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Resumo
As causas externas estão entre as principais causas de morbi-mortalidade
de crianças e adolescentes menores de 15 anos. O objetivo deste estudo é realizar uma análise
inicial da morbi-mortalidade decorrente de causas externas não-intencionais
(também chamadas “acidentes”) em crianças e adolescentes desta
faixa etária, residentes no Estado de São Paulo, com os dados de 2005,
enfatizando algumas medidas de intervenção no ambiente doméstico.
Foram analisados os bancos de dados do Sistema de Informações de
Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações Hospitalares (SIH),
disponibilizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Os
resultados encontrados mostraram que as causas externas situam-se
entre as cinco principais causas de morte para todas as faixas etárias
da população do estudo e também para as internações hospitalares
realizadas no Sistema Único de Saúde (SUS), exceto para menores de 1
ano. A análise segundo os tipos de causas externas evidenciou diferenças
marcantes entre as informações de mortalidade e morbidade hospitalar.
As sufocações, afogamentos e atropelamentos são freqüentes causas
de morte. As quedas, queimaduras e acidentes de transporte são
importantes causas de hospitalização.
Palavras-chave:
causas externas;
acidentes domésticos; criança; adolescente.
Abstract
External
causes are among the major morbi-mortality causes of children and
adolescents under 15 years of age. The objective of this study is to
design an initial analysis of morbi-mortality resulting from external
non intentional causes (also called “accidents”) among children and
adolescents of this age bracket dwelling in the state of São Paulo,
with data from 2005, emphasizing some intervention measures in the
household environment. We analyzed databanks from the Mortality
Information Systems (SIH), of the State Secretary of Health of São
Paulo. Results showed that external causes are among the five major
death causes for all age brackets of the population under study and also
for hospital admittance in the Single Health System (SUS), except for
under one year olds. Analysis was performed according to types of
external causes and disclosed marked differences between mortality
information and hospital morbidity. Suffocation, drowning and car run
over were frequent death causes. Falls, burns and transportation
accidents are important causes for hospitalization.
Key words:
external causes; domestic accidents; child; adolescent.
Introdução
É difícil
imaginar que, a despeito de todos os avanços que foram alcançados pela
medicina e pela saúde pública nos últimos anos, muitas crianças e
adolescentes no Brasil ainda morram por causas evitáveis. A análise
dos dados oficiais de mortalidade para o ano de 2004, disponibilizados
pelo Ministério da Saúde, mostram que as causas externas (acidentes e
violências) ocuparam o primeiro lugar entre as causas de morte para a
ampla faixa etária, que vai de 1 a 39 anos1. Este mesmo padrão
também foi verificado em São Paulo, o Estado mais populoso do País,
onde residem cerca de 20% das crianças e adolescentes menores de 15 anos
(estimativas do Censo para o ano de 2006)1.
Adicionalmente, nunca é demais ressaltar que os acidentes e violências
impactam profundamente o desenvolvimento físico e emocional da criança
e do adolescente2. E vários estudos têm demonstrado que
muitos “acidentes” são previsíveis, e mesmo os fatores que
concorrem para as violências também podem ser controlados2-4.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a abordagem da saúde pública
na prevenção das causas externas deve se iniciar pela produção do máximo
conhecimento possível sobre todos os aspectos do problema através da
coleta de dados, com vistas a determinar sua magnitude, características
e conseqüências2. É muito importante ter informação
detalhada para alocar os recursos, costumeiramente limitados, em estratégias
de prevenção realmente efetivas. Desse modo, o objetivo deste estudo
é realizar uma análise inicial da morbi-mortalidade decorrente de
causas externas não-intencionais (também chamadas “acidentes”) em
crianças e adolescentes menores de 15 anos, residentes no Estado de São
Paulo, com os dados de 2005, enfatizando algumas medidas de intervenção
no ambiente doméstico.
Metodologia
As informações
de mortalidade utilizadas neste estudo são provenientes do Sistema de
Informações em Mortalidade (SIM), referentes a 2005. As informações acerca
das internações realizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) são
provenientes do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), sendo
referentes ao mesmo ano. Esses bancos foram disponibilizados pela Fundação
SEADE para a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo,
correspondendo ao ano mais recente disponível. Nestes bancos foram
selecionadas as mortes e internações codificadas pela Classificação
Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, Décima
Revisão (CID 10), nos Capítulos 19 (para a análise da morbidade) e 20
(mortalidade).
Para mostrar algumas das medidas de intervenção possíveis foi
utilizado o estudo de Paes & Gaspar4, que realizaram uma
ampla revisão da literatura científica, fornecendo várias recomendações
úteis para a prevenção dos principais acidentes domésticos que
ocorrem entre crianças e adolescentes.
Resultados
A análise dos dados
referentes a 2005 para a população menor de 15 anos residente no
Estado de São Paulo mostrou que as causas externas encontraram-se entre
as cinco principais causas de morte para todas as faixas etárias
(Quadro 1). O mesmo padrão foi observado nas internações hospitalares
realizadas no SUS, exceto para os menores de 1 ano (Quadro 2).
Quadro 1. Principais causas de morte
segundo capítulo da CID 10 em menores de 15 anos, residentes no Estado
de São Paulo, 2005.
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< 1 ano
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1 a 4 anos
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5 a 9 anos
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10 a 14 anos
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Afecções originadas no período perinatal (4.745)
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Causas externas (297)
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Causas externas (276)
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Causas externas (490)
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Malfomações congênitas (1.596)
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Aparelho respiratório (239)
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Neoplasias
(137)
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Neoplasias
(142)
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Aparelho respiratório
(549)
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Infecciosas e parasitárias (175)
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Doenças do sistema nervoso (100)
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Doenças do sistema nervoso (88)
|
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Infecciosas e parasitárias (401)
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Doenças do sistema nervoso (154)
|
Infecciosas e parasitárias (62)
|
Aparelho respiratório (53)
|
|
Causas externas
(304)
|
Neoplasias
(121)
|
Aparelho respiratório (61)
|
Infecciosas e parasitárias (51)
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Quadro 2. Principais causas de internações
no SUS, segundo capítulo da CID 10, em menores de 15 anos, residentes no
Estado de São Paulo, 2005.
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< 1 ano
|
1 a 4 anos
|
5 a 9 anos
|
10 a 14
anos
|
|
Afecções originadas no período perinatal (45.307)
|
Aparelho respiratório (49.050)
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Aparelho
respiratório (23.325)
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Causas externas (11.818)
|
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Aparelho
respiratório (40.482)
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Infecciosas
e parasitárias (17.103)
|
Causas externas (12.770)
|
Aparelho
respiratório (7.708)
|
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Infecciosas
e parasitárias (10.671)
|
Aparelho
digestivo (10.826)
|
Aparelho
digestivo (11.260)
|
Aparelho
geniturinário (4.818)
|
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Aparelho
digestivo (3.998)
|
Causas externas (8.453)
|
Infecciosas
e parasitárias (7.396)
|
Infecciosas
e parasitárias (3.737)
|
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Aparelho
geniturinário (2.715)
|
Aparelho
geniturinário (6.393)
|
Aparelho
geniturinário (6.659)
|
Neoplasias
(2.924)
|
Quando são analisados os tipos de
causas externas é possível observar diferenças marcantes entre as
informações de mortalidade e morbidade hospitalar. Para a mortalidade
dos menores de 1 ano concorreram as sufocações, enquanto nas crianças
de 1 a 4 anos os afogamentos ocuparam o primeiro lugar. Os
atropelamentos foram a mais freqüente causa de morte para aqueles com
idades de 5 a 9 anos. Os afogamentos voltaram a ocupar o primeiro lugar
para as crianças e adolescentes de 10 a 14 anos (Quadro 3).
As quedas ocuparam o primeiro lugar entre as internações para todas as
faixas etárias. As queimaduras também são importantes causas de
hospitalização, bem como os acidentes de transporte (Quadro 4).
Quadro 3.
Principais causas de mortes
por causas externas não-intencionais em menores de 15 anos,
residentes no Estado de São Paulo, 2005.
|
< 1 ano
|
1 a 4 anos
|
5 a 9 anos
|
10 a 14 anos
|
|
Sufocação acidental
(115)
|
Afogamentos
(61)
|
Atropelamento de
pedestre (67)
|
Afogamentos
(115)
|
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Outros acidentes de transporte (9)
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Atropelamento de
pedestre (41)
|
Outros acidentes de transporte (44)
|
Atropelamento de
pedestre (90)
|
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Quedas (6)
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Outros acidentes de transporte (31)
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Afogamentos (37)
|
Outros acidentes de transporte (59)
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Demais acidentes (4)
|
Demais acidentes
(11)
|
Sufocação acidental
(15)
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Ocupante de automóvel (20)
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Queimaduras (3)
|
Ocupante de automóvel (10)
|
Demais acidentes (12)
|
Demais acidentes (20)
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Quadro 4.
Principais causas externas não-intencionais
entre as internações no SUS em menores de 15 anos, residentes no
Estado de São Paulo, 2005.
|
< 1 ano
|
1 a 4 anos
|
5 a 9 anos
|
10 a 14
anos
|
|
Quedas (897)
|
Quedas (4.045)
|
Quedas (7.022)
|
Quedas (6.327)
|
|
Queimaduras
(77)
|
Queimaduras
(673)
|
Atropelamento de
pedestre (866)
|
Atropelamento de
pedestre (705)
|
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Exposição a
forças mecânicas
inanimadas (48)
|
Atropelamento de
pedestre (444)
|
Exposição a
forças mecânicas inanimadas (491)
|
Ciclista envolvido em acidente de trânsito (598)
|
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Atropelamento de
pedestre (40)
|
Exposição a
forças mecânicas inanimadas (438)
|
Ciclista envolvido em acidentes de trânsito (415)
|
Exposição a forças mecânicas inanimadas (424)
|
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Intoxicações acidentais (30)
|
Intoxicações acidentais (323)
|
Queimaduras
(380)
|
Queimaduras
(282)
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Discussão
Os dados aqui apresentados mostram
o quanto o perfil de mortalidade difere do de morbidade, o que foi
demonstrado em estudos anteriores5. Desse modo, quando se
analisa as causas externas sempre é importante ter o quadro mais
completo possível do problema. Além disso, esses resultados evidenciam que os acidentes na infância e adolescência constituem
importante problema de saúde pública, já que os mesmos encontram-se
entre as principais causas de morte e internações. Embora não seja
possível saber exatamente quantos desses acidentes ocorreram em
residência, os dados da literatura revelam que a casa é um importante
local de ocorrência desses agravos, uma vez que é onde a criança
passa longo tempo4,6. Por isso, considerou-se importante
trazer algumas recomendações para a prevenção desses agravos em
ambiente doméstico.
É importante ressaltar que as recomendações que
se encontram a seguir foram retiradas de estudo de Paes & Gaspar4,
que realizaram uma ampla revisão da literatura científica, fornecendo
várias recomendações úteis para a prevenção dos principais
acidentes domésticos que ocorrem entre crianças e adolescentes.
Certamente existem outras disponíveis e adequadas que devem ser objeto
de levantamentos posteriores.
A) Quedas4
1.
Recolher brinquedos e outros objetos
do piso.
2.
Os tapetes devem ser fixados com fita
adesiva dupla-face ou forro de borracha antiderrapante.
3.
Se qualquer substância líquida for
derramada no chão, deve-se secá-la imediatamente.
4.
Não deixar objetos na escada.
5.
Colocar portão de segurança no topo
e em baixo da escada, se houver criança pequena em casa.
6.
Deve-se evitar brincadeira de risco
na cama.
7.
Crianças menores de 6 anos não
devem dormir na parte de cima de beliche.
8.
Colocar dispositivos de segurança
nas janelas.
9.
Próximo à janela, não se deve
colocar berço ou outro móvel.
10.
Brincadeiras de crianças em escadas
salva-vidas, telhados e varandas não devem ser permitidas.
B) Queimaduras4
1.
As crianças não devem ter acesso a eletrodomésticos, fósforo e
isqueiro; somente adultos devem usá-los.
2.
As crianças pequenas não devem entrar na cozinha; se houver
necessidade, precisam ser continuamente supervisionadas.
3.
Não é seguro lidar com líquidos quentes e, ao mesmo tempo, cuidar de
lactentes.
4.
Cozinhar e transportar líquidos quentes são atividades que devem ser
executadas por adultos e nunca por crianças.
5.
No banheiro, a água quente, no balde ou na banheira, representa risco
para a criança, que nunca pode ficar desacompanhada. Deve-se conferir a
temperatura da água antes do banho.
C) Intoxicações4
1.
Os medicamentos que não estejam em uso e também os desnecessários
devem ser descartados de modo seguro.
2.
Os frascos de medicamentos devem ser fechados com a tampa de segurança
logo após o uso.
3.
Nunca se deve falar com a criança que o medicamento é doce.
4.
As substâncias tóxicas e medicamentos devem ser mantidos em suas
embalagens originais e nunca passados para outras.
5.
Os produtos com possibilidade de causar intoxicações não devem ficar
à vista e ao alcance das crianças.
6.
Os profissionais de saúde que cuidam de crianças devem dar orientação
aos pais e responsáveis a respeito da prevenção de intoxicações.
7.
Diante da possibilidade de a criança ter ingerido substâncias tóxicas,
a primeira atitude a ser tomada pelos responsáveis é entrar em
contato, por telefone, com o centro de assistência toxicológica para
receberem orientação. Dessa forma, o número do centro deve estar
sempre disponível, perto do telefone.
Referências bibliográficas
1.
MS. Ministério da Saúde. Datasus. Disponível em: www.datasus.gov.br.
Acesso em 24/5/2007.
2.
Mercy JA, Sleet DA, Doll L. Applying a developmental and
ecological framework to injury and violence prevention. In: Injury prevention
for children and adolescents, Research, Practice and Advocacy. Editor:
Liller KD. American Public Health Association, USA 2006.
3.
Krug Eg et al. (eds.). World report on violence and health. Geneva, World
Health Organization, 2002.
4.
Paes CE, Gaspar VL. As injúrias não-intencionais no ambiente
domiciliar: a casa segura. J Pediatr 2005; 81(5 Suppl):S146- S154.
5.
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mortalidade e morbidade. Cad. Saúde
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6.
Phelan KJ, Khoury J, Kalkwarf H, Lanphear B. Residential injuries in U.S.
children and adolescents. Public Health Rep. 2005 Jan-Feb;120(1):63-70
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