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Introdução
A Divisão de Doenças e Agravos Não-transmissíveis
(DDAnT), do Centro de Vigilância Epidemiológica "Prof. Alexandre
Vranjac" (CVE) – órgão da Coordenadoria de Controle de Doenças,
da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (CCD/SES-SP) –, está
criando um Comitê Estadual para a Promoção da Alimentação Saudável
para Prevenção de Doenças Crônicas Não-transmissíveis (DCNT) no
Estado de São Paulo.
Justificativa
A alimentação tem papel
determinante e bem estabelecido nas doenças crônicas não-transmissíveis
(DCNT). É considerada como um dos fatores modificáveis mais
importantes para o aumento de risco de DCNT, devendo ser incluída entre
as ações prioritárias da saúde pública1,2,3.
A epidemiologia nutricional tem
mostrado uma forte associação entre alguns padrões de consumo
alimentar e a ocorrência de DCNT. Uma alimentação inadequada, rica em
gorduras, com alimentos altamente refinados e processados, e pobre em
frutas, legumes e verduras, está associada ao aparecimento de diversas
doenças como aterosclerose, hipercolesterolemia, hipertensão arterial,
doença isquêmica do coração, diabetes mellitus e câncer1,2,3.
Pesquisas diversas demonstram que
frutas, vegetais, cereais integrais e seus derivados desempenham papel
protetor no surgimento destas mesmas doenças. De acordo com o Fundo
Mundial para a Pesquisa do Câncer (WCRF), uma dieta com uma grande
quantidade e variedade de frutas, legumes e verduras pode prevenir 20%
ou mais dos casos de câncer4. O Relatório Mundial sobre Saúde
– 2002 da OMS1 estima que o baixo consumo desses alimentos
está associado a cerca de 31% das doenças isquêmicas do coração e
11% dos casos de derrame no mundo. Acredita-se que a redução no risco
de desenvolvimento de doenças cardiovasculares se dá pela combinação
de micronutrientes, antioxidantes, substâncias fitoquímicas e fibras
presentes nestes alimentos5.
Nas últimas décadas, vários países
em desenvolvimento, incluindo o Brasil, vêm passando por uma transição
nutricional. O padrão alimentar brasileiro, baseado no consumo de
cereais, feijões, raízes e tubérculos, vem sendo substituído por uma
alimentação mais rica em gorduras e açúcares6. Essas
mudanças nos padrões de consumo têm colocado a população brasileira
em maior risco para doenças crônicas.
Para prevenção de DCNT, a OMS,
bem como outras agências internacionais, recomendam uma alimentação
com baixo teor de gordura e colesterol e rica em fibras, frutas, legumes
e verduras, associada à prática de atividade física, entre outros
fatores2,7.
Especificamente para o consumo de
frutas, legumes e verduras, a OMS recomenda um consumo mínimo diário
de 400g ou cinco porções de 80g cada uma8,2,9.
A efetividade das ações de promoção da
alimentação saudável somente será alcançada por meio de articulação
inter-setorial, envolvendo as instituições que já vêm desenvolvendo
ações nesse sentido.
Objetivos
O Comitê terá como objetivos:
·
promover a articulação intra e inter-setorial visando à promoção da alimentação saudável no Estado de São Paulo;
·
incentivar agenda-pacto-compromisso social com diferentes
setores (poder legislativo, setor produtivo, órgãos governamentais e não-governamentais,
organismos internacionais, setor de comunicação e outros), para a
implantação das estratégias definidas pelo Comitê e
·
implementar a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis
para a população, com ênfase no aumento do consumo de frutas,
verduras, legumes, cereais e derivados integrais.
Para
a consecução dos objetivos, caberá também ao Comitê incentivar os
municípios do Estado a adotarem medidas de incentivo e acesso à
alimentação saudável.
Constituição
O Comitê será constituído
por representantes do poder público e da sociedade civil, indicados
pelas Secretarias de Estado da Saúde, da Educação e da Agricultura e
Abastecimento, da Procuradoria Geral do Estado, do Ministério Público
e da sociedade organizada, representada por associações e
movimentos de defesa de direitos, por conselhos de representação, por
universidades e agências de cooperação nacional. Será integrado,
ainda, por pessoas de notório saber nas áreas de interesse do Comitê.
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World Health Organization. The world health report 2002: reducing
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Geneva; 2002.
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Disponível em: http://w.w.w.who.int/hpr/NPH/docs/gs_global_strategy_general.pdf>.
[2004/set/10].
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