Publicação Mensal sobre Agravos à Saúde Pública  ISSN 1806-4272

Divisão de Doenças de Transmissão Respiratória, Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”, Coordenadoria de Controle de Doenças, Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – DDTR/CVE/CCD/SES-SP


Em 14/12/06, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS) confirmou 14 casos de sarampo em João Dourado, a 455 quilômetros de Salvador (BA), entre os 33 casos notificados como suspeitos. O genótipo D4 foi identificado em cinco dos casos confirmados, configurando a mesma cadeia de transmissão do vírus. A fonte de infecção ainda é desconhecida.

Todos os casos confirmados não eram vacinados e alguns receberam a vacina no momento do bloqueio, antes de apresentar sinais e sintomas (fora do prazo considerado evento adverso relacionado à vacina). Todos os casos confirmados referiram ter contato com pessoas que tiveram as manifestações clínicas da doença.

O primeiro e o último casos confirmados apresentaram exantema entre as semanas epidemiológicas 41 e 45 de 2006, no período de 08/10/06 a 11/11/06. Trata-se de indivíduos de ambos os sexos, com idade entre 9 meses a 37 anos, que residem em um mesmo bairro.

A Figura 1 demonstra o número de casos deste surto, por faixa etária.


Fonte:
SVS/MS, em 14/12/06.
Figura 1.
Casos de sarampo por faixa etária. João Dourado, BA, 2006.

Todos os casos foram confirmados ou descartados com base na análise dos resultados da investigação epidemiológica e dos exames laboratoriais.

A Figura 2 apresenta a distribuição geográfica dos genótipos dos vírus do sarampo nas regiões onde ele ainda não foi controlado.


Fonte: MMWR, 15/12/06.
Figura 2.
Distribuição geográfica dos genótipos dos vírus do sarampo (1995-2006).

A hipótese de que a infecção inicial tenha sido contraída no município de Lençóis (BA) foi descartada. Até o momento, não foi possível definir como o vírus foi introduzido no município de João Dourado, que tem sua economia baseada na agricultura e, semanalmente, recebe um intenso fluxo de caminhoneiros, que levam verduras para diversos Estados do Brasil. Outrossim, nenhum outro caso de sarampo foi confirmado no País e todos os Estados permanecem em  alerta.

O sarampo é altamente transmissível, facilmente infecta por via respiratória pessoas suscetíveis, que nunca adquiriram a doença ou não foram adequadamente vacinadas.

A Figura 3 ilustra os casos suspeitos de sarampo notificados no Estado de São Paulo por semana epidemiológica em 2005-2006, assinalado o período de alerta indicado pelo surto da Bahia.


Fonte:
Sinan/DDTR, até SE 48/06. 
Figura 3.
Casos suspeitos de sarampo notificados no Estado de São Paulo, por semana epidemiológica, 2005-2006.

A vacina tríplice viral SCR (contra sarampo, caxumba e rubéola) é a medida de prevenção mais eficaz contra o sarampo. No calendário de vacinação de rotina, a primeira dose deve ser administrada a toda criança de 1 ano de idade e uma segunda dose àquelas de 5 a 6 anos.


Recomenda-se que os adultos nascidos depois de 1960, sem comprovação de nenhuma dose, recebam pelo menos uma dose da vacina tríplice viral (SCR). Esta vacina não é recomendada a gestantes. Os viajantes devem estar com suas vacinas em dia antes de viajar.

A definição de caso suspeito de sarampo é:

“Toda pessoa que apresente febre e exantema acompanhados de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, independente da idade e situação vacinal.”

O Estado de São Paulo incrementou as seguintes ações frente a este surto:

- Elaboração de informes técnicos e folders com recomendação aos viajantes e alerta após o regresso para os casos suspeitos; enviados, também, a todos os municípios do Estado e agências de turismo. O material encontra-se disponível no seguinte endereço eletrônico: http://www.cve.saude.sp.gov.br/.

- Recomendação de vacinação com a vacina tríplice viral SCR (sarampo, caxumba e rubéola):

·         de viajantes para a Bahia, disponível nas unidades de saúde do Estado, terminais rodoviários (Tietê e Barra Funda, onde serão disponibilizados, também, folders com recomendação de vacinação) e nos aeroportos (Guarulhos, Congonhas e Viracopos);

·         dos funcionários dos terminais rodoviários (Tietê e Barra Funda), incluindo comerciários, taxistas, entregadores, motoristas das empresas de ônibus e

·         dos caminhoneiros nos armazéns alfandegários do Estado de São Paulo.

- Intensificação das medidas de vigilância e controle das doenças exantemáticas no Estado de São Paulo, com recomendação a todos os municípios de abrangência de emissão de alerta aos seus principais equipamentos de saúde públicos e privados sobre a possibilidade de ocorrência de outros casos.

Esses casos devem ser imediatamente investigados para verificar se são suspeitos de sarampo. Caso sejam detectados novos casos suspeitos, as Secretarias Municipais devem:

·         proceder à notificação imediata (por telefone) à Secretaria de Estado da Saúde;

·         proceder à coleta de espécimes clínicos (sangue) para a realização do diagnóstico laboratorial e

·         adotar as medidas de prevenção e controle de forma oportuna.

Salienta-se, também, a importância da realização de busca ativa de casos, nos serviços de saúde públicos e privados, que possam atender a definição de caso suspeito de sarampo e não notificados à vigilância epidemiológica. Esta busca ativa deve abranger o período a partir de 1/9/06.

Nesta atividade devem ser identificados os indivíduos nascidos a partir de 1960, com história de febre e exantema máculo-papular.

ATENÇÃO

Notifique todo caso suspeito de sarampo à:

·          Secretaria Municipal de Saúde ou

·          Central de Vigilância/CVE/CCD/SES-SP pelo telefone 0800-0555466.

 

Informações adicionais: http://www.cve.saude.sp.gov.br

                                    http://www.saude.gov.br/svs


Correspondência/Correspondence to:
Divisão de Doenças de Transmissão Respiratória
Av. Dr. Arnaldo, 351 – 6º andar
CEP: 01246-902 – São Paulo (SP)
Tels.: (11) 3066-8236 / 3066-
8289
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E-mail: dvresp@saude.sp.gov.br

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