|
fevereiro, 2004 Ano1 Número
2
retorna
|
Vigilância Acarológica
|
Os carrapatos são artrópodes da subclasse Acari, de distribuição mundial, ectoparasitas de anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Alimentam-se principalmente de sangue, mas também de linfa e restos tissulares presentes na pele do hospedeiro.
Estes artrópodes possuem peças bucais adaptadas, que perfuram e penetram a pele a fim de obter alimento, podendo permanecer fixados ao hospedeiro por dias ou semanas, secretando uma saliva que impede a coagulação sanguínea e as reações de defesa do organismo no local de fixação. Dadas as particularidades de seus hábitos alimentares, os carrapatos constituem, hoje, o segundo grupo em importância de vetores de doenças infecciosas para animais e humanos, transmitindo microrganismos como vírus, bactérias, protozoários e helmintos, basicamente através da saliva.
A importância dos carrapatos como transmissores de doença foi, inicialmente, reconhecida nas ciências veterinárias. Já no início do século XX, nos Estados Unidos, foi demonstrada a transmissão por carrapatos a humanos da febre maculosa das montanhas rochosas, uma riquetsiose. Em 1929, no Brasil, foi descrito o tifo exantemático paulista, também uma riquetsiose, hoje reconhecido como febre maculosa brasileira.
No Estado de São Paulo pelo menos duas doenças transmitidas por carrapatos podem ser consideradas emergentes, a febre maculosa brasileira (FMB), doença de notificação compulsória no País desde 2001, e a borreliose de Lyme, com evidências de que podem estar ocorrendo também no Brasil infecções humanas causadas por Erlichia spp e Babesia spp.
Considerando o importante do papel desempenhado pelos carrapatos como vetores e reservatórios de doenças e o desconhecimento da magnitude da febre maculosa brasileira, assim como da distribuição da fauna de carrapatos de importância médica em São Paulo, técnicos da Sucen, em parceria com o professo doutor Marcelo B. Labruna, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, elaboraram o Manual de Vigilância Acarológica, que representa a incorporação definitiva do carrapato no conjunto de responsabilidades da Sucen.
A vigilância acarológica baseada em critérios pré-estabelecidos possibilitará o conhecimento da distribuição desta fauna, bem como o desencadeamento de medidas preventivas e de controle, com objetivo de prevenir a transmissão da FMB e de outras enfermidades transmitidas por carrapatos. Dessa forma, propõe-se um sistema de vigilância por meio de notificação visando conhecer, inicialmente, as áreas infestadas por carrapatos Amblyomma cajennense e/ou A. aureolatum e que apresentem parasitismo humano por carrapatos, portanto de risco para FMB. Essa proposta de vigilância acarológica tem como vantagem o baixo custo e uma maior simplicidade na montagem de uma rede de notificação.
A estratégia para o desencadeamento das ações está baseada em dois tipos de notificação:
Notificação espontânea de parasitismo humano por carrapatos às unidades básicas de saúde ou a outros serviços de saúde;
Notificação de caso humano suspeito ou confirmado de febre maculosa ou outra doença transmitida por carrapatos.
Autora: Vieira A, Diretoria de Controle Vetores - Sucen
NOTA DO EDITOR
Esta é uma iniciativa pioneira em vigilância. Carrapatos são hoje reconhecidos como importantes vetores de zoonoses, muitas delas de crescente importância, como a febre maculosa brasileira. A saúde pública brasileira, a paulista inclusive, tem relegado os carrapatos a um plano secundário. Este manual preenche uma lacuna importante, permitindo aos profissionais da saúde pública acesso a informações geralmente difíceis de conseguir.
Silva LJ, Ed.
O Manual de Vigilância Acarológica está disponível no
site http://www.sucen.sp.gov.br
|
|
Agência Paulista de Controle de Doenças
|
|