|
As campanhas nacionais de vacinação
contra a influenza para as pessoas com mais de 60 anos foram iniciadas
em 1999, em comemoração ao Ano Internacional do Idoso. Mais de 13 milhões
de brasileiros foram beneficiados em 2005 com a vacina.
No ano passado, a
cobertura vacinal atingida ao final da campanha foi de 78% (cerca de 2,7
milhões de pessoas) e uma homogeneidade de 92% (592 municípios
atingiram a cobertura vacinal de pelo menos 70%). Em 2006, no período
entre 24 de abril e 5 de maio, acontece a 8ª. Campanha Nacional de Vacinação para o
Idoso.
A desmistificação de que
a vacina provoca reações graves ou mesmo a gripe é compromisso a ser
adotado por todo profissional de saúde. Para tanto, as informações técnicas
deste documento serão disponibilizadas a todos os postos de
vacinação e amplamente divulgadas junto à comunidade científica. A
Secretaria de Estado da Saúde disponibiliza este documento por meio das
Diretorias Regionais de Saúde e no site
www.cve.saude.sp.gov.br, do Centro de Vigilância Epidemiológica
“Prof. Alexandre Vranjac”, da Coordenadoria de Controle de Doenças
(CVE/CCD/SES-SP).
É necessário manter coberturas vacinais acima
de 70%, homogeneamente em todos os municípios, com o objetivo de
reduzir a morbi-mortalidade causada pelo vírus influenza e suas
complicações.
Durante a campanha também serão oferecidas as
vacinas:
·
contra a difteria e o tétano para todos os idosos
ainda não vacinados
e,
·
contra o pneumococo, para os grupos de risco
elevado.
Entre 1999 e 2005, já foram aplicadas mais de
600.000 doses da vacina contra o pneumococo em todo o Estado (mais de
75% destas doses em pessoas com mais de 60 anos). Neste mesmo período,
também, observou-se redução da incidência do tétano.
Vacinação contra a influenza e o pneumococo
Influenza
A influenza (gripe) é uma doença viral aguda do
trato respiratório, com distribuição mundial e transmissibilidade
elevada. O modo de transmissão é através das secreções nasofaríngeas.
Caracteriza-se pelo início súbito de febre, associada a calafrios, dor
de garganta, cefaléia, mal-estar, dores musculares e tosse não
produtiva. Nos idosos é mais freqüente a ocorrência de complicações
como pneumonia e maiores taxas de hospitalização e mortalidade.
O agente etiológico da
influenza é o Myxovírus
influenza, da família Orthomyxovíridae, e possui três tipos antigênicos
distintos: A, B e C. A doença epidêmica é causada pelos vírus
influenza dos tipos A e B, freqüentemente associados com a elevação
das taxas de hospitalização e óbito.
Os vírus
influenza tipo A são classificados em subtipos de acordo com duas proteínas
de superfície, antigênicas, assim denominadas: hemaglutinina (H) e
neuraminidase (N). Os subtipos mais freqüentes são A (H1N1) e A
(H3N2).
Em decorrência das mutações que ocorrem
durante sua replicação, o vírus influenza sofre contínuas alterações,
gerando novas cepas ou variantes. O aparecimento destas novas cepas ou
variantes antigênicas permite que os vírus não sejam reconhecidos
pelo sistema de defesa do organismo por anticorpos anteriormente
desenvolvidos em infecções prévias, daí a necessidade da vacinação
anual em relação à influenza.
É importante esclarecer
que manifestações clínicas envolvendo o trato respiratório muitas
vezes são causadas por numerosos outros tipos de vírus, como o rinovírus
(resfriado comum) e o vírus sincicial respiratório. Estes casos também
são freqüentes durante o período de circulação do vírus influenza
(inverno) e NÃO são prevenidos pela vacina, uma vez que a mesma é
específica para as cepas do vírus influenza incluídas na sua composição.
Pneumococo
O pneumococo, ou Streptococcus
pneumoniae, é um diplococo Gram-positivo, com cerca de 90
sorotipos, cuja cápsula determina a especificidade sorológica e
contribui para a virulência e patogenicidade. A distribuição dos
sorotipos específicos varia de acordo com os diferentes tipos clínicos
de infecções. Os tipos mais comuns em infecções graves foram os
tipos 1, 3, 4, 7, 8 e 12 em adultos e os tipos 6, 14, 19 e 23 em
lactentes e crianças.
Os pneumococos habitam comumente o trato respiratório
humano e podem disseminar-se de pessoa a pessoa.
A vacina polissacarídica inclui os 23 sorotipos
mais importantes como causa de infecção no homem. No Brasil esta
vacina inclui 83% das cepas isoladas de infecções invasivas em idosos
e aproximadamente 100% das cepas associadas à resistência
antimicrobiana.
O projeto Sireva (Sistema Regional de Vacinas)
faz o monitoramento do pneumococo quanto à distribuição dos sorotipos
por área geográfica e em relação à emergência de cepas
resistentes, sob a coordenação nacional da Secretaria de Vigilância
em Saúde/Ministério da Saúde e apoio da Organização Pan-americana
de Saúde (Opas). O laboratório de referência no Brasil é o Instituto
Adolfo Lutz.
Situação epidemiológica
A influenza, devido ao seu reconhecido potencial
epidêmico e à expressiva morbi-mortalidade, constitui-se um importante
desafio à saúde pública global. O século passado presenciou três
pandemias de influenza, e todas disseminaram-se mundialmente, dentro de
um ano após a detecção:
·
gripe espanhola (H1N1), entre 1918 e 1919;
·
gripe asiática (H2N2) de 1957 e 1958 e
·
gripe de Hong Hong (H3N2) de 1968 e 1969.
Na primeira pandemia de influenza
(1918) quase
metade dos óbitos ocorreu entre adultos jovens e saudáveis. Já nas
duas últimas, os óbitos ocorreram principalmente em pessoas com mais
de 60 anos e naquelas pertencentes aos grupos de risco.
Neste contexto, emerge a importância do
monitoramento epidemiológico mundial da gripe. A vigilância mundial da
gripe foi estabelecida em 1952 e, atualmente, mobiliza uma rede de 114
laboratórios em 85 países, coordenados por três centros de referência
vinculados à Organização Mundial de Saúde (OMS).
No Brasil, três laboratórios compõem esta rede: a Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ), Instituto Evandro Chagas (IEC /PA) e o
Instituto Adolfo Lutz (IAL /SP).
As amostras clínicas procedentes dos diferentes
continentes são submetidas às análises específicas, cujo resultado
servirá de base para a composição da vacina (contêm os vírus mais
prevalentes). Este sistema de vigilância laboratorial serve também
como alerta global para a emergência de novas cepas pandêmicas.
Atualmente, há evidência da circulação do vírus
da influenza A (H5N1) entre aves domésticas e silvestres na Ásia e
Europa. Convém ressaltar que influenza humana (gripe) é diferente da
influenza aviária. Os relatos recentes de casos confirmados em humanos
de influenza aviária são coincidentes com epizootias do vírus
influenza A (H5N1), de alta patogenicidade, em aves silvestres e domésticas.
No momento, de acordo com a OMS, estamos no período correspondente à
fase 3 de alerta pandêmico, isto é, infecções humanas com um novo
subtipo, mas não há disseminação inter-humana ou ela é muito rara.
A maioria dos casos teve contato com aves infectadas. As autoridades
sanitárias mundiais temem que uma mutação viral possa levar à
disseminação global deste agravo.
As complicações da influenza são responsáveis
por um número significativo de internações hospitalares no Brasil;
cerca de 140.000 internações/ano na faixa etária de 60 anos e mais,
no período 1995/2001, segundo a SVS/MS. No Estado de São Paulo cerca
de 27.000 internações/ ano ocorreram no período 1996-2003, na mesma
faixa etária, decorrentes de influenza e pneumonia, de acordo com os
dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS).
A partir de setembro de 2002, foram implantadas
unidades sentinelas no Estado, integrantes do sistema Sivep-Gripe
(Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe/SVS/MS), compondo a
rede mundial de vigilância da influenza. O Laboratório de Vírus
Respiratórios do Instituto Adolfo Lutz (IAL), integrante da Rede
Nacional de Vigilância da Influenza, detectou a circulação das
seguintes estirpes virais, durante o período de janeiro a dezembro de
2005:
·
FLU A H3N2: A/Califórnia/7/2004 like
·
FLU A H1N1: A/New
Caledonia/20/99 like
·
FLU B:B/Shangai/361/2002
like
·
FLU B: B/Jiangsu/10/2003
like
·
FLU B: B/Hong
Kong/330/2001 like
A análise das características antigênicas
demonstrou:
·
Influenza A (H1N1): nos testes de inibição da
hemaglutinação (HI), a maioria dos vírus estava relacionada ao A/New
Caledonia/20/99.
·
Influenza A (H3N2): a análise antigênica
demonstrou pelos testes que a maioria dos vírus relacionava-se ao
A/Califórnia/7/2004.
·
Influenza B: os testes de HI evidenciaram a linhagem
B/Yamagata/16/88, fortemente relacionada ao protótipo da cepa B/Shangai/361/2202;
e a linhagem B/Victoria/2/87, antigenicamente similar ao B/Malaysia/2506/2004.
À semelhança da vigilância nos diferentes
continentes, observou-se declínio na prevalência da circulação da
estirpe H1, cuja circulação não foi detectada pela vigilância das
unidades sentinelas de abrangência do Instituto Adolfo Lutz (IAL).
Vacina contra influenza
Composição,
apresentação, dose e conservação
A vacina é constituída
por diferentes cepas de Myxovirus
influenzae inativados, fracionados e purificados, obtidos a partir
de culturas de ovos embrionados de galinha. Para esta campanha será
utilizada a vacina do Instituto Butantan que, segundo as recomendações
da OMS, contém:
·
A/New Caledonia/ 20/99 (H1N1)
·
A/California/7/2004 (H3N2); análogo a A/New
York/55/2004
·
B/Malaysia/2506/2004
Cada dose contém 15 g de hemaglutinina de cada
cepa, além de timerosal , solução salina e traços de neomicina. A
vacina vem acondicionada em frasco-ampola contendo dez doses. Cada dose
corresponde a 0,5 ml. Em crianças menores de 3 anos é utilizada meia
dose, ou seja, 0,25ml.
A vacina deve ser conservada a temperaturas entre
2ºC a 8ºC e NÃO PODE ser congelada. O frasco multidose, uma vez
aberto, poderá ser utilizado até o final, desde que mantido em
temperatura adequada (entre 2ºC e 8ºC) e adotados os cuidados que
evitem a sua contaminação.
Efetividade e duração
da proteção
Cerca de 10 a 15 dias após a vacinação
inicia-se a formação de anticorpos contra as cepas contidas na vacina,
cuja duração raramente excede 12 meses.
A eficácia da vacina contra influenza para a
prevenção da doença em adultos jovens é cerca de 70% a 90%. Quando
administrada em pessoas com mais de 60 anos estes índices caem para 30%
a 40%. No entanto, os seus reais benefícios estão na capacidade de
prevenir a pneumonia viral primária ou bacteriana secundária, e a
hospitalização e a morte, principalmente em pessoas com doenças crônicas
cardiovasculares e pulmonares. Esta proteção é de cerca de 70%.
Esquema de administração
e via de aplicação
Durante a campanha de vacinação deve ser
aplicada uma dose da vacina em todas as pessoas com idade igual ou
superior a 60 anos. Também serão atendidos, neste período, grupos
populacionais considerados de maior risco como:
·
pessoas com doenças crônicas: cardiovasculares,
pulmonares, renais, metabólicas (diabetes mellitus) e hepáticas;
·
imunodeprimidos: transplantados, com neoplasias,
infectados pelo HIV;
·
profissionais de saúde e
·
pessoas que convivem no mesmo domicílio ou
cuidadores informais, com pacientes nas situações anteriores, no
sentido de reduzir a transmissão da doença aos mesmos. Reiteramos que
a vacinação dos grupos de risco poderá ser realizada no mesmo período
da campanha.
Em crianças, o esquema vacinal é:
·
De 6 meses até 8 anos de idade – Duas doses com
intervalo de 30 dias somente no primeiro ano da vacinação. Nos anos
seguintes aplicar apenas uma dose.
Obs:
o volume da dose para crianças menores de 3 anos é de 0,25ml.
·
A partir de 9 anos de idade – Dose única.
Recomenda-se repetir anualmente a aplicação,
preferencialmente no outono, uma vez que o maior risco de exposição ao
vírus influenza ocorre nos meses de inverno. A via de aplicação é a
intramuscular.
Contra-indicações e
precauções
Reação anafilática em doses anteriores. Reação
anafilática a ovo ou a qualquer componente da vacina. Não constituem
contra-indicações à vacina alergia ou intolerância à ingestão de
ovos, que não seja anafilática. Por não conter microrganismos vivos,
não está contra-indicada nos pacientes portadores de imunodeficiência
ou neoplasias malignas.
Situações em que se
recomenda o adiamento da vacinação
Durante a evolução de doenças agudas febris
graves, sobretudo para que seus sinais e sintomas não sejam atribuídos
ou confundidos com possíveis eventos adversos das vacinas, recomenda-se
o adiamento da vacinação. A vacina contra o vírus influenza pode ser
aplicada simultaneamente com outros imunobiológicos.
Eventos adversos
Os eventos adversos diminuíram muito com as
vacinas altamente purificadas de vírus completos e praticamente
desapareceram com as vacinas fragmentadas e de subunidades.
Os vacinados podem apresentar:
·
manifestações locais como dor, edema, eritema ou nódulo
no local de aplicação, em 15% a 20% dos casos, com duração de 1 a 2
dias;
·
manifestações sistêmicas como febre, mal-estar,
mialgia em cerca de 1% dos vacinados. Iniciam habitualmente 6 a 12 horas
após a aplicação, com duração de 1 a 2 dias e
·
reações de hipersensibilidade, anafilaxia e
manifestações neurológicas são extremamente raras.
Observação: algumas síndromes neurológicas têm
sido temporalmente associadas a esta vacina. No entanto, a única
associação estatisticamente significante é a Síndrome de Guillain
Barre (SGB), que ocorreu após a administração da vacina contra
influenza suína, não mais utilizada. Caracterizada por paralisia simétrica,
ascendente e subaguda (refletindo um quadro de desmielinização
relacionada a infiltrado linfocítico de nervos periférico),
manifestava-se cerca de 1 a 6 semanas após a vacinação. A vacinação
de indivíduos com antecedentes de SGB deve ser discutida em relação
ao risco-benefício com o médico assistente.
A vacina contra o vírus influenza não induz a
manifestações de gripe ou aparecimento de sintomas de infecções de
vias aéreas superiores. A associação temporal de doenças respiratórias
após a vacinação poderá ocorrer neste período, coincidentemente, em
decorrência da maior incidência destas doenças nesta época do ano
(outono/inverno).
A proteção conferida pela vacina relaciona-se
apenas às cepas de vírus influenza que compõem a vacina (ou cepas que
apresentem analogia antigênica). Infecções respiratórias com outros
agentes, causando sintomas semelhantes à gripe, não serão evitados
pela vacina.
Ressalte-se que na pesquisa de opinião pública,
realizada em 2002, apenas 4% dos vacinados referiam alguma reação como
febre (13%), cefaléia (13%) e dores no corpo (19%). Não foi relatada
nenhuma manifestação sistêmica grave.
Vacina contra
pneumococo
Composição,
apresentação, dose e conservação
A vacina é 23-valente contendo em cada dose 25µg
de antígeno polissacarídico purificado de cada um dos seguintes
sorotipos de pneumococo: 1, 2, 3, 4, 5, 6B, 7F, 8, 9N, 9V, 10 A, 11 A,
12F, 14, 15B, 17F, 18C, 19A, 19 F 20, 22F, 23F, 33F. Contém fenol como
conservante e solução tampão isotônica. É apresentada em embalagem
com seringa agulhada, contendo uma dose de 0,5 ml, pronta para aplicação.
Deve ser conservada a temperaturas entre 2ºC a 8º C e não pode ser
congelada.
Imunogenicidade e
duração da proteção
Cerca de 2 a 3 semanas após a vacinação são
detectados aumentos de anticorpos séricos em 80% dos adultos jovens,
podendo esta resposta não ser consistente para todos os 23 sorotipos da
vacina. Em idosos estas concentrações de anticorpos são inferiores,
observando-se proteção de cerca de 75% para as doenças invasivas
causadas pelos sorotipos incluídos na vacina.
Esquema de administração
e via de aplicação
Durante a campanha a vacina será
administrada nas pessoas ainda não vacinadas com idade igual ou
superior a 60 anos, pertencentes aos seguintes grupos abaixo:
·
hospitalizados e residentes em instituições
(asilos, casas de repouso);
·
com doenças crônicas – cardiovasculares,
pulmonares, renais, metabólicas (diabetes mellitus) e hepáticas e
·
imunodeprimidos (transplantados, com neoplasias,
infectados pelo HIV).
Não há dados suficientes para indicar a
revacinação sistemática, embora alguns autores recomendem uma única
revacinação após cinco anos. O Centro de Vigilância Epidemiológica,
neste momento, não recomenda a revacinação para as pessoas
imunocompetentes que recebam esta vacina pela primeira vez, com 65 anos
ou mais de idade. Cada dose da vacina corresponde a 0,5 ml e a via de
administração é a intramuscular ou subcutânea.
Contra-indicações e
precauções
Nos casos de reação anafilática em doses
anteriores ou a qualquer componente da vacina a vacinação é
contra-indicada. As pessoas que atualmente estejam com 60 anos ou mais,
e que receberam esta vacina em dose anterior, há menos de três anos, não
deverão ser revacinadas pela possibilidade de potencialização dos
eventos adversos.
Situações em que se
recomenda o adiamento da vacinação
As mesmas da vacina contra influenza.
Eventos adversos
Os eventos adversos que podem ocorrer:
·
manifestações locais 1 a 2 dias após a aplicação;
·
manifestações sistêmicas como febre, geralmente
baixa, astenia, cefaléia, mialgia podem ocorrer em 1% dos casos. Há
relatos de raros casos de celulite no local de aplicação. Na revacinação
as reações são mais importantes, sendo relatadas em até 50% dos
casos.
Manifestações graves, como anafilaxia, são
extremamente raras.
Vacina contra o tétano
Na população idosa a intensificação da vacinação
ocorreu a partir de 1999, com a disponibilidade da vacina dupla adulto
durante a campanha de vacinação contra influenza. Observou-se redução
de 50% dos casos entre 1999 (24 casos, CI = 0,81/100.000 hab) e 2004 (12
casos, CI = 0,33/100.000 hab).
A mobilização da população acima de 60 anos
durante a campanha é um momento oportuno para atingir as pessoas ainda
não vacinadas ou com esquema incompleto.
Vacina contra o tétano
Composição,
apresentação, dose e conservação
Cada dose da vacina é composta pela mistura dos
toxóides diftérico e tetânico, contendo timerosal como conservante e
hidróxido ou fosfato de alumínio como adjuvante. A concentração do
toxóide tetânico é a mesma das vacinas DPT ou DT (dupla tipo
infantil), porém a concentração do toxóide diftérico é menor em
relação a estas vacinas.
A vacina deve ser conservada a temperaturas de 2ºC
a 8ºC e não pode ser congelada. A apresentação é em frascos
contendo dez doses, cada dose corresponde a 0,5 ml.
Imunogenicidade e
duração da proteção
A vacina dupla adulto é altamente eficaz após a
série primária de três doses, apresentando proteção superior a 95%
nos indivíduos vacinados. No entanto, esta imunidade não é
permanente, sendo necessária uma dose de reforço a cada dez anos.
Esquema de administração
e via de aplicação
O esquema completo consiste de três doses,
administradas com 60 dias de intervalo (mínimo de 30 dias) entre a 1ª
e a 2ª doses e seis meses entre a 2ª e a 3ª doses. Recomenda-se uma
dose de reforço a cada dez anos, a partir da terceira dose, salvo em
situações de ferimentos profundos e/ou contaminados, quando o
intervalo é de cinco anos.
Não haverá necessidade de reiniciar o esquema
para as pessoas que apresentarem comprovação de uma ou duas doses de
vacinação contra o tétano. Deve-se apenas completar o esquema.
A via de administração é intramuscular profunda.
Contra-indicações e
precauções
Nas situações muito raras de anafilaxia em
doses anteriores, a vacina está contra-indicada. Porém, por não
conter microrganismos vivos, não está contra-indicada nos portadores
de imunodeficiência ou neoplasias malignas.
Situações em que se
recomenda o adiamento da vacinação
As mesmas da vacina contra influenza.
Na vigência de tratamento com imunodepressores ou com corticóides em
dose alta, pela possível inadequação da resposta, deve-se agendar a
aplicação da vacina para três meses após a suspensão da utilização
do medicamento.
Eventos adversos
Manifestações locais, como discreta dor local,
eritema e edema, são freqüentes. Reações locais mais significativas,
tais como edema acentuado, são encontrados em menos de 2% dos vacinados
e podem estar relacionadas a altas concentrações de anticorpos
circulantes decorrentes de doses anteriormente aplicadas.
Manifestações
sistêmicas, como febre, podem ocorrer em menos de 1% dos vacinados,
raramente observando-se temperaturas elevadas. Cefaléia, mal-estar e
mialgia ocorrem com menor freqüência. Anafilaxia e manifestações
neurológicas são extremamente raras.
|