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Com a ocorrência de epidemias no Rio de Janeiro, Ceará
e Alagoas, em 1986 a dengue passou a ser doença de notificação
compulsória no Estado de São Paulo. Em 1987, foi confirmada a
transmissão no Distrito Rural de Ribeira do Vale, Município de
Guararapes, com 30 casos, e em Araçatuba, com 16 casos confirmados.
Nos anos 1988 e 1989 foram registrados apenas casos importados.
Desde o final de 1990, ocorrem epidemias
todos os anos. As maiores incidências foram constatadas em 2001 e
2002, com 192 e 185 municípios com transmissão, respectivamente,
correspondendo a 38% dos municípios com infestação domiciliar por Aedes
aegypti. Em 2003, a incidência continuou elevada, porém, menor
do que no ano anterior (51,6/100.000 habitantes), tendo sido
identificada a transmissão em 166 municípios. Em 2004, a queda de
incidência foi extraordinária, chegando a 7,8/100.000 habitantes,
incluindo 47 municípios.
Já em 2005, a incidência continua relativamente estável em relação
a 2004, porém, o número de municípios atingidos já chega a 103. Além
do expressivo aumento do número de cidades com transmissão, pode-se
notar também que existem 14 municípios iniciando a transmissão em
período do ano em que o número de casos costuma ser muito baixo
(inverno, ou seja, a partir da semana epidemiológica 23). Entre os
103 municípios com transmissão em 2005, 23 (22,3%) continuam com
transmissão no mês de agosto. Isto talvez possa ser explicado pelas
características do inverno de 2005, com temperaturas acima do
esperado para a época.
Tabela
Distribuição de casos confirmados de dengue e municípios com
transmissão Estado de São Paulo 1998 a 2005
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ANO
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Nº DE CASOS
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INCIDÊNCIA/
100.000 HAB.
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Nº MUNICÍPIOS /
TRANSMISSÃO
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1998
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10.630
|
30,2
|
102
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1999
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15.082
|
42,3
|
101
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2000
|
3.520
|
9,4
|
64
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2001
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51.472
|
137,3
|
192
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2002
|
42.368
|
111
|
185
|
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2003
|
20.292
|
51,6
|
166
|
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2004
|
3.049
|
7,8
|
47
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2005*
|
4.849
|
11,5
|
103
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*Dados provisórios até
19/08/2005
Até 1998, os municípios
com transmissão de dengue concentravam-se no Interior do Estado, regiões
Norte e Centro-Oeste. A partir deste ano, epidemias de dengue começaram
a ocorrer na Baixada Santista, Litoral Norte e Leste do
Estado. Em 2002, 70% dos casos ocorreram na Baixada
Santista, municípios com condições ambientais propícias para
proliferação do Aedes aegypti. Em 2001, teve início a
transmissão de dengue nos municípios da Grande São Paulo, região
do Estado onde há um processo de urbanização desorganizado e
abastecimento de água precário nas regiões periféricas dos municípios,
dificultando as ações de controle.
Pode-se notar que, paralelamente aos municípios
que estão iniciando a transmissão agora, existem 11 municípios
paulistas que apresentam transmissão da dengue todos os anos, desde
1997. Entre eles destacam-se os que, pelo grande fluxo de
turistas provenientes de todas as regiões do Estado e do País,
acabam por facilitar a difusão da dengue em São Paulo.
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Incidência de Dengue (por 100 mil hab.) segundo
Regional de Saúde e ano no Estado de
São Paulo |
A partir de 1996, tem sido detectada a circulação de
vírus dos sorotipos 1 e 2 no Estado. No Brasil, além
da ampla circulação desses dois sorotipos, em 2001 houve a introdução
do sorotipo 3 no Estado do Rio de Janeiro. Em 2002, ocorreu a introdução
do sorotipo 3 em São Paulo, sendo detectada a circulação deste
sorotipo em 20 municípios. Nota-se que, desde 2004, só tem sido
detectada a presença do sorotipo 3 em território paulista, ao contrário
do que ocorria em anos anteriores, em que eram diagnosticados casos
dos diferentes sorotipos concomitantemente.
Sabe-se que o risco de dengue hemorrágica aumenta
quando existe a exposição de uma população a diferentes sorotipos
do vírus. Portanto, já há, hoje, no Estado de São Paulo, as condições
para um aumento da incidência da forma hemorrágica da doença.
Estes dados mostram a necessidade de manutenção de
capacitações nas áreas de atendimento básico ao paciente, vigilância
e controle da dengue, com os objetivos de melhorar a notificação e
controle da doença, o diagnóstico precoce e o atendimento a casos de
febre hemorrágica da dengue e síndrome do choque do dengue. Além
disso, é muito importante conscientizar a população em relação à
necessidade de se manter o controle dos vetores e seus criadouros.
Em 2005, haverá capacitação de 900 médicos e profissionais de saúde
de todo o Estado, entre 5 de setembro e 21 de novembro. Paralelamente,
a Divisão de Zoonoses do CVE está organizando uma teleconferência
que deverá atingir em torno de 4.000 pessoas, basicamente de nível
médio. Uma parte dos municípios deverá incluir na teleconferência
a participação de professores e alunos do segundo ciclo do ensino
fundamental (5ª a 8ª séries). A teleconferência ocorrerá no dia
23 de novembro e contará com a participação do Senac e vários
pontos cadastrados com antena parabólica para este fim.
Também será realizado TBVE módulo dengue, para 920 profissionais da
saúde (vigilância epidemiológica, controle de vetores e Pacs-PSF),
entre 26 de setembro a 8 de dezembro.
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