Publicação Mensal sobre Agravos à Saúde Pública  ISSN 1806-4272
EPISUS-SP: Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde


O Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde (EPISUS-SP) foi instituído em 2004 pelo Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE) – órgão da Coordenadoria de Controle de Doenças, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo –, em convênio com a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP). A equipe paulista é composta de quatro alunos por ano (graduados na área de saúde), que permanecem no projeto durante dois anos. Esse treinamento foi implantado inicialmente pelo Ministério da Saúde (MS), em julho de 2000, vinculado à Secretaria de Vigilância em Saúde e conveniado com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

O Programa tem  como objetivo a formação de recursos humanos altamente qualificados em investigação e rápida intervenção em surtos e epidemias, planejamento e execução de estudos epidemiológicos, avaliação de sistemas de informação em saúde e gerenciamento da tomada de decisões em ações de vigilância em saúde. Para tanto, inclui formação teórica baseada nas disciplinas obrigatórias e eletivas do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública (Mestrado – Área de Concentração em Epidemiologia) da FSP-USP, além de cursos promovidos em parcerias com outras instituições.

As atividades teórico-práticas compreendem investigação supervisionada de surtos, análise de dados de vigilância epidemiológica e desenvolvimento de pesquisas complementares às investigações, dentre outras. Os alunos estão incorporados em divisões específicas do CVE (Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar, Infecção Hospitalar, Zoonoses, Tuberculose e Doenças de Transmissão Respiratória).

De março de 2004 a fevereiro de 2006, a equipe do EPISUS-SP participou de 50 investigações conduzidas em conjunto com as Divisões do CVE ou em parceria com a equipe do Ministério da Saúde.Contou-se, também, com a participação de profissionais das vigilâncias epidemiológicas das Diretorias Regionais de Saúde e dos municípios.

Em cada investigação, busca-se identificar oportunidades de conhecimento e pontos críticos que devem ser aprofundados para o aprimoramento da prevenção e controle dos agravos de interesse em saúde pública. O número de investigações realizadas foi considerado alto em relação ao tempo de implantação do treinamento, o que aponta para a necessidade de uma equipe destacada especialmente para o deslocamento imediato a campo.

Comitê de Mobilização Contra Dengue


O Comitê de Mobilização Contra Dengue (CMCD) foi criado em 2002 – mediante resolução do secretário de Estado da Saúde de São Paulo – com o objetivo de planejar, coordenar e acompanhar ações de mobilização social para o controle da dengue e combate ao mosquito transmissor Aedes aegypti. A secretaria executiva está a cargo da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e inclui as atividades de encaminhamento das deliberações e articulação das instituições envolvidas, para desenvolvimento de projetos específicos de trabalho. O comitê vem trabalhando  de forma sistemática  para atingir o público interno e externo.

Na última reunião, no final de 2005, foram definidas as  estratégias  de divulgação para o “Dia D”, data em que todos são convocados e mobilizados para combater a dengue, estimulando a participação de toda sociedade civil nessa  ação. Pela especificidade da doença, a mobilização e a participação efetivas da comunidade são imprescindíveis para o controle adequado dos criadouros do vetor.

O comitê  criou, ainda,  um grupo de trabalho para planejar medidas  de educação, comunicação e mobilização social nos meses de verão e elaborar o regimento interno que deverá orientar  o seu funcionamento.

Em 2006, no dia 24 de janeiro, os integrantes do  grupo  participaram da primeira reunião com objetivo de definir mecanismos de participação de cada uma das instituições.

As deliberações incluíram  atividades de todas as instâncias envolvidas, entre elas:

  • Consolidação de parcerias para desenvolvimento de ações integradas de divulgação e controle da doença, buscando a inclusão de novos integrantes.  

  • Desenvolvimento de medidas  educativas com a participação da Secretaria de Estado da Educação, que vai orientar os educadores para que o assunto seja tratado ao longo de todo o ano letivo, em abordagem transversal. Nas divisões regionais desta pasta será intensificado o trabalho de orientação  onde a transmissão de dengue ocorre, para sensibilização, esclarecimentos, orientações no uso de material didático pedagógico e sugestão de parcerias com os órgãos de saúde.

  • A Socicam, empresa que atua nos terminais de passageiros – na Capital (os terminais Tietê, Barra Funda e Jabaquara) e no Interior (Santos, Ribeirão Preto e Campinas, entre outros) oferecerá espaço para exposição, apresentação e divulgação de material de divulgação (displays, murais, faixas, banners, folhetos, além de veicular notícias no seu boletim informativo interno).

  • O Secovi (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais), também chamado de Sindicato da Habitação, que administra cerca de 4.000 condomínios na Capital, oferecerá espaço em seu veículo de comunicação interna, a Revista SECOVI – Condomínios, com tiragem de 35.000 exemplares e de circulação mensal. A entidade assinala, também, possibilidade de inserção no portal Secovi, na internet.  

  • A Companhia Metropolitana (Metro) oferece espaços institucionais localizados nas plataformas das estações para colocação de cartazes sobre as ações de prevenção de dengue.  

  • A Secretaria do Meio Ambiente, por meio da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental Ciência e Tecnologia a Serviço do Meio Ambiente(Cetesb) pretende introduzir o tema dengue no projeto Operação Verão Limpo 2006, com distribuição do material educativo e exposição sobre criadouros do mosquito nas praias do litoral. Desenvolverá, ainda, trabalho de orientação aos funcionários, alertando sobre os cuidados a serem tomados, e realizará mutirão interno nos prédios da companhia para localizar possíveis criadouros. Desenvolverá atividades de orientação aos técnicos de fiscalização que atuam em todo Estado para inserir a observação e vistoria de possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti,  orientando os responsáveis sobre a eliminação de criadouros e, ao mesmo tempo, alertando as autoridades sanitárias sobre a sua existência. A Cetesb pretende, também, dispensar cuidado especial à administração dos parques sob sua responsabilidade e gestão de resíduos sólidos. Propõe distribuição de material educativo de dengue no Jardim Botânico e Horto Florestal e a realização de palestra para os funcionários destes parques, de forma a prepará-los para a atividade.

  • A Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A propõe a distribuição de folhetos educativos em postos de pedágios e balanças e das rodovias Airton Senna, Carvalho Pinto e Dom Pedro I e travessias litorâneas.

  • O Cosems – Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo está programando divulgação sobre a importância da prevenção da dengue junto aos secretários Municipais de Saúde, além de todas as instituições com as quais tem interface. Oferece espaço no Jornal do Conselho, de circulação mensal, com tiragem de 1.200 exemplares, mala direta para as Secretarias Municipais e, ainda, a inserção de informações no site do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde(Conasems) e Comissão Bipartite, nos quais a entidade tem representação.

  • A Sucen oferece vários tipos de materiais educativos para as instituições e subsidia a produção de novos materiais de apoio.

A Sucen pretende, com essas ações conjuntas da sociedade e dos órgãos de saúde, reduzir as condições favoráveis para proliferação do mosquito e, conseqüentemente, a transmissão da doença no Estado de São Paulo. 

IAL: visão e o aprendizado


O Instituto Adolfo Lutz (IAL), da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, denominado anteriormente de Instituto Bacteriológico, foi fundado em 1892. Após meio século de existência, foi incorporado ao Laboratório de Análises Químicas e Bromatológicas. O IAL recebeu esse nome em memória a Adolfo Lutz, renomado cientista, doutor em Medicina pela Universidade de Berna, que muito colaborou com suas pesquisas, no Instituto Bacteriológico, dando prestígio à instituição e auxiliando na formação de outros pesquisadores.

Desde essa época, muitos surtos que acometiam a população paulista puderam ser controlados graças à criação do instituto. Atualmente, o IAL é reconhecido internacionalmente por sua competência para responder às ocorrências em sua área de atuação, tendo sido credenciado pelo Ministério da Saúde como Laboratório Nacional em Saúde Pública e Laboratório de Referência Macrorregional. O IAL atua na área de Biologia Médica em Bacteriologia, Imunologia, Virologia e Parasitologia, englobando também as áreas de Patologia, Bromatologia e Química, produzindo conhecimentos relevantes para a saúde coletiva. Além dessas atividades, desenvolve pesquisas aplicadas, promovendo e divulgando trabalhos científicos; colabora na elaboração de normas técnicas; padroniza métodos diagnósticos e analíticos e organiza cursos de formação técnica, de aperfeiçoamento e estágios de aprimoramento profissional.

Por meio do Programa de Aprimoramento Profissional, da Fundação do Desenvolvimento Administrativo (PAP/Fundap), na área de Bacteriologia em Saúde Pública, pode-se  conhecer as atividades e funções do IAL, que muitos estudantes não têm oportunidade de conhecer esta instituição pública, talvez pela falta de divulgação. Muitos deles acreditam que o Instituto Adolfo Lutz realiza apenas rotina de laboratório.  No IAL são feitos diversos exames que muitos laboratórios, tanto públicos como particulares, não possuem o suporte para realizar. Nele atuam profissionais altamente qualificados e treinados, que se integram a este mundo com empenho e dedicação, para atender à saúde da população.

O Instituto Adolfo Lutz, integrante do sistema nacional e estadual de vigilância epidemiológica e sanitária, tem como finalidade contribuir para a promoção da saúde da população, através de geração e divulgação do conhecimento nas áreas de laboratório de saúde pública, atuando como referência.

A Seção de Bacteriologia é dividida em quatro setores: Bactérias Piogênicas e Toxigênicas, Enterobactérias, Micobactérias e Leptospirose. O setor de Bactérias Piogênicas é centro de referência nacional para as meningites e Streptococcus pneumoniae e difteria, além de ser Centro Sub-Regional Latino-Americano pela Organização Panamericana de Saúde (Opas/OMS). Neste setor, estagiários-bolsistas são treinados, por meio de diversos cursos oferecidos pelo próprio IAL e por pesquisadores de instituições internacionais, em diagnóstico bacteriológico, identificação fenotípica e molecular e resistência antimicrobiana.

Profissionalmente, o estágio de um ano na instituição propicia  ao aluno  o contacto com diversas bactérias, métodos para diagnóstico, clareza e persuasão profissional e conhecimento da relevância do trabalho realizado para a saúde pública.

Entende-se  que a oportunidade mais rica que essa  experiência oferece aos estagiários  é  de  trabalhar com métodos, procedimentos, insumos e mesmo bactérias cujo contato seria difícil em uma instituição privada. Os pesquisadores têm disposição e vontade para ensinar os estagiários, mostrando, freqüentemente, novos resultados e novos procedimentos. Por se tratar de uma instituição pública, a abrangência é muito maior, incluindo diversas patologias que as instituições privadas não atendem.

Selma Lina Suzuki – bolsista da Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap)

Tuberculose na população prisional


A tuberculose em instituições fechadas como presídios  apresenta um potencial de transmissão bastante elevado  pelas  características dessa população.

Os indicadores de incidência de tuberculose no Estado de São Paulo atingem cerca de 800 casos por 100.000 detentos,  índice várias vezes mais alto do que os 43 por 100.000 da população em geral.  Entre a população carcerária feminina, estes valores atingem cerca de 1.536 por 100.000, apesar do menor número absoluto de casos.

Esses aspectos levaram a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo a desenhar um modelo de investigação epidemiológica dirigido às presidiárias, cujo menor contingente em relação ao grupo de detentos do sexo masculino permitiria uma abordagem mais rápida, que poderia ser, depois, reproduzida para os detentos.

Tendo em vista que a investigação terá a conotação de modelo, dela farão parte os profissionais do sistema prisional que têm contato direto com as detentas. Para o início do trabalho foi escolhida a Penitenciária Feminina da Capital, com 639 detentas e cerca de 100 profissionais.

Participaram do preparo da estratégia: a Secretaria de Estado da Saúde – Divisão de TB/CVE e Programa de DST/AIDS –, Secretaria da Administração Penitenciária – Coordenadoria de Saúde –, Secretaria Municipal de Saúde  Programa de TB e Programa de DST/AIDS –, Regional de Saúde Norte – SUVIS Santana e CTA Pirituba.

Durante o período de 2 a 7 de março, 529 detentas e 36 profissionais receberam informações sobre tuberculose. Na mesma fase, foi definida a operacionalização das atividades que compreenderam, basicamente, interrogatório sobre tosse, há mais de duas semanas, para todas as detentas e profissionais.  Para as sintomáticas respiratórias (tosse há mais de duas semanas) foi realizada coleta de escarro e exame radiológico e a toda população da instituição foi oferecido o teste HIV, sorologia para hepatite e sífilis.

Os resultados obtidos durante o trabalho foram:  para os sintomáticos respiratórios identificados, cerca de 108 (é necessária a revisão desse número, devido a registro incompleto); as coletas de escarro realizadas para baciloscopia, cultura de teste de sensibilidade, somam 82; também foram realizados 100 exames radiológicos e, por fim, coletas de sorologia para HIV, hepatite e sífilis totalizaram 140.

Foram identificados dois novos casos de tuberculose e confirmados sete que já estavam em tratamento.

O programa, ainda em fase inicial, pode ser avaliado, preliminarmente, como tendo uma estratégia inteiramente adequada, embora devam ser feitos ajustes na operacionalização. Mediante os dados iniciais, é possível confirmar a gravidade do quadro da tuberculose entre a população prisional feminina, tendo sido constatados nove casos de tuberculose em uma população de 639 detentas.

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