Informe Mensal sobre Agravos à Saúde Pública   ISSN 1806-4272

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Agosto, 2005   Ano 2   Número 20                                                                     retorna
Dengue: epidemia ou endemia?

Divisão de Zoonoses
Centro de Vigilância Epidemiológica “Professor Alexandre Vranjac”
Coordenadoria de Controle de Doenças
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo


Com a ocorrência de epidemias no Rio de Janeiro, Ceará e Alagoas, em 1986 a dengue passou a ser doença de notificação compulsória no Estado de São Paulo. Em 1987, foi confirmada a transmissão no Distrito Rural de Ribeira do Vale, Município de Guararapes, com 30 casos, e em Araçatuba, com 16 casos confirmados. Nos anos 1988 e 1989 foram registrados apenas casos importados.

Desde o final de 1990, ocorrem epidemias todos os anos. As maiores incidências foram constatadas em 2001 e 2002, com 192 e 185 municípios com transmissão, respectivamente, correspondendo a 38% dos municípios com infestação domiciliar por Aedes aegypti. Em 2003, a incidência continuou elevada, porém, menor do que no ano anterior (51,6/100.000 habitantes), tendo sido identificada a transmissão em 166 municípios. Em 2004, a queda de incidência foi extraordinária, chegando a 7,8/100.000 habitantes, incluindo 47 municípios.

Já em 2005, a incidência continua relativamente estável em relação a 2004, porém, o número de municípios atingidos já chega a 103. Além do expressivo aumento do número de cidades com transmissão, pode-se notar também que existem 14 municípios iniciando a transmissão em período do ano em que o número de casos costuma ser muito baixo (inverno, ou seja, a partir da semana epidemiológica 23). Entre os 103 municípios com transmissão em 2005, 23 (22,3%) continuam com transmissão no mês de agosto. Isto talvez possa ser explicado pelas características do inverno de 2005, com temperaturas acima do esperado para a época.

Tabela
Distribuição de casos confirmados de dengue e municípios com transmissão Estado de São Paulo 1998 a 2005

ANO

Nº DE CASOS

INCIDÊNCIA/
100.000 HAB.

Nº MUNICÍPIOS /
TRANSMISSÃO

1998

10.630

30,2

102

1999

15.082

42,3

101

2000

3.520

9,4

64

2001

51.472

137,3

192

2002

42.368

111

185

2003

20.292

51,6

166

2004

3.049

7,8

47

2005*

4.849

11,5

103

*Dados provisórios até 19/08/2005

Até 1998, os municípios com transmissão de dengue concentravam-se no Interior do Estado, regiões Norte e Centro-Oeste. A partir deste ano, epidemias de dengue começaram a ocorrer na Baixada Santista, Litoral Norte e Leste do Estado. Em 2002, 70% dos casos ocorreram na Baixada Santista, municípios com condições ambientais propícias para proliferação do Aedes aegypti. Em 2001, teve início a transmissão de dengue nos municípios da Grande São Paulo, região do Estado onde há um processo de urbanização desorganizado e abastecimento de água precário nas regiões periféricas dos municípios, dificultando as ações de controle.

Pode-se notar que, paralelamente aos municípios que estão iniciando a transmissão agora, existem 11 municípios paulistas que apresentam transmissão da dengue todos os anos, desde 1997. Entre eles destacam-se os que, pelo grande fluxo de turistas provenientes de todas as regiões do Estado e do País, acabam por facilitar a difusão da dengue em São Paulo.

 


Incidência de Dengue (por 100 mil hab.) segundo
Regional de Saúde e ano no Estado de São Paulo

A partir de 1996, tem sido detectada a circulação de vírus dos sorotipos 1 e 2 no Estado. No Brasil, além da ampla circulação desses dois sorotipos, em 2001 houve a introdução do sorotipo 3 no Estado do Rio de Janeiro. Em 2002, ocorreu a introdução do sorotipo 3 em São Paulo, sendo detectada a circulação deste sorotipo em 20 municípios. Nota-se que, desde 2004, só tem sido detectada a presença do sorotipo 3 em território paulista, ao contrário do que ocorria em anos anteriores, em que eram diagnosticados casos dos diferentes sorotipos concomitantemente.

Sabe-se que o risco de dengue hemorrágica aumenta quando existe a exposição de uma população a diferentes sorotipos do vírus. Portanto, já há, hoje, no Estado de São Paulo, as condições para um aumento da incidência da forma hemorrágica da doença.         

Estes dados mostram a necessidade de manutenção de capacitações nas áreas de atendimento básico ao paciente, vigilância e controle da dengue, com os objetivos de melhorar a notificação e controle da doença, o diagnóstico precoce e o atendimento a casos de febre hemorrágica da dengue e síndrome do choque do dengue. Além disso, é muito importante conscientizar a população em relação à necessidade de se manter o controle dos vetores e seus criadouros.

Em 2005, haverá capacitação de 900 médicos e profissionais de saúde de todo o Estado, entre 5 de setembro e 21 de novembro. Paralelamente, a Divisão de Zoonoses do CVE está organizando uma teleconferência que deverá atingir em torno de 4.000 pessoas, basicamente de nível médio. Uma parte dos municípios deverá incluir na teleconferência a participação de professores e alunos do segundo ciclo do ensino fundamental (5ª a 8ª séries). A teleconferência ocorrerá no dia 23 de novembro e contará com a participação do Senac e vários pontos cadastrados com antena parabólica para este fim.

Também será realizado TBVE módulo dengue, para 920 profissionais da saúde (vigilância epidemiológica, controle de vetores e Pacs-PSF), entre 26 de setembro a 8 de dezembro.

Coordenadoria de Controle de Doenças