Publicação Mensal sobre Agravos à Saúde Pública ISSN 1806-4272

Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE)
Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD)

Secretaria de Estado da Saúde de  São Paulo (SES-SP)


Justificativa

Em nosso País, os inquéritos de base populacional, metodologicamente adequados para o estudo da prevalência das hepatites virais A, B e C, são escassos e limitados a áreas geográficas específicas. Outros trabalhos foram realizados em populações restritas, como a de doadores de sangue e a de hemodialisados.

A obtenção de dados sobre a prevalência das hepatites A, B e C nas diferentes regiões do Brasil é necessária para que se identifique a magnitude do problema, possibilitando o adequado planejamento das ações de saúde e visando a prevenção e o controle destes agravos.

Assim sendo, o Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Hepatites Virais, propôs a realização do estudo de prevalência de base populacional das infecções pelos vírus das hepatites A, B e C nas capitais do Brasil, com a coordenação da Universidade  Estadual de Pernambuco (UPE).

Objetivos gerais

Estimar a prevalência das infecções virais A, B e C, por meio de marcadores virais, para o conjunto das capitais em cada macrorregião e no Distrito Federal, compreendendo as faixas etárias de 5 a 19 anos para o vírus da hepatite A (HAV), e de 10 a 69 anos para o vírus da hepatite B (HBV) e vírus da hepatite C (HCV), segundo variáveis biológicas, socioeconômicas e epidemiológicas; identificar grupos de riscos segundo variáveis biológicas, socioeconômicas e epidemiológicas.

Desenho do estudo

O desenho do estudo é o transversal analítico e de caso-controle. No corte transversal será estimada a soroprevalência de um ou mais marcadores para as hepatites virais A, B e C. No estudo caso-controle serão identificadas as associações entre possíveis fatores de risco e a ocorrência de marcadores virais na população estudada.

Aspectos éticos

De acordo com a resolução 196/96 de 10/10/2006,  do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde (CNS/MS), este projeto foi submetido à apreciação do Comitê de Ética da Universidade de Pernambuco e todos os indivíduos do estudo são informados dos objetivos da pesquisa, sendo solicitada autorização por escrito de cada participante.

Trabalho de campo

No Estado de São Paulo este estudo tem a coordenação da Universidade de São Paulo (Faculdade de Saúde Pública e Hospital das Clínicas – FSP/HC/USP), com a participação efetiva do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e do Instituto Adolfo Lutz (IAL) – órgãos da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) – e do Centro de Prevenção e Controle de Doenças da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (CCD/SMS-SP). No município de São Paulo, as equipes de pesquisadores iniciaram os trabalhos de campo no dia 15 de junho de 2007, entrevistando pessoas anteriormente sorteadas e coletando sangue, após autorização escrita.

A escolha dos domicílios foi feita por sorteio, com base nos dados do último Censo realizado no Brasil, no ano 2000, sendo que serão visitados 3.299 domicílios localizados em diversos bairros da Capital paulista. Cada equipe, formada por um entrevistador e um coletador (auxiliar de enfermagem com experiência), trabalha uniformizada com jaleco branco com a identificação do estudo e porta um crachá do projeto com foto, nome e logotipo do governo federal e da USP. Todo material utilizado para a coleta de sangue é descartável . 

O exames são processados pelo Instituto Adolfo Lutz e os resultados serão comunicados aos entrevistados (por carta ou pessoalmente); se houver necessidade de acompanhamento este será realizado pela Clínica de Gastroenterologia do HC.

Até o presente momento foram visitados 1.042 (31,6%) dos domicílios sorteados para este estudo, sendo que foram entrevistados cerca de 1/3 da amostra dos indivíduos de 5 a 9 anos (sorologia para a hepatite A) e dos indivíduos de 20 a 69 anos (sorologia para hepatites B e C). A proporção de entrevistas foi menor para os indivíduos de 10 a 19 anos (sorologia para as hepatites A, B e C), devendo esta informação ser mais bem analisada para se verificar a necessidade de uma subamostra para esta faixa etária.

A receptividade por parte da população tem sido  boa, principalmente após a divulgação deste trabalho na imprensa (escrita e falada), com exceção de algumas áreas do município como Alto da Lapa, Itaim Bibi, Pinheiros e Moema, além de alguns condomínios fechados nos quais as equipes encontraram certa resistência. A participação dos técnicos da Central de Vigilância Epidemiológica do CVE (0800-555466) tem sido de grande importância para o esclarecimento dos residentes das casas sorteadas, o que contribui para diminuir o número de recusas.

Espera-se que em outubro de 2007 o trabalho de campo esteja encerrado no município de São Paulo e que os resultados possam embasar as atividades de prevenção e de controle das hepatites virais em nosso meio.


Correspondência/Correspondence to:
Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE)
Av. Dr.Arnaldo, 351 – 6º andar
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Tel.: 3066-8640

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