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Abril, 2006 Ano 3 Número 28
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Informes
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EPISUS-SP: Programa de
Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde
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O Programa de Treinamento em
Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde (EPISUS-SP)
foi instituído em 2004 pelo Centro de Vigilância Epidemiológica
“Prof. Alexandre Vranjac” (CVE) – órgão da Coordenadoria de
Controle de Doenças, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
–, em convênio com a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de
São Paulo (FSP-USP). A equipe paulista é composta de quatro alunos por
ano (graduados na área de saúde), que permanecem no projeto durante
dois anos. Esse treinamento foi implantado inicialmente pelo Ministério
da Saúde (MS), em julho de 2000, vinculado à Secretaria de Vigilância
em Saúde e conveniado com o Centers
for Disease Control and Prevention (CDC).
O Programa tem
como objetivo a formação de recursos humanos altamente
qualificados em investigação e rápida intervenção em surtos e
epidemias, planejamento e execução de estudos epidemiológicos, avaliação
de sistemas de informação em saúde e gerenciamento da tomada de decisões
em ações de vigilância em saúde. Para tanto, inclui formação teórica
baseada nas disciplinas obrigatórias e eletivas do Programa de Pós-Graduação
em Saúde Pública (Mestrado – Área de Concentração em
Epidemiologia) da FSP-USP, além de cursos promovidos em parcerias com
outras instituições. As atividades teórico-práticas
compreendem investigação supervisionada de surtos, análise de dados
de vigilância epidemiológica e desenvolvimento de pesquisas
complementares às investigações, dentre outras. Os alunos estão
incorporados em divisões específicas do CVE (Doenças de Transmissão
Hídrica e Alimentar, Infecção Hospitalar, Zoonoses, Tuberculose e
Doenças de Transmissão Respiratória). De março de 2004 a fevereiro de
2006, a equipe do EPISUS-SP participou de 50 investigações conduzidas
em conjunto com as Divisões do CVE ou em parceria com a equipe do
Ministério da Saúde.Contou-se, também, com a participação de
profissionais das vigilâncias epidemiológicas das Diretorias Regionais
de Saúde e dos municípios. Em cada investigação, busca-se identificar
oportunidades de conhecimento e pontos críticos que devem ser
aprofundados para o aprimoramento da prevenção e controle dos agravos
de interesse em saúde pública. O número de investigações realizadas
foi considerado alto em relação ao tempo de implantação do
treinamento, o que aponta para a necessidade de uma equipe destacada
especialmente para o deslocamento imediato a campo.
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Comitê de Mobilização
Contra Dengue
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O Comitê de Mobilização Contra Dengue (CMCD) foi criado em 2002
– mediante resolução do secretário de Estado da Saúde de São
Paulo – com o objetivo de planejar,
coordenar e acompanhar ações de
mobilização social para o controle da
dengue e combate ao mosquito transmissor Aedes
aegypti. A secretaria executiva está a cargo da
Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e inclui as atividades
de encaminhamento das deliberações e articulação das instituições
envolvidas, para desenvolvimento de projetos específicos de trabalho. O
comitê vem trabalhando de
forma sistemática para atingir o público interno e externo.
Na
última reunião, no final de
2005, foram definidas as estratégias
de divulgação para o “Dia D”, data em que todos são
convocados e mobilizados para combater a dengue, estimulando a
participação de toda sociedade civil nessa
ação. Pela especificidade da doença, a mobilização e a
participação efetivas da comunidade são imprescindíveis para o
controle adequado dos criadouros do vetor.
O comitê criou, ainda, um
grupo de trabalho para planejar medidas
de educação, comunicação e mobilização social nos meses de
verão e elaborar o regimento interno que deverá orientar
o seu funcionamento.
Em 2006, no dia 24 de janeiro, os
integrantes do grupo
participaram da primeira reunião com objetivo de definir
mecanismos de participação de cada uma das instituições.
As deliberações incluíram
atividades de todas as instâncias envolvidas, entre elas:
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Consolidação
de parcerias para desenvolvimento de ações integradas de
divulgação e controle da doença, buscando a inclusão de novos
integrantes.
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Desenvolvimento de medidas
educativas com a participação da Secretaria de Estado da Educação,
que vai orientar os educadores para que o assunto seja tratado ao longo
de todo o ano letivo, em abordagem transversal. Nas divisões regionais
desta pasta será intensificado o trabalho de orientação
onde a transmissão de dengue ocorre, para sensibilização,
esclarecimentos, orientações no uso de material didático pedagógico
e sugestão de parcerias com os órgãos de saúde.
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A Socicam, empresa que atua nos terminais de passageiros –
na Capital (os terminais Tietê, Barra Funda e Jabaquara) e no Interior
(Santos, Ribeirão Preto e Campinas, entre outros) oferecerá espaço
para exposição, apresentação e divulgação de material de divulgação
(displays, murais, faixas, banners,
folhetos, além de veicular notícias no seu boletim informativo
interno).
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O Secovi (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação
e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e
Comerciais), também chamado de Sindicato da Habitação, que administra
cerca de 4.000 condomínios na Capital, oferecerá espaço em seu veículo
de comunicação interna, a Revista SECOVI – Condomínios, com tiragem
de 35.000 exemplares e de circulação mensal. A entidade assinala, também,
possibilidade de inserção no portal Secovi, na internet.
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A Companhia Metropolitana (Metro) oferece espaços
institucionais localizados nas plataformas das estações para colocação
de cartazes sobre as ações de prevenção de dengue.
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A Secretaria do Meio Ambiente, por meio da Companhia de
Tecnologia de Saneamento Ambiental Ciência e Tecnologia a Serviço do
Meio Ambiente(Cetesb) pretende introduzir o tema dengue no projeto Operação Verão Limpo 2006, com distribuição do material educativo e
exposição sobre criadouros do mosquito nas praias do litoral.
Desenvolverá, ainda, trabalho de orientação aos funcionários,
alertando sobre os cuidados a serem tomados, e realizará mutirão
interno nos prédios da companhia para localizar possíveis criadouros.
Desenvolverá atividades de orientação aos técnicos de fiscalização
que atuam em todo Estado para inserir a observação e vistoria de possíveis
criadouros do mosquito Aedes
aegypti, orientando
os responsáveis sobre a eliminação de criadouros e, ao mesmo
tempo, alertando as autoridades sanitárias sobre a sua existência. A
Cetesb pretende, também, dispensar cuidado especial à administração
dos parques sob sua responsabilidade e gestão de resíduos sólidos.
Propõe distribuição de material educativo de dengue no Jardim Botânico
e Horto Florestal e a realização de palestra para os funcionários
destes parques, de forma a prepará-los para a atividade.
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A Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A propõe a
distribuição de folhetos educativos em postos de pedágios e balanças
e das rodovias Airton Senna, Carvalho Pinto e Dom Pedro I e travessias
litorâneas.
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O Cosems – Conselho de Secretários Municipais de Saúde do
Estado de São Paulo está programando divulgação sobre a importância
da prevenção da dengue junto aos secretários Municipais de Saúde, além
de todas as instituições com as quais tem interface. Oferece espaço
no Jornal do Conselho, de circulação mensal, com tiragem de 1.200
exemplares, mala direta para as Secretarias Municipais e, ainda, a inserção
de informações no site do Conselho Nacional de Secretários Municipais
de Saúde(Conasems) e Comissão Bipartite, nos quais a entidade tem
representação.
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A Sucen oferece vários tipos de materiais educativos para as
instituições e subsidia a produção de novos materiais de apoio.
A Sucen pretende,
com essas ações conjuntas da sociedade e dos órgãos de saúde,
reduzir as condições favoráveis para proliferação do mosquito e,
conseqüentemente, a transmissão da doença no Estado de São Paulo.
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IAL:
visão e o aprendizado
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O Instituto Adolfo Lutz (IAL), da
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, denominado anteriormente
de Instituto Bacteriológico, foi fundado em 1892. Após meio século
de existência, foi incorporado ao Laboratório de Análises Químicas e
Bromatológicas. O IAL recebeu esse nome em memória a Adolfo Lutz, renomado cientista, doutor em Medicina pela Universidade de
Berna, que muito colaborou com suas pesquisas, no Instituto Bacteriológico,
dando prestígio à instituição e auxiliando na formação de outros
pesquisadores.
Desde essa época, muitos surtos que acometiam a população
paulista puderam ser controlados graças à criação do instituto.
Atualmente, o IAL é reconhecido internacionalmente por sua competência
para responder às ocorrências em sua área de atuação, tendo sido
credenciado pelo Ministério da Saúde como Laboratório Nacional em Saúde
Pública e Laboratório de Referência Macrorregional. O IAL atua na área
de Biologia Médica em Bacteriologia, Imunologia, Virologia e
Parasitologia, englobando também as áreas de Patologia, Bromatologia e
Química, produzindo conhecimentos relevantes para a saúde coletiva. Além
dessas atividades, desenvolve pesquisas aplicadas, promovendo e
divulgando trabalhos científicos; colabora na elaboração de normas técnicas;
padroniza métodos diagnósticos e analíticos e organiza cursos de
formação técnica, de aperfeiçoamento e estágios de aprimoramento
profissional.
Por meio do Programa de Aprimoramento Profissional, da Fundação
do Desenvolvimento Administrativo (PAP/Fundap), na área de Bacteriologia
em Saúde Pública, pode-se conhecer
as atividades e funções do IAL, que muitos estudantes não têm
oportunidade de conhecer esta instituição pública, talvez pela falta
de divulgação. Muitos deles acreditam
que o Instituto Adolfo Lutz realiza apenas rotina de laboratório. No IAL são feitos diversos exames que muitos laboratórios,
tanto públicos como particulares, não possuem o suporte para realizar.
Nele atuam profissionais altamente qualificados e treinados, que se
integram a este mundo com empenho e dedicação, para atender à saúde
da população.
O Instituto Adolfo Lutz, integrante do sistema nacional e
estadual de vigilância epidemiológica e sanitária, tem como
finalidade contribuir para a promoção da saúde da população, através
de geração e divulgação do conhecimento nas áreas de laboratório
de saúde pública, atuando como referência.
A Seção de Bacteriologia é
dividida em quatro setores: Bactérias Piogênicas e Toxigênicas,
Enterobactérias, Micobactérias e Leptospirose. O setor de Bactérias
Piogênicas é centro de referência nacional para as meningites e Streptococcus
pneumoniae e difteria, além de ser Centro Sub-Regional
Latino-Americano pela Organização Panamericana de Saúde (Opas/OMS).
Neste setor, estagiários-bolsistas são treinados, por meio de diversos
cursos oferecidos pelo próprio IAL e por pesquisadores de instituições
internacionais, em diagnóstico bacteriológico, identificação fenotípica
e molecular e resistência antimicrobiana.
Profissionalmente, o estágio de um
ano na instituição propicia ao
aluno o contacto com
diversas bactérias, métodos para diagnóstico, clareza e persuasão
profissional e conhecimento da relevância do trabalho realizado para a
saúde pública. Entende-se que a
oportunidade mais rica que essa experiência
oferece aos estagiários é
de trabalhar com métodos, procedimentos, insumos e mesmo bactérias
cujo contato seria difícil em uma instituição privada. Os
pesquisadores têm disposição e vontade para ensinar os estagiários,
mostrando, freqüentemente, novos resultados e novos procedimentos. Por
se tratar de uma instituição pública, a abrangência é muito maior,
incluindo diversas patologias que as instituições privadas não
atendem.
Selma Lina Suzuki – bolsista da
Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap)
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Tuberculose
na população prisional
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A tuberculose em instituições fechadas como presídios
apresenta um potencial de transmissão bastante elevado
pelas características
dessa população.
Os indicadores de incidência de tuberculose no Estado de São
Paulo atingem cerca de 800 casos por 100.000 detentos,
índice várias vezes mais alto do que os 43 por 100.000 da
população em geral. Entre
a população carcerária feminina, estes valores atingem cerca de 1.536
por 100.000, apesar do menor número absoluto de casos.
Esses aspectos levaram a Secretaria de Estado da Saúde de São
Paulo a desenhar um modelo de investigação epidemiológica dirigido
às presidiárias, cujo menor contingente em relação ao
grupo de detentos do sexo masculino permitiria uma abordagem mais rápida,
que poderia ser, depois, reproduzida para os detentos.
Tendo em vista que a investigação terá a conotação de
modelo, dela farão parte os profissionais do sistema prisional que têm
contato direto com as detentas. Para o início do trabalho foi escolhida
a Penitenciária Feminina da Capital, com 639 detentas e cerca de 100
profissionais.
Participaram do preparo da estratégia: a Secretaria de
Estado da Saúde – Divisão de TB/CVE e Programa de DST/AIDS –,
Secretaria da Administração Penitenciária – Coordenadoria de Saúde
–, Secretaria
Municipal de Saúde
– Programa
de TB e Programa de DST/AIDS –, Regional de Saúde Norte – SUVIS
Santana e CTA Pirituba.
Durante
o período de 2 a 7 de março, 529 detentas e 36 profissionais receberam
informações sobre tuberculose. Na mesma fase, foi definida a
operacionalização das atividades que compreenderam, basicamente, interrogatório sobre tosse, há mais de duas semanas, para todas as
detentas e profissionais. Para
as sintomáticas respiratórias (tosse há mais de duas semanas) foi
realizada coleta de escarro e exame radiológico e a toda população
da instituição foi oferecido o teste HIV, sorologia para hepatite e sífilis.
Os resultados obtidos durante o
trabalho foram: para os
sintomáticos respiratórios identificados, cerca de 108 (é necessária
a revisão desse número, devido a registro incompleto); as coletas
de escarro realizadas para baciloscopia, cultura de teste de
sensibilidade, somam 82; também foram realizados 100 exames
radiológicos e, por fim, coletas de sorologia para HIV, hepatite e sífilis totalizaram
140.
Foram
identificados dois novos casos de tuberculose e confirmados sete que já
estavam em tratamento.
O
programa, ainda em fase inicial, pode ser avaliado, preliminarmente,
como tendo uma estratégia inteiramente adequada, embora devam ser
feitos ajustes na operacionalização. Mediante os dados iniciais, é
possível confirmar a gravidade do quadro da tuberculose entre a população
prisional feminina, tendo sido constatados nove casos de tuberculose em
uma população de 639 detentas.
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