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Justificativa
Em nosso País, os inquéritos de
base populacional, metodologicamente adequados para o estudo da prevalência
das hepatites virais A, B e C, são escassos e limitados a áreas geográficas
específicas. Outros trabalhos foram realizados em populações
restritas, como a de doadores de sangue e a de hemodialisados.
A obtenção de dados sobre a
prevalência das hepatites A, B e C nas diferentes regiões do Brasil é
necessária para que se identifique a magnitude do problema,
possibilitando o adequado planejamento das ações de saúde e visando a
prevenção e o controle destes agravos.
Assim sendo, o Ministério da Saúde, por meio do
Programa Nacional de Hepatites Virais, propôs a realização do estudo
de prevalência de base populacional das infecções pelos vírus das
hepatites A, B e C nas capitais do Brasil, com a coordenação da
Universidade Estadual de
Pernambuco (UPE).
Objetivos gerais
Estimar a prevalência
das infecções virais A, B e C, por meio de marcadores virais, para o
conjunto das capitais em cada macrorregião e no Distrito Federal,
compreendendo as faixas etárias de 5 a 19 anos para o vírus da
hepatite A (HAV), e de 10 a 69 anos para o vírus da hepatite B (HBV) e
vírus da hepatite C (HCV), segundo variáveis biológicas, socioeconômicas
e epidemiológicas; identificar grupos de riscos segundo variáveis biológicas,
socioeconômicas e epidemiológicas.
Desenho do estudo
O desenho do estudo é
o transversal analítico e de caso-controle. No corte transversal será
estimada a soroprevalência de um ou mais marcadores para as hepatites
virais A, B e C. No estudo caso-controle
serão identificadas as associações entre possíveis fatores de
risco e a ocorrência de marcadores virais na população estudada.
Aspectos éticos
De acordo com a resolução
196/96 de 10/10/2006, do
Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde (CNS/MS), este
projeto foi submetido à apreciação do Comitê de Ética da
Universidade de Pernambuco e todos os indivíduos do estudo são
informados dos objetivos da pesquisa, sendo solicitada autorização por
escrito de cada participante.
Trabalho de campo
No Estado de São Paulo este estudo
tem a coordenação da Universidade de São Paulo (Faculdade de Saúde Pública
e Hospital das Clínicas – FSP/HC/USP), com a participação efetiva do Centro de
Vigilância Epidemiológica (CVE) e do Instituto Adolfo Lutz (IAL) – órgãos
da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), da Secretaria de Estado
da Saúde (SES-SP) – e do Centro de Prevenção e Controle de Doenças da
Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (CCD/SMS-SP). No município
de São Paulo, as equipes de pesquisadores iniciaram os trabalhos de
campo no dia 15 de junho de 2007, entrevistando pessoas
anteriormente sorteadas e coletando sangue, após autorização escrita.
A escolha dos domicílios foi feita
por sorteio, com base nos dados do último Censo realizado no Brasil, no
ano 2000, sendo que serão visitados 3.299 domicílios localizados em
diversos bairros da Capital paulista. Cada equipe, formada por um
entrevistador e um coletador (auxiliar de enfermagem com experiência),
trabalha uniformizada com jaleco branco com a identificação do estudo
e porta um crachá do projeto com foto, nome e logotipo do governo
federal e da USP. Todo material utilizado
para a coleta de sangue é descartável .
O exames são processados pelo
Instituto Adolfo Lutz e os
resultados serão comunicados aos entrevistados (por carta ou
pessoalmente); se houver necessidade de acompanhamento este será
realizado pela Clínica de Gastroenterologia do HC.
Até o presente momento foram
visitados 1.042 (31,6%) dos domicílios sorteados para este estudo, sendo
que foram entrevistados cerca de 1/3 da amostra dos indivíduos de 5 a 9
anos (sorologia para a hepatite A) e dos indivíduos de 20 a 69 anos
(sorologia para hepatites B e C). A proporção de entrevistas foi menor
para os indivíduos de 10 a 19 anos (sorologia para as hepatites A, B e
C), devendo esta informação ser mais bem analisada para se
verificar a necessidade de uma subamostra para esta faixa etária.
A receptividade por parte da população
tem sido boa,
principalmente após a divulgação deste trabalho na imprensa (escrita
e falada), com exceção de algumas áreas do município como Alto da
Lapa, Itaim Bibi, Pinheiros e Moema, além de alguns condomínios
fechados nos quais as equipes encontraram certa resistência. A participação
dos técnicos da Central de Vigilância Epidemiológica do CVE
(0800-555466) tem sido de grande importância para o esclarecimento dos
residentes das casas sorteadas, o que contribui para diminuir o número
de recusas.
Espera-se que em outubro de 2007 o trabalho de
campo esteja encerrado no município de São Paulo e que os resultados
possam embasar as atividades de prevenção e de controle das hepatites
virais em nosso meio.
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