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Março, 2004   Ano 1   Número 3                                                                             retorna
Tuberculose em queda no CRT-DST/AIDS-SP após Inclusão dos Inibidores de Protease no Esquema Anti-Retroviral
No período compreendido entre janeiro de 1994 e julho de 2003, 1.586 pacientes HIV+ e em seguimento no Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP tiveram um ou mais diagnósticos de tuberculose (TB). A categoria de exposição é conhecida para 1.002 deles, com a seguinte distribuição: 33% de heterossexuais (metade com múltipla parceria), 38,3% de HSH e 26,3% de usuários de drogas injetáveis. Importante ressaltar a queda acentuada no número de diagnósticos de TB no serviço, nos anos seguintes à inclusão dos inibidores de protease ao esquema anti-retroviral (gráfico 1).

Casos de Tuberculose em pacientes HIV/Aids, de acordo com ano 
do primeiro diagnostico de CRT - DST/AIDS, 1994 - 2003


Fonte: Vigilância Epidemiológica CRT-DST/AIDS (dados até 10/08/2003)

Um segundo diagnóstico de tuberculose no serviço foi feito para 260 dentre eles, um terceiro diagnóstico para 31 pacientes e 10 tiveram um quarto diagnóstico (tabela 1).



Quando analisado o tipo de diagnóstico para a primeira tuberculose no serviço, verificou-se que para 1.397 deles em que há o registro do dado, houve confirmação laboratorial em 46,1% dos casos (ou seja, identificação do bacilo), forte suspeição em 36,9% (exames laboratoriais positivos, porém sem identificação do bacilo) e presunção em 17% (diagnóstico clínico-radiológico).

Do total de pacientes, 627 (39,5%) já foram a óbito e 756 (47,7%) passaram em ao menos uma consulta após 30/9/2002. Em relação ao CD4, quando consideramos esse resultado em relação ao primeiro diagnóstico de TB no serviço, verificamos que para 756 pacientes onde há o registro, 66,3% dentre eles apresentavam CD4 abaixo de 200cels/mm3, 17,6% entre 200 e 350, 9,3% entre 351-500 e 6,9% acima de 500cels/mm3.

Quanto ao tipo de saída do tratamento, para 1.193 pacientes que iniciaram tratamento entre 1994 e 2001 e para os quais há o registro do dado, verifica-se que 43,5% deles tiveram alta cura, 26,6% abandonaram o tratamento, 22% foram a óbito durante o tratamento de TB, em 2,8% houve mudança de diagnóstico e 3,4% foram transferidos. No entanto, na análise dessas saídas, de acordo com as coortes, é possível observar mudanças ao longo do tempo, como a diminuição acentuada nos percentuais de abandono de tratamento devido a, provavelmente, o início das atividades do ambulatório de TB em nosso serviço, após 1999 (tabela2).

Quanto ao teste de sensibilidade aos medicamentos anti-TB, há os resultados para 526 pacientes que tiveram primeiro diagnóstico de TB entre 1994 e 2003, no serviço: 453 
(86,1% ) deles apresentaram uma cepa sensível a todas as drogas testadas e 73 (13,9%) tinham cepa resistente a menos a uma droga. Desses 73 pacientes com cepa resistente no primeiro diagnóstico, 34 (46,6%) eram multi-droga resistentes, ou seja, com resistência a menos à rifampicina e isoniazida. Para 77 pacientes que tiveram um segundo diagnóstico de tuberculose no serviço e para os quais há resultado do teste de sensibilidade nesse segundo episódio, observou-se um aumento importante na taxa de cepas resistentes a pelo menos a uma droga, que passa a ser de 28,5% (gráfico 2), e, entre esses 22 com cepa resistente, 15 (68,2%) apresentavam uma multi-droga resistência.



Autor: Equipe do Serviço do Programa Estadual DST/Aids.


Agência Paulista de Controle de Doenças