Publicação Mensal sobre Agravos à Saúde Pública ISSN 1806-4272

Divisão de Imunização
Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”
Coordenadoria de Controle de Doenças

Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – DI/CVE/CCD/SES-SP


A influenza (gripe) é uma doença viral aguda do trato respiratório, caracterizada pelo início súbito de febre, calafrios, dor de garganta, cefaléia, mialgia e tosse não produtiva. Nos idosos é mais freqüente a ocorrência de complicações como pneumonia e maiores taxas de hospitalizações e mortalidade. De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que no mundo 600 milhões de pessoas/ano apresentam um episódio de gripe.

Os idosos, em especial os institucionalizados e os portadores de doenças crônicas, são alvos de sérias complicações em decorrência da infecção pelo vírus influenza, como a pneumonia primária viral, pneumonia bacteriana secundária e exacerbação de doença pulmonar ou cardíaca crônica.

É importante esclarecer que no mesmo período da circulação da influenza manifestações clínicas envolvendo o trato respiratório podem ser causadas por numerosos outros tipos de vírus, como o rinovírus (resfriado comum) e o vírus sincicial respiratório, que não são prevenidos pela vacinação.

Desde 1999 são realizadas campanhas nacionais de vacinação contra influenza; no primeiro ano no Estado de São Paulo 84% dos idosos foram vacinados. Em 2000, 2001 e 2002 houve uma queda nas coberturas vacinais que atingiu 63,9%, 66,6% e 65,6%, respectivamente. A meta a ser alcançada é de 70%.

Preocupada  com esta situação, e com o objetivo de identificar os motivos da redução da adesão à vacinação, a Secretaria de Estado da Saúde realizou pesquisas de opinião pública junto à população-alvo das campanhas. Os resultados indicaram o medo das reações à vacina e a não preocupação com a gripe entre os principais motivos da não-adesão. A iniciativa própria e os familiares foram apontados como os principais incentivadores, enquanto o médico foi citado como fator incentivador em apenas 10% dos casos, apesar de 80% dos entrevistados freqüentarem os consultórios habitualmente. Estas pesquisas também mostraram que quase a totalidade das pessoas vacinadas declarou não ter apresentado reação (90% em 2001 e 96% em 2002). As reações, quando citadas, foram febre, dores no corpo e na cabeça.

Considerando os resultados destas pesquisas, as equipes técnicas das Regionais de Saúde e dos municípios começaram a incrementar as informações junto aos profissionais da área e à imprensa, na tentativa de melhor esclarecer a população de que a vacina contra influenza é bem tolerada e pouco reatogênica, e os seus reais benefícios são a prevenção das complicações decorrentes da infecção pelo vírus, redução das hospitalizações e da mortalidade nos idosos e nas pessoas com doenças crônicas cardiovasculares, pulmonares e diabetes.         

Como resultado deste trabalho, em 2003 a cobertura vacinal no Estado de São Paulo aumentou para 75% e dentre os 645 municípios, 564 alcançaram índices iguais ou superiores à meta preconizada, representando uma homogeneidade de 87%.

Desde 2003, as equipes de saúde vêm incrementando as informações sobre os benefícios da vacina contra influenza; como resultado, verifica-se que ano a ano as nossas coberturas vacinais e a homogeneidade vêm aumentando e superando as metas preconizadas pelo Ministério da Saúde.

Em 2006 foram vacinadas 2.920.479 pessoas com 60 anos ou mais, com cobertura vacinal de 80,22% e homogeneidade de 94,26%. Em 2007 foram vacinadas 2.998.206 pessoas (cobertura vacinal de 81,26%) e apenas 36 municípios não atingiram a meta de vacinar 70% das pessoas com 60 anos ou mais (homogeneidade de 94,41%). O Grupo de Vigilância Epidemiológica X – Osasco e XXIII – Registro alcançaram as maiores coberturas vacinais, respectivamente 94,53% e 92,31%. Todos os GVEs alcançaram a homogeneidade de pelo menos 70%.

Além da divulgação nos meios de comunicação dos benefícios da vacinação, os esclarecimentos sobre os principais mitos em relação à vacina contra influenza, a ação integrada com as equipes de saúde das Regionais e dos municípios, incluindo a realização de “cafés da manhã”, bingos, participação nos “bailes da saudade” e sorteio de presentes, são iniciativas fundamentais para que o Estado de São Paulo continue vacinando cada vez mais a população com 60 anos ou mais.

Campanha Estadual de Vacinação do Idoso (pessoas com 60 anos ou mais), cobertura vacinal e homogeneidade, 1999-2007

Ano População Doses aplicadas Cobertura vacinal Municípios <70% Homogeneidade (%)
1999* 1.937.783 1.628.466 84,04 84 87
2000 2.974.804 1.901.796 63,93 329 49
2001 3.364.622 224.059 66,61 306 52,56
2002 3.409.103 2.234.970 65,56 248 61,55
2003 3.451.858 2.575.241 74,60 81 87,44
2004 3.494.555 2.727.952 78,06 39 93,95
2005 3.591.383 2.792.380 77,75 53 91,78
2006 3.640.716 2.920.479 80,22 37 94,26
2007 3.689.623 2.998.206 81,26 36 94,42
* Pessoas vacinadas com 65 anos ou mais
Fonte: API/Divisão de imunização

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