|
No dia 23 de agosto de 2005, a Divisão de Infecção
Hospitalar, do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, coordenou o
workshop "Micobactérias não Tuberculosas (MNT) Associadas a Infecções
Relacionadas à Assistência a Saúde (IRAS)” com os objetivos de:
-
Sensibilizar
os profissionais de infectologia, laboratório e controle de IRAS para
suspeita precoce e diagnóstico de infecção por MNT.
-
Discutir
aspectos teóricos e práticos para a melhoria no diagnóstico de
infecção por MNT.
-
Aumentar
a capacidade de diagnóstico laboratorial de IRAS ou procedimentos estéticos
causadas por MNT.
Esta reunião científica teve como público-alvo os
infectologistas e profissionais de laboratório que atuam nos
hospitais de referência, profissionais dos laboratórios regionais do
Instituto Adolfo Lutz, profissionais de laboratórios privados de
referência, profissionais que atuam no controle de IRAS e cirurgiões.
Instituições
Participantes
-
Anvisa
-
Centro de Vigilância Sanitária (CVS)
-
Covisa - São Paulo
-
Covisa
- Campinas
-
Divisão de Infecção Hospitalar –
CVE/CCD/SES-SP
-
Divisão de Tuberculose – CVE/CCD/SES-SP
-
Escola Paulista de Medicina – EPM
-
Hospitais:
HC/FMUSP, Hospital São Paulo, I.I. Emílio Ribas, HU/USP, Iamspe,
Santa Casa de São Paulo, Hospital Heliópolis, Hospital do Servidor
Público Municipal, Hospital Ipiranga, Complexo Hospitalar Mandaqui,
Hospital Sírio-Libanês, Casa de Saúde Santa Marcelina, HC/UNICAMP,
HC/UNESP/Botucatu.
-
Instituto
Adolfo Lutz - Central
-
Instituto
Adolfo Lutz Regionais:
Santo André, Araçatuba, Bauru, Marília,
Taubaté, São José do Rio Preto, Sorocaba, Presidente Prudente,
Ribeirão Preto, Campinas, Rio Claro, Registro e Santos.
-
Laboratórios:
Santo Amaro, São Miguel Paulista, Nossa Senhora do Ó, Lapa, Ipiranga, IAL
Santo André, Guarulhos, Franco da Rocha, Osasco, Itapecerica da
Serra.
Apresentação do problema
Durante o evento foram feitas apresentações visando situar
o problema no âmbito do Estado de São Paulo e no âmbito do Brasil.
Os palestrantes que participaram desta etapa foram: enfermeira Maria Clara
Padoveze (DIH-CVE), Dr. Leandro Santi (Gipea-Anvisa), Dr. Renato
Grinbaum (Hospital do Servidor Público Estadual), Dr. Jorge Sampaio
(Laboratório Fleury), Dra. Sylvia Leão (Escola Paulista de
Medicina), Dra. Geraldine Madalosso (Episus-CVE) e Dra. Maria Alice
Telles (IAL). As palestras abordaram os aspectos epidemiológicos, clínicos
e laboratoriais, além de experiências na investigação de surtos por
MNT no Estado de São Paulo e no Brasil.
Em relação às investigações de surtos foram, apontados
como problemas relevantes o processamento inadequado de materiais e
artigos hospitalares, dificuldades no manuseio do glutaraldeído e a
precariedade de registro de informações nos prontuários médicos
que permitem a adequada avaliação
epidemiológica dos surtos.
Destacaram-se a importância da suspeita diagnóstica em relação
ao quadro clínico e associação com procedimentos invasivos, como
cirurgias vídeo-laparoscópicas, oftalmológicas, plásticas com
implante de próteses ou lipoaspiração e procedimentos estético-cosméticos.
Relacionado ao diagnóstico laboratorial foi levantado o
papel do laboratório como serviço de apoio ao médico na suspeita clínica,
enfatizando a importância da realização de coloração específica
(Ziehl-Neelsen) e aumento do tempo de incubação das placas de
amostras clínicas provenientes de procedimentos suspeitos, para
aumentar a chance de isolamento das MNT. Além disso, foi apresentado
o uso da biologia molecular como auxiliar nas investigações de surto,
que permite o esclarecimento da cadeia de transmissão epidemiológica.
Na discussão sobre papel dos laboratórios de referência,
enfatizou-se a importância no diagnóstico do agente etiológico e na
identificação da fonte de infecção, por meio de amostras ambientais
e tipificação das cepas nos casos de surto, bem como orientações
para a coleta e fluxo de amostras clínicas e ambientais.
Os participantes
do workshop realizaram atividades em grupos com o objetivo de
identificar os principais problemas associados ao diagnóstico clínico
e laboratorial e manejo de situações endêmicas e epidêmicas,
apresentando os resultados a seguir.
Problemas identificados
-
Ausência
de controle e rastreabilidade nos procedimentos realizados em clínicas
de estética, de oftalmologia, de endoscopia e outras, bem como ausência
de medidas específicas de controle de IRAS associadas a estes
procedimentos.
-
Deficiências
na capacidade dos laboratórios de identificação das espécies de
micobactérias. Esta deficiência é atribuída em parte a falhas na
capacitação técnica dos profissionais, na comunicação da suspeita
clínica por parte dos médicos e deficiências técnicas na coleta e
transporte dos espécimes clínicos.
-
Ausência
de recursos de laboratório para análise de materiais não biológicos,
pois a maioria dos laboratórios hospitalares não tem condições técnicas
de realizar pesquisa em espécimes não clínicos.
-
Ausência
de diretrizes e deficiência de recursos para a identificação da
real necessidade de testes de sensibilidade a antimicrobianos e
tipificação molecular das MNT causadoras de surtos.
-
Falhas
na suspeita clínica quanto a possíveis infecções por MNT,
especialmente por parte dos cirurgiões plásticos, profissionais que
atuam na área de medicina estética, dermatologistas e
oftalmologistas. A deficiência
na suspeita clínica é provavelmente devida ao desconhecimento do
assunto pelos profissionais e, também, pelo fato de ser este um agente
raro.
-
Demora
no retorno de resultados realizados pelos laboratórios de referência.
-
Deficiência
na notificação dos casos para o Sistema de Vigilância Epidemiológica,
tanto da parte dos profissionais da clínica quanto dos laboratórios.
-
Deficiência
na divulgação científica à comunidade de assistência à saúde, no
que se refere à real dimensão do problema.
Estratégias propostas
Normativas
-
Desenvolver
normativas governamentais referentes ao processamento de artigos
relacionados aos procedimentos de risco, incluindo ambientes não-hospitalares, como clínicas de estética.
-
Desenvolver
normativas governamentais para a manipulação de germicidas químicos,
em especial referentes às soluções de glutaraldeído.
-
Desenvolver
manual técnico de orientação para suspeita clínica, coleta,
transporte e manuseio laboratorial para MNT, com padronização de
Ziehl-Neelsen e aumento do tempo de incubação em agar sangue para
amostras suspeitas, incluindo condutas de coleta.
Educativas
-
Realizar
trabalho educativo com as sociedades de classe das especialidades mais
atingidas pelo problema: cirurgia plástica, estética, oftalmologia,
patologistas.
-
Realizar
trabalho educativo com as CCIH para alertar os médicos quanto às
situações de suspeita diagnóstica, exames laboratoriais e
tratamento.
-
Realizar
trabalho educativo para enfatizar a necessidade de registro dos
procedimentos realizados, para permitir a rastreabilidade do processo.
-
Realizar
trabalho educativo e auditoria específica em clínicas estéticas.
-
Estabelecer
programas de capacitação específica para laboratórios hospitalares
e de referência.
-
Desenvolver
ações educativas para aumentar a integração e comunicação entre
os profissionais da clínica e laboratório, orientando o correto
preenchimento das solicitações de exames, bem como o retorno rápido
de suspeitas laboratoriais de contaminação por MNT.
-
Implementar
boletins epidemiológicos para profissionais da saúde para divulgar
as informações científicas a respeito das IRAS por MNT.
Operacionais
-
Descentralização
dos exames de identificação de espécies para os Laboratórios
Regionais de Referência.
-
Ampliar
ou redirecionar o banco de dados já existente para micobactérias, de
modo aumentar a velocidade na troca de informações entre os
profissionais clínicos, de laboratório e da vigilância,
informatizando o retorno de resultados de exames para o hospital.
-
Definir
estratégias para a realização de testes de susceptibilidade aos
antimicrobianos e tipificação molecular.
Conclusões
-
Considerando a dimensão crescente que o problema vem
atingindo, algumas ações imediatas serão conduzidas pelo Centro de
Vigilância Epidemiológica:
-
Encaminhamento do relatório final das atividades deste
workshop às instituições participantes.
-
Elaboração
de folheto específico de orientação para profissionais de saúde.
-
Formação de grupo na Secretaria de Estado da Saúde (com
membros do IAL, CVE e CVS) para encaminhar as ações normativas e
educativas propostas, bem como estudar alternativas para as propostas
operacionais.
-
Manutenção na página do CVE na internet de documento de
orientação aos profissionais.
|