|
|
Fevereiro, 2006 Ano 3 Número 26
|
|
|
Notas
|
|
|
|
Sistema de Vigilância Epidemiológica das IH
|
|
A Divisão de Infecção Hospitalar realizou, no último dia 16 de fevereiro, no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o debate “Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares no Estado de São Paulo: Limites e Possibilidades”, no qual apresentou os resultados preliminares do sistema de vigilância epidemiológica das IH do Estado. Durante o evento, foram discutidas as possíveis limitações e sugestões para aprimoramento do sistema, bem como as ações governamentais direcionadas pelos dados obtidos.
Participaram do encontro 120 profissionais de diversas regiões do Estado, envolvidos com o controle de infecção hospitalar, que atuam nos hospitais e nas equipes de vigilância epidemiológica e sanitária das Diretorias Regionais de Saúde (DIR) e dos municípios. O debate, uma das etapas de retro-alimentação previstas no sistema de vigilância das infecções hospitalares, contou com apoio da Associação Paulista de Controle de Infecção Hospitalar (Apecih), que indicou os especialistas participantes: as médicas Ana Sara Levin, da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital das Clínicas da USP (FMUSP), e Nédia Maria Hallage, professora da Faculdade de Medicina do ABC, e a enfermeira Vera Lúcia Borrasca, membro da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Sírio Libanês.
Cilmara Polido Garcia, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE), apresentou o modelo de inserção do programa de vigilância da IH na estrutura da saúde em São Paulo, suas interfaces institucionais e seus objetivos. Maria Clara Padoveze, diretora da Divisão de Infecção Hospitalar, mostrou os dados preliminares do sistema, referentes a 2004. Os dados foram debatidos pelas especialistas e público presente.
As próximas etapas da fase de retro-alimentação do sistema prevêem, entre outras ações, a publicação dos resultados, com disseminação em todos os hospitais das redes pública e privada, e a promoção de outros eventos envolvendo os profissionais que irão utilizar os dados obtidos como ferramentas para a prevenção das IH. O documento será disponibilizado na íntegra na próxima edição do Bepa, em abril, e também em versão impressa que será distribuída aos hospitais do Estado e às DIRs.
|
|
|
|
Vacina contra Rotavírus no Calendário de Vacinação
|
|
No último dia 23, com o objetivo de atualizar as informações sobre a vacina contra o rotavírus, a Coordenadoria de Controle de Doenças – por meio da Divisão de Imunização, do Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CCD/CVE) – promoveu o “Simpósio Estadual - Vacina Contra Rotavírus”. Voltado para os profissionais de saúde que atuam diretamente na área de vacinação, o evento, realizado em São Paulo, foi organizado pelo Fesima, com apoio da Furp e das Sociedades de Pediatria de São Paulo e de Cirurgia Pediátrica.
A vacina contra o rotavírus será incluída no calendário de vacinação nacional e estará disponível em todos os centros de saúde do País a partir deste mês. A Rotarix®, do laboratório GlaxoSmithKline Biologicals, foi escolhida por não ter apresentado risco aumentado de invaginação intestinal nos estudos com 63.225 lactentes, dos quais 31.673 receberam as duas doses da vacina e 31.552, placebo. A utilização da primeira vacina contra rotavírus (a RotaShield®, Wyeth-Lederle, licenciada nos Estados Unidos, em 1998) foi suspensa no ano seguinte. A RotaShield® oral, atenuada, tetravalente, com rearranjo símio e humano, aplicada no esquema de três doses aos 2, 4 e 6 meses de idade, apresentou aumento de casos de invaginação intestinal.
A Rotarix® também é uma vacina oral, atenuada, monovalente (G1P[8]), com eficácia para diarréia grave foi de 84,7% (IC95%:71,7-92,4%) e hospitalização de 85% (IC95%:69,6-93,5%). A proteção tem início cerca de duas semanas após a segunda dose. O esquema vacinal recomendado é de duas doses, aos 2 e 4 meses de idade, com intervalo mínimo de quatro semanas entre elas.
A primeira dose deve ser aplicada aos 2 meses (idade mínima 1 mês e 15 dias de vida, máximo de 3 meses e
7 dias de vida). Já a segunda, 4 meses (idade mínima 3 meses e 7 dias de vida, máximo de 5 meses e 15 dias de vida).
A vacina não deve, de forma alguma, ser aplicada fora destes prazos. Em função do risco aumentado de invaginação intestinal observado com a vacina RotaShield, os estudos realizados com as novas vacinas contra rotavírus não foram feitos fora das faixas etária.
|
|
|
|
5ª Expoepi
|
|
A 5ª Mostra Nacional de Experiências Bem Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoep), realizada entre 6 e 8 de novembro de 2005, premiou três trabalhos paulistas. Entre as 21 melhores experiências escolhidas por júri popular estão:
“Avaliação do conhecimento e prática adotados na conservação dos imunobiológicos utilizados na rede pública do Município de São Paulo” , autores Clélia Maria Aranda, da Divisão de Imunização do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES) e José Cássio de Moraes, do Departamento de Medicina Tropical da Santa Casa de São Paulo;
“Primeiro surto de difilobotríase registrado no Estado de São Paulo, Brasil – aspectos epidemiológicos e medidas de controle, 2004-2005”, autora principal Maria Bernadete de Paula Eduardo, da Divisão de Doenças de Transmissão Hídricas do CVE/SES;
“Sistema de vigilância em acidentes do trabalho (Sivat), da Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba”, autor principal Ricardo Cordeiro, da Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O trabalho apresentado por Clélia Aranda ressaltou a importância da Rede de Frio (RF) na excelência dos resultados dos Programas de Imunização. Segundo o trabalho, a forma como as vacinas são manuseadas durante o transporte e estocadas pode comprometer tanto a ampliação das coberturas vacinais quanto a eficácia dos imunobiológicos. Diversos treinamentos foram realizados desde 2000 para os recursos humanos envolvidos com a RF. O estudo avaliou se esses conhecimentos transmitidos estavam sendo adotados na prática pelas salas de vacinas do município de São Paulo. Nessa avaliação, a sistematização da supervisão foi identificada como instrumento de consolidação dos conhecimentos técnicos adquiridos nos treinamentos.
De março de 2004 a novembro de 2005, 50 casos de difilobotríase foram identificados por meio da vigilância ativa com base em laboratório. No Brasil até 2003 não havia registro de casos autóctones da doença. A investigação epidemiológica evidenciou que o salmão foi a causa do surto e, a partir disso, medidas foram tomadas. Entre elas, ampla divulgação de recomendações para o consumo adequado do peixe e educação sanitária para impedir que a parasitose intestinal se tornasse endêmica. A investigação foi o tema do trabalho premiado na Expoepi e mereceu o seguinte comentário da Comissão de Experts: “A investigação estabelece o real significado do surto: identifica e caracteriza o agente; define a população de risco e delimita a área estudada, se inserindo numa concepção de uma vigilância ativa”.
Um mapa dos acidentes de trabalho ocorridos no município de Piracicaba e a avaliação das notificações o subnotificações do agravo ao sistema de vigilância foram destacados no trabalho apresentado e premiado pela Expoepi. Na avaliação dos autores, o Sivat/Piracicaba subsidia as discussões sobre as políticas públicas e contribui para o aprimoramento dos sistemas de informação sobre acidentes do trabalho no Brasil. O trabalho foi publicado na forma de artigo nos Cadernos de Saúde Pública, edição de setembro/outubro de 2005 (www.ensp.fiocruz.br/csp/).
|
|
|
|
|