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A rubéola é uma doença exantemática de etiologia
viral. Muitos casos ocorrem de forma subclínica ou assintomática.
Geralmente benigna, a infecção pelo vírus da rubéola durante a gestação
representa um importante problema em saúde pública pelo risco de ocorrência
da síndrome da rubéola congênita, que acarreta sérias complicações
para a mãe (aborto, natimorto), infecção crônica do feto e malformações
congênitas na criança.
A
vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola)
é medida de prevenção eficaz contra a doença. No calendário de
vacinação de rotina, a primeira dose deve ser administrada a toda
criança de 1 ano de idade e uma segunda dose àquelas de 4 a 6 anos.
A Figura 1 mostra a série histórica dos casos confirmados (laboratório/vínculo)
e coeficiente de incidência (por 100.000 habitantes) de rubéola no
Estado de São Paulo, no período de 2000 a 2007.

Fonte: IAL/Sinan/D.D.T. Respiratória/CVE (9/8/07)
Figura
1. Rubéola: casos confirmados e coeficientes de
incidência (por 100.000 hab.). Estado de São Paulo, 1992 a 2007.
Em 27/7/07, o
Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância
em Saúde do Ministério da Saúde (DVE/SVS/MS) emitiu nota de alerta
para a ocorrência de surtos importantes de rubéola em vários Estados
das regiões Sudeste, Sul e Nordeste, como ilustra a Figura 2.

Figura 2. Casos confirmados rubéola por semana epidemiológica,
2006-2007, Brasil (http://www.paho.org/).
Iniciados em 2006, os surtos continuam em
2007 no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, em 2006, houve a confirmação de
1.001 casos (51,5% notificados como suspeitos), distribuídos por 35
municípios, mas com maior concentração na Capital fluminense (71%). A
faixa etária mais acometida foi a de 20 a 29 anos, sendo o sexo
masculino responsável por 66% dos casos confirmados.
Até a semana 24 de 2007, foram notificados 2.114
casos suspeitos de rubéola no Estado, 1.051 (49,7%) foram
confirmados, com ocorrência ampliada em mais 15 municípios, atingindo
predominantemente o sexo masculino (66% – 641 casos), na faixa etária
de 20 a 29 anos (53% – 513 casos).
O genótipo viral diagnosticado foi o 2B, cuja
circulação não era observada no Brasil até o momento.
Minas Gerais
Em 2006, Minas Gerais notificou 3.668 casos
suspeitos de rubéola, com confirmação de 374 casos (10%). O início
do surto ocorreu em Belo Horizonte, onde foram confirmados 262 (70%)
casos durante o ano. Os outros 112 (30%) ocorreram em 53 municípios, incluindo a
Grande Belo Horizonte. Controlado
o surto na Capital e na Região Metropolitana no final de 2006, a partir
de janeiro de 2007 novo surto foi identificado nos municípios limítrofes
com o Rio de Janeiro (Bom Jardim de Minas, Santana do Garambéu, Juiz de
Fora e Pouso Alegre), sendo confirmados 59 casos. O sorotipo viral
identificado foi o
2B, o
mesmo que circulou no Rio de Janeiro. A distribuição dos casos por
sexo e faixa etária foi semelhante a do Estado fluminense, com predomínio
de acometimento em homens (74% – 277) dos casos confirmados (374), na
faixa etária de 20 a 29 anos de idade (65% – 224).
Outros Estados
No Distrito Federal, 18 casos foram confirmados até a
semana 24/2007. No Ceará, 30 casos foram confirmados na Região
Metropolitana (Fortaleza, Caucaia, Maracanaú e Horizonte). No Espírito
Santo, 14 casos foram confirmados na Grande Vitória (Capital, Serra,
Cariacica, Vila Velha e Guarapari) e Interior do Estado (Santa Tereza,
Piuma e Muqui). No Rio Grande do Sul, na região
de Pelotas, foram confirmados 47 casos de rubéola
até o momento.
São Paulo
Desde novembro de 2006, um aumento no número de casos
de rubéola também é verificado no Estado, com casos
isolados; a maioria deles está
concentrada
na Grande São Paulo, predominantemente na Capital, acometendo faixa etária,
sexo e situação vacinal semelhantes às citadas anteriormente.
Até a semana epidemiológica 31/2007, São Paulo
contabilizava 108 casos confirmados de rubéola em 2007 (Figura 3).

Fonte: DDTR/Sinannet/IAL
Figura
3. Casos
confirmados de rubéola por semana epidemiológica, 2006-2007.
Estado de São Paulo.
Em
julho de 2007, houve notificação de surto da doença em trabalhadores
de um canteiro de obras em refinaria de petróleo no município de São
José dos Campos, com investigação ainda em andamento. Informações
preliminares reportam 16 casos com sorologia reagente para a rubéola, em
homens de 19 a 44 anos, não-vacinados.
A vacina tríplice viral é utilizada, rotineiramente,
em todo Estado de São Paulo desde 1992 e uma campanha de vacinação de
mulheres em idade fértil foi conduzida em 2001. Em 2004, foi
incorporada a segunda dose desta vacina ao calendário de rotina de
crianças de 4 aos 6 anos. O acúmulo de coortes de indivíduos não-vacinados
ao longo do tempo permite a circulação do vírus da rubéola no País,
o que vem contribuindo para a ocorrência de surtos da doença,
sobretudo a partir de 2006.
Em
situações de surto de rubéola existe um risco aumentado de ocorrência
da síndrome da rubéola congênita (SRC) em recém-nascidos de mulheres
expostas ao vírus durante o período gestacional. Evidências recentes
de surtos ocorridos no Brasil demonstram um risco de até 4,3 casos de
SRC por 1.000 nascidos vivos.
Além
da vacinação de rotina, a detecção precoce de casos suspeitos para a
imediata ação de bloqueio vacinal das pessoas suscetíveis constitui
medida eficaz de controle da doença.
A definição de caso suspeito de rubéola é:
“Toda pessoa que apresente febre e exantema acompanhados de
linfoadenopatia retroauricular e/ou occipital e/ou cervical,
independente da idade e situação vacinal.”
Recomenda-se
às GVEs Regionais, principalmente as que estão na fronteira com os dois Estados (MG, RJ), especial atenção aos casos suspeitos de doença
exantemática, frente a esta situação de alerta, intensificando as medidas de prevenção e controle (vacinação
de rotina, vacinação de bloqueio, vacinação dos grupos de risco,
busca de faltosos etc.). Esses casos
devem ser imediatamente investigados para verificar se são suspeitos de
rubéola e/ou de sarampo. Caso sejam detectados casos suspeitos, as
Secretarias Municipais de Saúde devem:
-
proceder à notificação imediata por telefone à Secretaria de
Estado da Saúde;
-
realizar a coleta de espécimes clínicos (sangue) para a
realização do diagnóstico laboratorial e
-
adotar as
medidas de controle (bloqueio vacinal seletivo).
ATENÇÃO:
Notifique caso suspeito e/ou surto
de rubéola à:
-
Secretaria Municipal de Saúde ou
-
Central de Vigilância/CVE/CCD/SES-SP pelo telefone 08000-555466
(24 horas).
Informações adicionais, consulte
o site: http://www.cve.saude.sp.gov.br.
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