram
mais de 250 cirurgias limpas ao Sistema de Vigilância Epidemiológica
das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo DIR, ano
2006.

3. Infecções em UTI
Em todo o Estado, 284 hospitais enviaram dados de
infecção em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana, correspondendo a
52,0% do total de hospitais notificantes em 2006. As Tabelas 5 e 6
mostram o número de hospitais que enviaram planilha 2 e o número de
hospitais que enviaram dados de infecção em UTI Adulto, Pediátrica e
Coronariana por DIR.
Tabela 5: Distribuição do número de hospitais que enviaram
planilha 2 ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções
Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo DIR, ano 2006.

Tabela 6. Distribuição do número de hospitais que enviaram
planilha 2 ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções
Hospitalares do Estado de São Paulo por tipo de UTI, segundo DIR, ano
2006.

O
número de hospitais que enviaram planilha 2 foi maior em 2006 quando
comparado aos anos de 2004 e 2005, 206 e 275 hospitais, respectivamente.
Além disso, o número de hospitais incluídos na análise das taxas
também foi maior em 2006. Foram incluídos na análise das taxas de
infecção em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana, 241 (83,3%), 85
(80,2%) e 27 (90,0%) hospitais, respectivamente, segundo critério
adotado para análise.
Em
UTI Adulto a média de pacientes-dia foi de 3.436 pacientes-dia e
mediana de 2.539 pacientes-dia (variação: 516 a 54.980 pacientes-dia)
no período. Já em UTI Pediátrica a média foi de 1.497 pacientes-dia
e a mediana foi de 1.242 pacientes-dia (variação: 502 a 4.875
pacientes-dia). Finalmente, em UTI Coronariana a média foi de 2.298
pacientes-dia e a mediana 2.217 pacientes-dia (variação: 826 a 5.968
pacientes-dia).
As Tabelas 7, 8 e 9 apresentam a distribuição
das taxas de infecção em percentis em UTI Adulto, Pediátrica e
Coronariana e as Tabelas 10, 11 e 12, as taxas de utilização de
dispositivos invasivos em percentis para estas unidades.
Tabela 7. Distribuição das taxas de infecção associadas a
dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Adulto. Estado de São
Paulo, 2006.

Tabela 8. Distribuição das taxas de infecção associadas a
dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Pediátrica. Estado de São
Paulo, 2006.

Tabela 9. Distribuição das taxas de infecção associadas a
dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Coronariana. Estado de São
Paulo, 2006.

Tabela 10. Distribuição das taxas de utilização de
dispositivos invasivos em percentis em UTI Adulto. Estado de São
Paulo, 2006.

Tabela 11. Distribuição das taxas de utilização de
dispositivos invasivos em percentis em UTI Pediátrica. Estado de São
Paulo, 2006.

Tabela 12. Distribuição das taxas de utilização de
dispositivos invasivos em percentis em UTI Coronariana. Estado de São
Paulo, 2006.

Foram calculadas as
taxas de infecção em UTI Adulto segundo a taxa de utilização de
dispositivos invasivos (>50%) e localização geográfica
(hospitais do município de São Paulo e interior do Estado) no ano de
2006 (Tabelas 13, 14 e 15).
Tabela 13. Distribuição das taxas de infecção associadas a
dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Adulto, segundo taxa de
utilização (>50%). Estado de São Paulo, 2006.

Tabela 14. Distribuição das taxas de infecção associadas a
dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Adulto com mais de 500
pacientes-dia dos hospitais do município de São Paulo. Estado de São
Paulo, 2006.

Tabela 15. Distribuição das taxas de infecção associadas a
dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Adulto com mais de 500
pacientes-dia dos hospitais do interior. Estado de São Paulo, 2006.

Além disso, foram
comparadas as taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos
em UTI Adulto dos anos de 2004, 2005 e 2006 (Figura 4). Não houve
diferença estatisticamente significante para a mediana (percentil 50)
nos anos avaliados (p>0,05).

Figura
4.
Densidade de
infecção hospitalar
relacionada ao uso de dispositivos invasivos. Análise comparativa das medianas das taxas. 2004, 2005, 2006.
4. Infecções em UTI Neonatal
O número de hospitais que enviou
planilha 3 foi de 137, o que corresponde a 25,1% do total de hospitais
notificantes ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do
Estado de São Paulo (Tabela 16).
Tabela 16.
Distribuição do número de hospitais que enviaram
planilha 3 ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções
Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo DIR, ano 2006.

De acordo com o critério
adotado para análise dos dados para este tipo de unidade, 123 hospitais
foram incluídos para cálculo das taxas de IH por faixa de peso. É
importante destacar que um mesmo hospital pode ter sido incluído na análise
de taxas de mais de uma faixa de peso. A Tabela 17 apresenta a distribuição
do número de hospitais notificantes da planilha 3, incluídos na análise,
por faixa de peso.
Tabela 17.
Distribuição do número de hospitais que enviaram
planilha 3 ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções
Hospitalares do Estado de São Paulo com mais de 50 pacientes-dia por
faixa de peso, segundo DIR, ano 2006.

Nas Tabelas 18 e 19 são
apresentadas as densidades de incidência de infecção associadas a
dispositivos invasivos, distribuídas em percentis, por faixa de peso em
UTI Neonatal. As Tabelas 20 e 21 apresentam a distribuição das taxas
de utilização de dispositivos invasivos em percentis por faixa de
peso.
Tabela 18. Distribuição das taxas de pneumonia associada à
ventilação mecânica em percentis em UTI Neonatal, segundo faixa de
peso. Estado de São Paulo, 2006.

Tabela 19.
Distribuição das taxas de infecção de corrente
sanguínea associada a cateter central, em percentis, em UTI Neonatal,
segundo faixa de peso. Estado de São Paulo, 2006.

Tabela 20.
Distribuição das taxas de utilização de ventilação
mecânica, em percentis, em UTI Neonatal, segundo faixa de peso.
Estado de São Paulo, 2006.

Tabela 21. Distribuição das taxas de utilização de cateter
central, em percentis, em UTI Neonatal, segundo faixa de peso. Estado
de São Paulo, 2006.

5. Hemocultura
No período, foram colhidas 60.615
amostras de hemoculturas pelos hospitais notificantes com UTI Adulto e
Coronariana. Foram notificados 8.428 pacientes com IH e hemocultura
positiva. Novamente, os microrganismos mais freqüentemente isolados em
pacientes com IH foram Staphylococcus
epidermidis e outros Staphylococcus
coagulase negativa.
A
Tabela 22 apresenta a distribuição percentual dos microrganismos
isolados em hemoculturas e a Tabela 23, o perfil de resistência dos
microrganismos.
Tabela
22.
Distribuição de pacientes com IH e hemocultura positiva (número e
porcentagem), segundo microrganismo isolado. Estado de São Paulo,
2006.

Total de culturas colhidas = 60.615
Tabela 23.
Distribuição do perfil de resistência dos
microrganismos isolados em hemocultura de pacientes com IH. Estado de
São Paulo, 2006.

Discussão
A tendência de aumento da adesão
do número de hospitais notificantes e a regularidade de envio dos dados
ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares
do Estado de São Paulo foram mantidas, como já havia sido observado no
ano de 20052.
Como já verificado em 2004 e 2005,
a maioria dos hospitais do Estado realiza procedimentos cirúrgicos
(83,7%). A mediana das taxas de infecção cirúrgica mantém-se abaixo
do esperado, sugerindo subnotificação3 e, novamente, taxas
de infecção de sítio cirúrgico foram mais elevadas em cirurgia cardíaca.
A comparação da mediana das taxas
de pneumonia, infecção de corrente sanguínea e infecção de trato
urinário associadas a dispositivos invasivos em UTI Adulto nos anos de
2004, 2005 e 2006 não mostrou diferença estatisticamente significante,
sugerindo consistência dos dados enviados ao Sistema de Vigilância de
IH do Estado de São Paulo.
Os microrganismos mais freqüentemente
isolados em hemoculturas de pacientes com IH foram Staphylococcus
epidermidis e outros Staphylococcus
coagulase negativa (29,71%), outros microrganismos (18,01%) e S.
aureus resistente à oxacilina (10,36%). É importante destacar que
houve isolamento de Cândida spp em maior número de pacientes com IH,
quando comparada às enterobactérias e outras bactérias Gram
negativas. Esta tendência de distribuição de microrganismos em
pacientes com IH vem sendo observada desde a implantação do Sistema de
Vigilância4.
Conclusões
Importantes objetivos do Sistema de
Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São
Paulo foram atingidos: adesão e consistência dos dados.
O próximo desafio é estimular a
análise dos dados pelos interlocutores regionais e municipais de IH.
Desse modo, as ações de prevenção e controle de IH podem ser
desenvolvidas com melhor oportunidade e de acordo com as realidades
locais.
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