Publicação Mensal sobre Agravos à Saúde Pública ISSN 1806-4272

Denise Brandão de Assis1, Geraldine Madalosso1, Sílvia Alice Ferreira1e Ana Lívia Geremias2

1Divisão de Infecção Hospitalar, do Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”, 
da Coordenadoria de Controle de Doenças, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – DIH/CVE/CCD/SES-SP, 2Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do 
Sistema Único de Saúde – EPISUS-SP


Resumo

A vigilância epidemiológica (VE) das infecções hospitalares (IH) pretende medir a ocorrência do fenômeno e determinar seus níveis endêmicos. Com o objetivo de produzir dados por meio dos quais ações imediatas e planejamento de programas possam ser elaborados e avaliados, a Divisão de Infecção Hospitalar do CVE apresenta a análise dos dados do Sistema de VE das IH do Estado de São Paulo, implantado em 2004, objetivado nas unidades críticas e cirúrgicas. Os indicadores específicos selecionados avaliaram as principais síndromes infecciosas nas populações de maior risco. A adesão ao sistema de notificação, 60% dos hospitais cadastrados (534/896), foi de superior quando comparada a 2004. A notificação foi constante ao longo do ano, com média de 398 hospitais notificantes por mês. A notificação de dados ocorreu de acordo com a característica de atendimento das instituições: 456 (85,4%) hospitais notificaram a planilha 1, com dados de cirurgia limpa, 275 (51,5%) notificaram a planilha 2, com dados de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto, Pediátrica e Coronariana e 124 (23,2%) notificaram dados de UTI Neonatal (planilha 3). Para cada um dos indicadores foi realizada distribuição das taxas em percentis. Concluiu-se que houve melhora na adesão ao Sistema de Vigilância de Infecções Hospitalares. Contudo, há necessidade de melhorias no que se refere à qualidade da informação.

Palavras-chave: sistemas de vigilância; vigilância epidemiológica; infecção hospitalar.

Abstract

Epidemiological surveillance (VE) of nosocomial infections (IH) intends to measure the occurrence of this event and to assess its endemical levels. With the objective of producing data by means of which immediate actions and program planning could be established and evaluated, the Division of Nosocomial Infection of the Center for Epidemiological Surveillance (CVE) presents the data analysis from the Epidemiological Surveillance System of the IH of the State of São Paulo, established in 2004, which was set up in critical and surgical unities. Selected specific indicators evaluated the major infectious syndromes in populations at higher risk. Adhesion to the notification system, in 60% of the cadastred hospitals (534/896) was higher, in comparison to the levels of 2004. Reporting was constant throughout the year, with an average of 398 reporting hospitals per month. Data reporting occurred according to the characteristic of the attention offered by each unit: 456 (85,4%) of the hospitals reported the chart 1, with data from clean surgeries; 275 (51,5%) reported chart 2, with data from Adults, Pediatrics and Coronary Intensive Care Units (UTI) and 124 (23,2%) reported data from Newborn Intensive Care Units (Chart 3). For each of the indicators, percental distribution of rates was performed. We concluded there was an improvement of the adhesion to the Nosocomial Infection Surveillance System, though there us the need to improve the quality of the information.

Key words: surveillance systems; nosocomial infection surveillance system

Introdução

As infecções hospitalares (IH) constituem um sério problema de saúde pública na atualidade. Estima-se que aproximadamente 1 em cada 10 pacientes hospitalizados terá infecção após sua admissão, gerando custos elevados, resultantes do aumento do tempo de internação e de intervenções terapêuticas e diagnósticas adicionais. Em 2002, os gastos com IH chegaram a 6,7 bilhões de dólares nos Estados Unidos e a 1,06 bilhões de libras (cerca de 1,7 bilhões de dólares) no Reino Unido1.

A magnitude das IH no Brasil foi investigada por meio de estudo de prevalência realizado, em 1994, em hospitais terciários das cinco regiões. O estudo mostrou taxa de IH de 15,5% no País2. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) cabe às autoridades de saúde desenvolver um sistema para monitorizar infecções selecionadas e avaliar a efetividade de intervenções 3.

O Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, proposto em 2004, valorizou, após sua reestruturação, a vigilância de infecções objetivada em unidades críticas e pacientes cirúrgicos, baseada na adequação da notificação às características básicas dos hospitais e na seleção de indicadores que permitissem avaliar a qualidade dos processos de atendimento à saúde.

Métodos

Com a instituição do novo sistema de vigilância de IH e de novos indicadores epidemiológicos, os hospitais do Estado passaram a notificar ao Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE) – órgão da Coordenadoria de Controle de Doenças, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (CCD/SES-SP) – suas taxas de IH, por meio de planilhas encaminhadas mensalmente por via eletrônica.

As planilhas foram preenchidas de acordo com a complexidade do hospital: planilhas 1, 2, 3 e 5 para hospitais gerais e planilha 4 para hospitais especializados (psiquiátrico e longa permanência). Foram disponibilizados no site do CVE – documentos de orientação para a coleta de dados referentes aos indicadores selecionados, contendo os critérios diagnósticos para IH, baseados nos propostos pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), de Atlanta (EUA), e para preenchimento das planilhas.

Os indicadores epidemiológicos selecionados para hospitais gerais foram os seguintes:

·         Taxa de infecção em cirurgias limpas.

·        Densidade de incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica, infecção de corrente sanguínea associada à cateter central e infecção urinária associada à sonda vesical, além das taxas de utilização destes dispositivos em Unidade de Terapia Intensiva (Adulto, Pediátrica e Coronariana).

·        Densidade de incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica, infecção de corrente sanguínea associada a cateter central, além das taxas de utilização destes dispositivos em UTI Neonatal, em cada faixa de peso.

Os dados foram consolidados e analisados por meio do programa Excel, base das planilhas, quanto à distribuição dos hospitais notificantes e taxas de IH. Os indicadores foram analisados utilizando-se os dados agregados do período, isto é, a soma do número de IH no período dividida pela soma dos denominadores (número de cirurgias limpas, pacientes-dia, dispositivos invasivos-dia) no período, para cada indicador, multiplicada por 1.000, no caso das infecções em UTI e em hospitais especializados, ou multiplicados por 100, no caso das infecções de ferida cirúrgica (IFC). As taxas de IH dos hospitais gerais notificantes foram distribuídas em percentis (10, 25, 50, 75 e 90).

Com o objetivo de evitar a inclusão de hospitais com denominador extremamente pequeno para o período (janeiro a dezembro de 2005), foram adotados os seguintes critérios de exclusão:

·         Infecções em cirurgias limpas: excluídos hospitais que notificaram <250 cirurgias limpas no período.

·         Infecções em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana: excluídos os hospitais com <500 pacientes-dia no período.

·         Infecções em UTI Neonatal: excluídos os hospitais com <50 pacientes-dia, para cada faixa de peso determinada; nas situações em que o hospital apresentou <50 pacientes-dia no período somente em uma determinada faixa de peso foram excluídos apenas os dados desta faixa.

·         Para a planilha 5, que solicita a notificação dos microrganismos isolados em hemoculturas, não foi utilizado critério de exclusão por tratar-se de uma análise qualitativa.

Resultados

1.       Adesão ao Sistema

Enviaram pelo menos uma planilha de infecção hospitalar, no período, 534 hospitais, correspondendo a 59,6% dos do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES)4. A taxa de resposta em 2005 foi superior a de 2004, como mostra a Tabela 1 .

Tabela 1. Distribuição do número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo e taxa de resposta, segundo Direção Regional de Saúde (DIR) e cadastro no CNES, 2004 e 2005.

DIR

Hospitais cadastrados no CNES

Hospitais notificantes 2004

Hospitais notificantes 2005

N

%

N

%

São Paulo

182

48

26,4

52

28,6

Santo André

43

37

86,0

32

74,4

Mogi das Cruzes

31

8

25,8

24

77,4

Franco da Rocha

7

2

28,6

2

28,6

Osasco

25

6

24,0

3

12,0

Araçatuba

30

27

90,0

32

106,7

Araraquara

26

20

76,9

20

76,9

Assis

21

12

57,1

13

61,9

Barretos

15

17

113,3

16

106,7

Bauru

44

33

75,0

35

79,5

Botucatu

19

20

105,3

22

115,8

Campinas

90

43

47,8

41

45,6

Franca

18

0

0,0

1

5,6

Marília

32

26

81,3

22

68,8

Piracicaba

30

25

83,3

25

83,3

Presidente Prudente

31

28

90,3

28

90,3

Registro

7

2

28,6

1

14,3

Ribeirão Preto

30

26

86,7

25

83,3

Santos

24

13

54,2

18

75,0

São João da Boa Vista

28

13

46,4

20

71,4

São José dos Campos

31

27

87,1

27

87,1

São José do Rio Preto

56

18

32,1

36

64,3

Sorocaba

50

0

0,0

29

58,0

Taubaté

26

6

23,1

10

38,5

Total

896

457

51,0

534

59,6

A média e mediana de hospitais notificantes por mês foram 398 e 403 hospitais, respectivamente (variação: 367-418 hospitais). A Figura 1 mostra o número de hospitais notificantes por mês nos anos de 2004 e 2005.


Figura1. Número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo por mês, 2004 e 2005.

2.       Infecções cirúrgicas

Do total de hospitais notificantes a maioria, 85,4% (456/534), enviou dados de infecção cirúrgica por meio da planilha 1 e 58,8% (268/456) destes hospitais informou que realiza vigilância pós-alta (Tabela 2).

Tabela 2. Distribuição do número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo que enviaram planilha 1 e realizam vigilância pós-alta, segundo DIR, 2005.

DIR

Hospitais notificantes 2005

Hospitais que enviaram planilha 1

Hospitais que realizam vigilância pós-alta

N

%

N

%

São Paulo

52

39

75,0

19

48,7

Santo André

32

27

84,4

15

55,6

Mogi das Cruzes

24

22

91,7

6

27,3

Franco da Rocha

2

2

100,0

1

50,0

Osasco

3

2

66,7

1

50,0

Araçatuba

32

28

87,5

18

64,3

Araraquara

20

18

90,0

12

66,7

Assis

13

12

92,3

7

58,3

Barretos

16

15

93,8

10

66,7

Bauru

35

31

88,6

21

67,7

Botucatu

22

19

86,4

14

73,7

Campinas

41

37

90,2

14

37,8

Franca

1

1

100,0

0

0,0

Marília

22

15

68,2

11

73,3

Piracicaba

25

20

80,0

15

75,0

Presidente Prudente

28

24

85,7

9

37,5

Registro

1

1

100,0

0

0,0

Ribeirão Preto

25

24

96,0

21

87,5

Santos

18

17

94,4

7

41,2

São João da Boa Vista

20

15

75,0

12

80,0

São José dos Campos

27

24

88,9

16

66,7

São José do Rio Preto

36

34

94,4

26

76,5

Sorocaba

29

22

75,9

10

45,5

Taubaté

10

7

70,0

3

42,9

Total

534

456

85,4

268

58,8

No período foram notificadas 431.446 cirurgias limpas. As Figuras 2 e 3 mostram o número de cirurgia limpas notificadas e de hospitais notificantes, segundo especialidade cirúrgica.

Figura 2. Distribuição do número de cirurgias limpas notificadas ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo por especialidade cirúrgica, ano 2005.

 

Figura 3. Distribuição do número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo por especialidade cirúrgica, ano 2005.

Na análise das taxas de infecção cirúrgica foram incluídos 300 hospitais que notificaram mais de 250 cirurgias limpas no período. As Tabelas 3 e 4 apresentam a distribuição das taxas de infecção cirúrgica global e por especialidade cirúrgica em percentis. Para algumas regionais não foi realizada a distribuição de taxas em percentis, uma vez que possuíam menos de dez hospitais com o critério de inclusão adotado para análise. Entretanto, os dados referentes a estas Regionais foram utilizados na análise de percentis do Estado.

Tabela 3. Distribuição das taxas de infecção cirúrgica em percentis dos hospitais que notificaram mais de 250 cirurgias limpas ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo DIR, 2005.

DIR

Hospitais que realizaram >250 cirurgias

Percentil

Valor máximo

10

25

50

75

90

São Paulo

32

0,24

0,52

0,94

1,74

5,01

8,49

Santo André

22

0,16

0,36

0,52

0,78

2,63

4,72

Mogi das Cruzes

14

0,00

0,13

0,36

0,93

1,52

5,64

Franco da Rocha

1

 

 

 

 

 

 

Osasco

1

 

 

 

 

 

 

Araçatuba

13

0,00

0,00

0,00

0,22

0,31

0,79

Araraquara

12

0,01

0,52

1,54

2,43

2,81

3,01

Assis

8

 

 

 

 

 

 

Barretos

6

 

 

 

 

 

 

Bauru

17

0,00

0,00

0,38

0,81

1,10

1,84

Botucatu

8

 

 

 

 

 

 

Campinas

25

0,00

0,05

0,53

1,03

2,20

4,70

Franca

1

 

 

 

 

 

 

Marília

9

 

 

 

 

 

 

Piracicaba

19

0,00

0,19

0,42

1,37

1,98

3,04

Presidente Prudente

14

0,00

0,00

0,27

1,05

1,66

4,01

Registro

0

 

 

 

 

 

 

Ribeirão Preto

12

0,01

0,55

1,37

1,62

2,21

2,58

Santos

15

0,00

0,05

0,41

1,23

1,76

3,83

São João da Boa Vista

10

0,00

0,14

0,26

1,87

3,34

4,76

São José dos Campos

19

0,00

0,00

0,66

1,10

1,54

2,70

São José do Rio Preto

17

0,00

0,00

0,11

0,84

1,16

2,38

Sorocaba

19

0,07

0,27

0,68

1,17

1,63

9,36

Taubaté

6

 

 

 

 

 

 

Total

300

0,00

0,07

0,57

1,25

2,59

9,36

Tabela 4. Distribuição das taxas de infecção cirúrgica por especialidade cirúrgica em percentis dos hospitais que notificaram mais de 250 cirurgias limpas ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo DIR, 2005.

Taxas IFC

Número de hospitais analisados

Percentil

10

25

50

75

90

CCARD

91

0,00

0,00

1,91

6,56

10,14

CGERA

258

0,00

0,00

0,00

1,27

3,16

CIRPE

196

0,00

0,00

0,00

0,00

1,01

CIVAS

248

0,00

0,00

0,00

0,61

2,90

GASCI

192

0,00

0,00

0,00

0,73

2,93

GINEC

272

0,00

0,00

0,00

0,65

1,88

NEUCI

190

0,00

0,00

0,00

3,23

5,95

ORTOP

281

0,00

0,00

0,00

1,10

2,61

PLAST

248

0,00

0,00

0,00

0,00

0,98

TORAX

147

0,00

0,00

0,00

0,00

2,39

UROCI

239

0,00

0,00

0,00

0,00

2,11

3. Infecções em UTI

Em todo o Estado, 275 hospitais enviaram dados de infecção em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana, correspondendo a 51,5% do total de hospitais notificantes em 2005. As Tabelas 5 e 6 mostram o número de hospitais que enviaram planilha 2 e o número dos que enviaram dados de infecção em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana, por DIR.

Tabela 5. Distribuição do número de hospitais que enviaram planilha 2 ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo DIR, 2005.


DIR

Hospitais notificantes 2005

Hospitais que enviaram planilha 2*

%

São Paulo

52

47

90,4

Santo André

32

25

78,1

Mogi das Cruzes

24

20

83,3

Franco da Rocha

2

1

50,0

Osasco

3

3

100,0

Araçatuba

32

8

25,0

Araraquara

20

8

40,0

Assis

13

6

46,2

Barretos

16

6

37,5

Bauru

35

15

42,9

Botucatu

22

3

13,6

Campinas

41

31

75,6

Franca

1

1

100,0

Marília

22

6

27,3

Piracicaba

25

11

44,0

Presidente Prudente

28

7

25,0

Registro

1

0

0,0

Ribeirão Preto

25

13

52,0

Santos

18

12

66,7

São João da Boa Vista

20

6

30,0

São José dos Campos

27

13

48,1

São José do Rio Preto

36

11

30,6

Sorocaba

29

16

55,2

Taubaté

10

6

60,0

Total

534

275

51,5

* UTI Adulto, UTI Pediátrica, UTI Coronariana.

Tabela 6. Distribuição do número de hospitais que enviaram planilha 2 ao Sistema  de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo por tipo de UTI, segundo DIR, 2005.

DIR

Tipo de UTI

UTI Adulto

UCO

UTI PED

São Paulo

43

10

28

Santo André

25

0

6

Mogi das Cruzes

20

1

8

Franco da Rocha

1

0

1

Osasco

3

0

2

Araçatuba

8

1

1

Araraquara

8

1

4

Assis

6

0

1

Barretos

6

0

1

Bauru

15

2

4

Botucatu

3

0

1

Campinas

31

3

6

Franca

1

0

1

Marília

6

0

1

Piracicaba

11

2

2

Presidente Prudente

7

1

1

Registro

0

0

0

Ribeirão Preto

13

1

4

Santos

12

2

5

São João da Boa Vista

6

0

0

São José dos Campos

12

1

4

São José do Rio Preto

11

2

2

Sorocaba

15

0

5

Taubaté

6

0

2

Total

269

27

90

Foram incluídos na análise das taxas de infecção em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana 213 (79,2%), 64 (71,1%) e 21 (77,8%) hospitais, respectivamente, segundo critério adotado para análise.

Em UTI Adulto a média foi de 2.877 pacientes-dia e mediana de 1.961 pacientes-dia (variação: 567 a 49.769 pacientes-dia), no período. Já em UTI Pediátrica a média foi de 1.521 pacientes-dia e a mediana de 1.286 (variação: 501 a 7.346 pacientes-dia). Finalmente, em UTI Coronariana a média foi de 1.502 pacientes-dia e a mediana 1.315 (variação: 571 a 2.910 pacientes-dia).

As Tabelas 7, 8 e 9 apresentam a distribuição das taxas de infecção em percentis em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana e as Tabelas 10, 11 e 12 as taxas de utilização de dispositivos invasivos em percentis para estas unidades.

Tabela 7. Distribuição das taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Adulto. Estado de São Paulo, 2005.

Infecção sob vigilância

Densidade de incidência 
(por 1.000 dispositivos-dia)

Percentil

Variação

10

25

50

75

90

Pneumonia associada à ventilação mecânica

0,37

10,79

19,40

27,70

43,60

0,0-48,67

Infecção de corrente sanguínea associada a cateter central

0,00

1,08

4,97

4,97

9,19

0,0-28,28

Infecção de trato urinário associada à sonda vesical

0,00

2,96

7,27

7,27

18,75

0,0-32,18

 

Tabela 8. Distribuição das taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos, em percentis, em UTI pediátrica. Estado de São Paulo, 2005.

Infecção sob vigilância

Densidade de incidência
 (por 1.000 dispositivos-dia)

Percentil

Variação

10

25

50

75

90

Pneumonia associada à ventilação mecânica

0,00

3,26

7,43

13,53

19,35

0,0-46,63

Infecção de corrente sanguínea associada a cateter central

0,00

2,34

9,58

16,42

22,62

0,0-39,06

Infecção de trato urinário associada à sonda vesical

0,00

0,00

2,58

8,64

21,85

0,0-28,57

 

Tabela 9. Distribuição das taxas de infecção associadas a dispositivos invasivos, em percentis, em UTI Coronariana. Estado de São Paulo, 2005.

Infecção sob vigilância

Densidade de incidência
(por 1000 dispositivos-dia)

Percentil

Variação

10

25

50

75

90

Pneumonia associada à ventilação mecânica

5,38

12,20

20,65

28,17

47,17

0,0-80,15

Infecção de corrente sanguínea associada a cateter central

0,00

0,00

0,93

2,23

8,11

0,0-11,13

Infecção de trato urinário associada à sonda vesical

1,05

3,27

4,66

10,20

12,58

0,0-12,21

 

Tabela 10. Distribuição das taxas de utilização de dispositivos invasivos em percentis em UTI Adulto. Estado de São Paulo, 2005.

Dispositivos invasivos

Taxa de utilização (%)

Percentil

10

25

50

75

90

Ventilação mecânica

19,60

30,83

42,04

54,18

64,31

Cateter central

20,67

31,89

48,21

64,54

75,89

Sonda vesical

41,01

56,45

67,70

79,29

86,16

 

Tabela 11. Distribuição das taxas de utilização de dispositivos invasivos em percentis em UTI pediátrica. Estado de São Paulo, 2005.

Dispositivos invasivos

Taxa de utilização (%)

Percentil

10

25

50

75

90

Ventilação mecânica

18,24

28,74

40,93

53,20

64,67

Cateter central

10,72

23,57

36,41

46,22

65,12

Sonda vesical

2,19

7,22

12,05

19,66

30,92

 

Tabela 12. Distribuição das taxas de utilização de dispositivos invasivos em percentis em UTI Coronariana. Estado de São Paulo, 2005.

Dispositivos invasivos

Taxa de utilização (%)

Percentil

10

25

50

75

90

Ventilação mecânica

9,66

12,89

18,56

26,22

30,43

Cateter central

18,33

27,95

34,28

44,66

50,71

Sonda vesical

24,18

33,97

42,41

55,40

61,44

 

4. Infecções em UTI Neonatal

O número de hospitais que enviou planilha 3 foi de 124, que corresponde a 23,2% do total de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo (Tabela 13).

Tabela 13. Distribuição do número de hospitais que enviaram planilha 3 ao Sistema  de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo, segundo DIR, 2005.

DIR

Hospitais notificantes 2005

Hospitais que enviaram planilha 3

%

São Paulo

52

19

36,5

Santo André

32

12

37,5

Mogi das Cruzes

24

13

54,2

Franco da Rocha

2

1

50,0

Osasco

3

3

100,0

Araçatuba

32

1

3,1

Araraquara

20

4

20,0

Assis

13

2

15,4

Barretos

16

1

6,3

Bauru

35

4

11,4

Botucatu

22

1

4,5

Campinas

41

15

36,6

Franca

1

1

100,0

Marília

22

2

9,1

Piracicaba

25

5

20,0

Presidente Prudente

28

5

17,9

Registro

1

0

0,0

Ribeirão Preto

25

7

28,0

Santos

18

9

50,0

São João da Boa Vista

20

1

5,0

São José dos Campos

27

5

18,5

São José do Rio Preto

36

5

13,9

Sorocaba

29

4

13,8

Taubaté

10

4

40,0

Total

534

124

23,2

De acordo com o critério adotado para análise dos dados para este tipo de unidade, 110 hospitais foram incluídos para cálculo das taxas de IH por faixa de peso. É importante destacar que um mesmo hospital pode ter sido incluído na análise de taxas de mais de uma faixa de peso. A Tabela 14 apresenta a distribuição do número de hospitais notificantes da planilha 3 incluídos na análise, por faixa de peso.

Tabela 14. Distribuição do número de hospitais que enviaram planilha 3 ao Sistema  de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo com mais de 50 pacientes-dia, por faixa de peso, segundo DIR, 2005.

DIR

Hospitais notificantes >50 pacientes-dia

Faixas de peso

<1.000g

1.001-1.500g

1.501-2.500g

>2.500g

São Paulo

15

18

19

19

Santo André

8

11

11

10

Mogi das Cruzes

7

10

11

10

Franco da Rocha

1

1

1

1

Osasco

2

3

2

3

Araçatuba

0

1

1

1

Araraquara

4

4

4

4

Assis

1

2

2

2

Barretos

1

1

1

1

Bauru

2

4

4

3

Botucatu

1

1

1

1

Campinas

7

9

9

11

Franca

0

1

1

1

Marília

2

2

2

2

Piracicaba

4

4

4

4

Presidente Prudente

2

3

3

4

Registro

0

0

0

0

Ribeirão Preto

4

3

6

5

Santos

7

8

9

9

São João da Boa Vista

1

1

1

1

São José dos Campos

5

5

5

4

São José do Rio Preto

3

5

5

5

Sorocaba

4

4

4

4

Taubaté

2

4

4

4

Total

83

105

110

109

Nas Tabelas 15 e 16 são apresentadas as densidades de incidência de infecção associada a dispositivos invasivos, distribuídas em percentis, por faixa de peso, em UTI Neonatal. As tabelas 17 e 18 apresentam a distribuição das taxas de utilização de dispositivos invasivos em percentis por faixa de peso.

Tabela 15. Distribuição das taxas de pneumonia associada à ventilação mecânica, em percentis, em UTI Neonatal, segundo faixa de peso. Estado de São Paulo, 2005.

Densidade de incidência de pneumonia associada à ventilação 
(
por 1.000
dispositivos-dia)

 

Percentil

Faixas de peso

10

25

50

75

90

<1000g

0,00

0,00

7,76

17,73

28,47

1001-1500g

0,00

0,00

5,73

23,06

45,13

1501-2500g

0,00

0,00

0,00

14,60

59,57

>2500g

0,00

0,00

0,00

15,00

36,24

 

Tabela 16. Distribuição das taxas de infecção de corrente sanguínea associada a cateter central, em percentis, em UTI Neonatal, segundo faixa de peso. Estado de São Paulo, 2005.

Densidade de incidência de infecção de corrente sanguínea associada a cateter central (por 1.000 dispositivos-dia)

 

Percentil

Faixas de peso

10

25

50

75

90

<1000g

0,00

0,00

14,29

31,91

49,50

1001-1500g

0,00

0,00

13,89

35,29

64,49

1501-2500g

0,00

0,00

13,16

36,30

60,29

>2500g

0,00

0,00

8,67

29,63

55,56

 

Tabela 17. Distribuição das taxas de utilização de ventilação mecânica, em percentis, em UTI Neonatal, segundo faixa de peso. Estado de São Paulo, 2005.

Taxa de utilização de ventilação mecânica (%)

 

Percentil

Faixas de peso

10

25

50

75

90

<1000g

30,21

44,14

61,05

77,06

84,75

1001-1500g

11,50

16,59

29,30

44,90

66,08

1501-2500g

4,78

9,66

17,90

33,12

45,29

>2500g

5,17

9,60

21,43

37,38

56,48


Tabela 18. Distribuição das taxas de utilização de cateter central, em percentis, em UTI Neonatal, segundo faixa de peso. Estado de São Paulo, 2005.

Taxa de utilização de cateter central (%)

 

Percentil

Faixas de peso

10

25

50

75

90

<1000g

25,01

38,17

57,67

76,24

86,51

1001-1500g

9,93

20,40

39,32

62,91

74,80

1501-2500g

4,77

9,87

24,01

42,87

62,16

>2500g

4,59

11,46

25,00

42,69

61,33

5. Hemocultura

Na análise da distribuição dos microrganismos isolados em hemoculturas em UTI Adulto e Coronariana não foi utilizado qualquer critério de exclusão, por tratar-se de uma avaliação qualitativa de dados. Desse modo, os dados de todos os hospitais notificantes para estes tipos de unidade foram analisados.

Foram notificados 8.492 pacientes com IH e hemocultura positiva. A Tabela 19 apresenta a distribuição percentual dos microrganismos isolados em hemoculturas e a Tabela 20, o perfil de resistência dos microrganismos.

Tabela 19. Distribuição de pacientes com IH e hemocultura positiva (número e porcentagem), segundo microrganismo isolado. Estado de São Paulo, 2005.


Microorganismo

Pacientes com hemocultura positiva

 

%

Staphylococcus epidermidis e outros Staphylococcus coagulase negativa

2.540

29,91

Outros Microrganismos

1.622

19,10

Staphylococcus aureus resistente à oxacilina

856

10,08

Staphylococcus aureus sensível à oxacilina

833

9,81

Candida sp

477

5,62

Acinetobacter baumanii sensível ao imipenen

366

4,31

Pseudomonas sp sensível ao imipenem

361

4,25

Escherichia coli sensível à cefalosporina de terceira geração

299

3,52

Klebsiella pneumoniae sensível à cefalosporina de terceira geração

286

3,37

Pseudomonas sp resistente ao imipenem

252

2,97

Klebsiella pneumoniae resistente à cefalosporina de terceira geração

213

2,51

Enterococcus sp sensível à vancomicina

197

2,32

Acinetobacter baumanii resistente ao imipenen

92

1,08

Escherichia coli resistente à cefalosporina de terceira geração

75

0,88

Enterococcus sp resistente à vancomicina

23

0,27

Total de pacientes com hemoculturas positivas

8492

100,00

 

Tabela 20. Distribuição do perfil de resistência dos microrganismos isolados em hemocultura de pacientes com IH. Estado de São Paulo, 2005.

Microorganismo

Total

%*

Acinetobacter baumanii resistente ao imipenen

92

1,08

Acinetobacter baumanii sensível ao imipenen

366

4,31

Subtotal

458

 

% resistência

20

 

Escherichia coli resistente à cefalosporina de terceira geração

75

0,88

Escherichia coli sensível à cefalosporina de terceira geração

299

3,52

Subtotal

374

 

% resistência

20

 

Enterococcus sp sensível à vancomicina

197

2,32

Enterococcus sp resistente à vancomicina

23

0,27

Subtotal

220

 

% resistência

10

 

Klebsiella pneumoniae resistente à cefalosporina de terceira geração

213

2,51

Klebsiella pneumoniae sensível à cefalosporina de terceira geração

286

3,37

Subtotal

499

 

% resistência

43

 

Pseudomonas sp sensível ao imipenem

361

4,25

Pseudomonas sp resistente aa imipenem

252

2,97

Subtotal

613

 

% resistência

41

 

Staphylococcus aureus sensível à oxacilina

833

9,81

Staphylococcus aureus resistente à oxacilina

856

10,08

subtotal

1.689

 

% resistência

51

 

*Percentual do total de microrganismos isolados (N=8492)

Discussão


Quando comparado a 2004, em 2005 houve aumento do número de hospitais notificantes ao Sistema de Vigilância das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo. Além disso, houve aumento do número de hospitais notificantes por mês com maior regularidade de envio de dados5.

Como já verificado em 2004, a maioria dos hospitais do Estado realiza procedimentos cirúrgicos (85,4%). A mediana das taxas de infecção cirúrgica apresentou-se abaixo do esperado, quando considerada a alta taxa de vigilância pós-alta referida pelos hospitais que realizam procedimentos cirúrgicos. Esta ferramenta tem como objetivo diminuir o risco de subnotificação, uma vez que 12% a 84% das infecções cirúrgicas ocorrem após a alta do paciente6. A taxa de infecção cirúrgica do Estado sugere subnotificação e que este tipo de vigilância não está sendo realizado.

Taxas de infecção mais elevadas em cirurgia cardíaca podem ser explicadas pelo fato de que os pacientes, geralmente, retornam ao serviço de origem para tratamento de infecção após este tipo de procedimento. Com isso, é mais fácil a recuperação das taxas de infecção.

Os dados solicitados pela planilha 2 foram estratificados em UTI Adulto, Pediátrica e Coronariana e dados de UTI semi-intensiva não foram mais solicitados. A estratificação tinha por objetivo facilitar a notificação e possibilitar a comparação de dados de acordo com o perfil de atendimento das unidades.

Para UTI Neonatal a taxa de utilização de dispositivos invasivos é mais alta quanto menor a faixa de peso ao nascer, indicando maior gravidade dos bebês com menor peso.

Staphylococcus epidermidis e outros Staphylococcus coagulase negativa foram os microrganismos mais freqüentemente isolados em pacientes com IH e hemocultura positiva. Este dado deve ser avaliado com cuidado, uma vez que gera dúvidas se estes agentes podem ser realmente considerados como agentes etiológicos das infecções ou se estão ocorrendo falhas nos procedimentos de coleta de hemoculturas.

A análise do perfil de resistência dos microrganismos isolados em hemocultura mostra que este é um problema emergente e que merece atenção, com ações governamentais específicas7.

Conclusões

O aumento da adesão ao Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares do Estado de São Paulo mostra a efetividade do trabalho contínuo de sensibilização dos hospitais que vem sendo desenvolvido pela Divisão de Infecção Hospitalar, em parceria com as Regionais de Saúde e municípios.

Entretanto, o estímulo à notificação deve ser sempre mantido para que a notificação seja crescente, aumentando a consistência dos dados. Além disso, treinamentos com enfoque nos critérios diagnósticos e preenchimento das planilhas devem ser realizados para melhorar a qualidade dos dados, permitindo a comparação de dados mais homogêneos.

Referências bibliográficas

  1. Graves N. Economics and preventing hospital-acquired infection. Emerg Infect Dis [periódico on-line] 2004; 10 (4). Disponível em www.cdc.gov/eid [2007 mar 8].
  2. Prade SS, Oliveira ST, Rodrigues R et al. Estudo brasileiro da magnitude das infecções hospitalares em hospitais terciários. Rev Controle Inf Hosp 1995; 2 : 11-25.
  3. WHO. World Health Organization Departament of Communicable Disease,
    Surveillance and Response. Prevention of Hospital Acquired Infections. A pratical guide. 2nd edition.
    Disponível em www.who.int [2007 mar 8].  
  4. Brasil. Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES). Disponível em www.cnes.datasus.gov.br [2005 abril].  
  5. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Coordenadoria de Controle de Doenças. Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”. Divisão de Infecção Hospitalar. Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares no Estado de São Paulo – Dados 2004. BEPA 2006; Supl. 3(3):1-121. Disponível em: ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/ih/ih_dados04.pdf.  
  6. Mangram AJ, Horan TC, Pearson ML, Silver LC, Jarvis WR. Guideline for Prevention of Surgical Site Infection, 1999. Infect Control Hosp Epidemiol. 1999;20(4):247-278.
  7. WHO. World Health Organization. Maladies émergentes et autres maladies transmissibles; résistence aux antimicrobiens. Disponível em URL:http://www.who.int [2007 mar 8]  


Correspondência/Correspondence to:
Denise Brandão de Assis
Divisão de Infecção Hospitalar

Av. Dr. Arnaldo, 351 – 6º andar – Cerqueira César
São Paulo/SP
Cep: 01246-000  
E-mail: deniseba@usp.br

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